Os astrónomos descobriram o enxame galáctico mais distante jamais observado - e tem uma surpreendente parecença com aqueles mais próximos. A técnica usada para descobrir o enxame promete descobertas futuras a distâncias similares, que poderão ajudar a aperfeiçoar os modelos cosmológicos.
O enxame galáctico situa-se a 9 mil milhões de anos-luz de distância. Bate o anterior recorde de 8.5 mil milhões de anos-luz - um salto que representa uma "importante fracção na vida de uma galáxia", diz Christopher Mullis, da Universidade de Michigan em Ann Arbor, EUA, líder da equipa de cientistas.
As primeiras galáxias do Universo terão sido provavelmente formadas umas quantas centenas de milhões de anos depois do Big-Bang. Depois começaram a aglomerar-se em "proto-enxames", ou grupos de algumas centenas, em mais ou menos mil milhões de anos. O recém-descoberto enxame, que poderá albergar milhares de galáxias, parece ter começado a crescer quando o Universo teria 2.5 mil milhões de anos e terminado mais ou menos 2 mil milhões de anos depois.
Na altura, já seria extremamente massivo. Apenas objectos colossais poderão conter o gás de 70 milhões de graus detectado pelos astrónomos. O gás é aquecido à medida que as galáxias se aproximam umas das outras. Imagens tiradas pelo telescópio europeu XMM-Newton, lançado para estudar os raios-X em 1999, também revelou que o gás tomou uma forma esférica - sugerindo uma gorda idade média.
"Pensávamos que estes objectos seriam mais jovens," diz Mullis. "Mas este parece ser muito antigo."
Richard Mushotzky, um especialista em enxames galácticos do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, concorda. "Encontrar tais massivos e evoluídos sistemas a uma tão grande distância é algo um pouco inesperado," afirma. E acrescenta que as simulações computacionais mostram que tais sistemas são raros.
De facto, apenas outros cinco enxames foram encontrados a uma distância superior a 7.5 mil milhões de anos-luz, comparados com os 1000 a 3.5 mil milhões de anos-luz da Terra. Isto resulta no facto do Universo não ter ainda desenvolvido estruturas tão gigantescas há 7.5 mil milhões de anos atrás, bem como na árdua tarefa de observar objectos tão ténues, diz Mullis.

Distribuição esquemática dos enxames galácticos conhecidos no espaço.
Crédito: Christopher Mullis, Universidade de Michigan
(clique na imagem para ver versão maior)
Mas ele e seus colegas desenvolveram uma técnica que torna a sua observação muito mais fácil. Correram imagens do arquivo do XMM-Newton por um software que escolhe enxames candidatos ao pesquisar por grandes e difusas fontes de raios-X.
A seguir, registam relativamente depressa imagens de cerca de 30 candidatos por filtros azuis e vermelhos no VLT no Chile. Devido à expansão acelerada do Universo esticar a luz para o lado de comprimentos de onda mais avermelhados, escolhem apenas os objectos mais "vermelhos" para estudo posterior, pois estes deverão ser os mais distantes e antigos.
Um enxame, chamado XMMU J2235.3-2557, parece ser quase "incrivelmente distante," diz Mullis. Observações seguintes de doze das suas galáxias mais brilhantes mostram que se encontram a 9 mil milhões de anos-luz.
"A relativa facilidade com que estes autores obteram os resultados é espantosa," diz Mushotzky. Acrescenta que o resultado é excitante porque "representa o primeiro passo na direcção da descoberta de objectos até ainda mais distantes".

Imagem em raios-X e no óptico de XMMU J2235.3-2557.
Crédito: XMM Newton, VLT, ESO, Christopher Mullis, Universidade de Michigan
(clique na imagem para ver versão maior)
Mullis concorda e irá usar a técnica para procurar mais enxames. O número de enxames encontrados poderá providenciar um aperfeiçoamento dos modelos cosmológicos, incluindo daqueles que dizem respeito à formação de galáxias.
O estudo de XMMU J2235.3-2557 irá aparecer numa edição futura do "Astrophysical Journal".
Numa outra notícia, o telescópio Spitzer da NASA descobre galáxias extremamente brilhantes escondidas a mais de 11 mil milhões de anos-luz da Terra:
Links:
Mais informações:
http://www.astro.lsa.umich.edu/~cmullis/research/xmmuj2235/index.html
Christopher Mullis:
http://www.astro.lsa.umich.edu/~cmullis/
XMM-Newton:
http://xmm.vilspa.esa.es/ |