O planeta Mercúrio é muitas vezes citado como o mais difícil de observar de entre os cinco planetas brilhantes.
Chamado de "planeta inferior" devido à sua órbita estar mais próxima do Sol do que a da Terra, Mercúrio -- aproximadamente um pouco mais de metade da distância de Vénus ao Sol - aparece, a partir do nosso ponto de vista, sempre na mesma direcção que o Sol e regularmente perde-se no brilho da luz solar.
No entanto, não é assim tão difícil de observar. Simplesmente temos que saber quando e para onde olhar, e também ter um horizonte limpo.
Três vezes por ano este pequeno mundo rochoso emerge para o princípio da noite durante umas poucas semanas. Noutras três alturas do ano segue-se para o fim da noite, começo da manhã. No entanto, até mesmo nestas "maiores elongações" pode não ser facilmente visível, a não ser que outras condições sejam favoráveis. É importante que, por exemplo, Mercúrio esteja o mais directamente possível posicionado acima da localização do Sol, uma condição que é melhor atingida mesmo depois do pôr-do-Sol no fim do Inverno ou no começo da Primavera, e antes do nascer-do-Sol no fim do Verão ou começo do Outono.
Para nós que vivemos no Hemisfério Norte, uma boa janela para a observação de Mercúrio no céu nocturno acaba de se abrir. Esta continuará aberta pelo menos até dia 19 de Março, permitindo um amplo número de oportunidades para observar este planeta elusivo com os nossos próprios olhos.
Actualmente, Mercúrio está visível cerca de 45 minutos depois do pôr-do-Sol, muito perto do horizonte aOeste. Se o céu estiver limpo e não houverem obstrucções à nossa visão (como árvores ou prédios), não deverá haver problemas em observá-lo como uma "estrela" muito brilhante com traços de um tom amarelo-alaranjado.
No passado dia 4, Mercúrio brilhou com uma magnitude -1.1, o que significa que apenas um outro objecto do céu nesse princípio de noite era mais brilhante: Sirius (a mais brilhante das estrelas, além do Sol).

Mercúrio, por volta das 18:45, a latitutes médias Norte, no passado dia 4 de Março.
Crédito: Space.com, Starry Night
Nas noites seguintes, Mercúrio irá lentamente diminuir de brilho, mas continuará a ganhar altitude à medida que gradualmente se afasta da vizinhança do Sol.
Certifique-se de o observar baizinho no horizonte a Oeste mesmo depois do pôr-do-Sol no princípio da noite de Sexta, dia 11 de Março. Irá ver uma fina lua Crescente, ao fim de ter passado a fase de Nova dia e meio antes, com apenas 3% da sua superfície iluminada. Aí, menos de quatro graus para a direita e um pouco para baixo, estará uma brilhante "estrela" -- é Mercúrio.
Alcançará a sua maior elongação na noite seguinte, a 18 graus do Sol. Note que a Lua ter-se-á afastado e bem de Mercúrio, para cima e para a esquerda. Com uma magnitude de -0.2 (um pouco mais brilhante que a estrela Arcturo, da constelação de Boieiro), Mercúrio põe-se mais de hora e meia depois do Sol, fazendo aqui a sua melhor aparição nocturna de 2005.
Mercúrio, tal como Vénus, parece passar por fases tal como a Lua.
No princípio de Março, o seu disco estava 86% iluminado pelo Sol, proporcionando uma bela aparência nos telescópios, razão pela qual começou o mês aparecendo tão brilhante. Pela altura que alcança a sua elongação máxima, aparecerá mais ou menos com uma iluminação a 50%, e a área da sua superfície iluminada pelo Sol irá continuar a diminuir nos dias que se seguem.
Por isso, à medida que se começa a aproximar do Sol a 12 de Março, diminuirá de brilho num ritmo moderadamente rápido.
De facto, na noite de 19 de Março, o brilho de Mercúrio terá diminuido até +1.5, um pouco mais ténue que a estrela Régulo de Leão; apenas 1/11 do brilho atingido no passado dia 4 (na escala de magnitudes, os números maiores representam objectos mais ténues). Nos telescópios, Mercúrio aparecerá com uma fina fase crescente. Sendo assim, dia 19 será um dos últimos dias para a sua observação.
A combinação entre a sua altitude cada vez menor e a descida até um lusco-fusco mais brilhante deverá finalmente fazer com que Mercúrio se torne invisível na última semana de Março. Passará pela conjunção inferior - entre o Sol e a Terra - a 30 de Março.
Nas velhas lendas Romanas, Mercúrio era o mensageiro dos deuses. O planeta é bem conhecido pela sua proximidade com o Sol e também por ser o mais rápido da sua família, com uma média de aproximadamente 48 quilómetros por segundo; faz a sua viagem anual em apenas 88 dias terrestres. Curiosamente, Mercúrio demora 59 dias a completar uma volta em torno do seu eixo, e sendo assim todas as partes da sua superfície experienciam períodos de calor intenso e frio extremo.

Mosaico de Mercúrio, registado pela sonda Mariner 10 em 1974.
Crédito: Projecto Mariner, JPL/NASA
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Embora a sua distância média até ao Sol seja de apenas 58 milhões de quilómetros, Mercúrio atravessa a maior diferença de temperaturas: quase 482 graus Celsius no seu lado diurno; -184 graus Celsius no nocturno.
Na era pré-Cristã, este planeta na realidade tinha dois nomes, pois não se sabia na altura que poderia alternadamente aparecer num e noutro lado do Sol. Era chamado de Mercúrio no céu nocturno, mas conhecido como Apollo quando aparecia de manhã.
Diz-se que Pitágoras, por volta do século V a.C., salientou que os dois fossem na realidade apenas o mesmo objecto. Links:
Mercúrio:
http://en.wikipedia.org/wiki/Mercury_(planet)
http://seds.org/billa/tnp/mercury.html
Magnitude:
http://en.wikipedia.org/wiki/Apparent_magnitude |