Os astrónomos descobriram uma galáxia invisível, que pode ser a primeira de muitas e que poderá ajudar a desvendar um dos maiores mistérios do Universo. O objecto parece ser feito essencialmente de matéria escura, um material desconhecido na natureza que nos rodeia diariamente e que não pode ser observado.

A elipse mostra a região onde a galáxia negra foi descoberta.
Crédito: Universidade de Cardiff / Isaac Newton Telescope on La Palma
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Os teóricos têm desde há muito dito que a maior parte do Universo é constituída de matéria escura. Ela é necessária para explicar a força gravitacional adicional que é observada para manter as galáxias intactas e também para manter os enxames de galáxias unidos às enormes distâncias que se encontram umas das outras.
Os teóricos também acreditam que os nós foram integrantes na formação das primeiras estrelas e galáxias. No Universo primitivo, a matéria ter-se-á condensado como gotas de água numa teia de aranha. A matéria "normal", como o hidrogénio, foi gravitacionalmente atraída para um nó de matéria escura e quando a densidade se tornou suficientemente grande nasceram estrelas, o que marcou o nascimento das galáxias.
Os teóricos também acreditam que os nós de matéria escura se mantêm ainda espalhadas através do cosmos.

Os nós formados na agregação da matéria negra são as galáxias
Crédito: Chung-Pei Ma, University of California, Berkeley
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A nova galáxia descoberta foi detectada usando radiotelescópios. Objectos deste tipo, quer podem ser muito abundantes, quer muito raros, disse Robert Minchin da Universidade de Cardiff no Reino Unido.
"Se isto é a matéria escura prevista pelas simulações de formação galáctica, então poderá haver muito mais galáxias destas do que das até agora conhecidas" disse Minchin.
No enxame de galáxias da Virgem, a cerca de 50 milhões de anos-luz de distância, Minchin e os seus colegas procuravam a radiação rádio do hidrogénio (banda dos 21 cm) quando encontraram um poço contendo 1 milhão de massas solares e que em face das circunstâncias da detecção é agora chamado VIRGOHI21.
O poço de material roda demasiado depressa para poder ser explicado pela quantidade de gás encontrada, tem que haver algo mais a servir de cola gravitacional.
"Da sua velocidade de rotação inferimos que tem que ser mil vezes mais massivo que aquilo que podemos inferir apenas dos átomos de hidrogénio," Minchin said. "Se VIRGOHI21 fosse uma galáxia normal teria que ser suficientemente brilhante para ser visível até com telescópios amadores."
A razão entre matéria escura e matéria regular é de pelo menos 500 para 1 o que é muito superior ao que ocorre nas galáxias normais em que é de 6 para 1. "No entanto," refere Minchin, "é muito difícil prever o que esperar nos objectos deste tipo."
Outras potenciais galáxias invisíveis já foram detectadas mas análises posteriores mostraram que havia estrelas à mistura. No entanto, é possível que VIRGOHI21 não venha a revelar a existência de quaisquer estrelas, dizem os astrónomos. A descoberta foi feita em 2000 com o telescópio Lovell da Universidade de Manchester mas apenas foi anunciada ontem, pois o impacto que esta notícia iria ter implicava uma análise ultracuidadosa dos dados para além da verificação de todas as possibilidades alternativas.
"O Universo continua a manter toda uma panóplia de segredos para nos revelar, mas mostra que começamos a compreender como devemos olhar para ele, para o fazer de forma apropriada." disse o astrónomo Jon Davies da Universidade de Cardiff . "É de facto uma descoberta excitante."
Para confirmar os resultados foram usados resultados obtidos no Observatório de Arecibo em Porto Rico. De seguida foi feito trabalho no óptico com o telescópio Isaac Newton Telescope, em Roque de los Muchachos, La Palma. O projecto envolveu já astrónomos do Reino Unido, França, Itália e Austrália. O projecto procura agora novas galáxias escuras deste tipo.
Links:
Press Release:
http://www.jb.man.ac.uk/news/darkgalaxy/
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