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TYCHO BRAHE
Tycho Brahe (figura 1) é um dos personagens mais fascinantes na história da Astronomia. Nascido em 1546, de uma família nobre dinamarquesa, esteve em Rostock (Alemanha) onde se envolveu num duelo com outro estudante, que lhe cortou parte do nariz. Nada abalado, construíu para si mesmo um nariz de ouro, prata e cera, que segundo as más línguas, não lhe ficava melhor que o original.

Em 1572 estava de regresso à Dinamarca, de onde observou uma estrela brilhante na constelação de Cassiopeia, ficando conhecida como a "nova de Tycho". Tycho observou o seu brilho a diminuir nos meses seguintes e decidiu que a Astronomia tinha de ser a sua carreira.

Teve a sorte de em 1576 o Rei Frederico da Dinamarca lhe ter proporcionado o local para a instalação de um observatório na ilha báltica de Hven, conjuntamente com fundos para a sua manutenção.

Tycho considerou sempre que para se poder tirar conclusões correctas dos fenómenos naturais, era necessário dispôr de medidas o mais precisas possível. Tendo em vista esse objectivo, construíu instrumentos de proporções gigantescas, de modo a minorar os erros de precisão, como é o caso do grande quadrante mural do observatório (figura 2).

Além das dimensões, Tycho preocupou-se em colocar os seus instrumentos sob fundações sólidas de modo a que mantivessem a sua estabilidade.

Entre 1576 e 1598, Tycho produziu as maiores tabelas que alguma vez haviam sido realizadas até à época. No entanto, não conseguiu verificar qualquer paralaxe estelar ou qualquer outro movimento anual que indicasse que a Terra se deslocasse ao redor do Sol.


Figura 1 - Tycho Brahe.
 
No entanto, Tycho viu claramente as vantagens de ter um sistema centrado no Sol e por isso, em 1586, propôs o seu modelo Ticónico híbrido em que o Sol gira em torno da Terra ao longo de um ano mas leva orbitando à sua volta os restantes planetas (figura 3).

Este modelo preservava a elegância do modelo geocêntrico grego, retendo a física de Aristóteles, explicando porque é que os objectos caíam de volta para a Terra, ganhando as vantagens da simplicidade de explicação das retrogradações do modelo heliocêntrico.

Tycho também observou um cometa brilhante em 1577 e provou que, contrariamente ao defendido pelos geocentristas (que pretendiam tratar-se de um corpo terrestre), este se encontrava muito para além da Lua, o que constituiu um argumento contra o geocentrismo, pois desta forma ficou provado que o Universo celeste não era imutável.

Tycho terminou a sua carreira como matemático imperial ao serviço do imperador Rudolfo II.

Viria a falecer em 1601, não sem antes fornecer a Kepler todos os dados das suas observações, pedindo-lhe que publicasse o seu último trabalho, as "Tabelas Rudolfinas", dedicadas ao imperador. Neste livro, foram compilados os dados observacionais de Tycho, embora a visão teórica patente no livro seja a de Kepler, que era um heliocentrista.

 

 

 

Figura 2 - O grande quadrante mural.

 
 
Figura 3 - O Universo Titónico.
 
 
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