Top thingy left
 
URSA MAIOR

Uma das 48 constelações de Ptolomeu. É uma das constelações mais conhecidas, tendo sido mencionada por poetas como Homero, Spenser, Shakespeare, Tennyson e Bertrand Cantat. O finlandês conto épico Kalevala menciona-a, e Van Gogh pintou-a de cabeça para baixo.

Ursa Maior é uma grande constelação, a terceira maior. É mais conhecida pelo "Arado", certamente o asterismo mais famoso do céu. A constelação oferece um grande número de objectos, alguns bem conhecidos, outros nem tanto, e uma estrela que há uns anos esteve nas notícias por ter pelo menos um planeta "temperado" à volta dela.

As estrelas são razoavelmente brilhantes e muito dispersas. Embora a constelação seja muito maior do que costumamos ver, ela estende-se mais para Sul, com xi Ursae Majoris (Alpha Australis), perto de Leão e Caranguejo. A constelação em si não tem nenhuma forma memorável; apenas alguns conseguem descobrir mesmo a ursa. Sendo assim, apenas a forma do "Arado" é mais conhecido. As estrelas que o formam são 7, e seguem o alfabeto grego, o que faz com que sejam fáceis de memorizar. Além de alpha Ursa Majoris, do arado fazem parte beta, gamma, delta, epsilon, zeta e eta.

Este asterismo particular tem também uma grande história, visto em muitas culturas como uma carroça. As sete estrelas não se estão a mover na mesma direcção, e ao fim de muito tempo, o asterismo irá desaparecer. Na realidade, foi há "apenas" 50 mil anos que se discerniu um bonito arado.


Mapa da constelação da Ursa Maior.
Crédito: UAI, Sky & Telescope
(ver formato PDF)
 


Foto astronómica do asterismo do arado.
Crédito: Naoyuki Kurita


Foto astronómica da constelação da Ursa Maior.
Crédito: Naoyuki Kurita

Alpha UMa (Dubhe: a ursa), é uma gigante amarela, com cerca de 25 vezes o tamanho do Sol, e a 86 anos-luz de distância. É um pequeno binário, discutido aqui abaixo. Beta UMa chama-se Merak (virilha); gamma é Phecda (côxa), e delta é chamada Megrez (base da cauda). Estas três são estrelas idênticas, todas brancas (tipo A), e todas a aproximadamente 100 anos-luz de distância.

Quando nos dirigimos para a cauda, encontramos primeiro epsilon UMa, uma variável tipo alpha-CV (ver abaixo), e outra estrela branca tipo A. Chamada Alioth (que não tem tradução adequada), esta estrela é uma das mais brilhantes da constelação, embora uma das mais distantes (se formos pela sua paralaxe). As tabelas mostram uma distância de 78 anos-luz. Este número é ainda discutido e pode ser muito pequeno; a paralaxe indica uma distância de 360 anos-luz.

Depois vem zeta Ursae Majoris (Mizar). Esta estrela forma um belíssimo binário com Alcor (80 UMa) (ver abaixo). Encontra-se a 69 anos-luz de acordo com a sua paralaxe, embora algumas autoridades a ponham mais longe (81.2 anos-luz).

Finalmente temos eta Ursae Majoris, também chamada Benetnasch ou Alkaid. É uma estrela azull-esbranquiçada, um pouco mais afastada que as outras, a 95 anos-luz.

Omicron Ursae Majoris é também chamada Muscida, que significa "focinho", e marca de facto o nariz da ursa. Muscida tem uma ténue (magnitude 15) estrela anã como companheira.

Perto, temos a orelha da ursa, que é um pequeno grupo de estrelas, sigma1, sigma2, e rho. O binário visual sigma2 é discutido abaixo.

Xi Ursae Majoris encontra-se para Sul, perfazendo um pé da ursa. Não é só um binário interessante, como também um marco histórico, pois foi o primeiro binário em que a sua órbita foi calculada (em 1828).

ESTRELAS DUPLAS

Algumas já foram mencionadas acima. Mas existem outros binários em Ursa Maior que vale a pena investigar.

  • Dubhe (Alpha Ursae Majoris) é um binário bem conhecido, com uma companheira de magnitude 4.8, que orbita em cada 44.66 anos.

 

  • Phi UMa tem um período de 105.5 anos. As duas estrelas têm magnitudes similares: 5.3, 5.4, o que resulta numa magnitude combinada de 4.6.
  • Sigma2 UMa é um binário ainda fácil de observar. A companheira, de magnitude 8.2, descreve uma órbita de 1067 anos. Tal como muitos binários lentos, este tem uma variedade de períodos calculados, e algumas fontes dizem que tem uma órbita de 706 anos.
  • Xi UMa é um atractivo binário (4.3, 4.8) com uma órbita rápida. A estrela não deve ser muito difícil de observar.
  • Zeta UMa, Mizar, é a melhor do lote e provavelmente a mais fácil de encontrar. Um sistema múltiplo com Alcor, AB formam um binário fixo. Alcor (componente C) está a 12 minutos Este. Mizar foi o primeiro binário a ser descoberto (em 1650) e normalmente é o primeiro binário a ser encontrado e estudado pelos astrónomos amadores. Por mais tempo que se estude este binário, voltar a ele é sempre uma delícia. Ambos os componentes A e B são binários espectroscópicos (isto é, cada uma tem uma companheira demasiado ténue para observação, mas aparecem quando estudadas espectralmente). A presença de tais companheiras é deduzida nas alterações do desvio de Doppler nas linhas espectrais da estrela primária. Embora a maior distância que Mizar (cerca de um quarto de ano-luz), Alcor (80 UMa) é tida pela maioria das autoridades como gravitacionalmente ligada à primeira. É uma estrela de magnitude 4.01, a 69 anos-luz de distância. Alcor serve também como um bom ponto de partida para o estudo de M101, uma galáxia espiral espectacular vista de face (ver abaixo).

ESTRELAS VARIÁVEIS

Ursa Maior não tem variáveis notáveis, mas existem algumas que podem ser de interesse.

  • Epsilon Ursae Majoris é uma variável tipo alpha-CVn: 1.76-1.78 em cada cinco dias e 2 horas. As estrelas tipo Alpha-Canum Venaticorum são variáveis rotacionais que habitualmente mudam muito pouco na sua magnitude. Estas estrelas são geralmente de tipo A (ou seja, têm um intervalo espectral entre B9 e A5), mas curiosamente mostram que têm uma abundância incomum de um número de metais pesados e uma correspondente falta dos mais básicos elementos. Estas estrelas estão divididas em três grupos: aquelas com linhas espectrais predominantemente de silício, aquelas com manganésio e as com linhas de crómio-estrôncio. Epsilon Ursae Majoris mostra uma linha forte de crómio.
  • R Ursae Majoris é uma variável tipo-Mira com um período de 301.62 dias, e uma mudança de magnitude entre 6.5 e 13.7. Curiosamente, tem um vermelho mais brilhante quando está no seu mínimo; no seu máximo perde muita da sua cor.

OBJECTOS DE CÉU PROFUNDO

Ursa Maior tem cinco objectos de Messier: M40, M80, M82, M97 e M101.

  • M40 (WNC 4) é um objecto de Messier que na realidade não o é. Em 1764 Messier foi à procura de um objecto que tinha sido catalogado como uma nebulosa nesta área. O que encontrou um sistema binário de magnitude 9, com estrelas muito perto uma da outra, pelo que assumiu que tinham sido catalogadas por engano. No entanto, em vez de deixar o caso por terminado, catalogou-as como o n.º 40. Uma centena de anos mais tarde as estrelas foram catalogadas por Winnecke como binárias chamadas "Winnecke 4"; ainda têm este nome. O binário (9.9, 9.3) encontra-se a 1.5º NE de delta UMa. A maneira mais fácil de a encontrar é desenhando uma linha de delta até 70 UMa, e depois mais meio grau a partir deste ponto.
  • M81 (NGC 3031) é uma galáxia espiral (magnitude 6.1) soberba (um dos exemplos mais perfeitos de uma galáxia espiral) e, juntamente com M82 no mesmo campo, meio grau para Norte, formam um espectacular par. Encontra-se a uma distância aproximada de 11.8 milhões de anos-luz, e é considerada uma das galáxias mais densas conhecidas, com uma massa total de 250 mil milhões de Sóis. É necessário um grande telescópio para resolver os bons detalhes dos seus braços.
  • M82 (NGC 3034) flutua acima de M81 como um OVNI, até se pode pensar que a qualquer instante vai descolar... A galáxia não é, como se pode esperar, uma espiral de perfil; é habitualmente descrita como tendo a forma de um fuso e com magnitude 9.3. A galáxia é um pouco misteriosa: pensa-se que uma explosão no seu centro há 1 milhão e meio de anos criou esta forma estranha, que se continua a expandir a um ritmo de 950 km/s (esta emissão flutuante vem do primeiro buraco negro de massa intermédia já descoberto, entre 200 a 5000 massas solares). Além disso, as forças das marés estão a deformar a galáxia, um processo que começou há cerca de 100 milhões de anos.
  • M97 (NGC 3587) é por vezes chamada "Nebulosa da Coruja", devido às suas duas áreas centrais (reveladas apenas em grandes telescópios) se parecerem com os olhos de uma coruja. A nebulosa formou-se pela concha em expansão da sua estrela central, que é muito pequena e compacta, com uma temperatura de superfície de aproximadamente 85 000 K. É considerada uma das nebulosas planetárias mais complexas, a 2600 anos-luz de distância e com magnitude 9.9.
  • M101 (NGC 5457) é uma vasta galáxia, uma das maiores conhecidas, com espirais abertas e a 27 milhões de anos-luz (magnitude 8.3). Embora vista de face, é relativamente ténue; é preciso um grande telescópio e uma noite excepcionalmente boa para ver este objecto no seu melhor. Situada a 5 graus e meio Este de zeta UMa, o método usado para encontrar M101 é saltando entre estrelas. De zeta UMa (Mizar) dirija-se para Alcor, depois um pouco para Norte em direcção a 81 UMa, e depois desça Sudeste para 83, depois 84. Agora localize 86 UMa, para Sudeste. A estrela forma a parte de baixo de um largo V com 84 e M101.

ALGUMAS ESTRELAS DE INTERESSE

Groombridge 1830, Lelande 21185, requerendo ambas uma carta celeste, e 47 Ursae Majoris, recentemente descobriu-se que tinham um planeta que teoricamente poderia suportar água. Groombridge 1830 é famosa por ter um dos maiores movimentos de translação (7.050 arco-segundos), a terceira a seguir da Estrela de Barnard e da Estrela de Kapteyn. Em 511 anos apenas muda a sua posição por um grau. A 28.8 anos-luz de distância, tem uma velocidade espacial de 312 km/s. Chamada de sub-anã, a estrela tem metade do diâmetro do Sol e apenas um quinto da sua luminosidade; no entanto, está tão perto que a sua magnitude visual é de cerca de 6.45. Para a localizar desenhe uma linha entre phi Ursae Majoris e xi Ursae Majoris. Mova-se nesta linha até meio e depois olhe Este mais ou menos à mesma distância. Está agora na sua vizinhança. Existem várias estrelas de 6.ª magnitude na região, mas apenas uma a Norte de uma brilhante galáxia (NGC 3941). Esta é Groombridge 1830. Lalande 21185 é uma anã vermelha com uma massa muito pequena (cerca de um terço da do Sol). A 8.2 anos-luz, o seu movimento de translação é muito rápido, a 4.777 arco-segundos, e tem uma velocidade espacial de 187 km/s. Lalande 21185 tem uma magnitude visual de 7.49, e uma magnitude absoluta de 10.49. Encontrar a estrela pode ser uma aventura. Primeiro comece de xi UMa. Desloque-se para nu UMa, a Norte 2º, e depois encontre a estrela mais brilhante a Oeste (mais ou menos 6 graus). Esta é 46 Leonis Minoris; a estrela mais ténue a Este é em Ursa Maior, mas é chamada 47 Leonis Minoris. Agora mova-se um grau Norte e três quartos de grau. É uma região do espaço algo vazia. Dois graus a Este estará no seu campo.

.........................................................................................................................................................................................

A 17 de Janeiro de 1996, Geoffrey Marcy e Paul Butler anunciaram que tinham encontrado dois planetas do tamanho de Júpiter à volta de duas estrelas visíveis: 70 Virginis e 47 Ursae Majoris.

A observação no Observatório Lick, nos arredores de San Jose, Califórnia, com o objectivo de verificar a existência do planeta a orbitar 47 Ursae Majoris, demorou 8 anos. Tem um período de 1102.86 dias, uma massa de cerca de 3 vezes a de Júpiter, um raio orbital aproximadamente o dobro do da Terra, e, de acordo com o anunciado, "tem provavelmente uma região na sua atmosfera em que a temperatura permitiria água líquida".

O "Sol" do planeta, 47 UMa, é espectacularmente semelhante à nosso: o seu tipo espectral é G0V (o do Sol é G2V). Tem uma temperatura à superfície de 5882 Kelvin (a do Sol é 5780), com uma magnitude absoluta de 4.40 (a do Sol é 4.79).

Pode chegar a 47 UMa, seguindo algumas direcções. Talvez a mais fácil seja começar em phi UMa e descer Sul-Sudoeste 5º. Aí encontrará três brilhantes estrelas que formam um crescente. A estrela mais a Norte deste trio é 47 UMa. Alternativamente, tente localizar o triângulo formado por phi UMa, mu UMa, e 46 LMi. Mesmo no centro deste triângulo, mova-se para Este, onde irá encontrar o trio de estrelas anteriormente referido.

 

MITOLOGIA DA CONSTELAÇÃO

O nome "Grande Ursa" parece datar da Antiguidade, devido às suas latitudes a Norte. Apenas um prodigioso urso poderia viver em tal clima. É curioso que algumas tribos Norte-Americanas (Algonquin, Iroquois, Illinois e Narragansett, possivelmente entre outras) também associaram esta constelação com um urso gigante. No entanto, como os ursos não têm longas caudas, consideravam Alioth, Mizar e Alkaid ou como três crias que seguiam a sua mãe ou como três caçadores. De acordo com uma versão do mito da tribo dos Iroquois, o primeiro caçador (Alioth) carrega um arco e flecha, o segundo um grande tacho no seu ombro (para cozinhar o urso), enquanto o terceiro caçador (Alkaid) carrega lenha para o fogo.

Em burmês, a língua oficial de Myanmar, Pucwan Tārā (pronunciado "bazun taja") é o nome da constelação constituida por estrelas da cabeça e pernas da Ursa Maior; pucwan é um termo que significa calamar, camarão, caranguejo, lagosta, etc.

É um dos restritos grupos estelares mencionados na Bíblia (livro de Job, 9:9, 38:32 - Orionte e as Plêiades, entre outros) e também vista como um urso pelos Hebreus.


Figura da constelação da Ursa Maior.
Crédito: Johann Bayer
 
Na mitologia grega, Calisto, filha do Rei Lycaon, foi eleita quando ainda era criança, para ser umas das companheiras de Artémis. Artémis era irmã de Apollo, padroeira do nascimento e protectora dos recém-nascidos e mamíferos. A única coisa que prezava acima de todas era a sua castidade; até pediu a Zeus para ter a virgindade eterna, que ele concordou.
Artémis juntou um número de jovens ninfas, a quem reflectiu os seus próprios votos de castidade, e a quem também pediu fidelidade completa. Uma delas era Calisto.
Zeus tinha o hábito de seduzir jovens amas, e eventualmente chegou a Calisto. Quando Artémis descobriu que Calisto estava grávida, vingou-se. Artémis adorava caçar; mas alcançaria a sua vingança na perseguição. Então transformou Calisto numa ursa (lembre-se que Artémis é a mesma deusa que apanhou Actaeon a vê-la dar banho. Transformou-o num veado e lançou os seus cães em sua perseguição. Desfizeram-no em bocados).
O plano de Artémis era então transformar Calisto numa ursa, perseguida e morta. Mas Zeus teve pena do seu destino, e enviou Calisto para os céus, tendo a forma de ursa. O seu filho Arcas tornar-se-ia no fundador dos Arcádios, antes de se juntar à mãe nos céus como a Ursa Menor.
 
 
Top Thingy Right