| NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 101 |
18 de Fevereiro de 2005 |
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GRANDE CRATERA EM TITÃ |
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Gigante cratera de impacto em Titã.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)
Uma enorme característica anular com um diâmetro exterior de aproximadamente 440 quilómetros aparece nesta imagem de Titã, registada pela sonda Cassini. Assemelha-se a uma grande cratera ou parte de uma bacia em forma de anel, qualquer uma podendo ter sido formada por um cometa ou um asteróide com dezenas de quilómetros que colidiu com Titã. Esta é a primeira característica de impacto identificada em imagens de radar de Titã.
A superfície de Titã parece ser muito jovem quando comparada com os outros satélites saturnianos. Neste caso, os detritos que caem da atmosfera ou outros processos geológicos podem esconder ou apagar quaisquer vestígios de crateras. O padrão do brilho sugere que existe alguma topografia associada a esta característica; por exemplo, no centro da imagem parecem existir elevações com aproximadamente 25 quilómetros de comprimento. Dado serem mais escuras nas partes mais baixas no lado oposto e mais brilhantes na direcção contrária, devem ser mais altas que o terreno vizinho.
Esta imagem é parte de uma porção maior adquirida a 15 de Fevereiro de 2005, na segunda oportunidade da Cassini para mapear a superfície de Titã via radar. As divisões entre os segmentos de radar são visíveis como linhas dentadas na horizontal.
Links:
Notícias relacionadas:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/4267895.stm
http://www.sgvtribune.com/Stories/0,1413,205~12220~2716008,00.html
http://www.jpl.nasa.gov/news/news.cfm?release=2005-029
Titã:
http://en.wikipedia.org/wiki/Titan
Cassini:
http://saturn.jpl.nasa.gov |
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TEORIA COMBINADA PODE EXPLICAR FORMAÇÃO PLANETÁRIA |
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Astrónomos combinaram uma ideia com 50 anos e uma teoria de formação planetária dos anos noventa para criar um novo modelo de como os planetas são criados nos discos gasosos em volta de estrelas jovens.

Duas teorias de formação planetária.
Crédito: NASA
"Talvez a realidade seja um pouco mais complicada e ambas as coisas estejam a acontecer ao mesmo tempo," sugere o astrónomo Richard Durisen da Universidade de Indiana, em Bloomington, EUA.
Nos anos 90, o modelo dominante de como os planetas se formaram tinha o nome de "acreção". Neste, os objectos sólidos chocaram uns com os outros e "colaram-se" no início do Sistema Solar. Se um objecto crescesse até uma massa aproximadamente 10 vezes a da Terra, tornar-se-ia grande o suficiente para atraír o gás dos arredores, possivelmente conduzindo ao nascimento de um gigante planeta gasoso.
Mas este processo pode ser demasiado lento para ser uma explicação realista de como os gigantes gasosos se formam, afirma Durisen. E provavelmente não funcionaria para a formação dos "super-Júpiteres" em torno de outras estrelas. "É já difícil construir Júpiter numa quantidade de tempo razoável". Pensa-se que os super-Júpiteres tenham várias vezes a massa de Júpiter.
Outra explicação possível para a formação planetária - "o modelo da instabilidade-gravitacional" - foi originalmente proposto há mais de metade de um século. Esta diz que uma nuvem de gás, pó e gelo em torno de uma estrela, colapsa num disco e forma braços espirais. Estes braços depois quebram-se em bocados que crescem até os planetas se formarem. "É tal como uma pequena semente que cresce e cresce," diz Scott Kenyon, um astrónomo do Observatório Astrofísico do Smithsonian em Cambridge, Massachussets, EUA.
Mas este método também traz os seus problemas. Quando os modelos informáticos criam estes amontoados de material, são frequentemente quebrados pelo violento sistema em rotação.
Agora Durisen e seus colegas sugerem que mesmo que as instabilidades gravitacionais num sistema solar infantil não proporcionem conjuntos permanentes, estas poderão acelerar a acreção central.
Na sua simulação computacional híbrida, os densos anéis gasosos formam-se nas fronteiras de áreas estáveis e instáveis do disco. O gás é quente dentro destes limites mas frio por fora, e o gás arrefecido é atraído para dentro até que atinge a parede de gás aquecido.

Uma nuvem de gás, pó e gelo girando em torno de uma estrela colapsa num disco e forma braços espirais.
Crédito: Universidade de Indiana
Uma vez que gás suficiente exista no anel, atrai material sólido através da sua própria gravidade. Eventualmente, o modelo de acreção central entra em acção, e o material no anel pode começar a coalescer num planeta. E cada sistema solar poderá ter mais que um anel, de acordo com o modelo, por isso a existência de mais planetas é uma possibilidade.
O estudo irá ser publicado na edição de Fevereiro da revista Icarus.
Links:
Notícias relacionadas:
http://www.universetoday.com/am/publish/safe_havens_formation.html?1422005
http://www.indiana.edu/~rcapub/v27n1/rings.shtml |
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UMA LUFADA DE VIDA EM MARTE |
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Um cientista da Agência Espacial Europeia diz que encontrou um gás na atmosfera marciana que acredita ser apenas explicado pela presença de vida. Mas os poucos cientistas que tiveram acesso aos factos dizem que tal conclusão é prematura.
Vittorio Formisano do Instituto de Física e Ciência Interplanetária em Roma irá falar na próxima semana na primeira conferência dedicada aos resultados da sonda Mars Express da ESA. Esta tem orbitado em volta de Marte desde Dezembro de 2003. Agustin Chicarro, cientista da Mars Express e o organizador da conferência em Noordwijk, na Holanda, diz que espera que voem faíscas. "Agendámos uma hora inteira de debate - poderá ser uma discussão acesa."

Vista de Marte a partir de órbita.
Crédito: ESA
Os cientistas estão compreensivamente cautelosos. A lista de teorias desacreditadas de vida em Marte é longa: desde canais construídos por seres inteligentes que astrónomos no passado pensavam que viam, a "fósseis de bactérias" encontrados num meteorito marciano que caíu na Antárctida. As estruturas parecidas com fósseis, que foram descobertas em 1996, pensa-se agora que tenham sido gravadas por processos químicos.
O debate reatou o ano passado quando três equipas, incluíndo a liderada por Formisano, detectaram independentemente metano em Marte - um gás que as bactérias produzem na Terra. Alguns especularam que micróbios semelhantes podem estar a produzir este metano em Marte. Mas outros argumentam que o metano às concentrações observadas pode ser explicado por processos não-biológicos, produzindo cerca de 150 toneladas de metano por ano. Um cometa que colidiu com Marte há muito tempo atrás ou uma qualquer espécie de actividade vulcânica pode também fornecer esta quantidade.
No entanto, Formisano diz que há muito mais metano em Marte. Baseia-se na detecção de um gás diferente, formaldeído, pelo Espectómetro Planetário de Fourier (PFS), um instrumento a bordo da Mars Express que dirige. Formisano calculou a média entre milhares de medições registadas pelo PFS e estimou que a atmosfera marciana tem formaldeído em concentrações de 130x10-3 ppm.
Formisano pensa que o gás está a ser produzido pela oxidação do metano e estima que 2.5 milhões de toneladas de metano por ano são necessários para o seu fabrico. "Acredito que até que se demonstre que processos não-biológicos podem produzir isto, possivelmente a única maneira de tanto metano existir é se houver vida," afirma. "A minha conclusão é que deverá haver vida no solo de Marte."
A presença de formaldeído poderá explicar o porquê de estudos anteriores terem encontrado distribuições não uniformes de metano em Marte, diz Formisano. Devido ao metano demorar centenas de anos a degradar-se, o vento deverá equilibrar a concentração do gás por todo o planeta. Mas se está a ser oxidado em certas regiões, tais como nas que são ricas em compostos de ferro, então encontrar-se-ia menos metano nessas áreas.
Outros especialistas, incluíndo os colaboradores de Formisano no PFS e outros investigadores na missão da Mars Express a quem Formisano apresentou o seu trabalho, aconselham cautela. Pode encontrar-se sozinho na perseguição do formaldeído, diz um dos seus colaboradores, Sushil Atreya da Universidade de Michigan, em Ann Arbor, EUA.
Outros avisam que Formisano está a puxar o instrumento até ao seu limite na busca do formaldeído. Para identificar os compostos, o PFS procura linhas de absorção escuras no espectro de luz reflectida por Marte. O formaldeído absorve uma quantidade razoável de comprimentos de onda no infravermelho, mas o instrumento não é sensível o suficiente para ver as linhas individuais.

Mars Express em órbita de Marte.
Crédito: ESA - ilustração por Medialab
(clique na imagem para ver versão maior)
"Não é 100% convincente," diz Therese Encrenaz, do Observatório de Paris, França, outra colega de Formisano. "Mas acho que merece um estudo mais aprofundado."
Se é mesmo confirmado que Formisano encontrou formaldeído, não está necessariamente a vir da oxidação do metano. E se existirem grandes quantidades de metano no Planeta Vermelho, podem não ter origens biológicas.
"Sinceramente, não sabemos qual será a geologia interna de Marte. Tirar conclusões acerca da sua origem biológica ou não a esta altura é muito arriscado," diz Michael Mumma do Centro Espacial Goddard em Greenbelt, Maryland, EUA, que no ano passado encontrou metano em Marte usando telescópios terrestres.
Formisano concorda que não encontrou até agora nenhuma prova conclusiva. "Não o posso demonstrar com toda a certeza," diz. "Mas estas pistas de vida que encontrei são as melhores que poderemos encontrar. O próximo passo é lá ir e procurar." Missões futuras, tais como o Laboratório Científico de Marte da NASA actualmente em planeamento, irão procurar e analisar as moléculas orgânicas no solo.
Enquanto outras provas sugerem que Marte foi e pode ainda ser um local hospitaleiro à vida, a ESA prefere jogar pelo seguro. "Se esta questão fosse um pouco menos controversa, então talvez aí estivéssemos a ter alguma espécie de conferência de imprensa," diz Chicarro. "Mas precisamos deixar a comunidade científica no seu percurso natural e debater aí." Debate na conferência da próxima semana é já certo.
Links:
Notícias relacionadas:
http://www.space.com/scienceastronomy/mars_life_050216.html
http://www.space.com/scienceastronomy/express_methane_040920.html
http://education.guardian.co.uk/higher/research/story/0,9865,1416305,00.html
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/astro_news/marte_agua_041214.htm
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/astro_news/marte_metano_041116.htm
Vitorio Formisano:
http://pfsweb.ifsi.rm.cnr.it/Formisano/Formisano/
http://www.esa.int/esaSC/SEMIU7XLDMD_people_0_iv.html
Mars Express:
http://www.esa.int/SPECIALS/Mars_Express/index.html
http://www.congrex.nl/05C05/programme.html
Marte:
http://en.wikipedia.org/wiki/Mars_%28planet%29 |
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS |
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Melas, Candor e Ophir: Vales de Mariner - Crédito:
G. Neukum ( FU Berlin) et al., Mars Express, DLR, ESA
Originalmente registada pela sonda Mariner 9, o "Grande Canyon" de Marte, Valles Marineris, é um sistema de enormes depressões e desfiladeiros que se estendem por cerca de 4,000 quilómetros ao longo do equador marciano. Observando a parte norte da região central, o negro " Melas Chasma" situa-se na parte da frente desta espectacular vista em perspectiva. Por trás encontra-se Candor Chasma e as inclinadas paredes de Ophir Chasma perto do horizonte. Derrocadas e superfícies colapsadas fazem parte desta complexa história geológica, com depósitos sedimentares também visíveis no sistema. Registada em 2004, a imagem representa dados da Câmara Stereo de Alta-Resolução (HRSC) a bordo da sonda europeia Mars Express. Melas, Candor e Ophir têm cerca de 200 km de comprimento e entre 5 e 7 de profundidade.
Ver imagem em alta-resolução (nota: imagem de extrema alta-resolução - 8 MB) |
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ESPAÇO ABERTO |
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Observação astronómica, dia 12 de Fevereiro, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.
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EFEMÉRIDES: |
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Dia 18/02: 49º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1930, Plutão é descoberto por Clyde Tombaugh durante uma pesquisa em chapas fotográficas registadas no telescópio de 13" do Observatório Lowell. Na altura foi designado como o nono planeta do Sistema Solar e o mais afastado. Desde aí, descobrimos também quão "não parecido com um planeta" realmente é. Muito mais pequeno do que inicialmente estimado, menor que a nossa própria Lua e até mais pequeno que sete luas do sistema solar (Lua, Io, Europa, Ganimedes, Calisto, Titã e Tritão). Tem uma órbita elíptica irregular que está inclinada 17º em relação ao plano da eclíptica. É mais parecido com os milhares de objectos gelados que orbitam a fronteira do nosso Sistema Solar. Estes objectos trans-neptunianos (OTN) estão classificados por números. À medida que o número se aproximava de 1,000, alguns astrónomos propõem reclassificar Plutão como o maior destes OTN. A União Astronómica Internacional, que tem a autoridade sobre os nomes astronómicos, rejeitou a mudança de classificação.
Em 2001, astrónomos lêm a luz espectral das estruturas mais antigas do Universo: o quasar RD J030117+002025 na constelação de Baleia. A luz do quasar viajou 13 mil milhões de anos. Isto significa que existiu numa altura em que o Universo tinha cerca de 8% da sua idade actual.
Observações: Aproveite a noite para observar a Lua, que se encontra a menos de 4º do enxame aberto M35, na constelação de Gémeos.
Dia 19/02: 50º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1473, nascia Nicolau Copérnico, conhecido como o fundador da Astronomia Moderna. Em 1530, completa e anuncia ao mundo o seu grande trabalho "De Revolutionibus", que explica que a Terra roda sobre o seu próprio eixo uma vez por dia e viaja à volta do Sol anualmente.
Em 1924, Edwin Hubble escreve a Harlow Shapley: "Estará interessado em saber que encontrei uma variável Cefeida na Nebulosa de Andrómeda" (a actualmente conhecida «Galáxia de Andrómeda»).
Em 2002, primeiras imagens na luz visível registadas pela Mars Odyssey duma região chamada Acheron Fossae em Marte.
Observações: A estrela variável Algol deverá estar no mínimo durante umas duas horas, por volta das 00:37.
Aproveite a noite para observar a Lua, que hoje forma um quadrilátero com Pollux, Castor e Saturno.
Dia 20/02: 51º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, o Tenente-Coronel John Glenn torna-se no primeiro americano a orbitar a Terra a bordo da cápsula Mercury Friendship 7.
Em 1986 era lançada a base da estação espacial russa Mir.
Observações: Se madrugar hoje, aproveite para observar Marte na constelação de Sagitário, a Sudeste antes do nascer-do-Sol.
Dia 21/02: 52º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1901 é observada a primeira brilhante nova do século XX. É também a primeira a ser estudada espectralmente e fotometricamente, atingindo uma magnitude de 0.2 a 23 de Fevereiro. O astrónomo amador T. D. Anderson foi o seu primeiro observador. Durante o declínio do brilho, mais ou menos 100 dias, este flutuou com um período de 4 dias e uma amplitude de magnitude e meia.
Observações: Esta noite a Lua encontra-se a menos de 3.5º do enxame aberto M44 (chamado também de Presépio), na constelação de Caranguejo.
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CURIOSIDADES: |
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A missão científica da SMART-1 foi prolongada por mais um ano, tendo um fim determinado para Agosto de 2006. |
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PERGUNTE AO ASTRÓNOMO: |
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