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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 105
4 de Março de 2005
arrow DESCOBERTO O ATÉ AGORA MAIS DISTANTE ENXAME GALÁCTICO thingy

Os astrónomos descobriram o enxame galáctico mais distante jamais observado - e tem uma surpreendente parecença com aqueles mais próximos. A técnica usada para descobrir o enxame promete descobertas futuras a distâncias similares, que poderão ajudar a aperfeiçoar os modelos cosmológicos.

O enxame galáctico situa-se a 9 mil milhões de anos-luz de distância. Bate o anterior recorde de 8.5 mil milhões de anos-luz - um salto que representa uma "importante fracção na vida de uma galáxia", diz Christopher Mullis, da Universidade de Michigan em Ann Arbor, EUA, líder da equipa de cientistas.

As primeiras galáxias do Universo terão sido provavelmente formadas umas quantas centenas de milhões de anos depois do Big-Bang. Depois começaram a aglomerar-se em "proto-enxames", ou grupos de algumas centenas, em mais ou menos mil milhões de anos. O recém-descoberto enxame, que poderá albergar milhares de galáxias, parece ter começado a crescer quando o Universo teria 2.5 mil milhões de anos e terminado mais ou menos 2 mil milhões de anos depois.

Na altura, já seria extremamente massivo. Apenas objectos colossais poderão conter o gás de 70 milhões de graus detectado pelos astrónomos. O gás é aquecido à medida que as galáxias se aproximam umas das outras. Imagens tiradas pelo telescópio europeu XMM-Newton, lançado para estudar os raios-X em 1999, também revelou que o gás tomou uma forma esférica - sugerindo uma gorda idade média.

"Pensávamos que estes objectos seriam mais jovens," diz Mullis. "Mas este parece ser muito antigo."

Richard Mushotzky, um especialista em enxames galácticos do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, concorda. "Encontrar tais massivos e evoluídos sistemas a uma tão grande distância é algo um pouco inesperado," afirma. E acrescenta que as simulações computacionais mostram que tais sistemas são raros.

De facto, apenas outros cinco enxames foram encontrados a uma distância superior a 7.5 mil milhões de anos-luz, comparados com os 1000 a 3.5 mil milhões de anos-luz da Terra. Isto resulta no facto do Universo não ter ainda desenvolvido estruturas tão gigantescas há 7.5 mil milhões de anos atrás, bem como na árdua tarefa de observar objectos tão ténues, diz Mullis.


Distribuição esquemática dos enxames galácticos conhecidos no espaço.
Crédito: Christopher Mullis, Universidade de Michigan
(clique na imagem para ver versão maior)

Mas ele e seus colegas desenvolveram uma técnica que torna a sua observação muito mais fácil. Correram imagens do arquivo do XMM-Newton por um software que escolhe enxames candidatos ao pesquisar por grandes e difusas fontes de raios-X.

A seguir, registam relativamente depressa imagens de cerca de 30 candidatos por filtros azuis e vermelhos no VLT no Chile. Devido à expansão acelerada do Universo esticar a luz para o lado de comprimentos de onda mais avermelhados, escolhem apenas os objectos mais "vermelhos" para estudo posterior, pois estes deverão ser os mais distantes e antigos.

Um enxame, chamado XMMU J2235.3-2557, parece ser quase "incrivelmente distante," diz Mullis. Observações seguintes de doze das suas galáxias mais brilhantes mostram que se encontram a 9 mil milhões de anos-luz.

"A relativa facilidade com que estes autores obteram os resultados é espantosa," diz Mushotzky. Acrescenta que o resultado é excitante porque "representa o primeiro passo na direcção da descoberta de objectos até ainda mais distantes".


Imagem em raios-X e no óptico de XMMU J2235.3-2557.
Crédito: XMM Newton, VLT, ESO, Christopher Mullis, Universidade de Michigan
(clique na imagem para ver versão maior)

Mullis concorda e irá usar a técnica para procurar mais enxames. O número de enxames encontrados poderá providenciar um aperfeiçoamento dos modelos cosmológicos, incluindo daqueles que dizem respeito à formação de galáxias.

O estudo de XMMU J2235.3-2557 irá aparecer numa edição futura do "Astrophysical Journal".

Numa outra notícia, o telescópio Spitzer da NASA descobre galáxias extremamente brilhantes escondidas a mais de 11 mil milhões de anos-luz da Terra:

Links:

Mais informações:
http://www.astro.lsa.umich.edu/~cmullis/research/xmmuj2235/index.html

Christopher Mullis:
http://www.astro.lsa.umich.edu/~cmullis/

XMM-Newton:
http://xmm.vilspa.esa.es/

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Calmaria em NGC 2170 - Crédito: Stefan Seip
Nesta espectacular imagem, a poeirenta nebulosa NGC 2170 brilha no canto superior esquerdo. Reflectindo a luz de estrelas quentes vizinhas, NGC 2170 é acompanhada por uma outra nebulosa de reflexão azul e uma compacta região vermelha de emissão, rodeadas por um cenário de estrelas. Localizada na constelação de Unicórnio, a gigante nuvem molecular Mon R2 situa-se bem perto, numa distância estimada de apenas 2,400 anos-luz.
Ver imagem em alta-resolução
     
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Observação astronómica, dia 19 de Março, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 04/03: 63º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1835 nascia Giovanni Schiaparelli, director do Observatório de Milão, que tornou famosos os "canais de Marte". Schiaparelli também estabeleceu a ligação entre as órbitas das correntes meteóricas e as órbitas dos cometas.
Em 1979, a sonda Voyager 1 descobre os anéis de Júpiter.
Em 1999, voo rasante do asteróide 1998 VD35 pela Terra (0.169 UA).
Observações: A estrela Régulo, da constelação de Leão, é dupla. Se tiver acesso a um telescópio, aproveite para a observar. Consegue notar as diferenças entre as cores?

Dia 05/03: 64º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1512 nascia Gerardus Mercator, famoso cartógrafo.
Em 1979 era observada a primeira explosão de raios-gama, proveniente dos enigmáticos objectos de nome magnetares. Desde aí, os cientistas têm estudado estes eventos, e também descoberto outros membros do cosmos. Um campo magnético com a mesma intensidade de a de um pulsar - à superfície da estrela (mil milhões de vezes a força do campo magnético da Terra) - mataria instantaneamente uma pessoa ao rearranjar todos os átomos e moléculas do seu corpo. No mesmo ano, a sonda Voyager faz a sua maior aproximação de Júpiter quando passa a 206,700 quilómetros do topo das nuvens do planeta.

Dia 06/03: 65º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1787 nascia Joseph Fraunhofer, espectroscopista pioneiro alemão, de quem as proeminentes linhas de absorção no espectro do Sol receberam o seu nome.
Em 1986, entre dia 6 e 14, primeiro voo rasante de um cometa, pela sonda Vega 1 e Giotto (580 km), no Cometa Halley.
Observações: Por volta das seis da manhã, aproveite para observar a fina Lua, baixo no horizonte a Sudeste. O ponto brilhante acima do satélite é o planeta Marte.

Dia 07/03: 66º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1837 nascia Henry Draper, o primeiro a fotografar o espectro estelar. Um importante catálogo de espectros estelares tem o seu nome.
Observações: Aproveite a noite para observar o planeta Saturno, na constelação de Gémeos.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Distâncias totais já percorridas pelos rovers da NASA actualmente em Marte:
Opportunity: 3,1014 metros
Spirit: 4,157 metros
 
 
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