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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 102
22 de Fevereiro de 2005
arrow OBSERVAÇÕES SUGEREM MAR GELADO EM MARTE thingy

Um mar gelado, sobrevivendo como grupos de blocos de gelo, pode situar-se mesmo por baixo da superfície de Marte, sugerem observações da sonda europeia Mars Express. Este está a apenas 5º Norte do equador marciano e seria a primeira descoberta de um grande corpo de água para lá das calotes polares do planeta.

Imagens da Câmara Stereo de Alta-Resolução da Mars Express mostram estruturas subterrâneas - chamadas "placas" - que se parecem com formações de gelo perto dos pólos da Terra, de acordo com uma equipa internacional de cientistas.

Mas o local das placas, perto do equador, significa que a luz solar deveria ter derretido qualquer gelo aí presente. Por isso, a equipa sugere que uma camada de cinza vulcânica, talvez com apenas alguns centímetros de espessura, possa estar a proteger estas estruturas.

"Penso que é razoavelmente plausível," diz Michael Carr, um especialista em água marciana no USGS em Menlo Park, Califórnia, que pertenceu à equipa. Ele afirma que cientistas já tinham previamente suspeitado da existência de uma fonte de água a norte das placas Elysium. "Nós sabemos de onde veio essa água," disse Carr. "Podemos seguir os vales esculpidos pela mesma até esta área."


A imagem à esquerda, mostra campos extensos de características de placas, comparada com a da direita registada na Antárctida. Placas individuais variam entre 30 m e 30 km, com sinais de fragmentação, rotação e desvio horizontal por vários quilómetros de distância.
Crédito: HRSC

Também diz que as provas são "tentadoras" no que respeita a cheias passadas perto das placas. "Talvez o gelo ainda esteja lá no chão, protegido por uma camada vulcânica, como sugerem".

Existem já provas abundantes da presença passada de água em Marte, mas hoje parece relativamente seco, com água gelada apenas confinada aos pólos do planeta. As observações remotas dos átomos de hidrogénio feitas pela sonda da NASA Mars Odyssey em 2002 apontam para que esse gelo se encontre a pouco mais que um metro da superfície a baixas latitudes. Mas estas provas foram inconclusivas, dado que o sinal poderia ter vindo dos minerais expostos à água no passado.

A equipa de cientistas, liderada por John Murray da Universidade Open, Reino Unido, estima que o mar gelado submergido tenha 800 por 900 km em tamanho e uma média de 45 metros de profundidade. Imagens destas placas geladas podem ser vistas neste documento em PDF.


Corrente antárctica de gelo (esquerda) similar ao Ares Vallis em Marte.

O artigo é para uma apresentação a ser feita na Conferência de Ciência Lunar e Planetária no Texas a 18 de Março. Uma palestra com o mesmo tópico dada por Murray na Primeira Conferência Científica da Mars Express em Noordwijk, Holanda, teve lugar ontem.

A equipa alcançou a profundidade estimada pelo estudo das crateras nestas placas. Dizem que as crateras parecem pouco fundas para os seus diâmetros - sugerindo que o gelo está a diminuir as suas profundidades. Mais, a superfície está invulgarmente nivelada - como se gelo estivesse por baixo. Estas evidências sugerem que as placas não são apenas pistas deixadas por gelo que desapareceu completamente. Contagens das crateras põem a idade das placas em aproximadamente 5 milhões de anos.

Neste trabalho, os cientistas traçam uma possível história para o gelo subterrâneo. Começa com as grandes massas de gelo flutuando na água em Marte. O gelo foi posteriormente coberto por cinzas vulcânicas, evitando a sua sublimação na fina atmosfera. Depois, o gelo quebra-se e é levado pela corrente antes que a restante água líquida congele. Nem todo o gelo está protegido pela camada de cinza, pelo que é sublimado, deixando as placas de gelo para trás.


Poderá ter sido este o aspecto de Marte, no seu passado distante?
Crédito: NASA/JPL/Arizona State Univesity

"Se esta hipótese fôr verdadeira, então este será um local ideal para uma aterragem em busca de vida em Marte," diz Brian Hynek, cientista no Laboratório para Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado em Boulder, EUA.

Um problema com este mar gelado proposto é que existe muito pouco vapor de água na atmosfera marciana actual. Carr diz que se tivesse havido alguma sublimação relativamente recente, como os cientistas propõem, alguns traços de água deveriam ter ficado na atmosfera.

Também, formações semelhantes já têm sido anteriormente observadas em Marte mas foram atribuídas a lava solidificada. A equipa de Murray diz que um fluxo de lava não encaixa nas suas observações. Estas placas têm quase o dobro do tamanho que as placas vulcânicas na Terra, e deixam para trás veredas lisas e direitas quando colidem com crateras e ilhas. Estas observações "implicam um fluído extremamente móvel, com características semelhantes às da água," escrevem os cientistas.

Carr diz que existem outras regiões de Marte com formações similares, o que significa que pode não só ser água subterrânea. Mas fundamentalmente, poderá ser difícil provar se o mar gelado ainda existe hoje em dia.

O radar MARSIS, em breve a ser desdobrado pela Mars Express, deverá ser capaz de detectar água líquida subterrânea, mas poderá ter dificuldade em diferenciar entre gelo e solo rochoso. E o gelo não é visível directamente, "Para o preservar, temos que o enterrar," diz Carr. "Mas se o enterrarmos, não o podemos detectar."

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/astro_news/mars_express_050208.htm

Documento PDF:
ftp://www.lpi.usra.edu/pub/outgoing/lpsc2005/full97.pdf

Marte:
http://en.wikipedia.org/wiki/Mars_%28planet%29

Mars Express:
http://www.esa.int/export/SPECIALS/Mars_Express/index.html

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Lua de Saturno, Rea, pela Cassini - Crédito: Cassini Imaging Team, SSI, JPL, ESA, NASA
Cada lua de Saturno parece ter o seu próprio mistério. Rea, a segunda maior lua de Saturno a seguir a Titã, mostra raios irregulares, visíveis na imagem do lado como riscos brilhantes. Imagens em alta-resolução de características semelhantes em Dione indicam que podem ser entrançados. Rea é composta principalmente de água gelada, mas provavelmente tem um pequeno núcleo rochoso. A rotação de Rea e sua órbita encontram-se em ressonância, tal como a Lua, e por isso só um lado se mostra na direcção de Saturno. A superfície aqui predominante é muito mais craterada que a oposta. A imagem é a cores naturais e foi tirada o mês passado pela sonda Cassini em volta de Saturno.
Ver imagem em alta-resolução
     
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Observação astronómica, dia 19 de Março, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 22/02: 53º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1995, o asteróide 1995CR passa a 7.2 milhões de quilómetros da Terra.
Observações: Aproveite a madrugada para apontar com binóculos ou com um pequeno telescópio ao asteróide 2 Pallas, magnitude 7.6, a apenas 0.4º abaixo da estrela Porrima (Gamma Virginis), da constelação da Virgem. Faça um esboço da sua posição e observe em noites futuras para ver que se está a mover!

Dia 23/02: 54º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1950, descoberta do asteróide (29075) 1950 DA. Foi observado durante 17 dias e depois diminuiu de brilho até não poder ser visto durante meio século. No fim do ano 2000 (31 de Dezembro), um objecto foi reconhecido como sendo o há muito perdido 1950 DA. Observações do objecto descrevem a rocha como tendo 1.1 km de diâmetro e uma rotação de 2.1 horas, a rocha com o período de rotação mais rápido já encontrada no nosso Sistema Solar.
Em 1987, supernova na Grande Nuvem de Magalhães visível a olho nu, resultado de uma explosão da supergigante azul Sanduleak 69. Conhecida como SN1987A, foi a primeira supernova "próxima" dos últimos três séculos.
Em 1999, conjunção de Júpiter com Vénus. As conjunções não são eventos raros. Mas as conjunções planetárias são raramente tão próximas e Vénus e Júpiter são os objectos mais brilhantes do céu, a seguir ao Sol e à Lua.

Dia 24/02: 55º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1968 foi descoberto o primeiro pulsar, por Jocelyn Bell Burnell, numa pesquisa em rádio. Hewish e Ryle, co-directores do projecto, receberam o prémio Nobel da Física em 1974 por conjugar as observações com um modelo duma estrela de neutrões em rotação. Isto tinha sido previamente explorado em teoria trinta anos antes por J. Robert Oppenheimer, que ficou famoso por liderar o laboratório de Los Alamos onde foi desenvolvida a bomba atómica e que, mais tarde, foi vítima da era política de Mccarthy.
Em 1969 a sonda americana Mariner 6 era lançada. A 31 de Julho de 1969, passou a 3330 km de Marte e enviou de volta 74 imagens.
Em 1979, lançamento da sonda Solwind P78-1.
Em 1996 a sonda Polar foi lançada para estudar a região dos pólos da Terra, uma região activa do geoespaço.
Observações: Lua Cheia, às 04:54.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Para comemorar o sucesso dos dois rovers, mais de um ano depois de terem aterrado em Marte, dois asteróides receberam os seus nomes. Eles são: asteróide 374252 Spirit e asteróide 39382 Opportunity.
 
 
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