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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 106
8 de Março de 2005
arrow AGORA É BOA ALTURA PARA OBSERVAR MERCÚRIO thingy

O planeta Mercúrio é muitas vezes citado como o mais difícil de observar de entre os cinco planetas brilhantes.

Chamado de "planeta inferior" devido à sua órbita estar mais próxima do Sol do que a da Terra, Mercúrio -- aproximadamente um pouco mais de metade da distância de Vénus ao Sol - aparece, a partir do nosso ponto de vista, sempre na mesma direcção que o Sol e regularmente perde-se no brilho da luz solar.

No entanto, não é assim tão difícil de observar. Simplesmente temos que saber quando e para onde olhar, e também ter um horizonte limpo.

Três vezes por ano este pequeno mundo rochoso emerge para o princípio da noite durante umas poucas semanas. Noutras três alturas do ano segue-se para o fim da noite, começo da manhã. No entanto, até mesmo nestas "maiores elongações" pode não ser facilmente visível, a não ser que outras condições sejam favoráveis. É importante que, por exemplo, Mercúrio esteja o mais directamente possível posicionado acima da localização do Sol, uma condição que é melhor atingida mesmo depois do pôr-do-Sol no fim do Inverno ou no começo da Primavera, e antes do nascer-do-Sol no fim do Verão ou começo do Outono.

Para nós que vivemos no Hemisfério Norte, uma boa janela para a observação de Mercúrio no céu nocturno acaba de se abrir. Esta continuará aberta pelo menos até dia 19 de Março, permitindo um amplo número de oportunidades para observar este planeta elusivo com os nossos próprios olhos.

Actualmente, Mercúrio está visível cerca de 45 minutos depois do pôr-do-Sol, muito perto do horizonte aOeste. Se o céu estiver limpo e não houverem obstrucções à nossa visão (como árvores ou prédios), não deverá haver problemas em observá-lo como uma "estrela" muito brilhante com traços de um tom amarelo-alaranjado.

No passado dia 4, Mercúrio brilhou com uma magnitude -1.1, o que significa que apenas um outro objecto do céu nesse princípio de noite era mais brilhante: Sirius (a mais brilhante das estrelas, além do Sol).


Mercúrio, por volta das 18:45, a latitutes médias Norte, no passado dia 4 de Março.
Crédito: Space.com, Starry Night

Nas noites seguintes, Mercúrio irá lentamente diminuir de brilho, mas continuará a ganhar altitude à medida que gradualmente se afasta da vizinhança do Sol.

Certifique-se de o observar baizinho no horizonte a Oeste mesmo depois do pôr-do-Sol no princípio da noite de Sexta, dia 11 de Março. Irá ver uma fina lua Crescente, ao fim de ter passado a fase de Nova dia e meio antes, com apenas 3% da sua superfície iluminada. Aí, menos de quatro graus para a direita e um pouco para baixo, estará uma brilhante "estrela" -- é Mercúrio.

Alcançará a sua maior elongação na noite seguinte, a 18 graus do Sol. Note que a Lua ter-se-á afastado e bem de Mercúrio, para cima e para a esquerda. Com uma magnitude de -0.2 (um pouco mais brilhante que a estrela Arcturo, da constelação de Boieiro), Mercúrio põe-se mais de hora e meia depois do Sol, fazendo aqui a sua melhor aparição nocturna de 2005.

Mercúrio, tal como Vénus, parece passar por fases tal como a Lua.

No princípio de Março, o seu disco estava 86% iluminado pelo Sol, proporcionando uma bela aparência nos telescópios, razão pela qual começou o mês aparecendo tão brilhante. Pela altura que alcança a sua elongação máxima, aparecerá mais ou menos com uma iluminação a 50%, e a área da sua superfície iluminada pelo Sol irá continuar a diminuir nos dias que se seguem.

Por isso, à medida que se começa a aproximar do Sol a 12 de Março, diminuirá de brilho num ritmo moderadamente rápido.

De facto, na noite de 19 de Março, o brilho de Mercúrio terá diminuido até +1.5, um pouco mais ténue que a estrela Régulo de Leão; apenas 1/11 do brilho atingido no passado dia 4 (na escala de magnitudes, os números maiores representam objectos mais ténues). Nos telescópios, Mercúrio aparecerá com uma fina fase crescente. Sendo assim, dia 19 será um dos últimos dias para a sua observação.

A combinação entre a sua altitude cada vez menor e a descida até um lusco-fusco mais brilhante deverá finalmente fazer com que Mercúrio se torne invisível na última semana de Março. Passará pela conjunção inferior - entre o Sol e a Terra - a 30 de Março.

Nas velhas lendas Romanas, Mercúrio era o mensageiro dos deuses. O planeta é bem conhecido pela sua proximidade com o Sol e também por ser o mais rápido da sua família, com uma média de aproximadamente 48 quilómetros por segundo; faz a sua viagem anual em apenas 88 dias terrestres. Curiosamente, Mercúrio demora 59 dias a completar uma volta em torno do seu eixo, e sendo assim todas as partes da sua superfície experienciam períodos de calor intenso e frio extremo.


Mosaico de Mercúrio, registado pela sonda Mariner 10 em 1974.
Crédito: Projecto Mariner, JPL/NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

Embora a sua distância média até ao Sol seja de apenas 58 milhões de quilómetros, Mercúrio atravessa a maior diferença de temperaturas: quase 482 graus Celsius no seu lado diurno; -184 graus Celsius no nocturno.

Na era pré-Cristã, este planeta na realidade tinha dois nomes, pois não se sabia na altura que poderia alternadamente aparecer num e noutro lado do Sol. Era chamado de Mercúrio no céu nocturno, mas conhecido como Apollo quando aparecia de manhã.

Diz-se que Pitágoras, por volta do século V a.C., salientou que os dois fossem na realidade apenas o mesmo objecto.

Links:

Mercúrio:
http://en.wikipedia.org/wiki/Mercury_(planet)
http://seds.org/billa/tnp/mercury.html

Magnitude:
http://en.wikipedia.org/wiki/Apparent_magnitude

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arrow ESTUDO REVELA A ESTRELA MAIS PEQUENA thingy


A estrela mais pequena até agora encontrada (OGLE-TR-122b) é um pouco maior que Júpiter.
Crédito: Observatório Europeu do Sul

Segundo um estudo, a estrela mais pequena jamais detectada foi descoberta numa pequisa por planetas extrasolares. Os astrónomos dizem que o achado sublinha a necessidade de cuidadosamente confirmar as detecções de "planetas" em futuras missões espaciais.

A estrela era um dos quase 200 objectos detectados passando em frente - ou transitando - uma companheira estelar mais brilhante durante a busca por planetas OGLE no Chile. Uma vez por semana, o pequeno objecto, chamado OGLE-TR-122b, passa em frente duma estrela do tipo do Sol chamada OGLE-TR-122, diminuindo a quantidade de luz que chega à Terra por 1.5%.

Esta diminuição no brilho permitiu aos astrónomos calcularem com precisão o tamanho do pequeno objecto - é apenas 16% maior que Júpiter. Isto é um tamanho menor que alguns planetas conhecidos para lá do nosso Sistema Solar - ou exoplanetas.

Mas a identidade de 122b como uma estrela só foi revelada quando uma equipa liderada por Frederic Pont do Observatório de Genebra, Suiça, observou 60 destes objectos mais cuidadosamente com o VLT no Chile.

Usaram o telescópio para estudar o espectro da estrela maior, que oscila para trás e para a frente devido ao puxo gravitacional do objecto mais pequeno. O relativamente insignificante corpo tem 96 vezes a massa de Júpiter - acima do limite de 75 massas de Júpiter necessárias para se tornar numa genuína estrela, que também tem que queimar hidrogénio.

"Esta é a primeira vez que encontramos uma estrela com um raio comparável ao de um planeta," diz o membro da equipa Claudio Melo do Observatório Europeu do Sul em Santiago, Chile.

A maioria dos 145 planetas até agora descobertos para lá do nosso Sistema Solar foram encontrados devido às oscilações gravitacionais, uma técnica que providencia uma estimativa das suas massas. Por isso Melo diz que as suas categorias como planetas não estão em dúvida.

Mas as futuras missões espaciais, tal como a Europeia Corot, a ser lançada em 2006, e a missão Kepler da NASA, em 2007, irão procurar exoplanetas simplesmente ao pesquisar trânsitos, ou diminuições de brilho, sem terem em conta a massa.


Impressão de artista do telescópio espacial Corot (COnvection ROtation and planetary Transits).
Crédito: CNES/Active Design, ESA

"Com base apenas nas curvas da luz, não podemos dizer o que estamos a observar," diz Melo. "Quando essas missões espaciais forem lançadas, precisamos de fazer medições espectroscópicas a partir da Terra para confirmar a natureza do objecto em trânsito."

A pequena estrela provavelmente começou a sua vida há uns quantos milhares de milhões de anos - condensando-se a partir de uma relativamente pequena nuvem de gás. Mas não é a estrela menos massiva já encontrada. Esse recorde vai para uma estrela com apenas 93 vezes a massa de Júpiter, que foi anunciado em Janeiro passado por uma equipa liderada por Laird M. Close da Universidade do Arizona, EUA. Mas essa estrela não passa em frente da sua companheira maior, a partir do ponto de vista da Terra, por isso o seu tamanho não é conhecido com precisão.

Mas Melo diz que a Física estabelece um limite - com base no grau com que a matéria pode ser amontoada - para a estrela com o menor tamanho possível. "Não penso que iremos encontrar estrelas cujo raio seja muito mais pequeno que a que estamos a observar agora," acrescenta.

Ele espera que as pesquisas por planetas extrasolares revelem dentro de pouco tempo uma anã castanha em trânsito, um tipo de objecto que preenche a posição entre os planetas e as estrelas. Entre 13 e 75 vezes a massa de Júpiter, as anãs castanhas não são massivas o suficiente para queimar hidrogénio tal como as estrelas, mas algumas observações apontam no sentido de não se formarem como os planetas, a partir dos discos de material em torno das estrelas.

O trânsito de uma anã castanha daria uma medição precisa da sua massa e do seu tamanho físico. Diz Melo: "Seria interessante saber se o nosso conhecimento da estrutura interna das anãs castanhas seria ou não validado pelas observações."

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.edpsciences.org/articles/aa/pdf/press-releases/PRAA200505.pdf
http://www.space.com/scienceastronomy/050303_star_small.html
http://www.theregister.co.uk/2005/03/04/smallest_ever_star/
http://u.tv/newsroom/indepth.asp?id=57455&pt=n

Estudo OGLE:
http://bulge.astro.princeton.edu/~ogle/

VLT, ESO:
http://www.eso.org/projects/vlt/

Missão Corot:
http://www.esa.int/esaSC/120372_index_0_m.html

Missão Kepler:
http://www.kepler.arc.nasa.gov/

Anãs castanhas:
http://en.wikipedia.org/wiki/Brown_dwarf

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Mercúrio em Leeds - Crédito: Tony Cook
Já alguma vez observou Mercúrio? Esta semana pode ser uma boa altura. Devido a Mercúrio orbitar tão perto do Sol, nunca se afasta muito da estrela no céu da Terra. Se seguir o Sol, Mercúrio estará visível baixo no horizonte um pouco depois do pôr-do-Sol. Se estiver à sua frente, Mercúrio será apenas visível um pouco antes do nascer-do-Sol. Por isso a certas alturas um observador informado com alguma determinação poderá descobrir Mercúrio, se se encontrar num local com um horizonte descoberto. Na imagem do lado temos uma imagem digital que resulta da combinação das posições sucessivas de Mercúrio durante Março de 2004. Cada imagem foi tirada do mesmo local em Leeds, Inglaterra, exactamente 33 minutos depois do Sol se pôr. Nas próximas duas semanas, Mercúrio estará outra vez numa boa posição para observação acima do horizonte a Oeste. Pela terceira semana de Março terá desaparecido no crepúsculo.
Ver imagem em alta-resolução
     
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  ESPAÇO ABERTO  
Banner Espaço Aberto
 

Observação astronómica, dia 19 de Março, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 08/03: 67º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1977 os anéis de Urano eram descobertos durante observações aéreas de ocultações da NASA.
Em 1999, a primeira fase da missão de mapeamento de Marte pela sonda Mars Global Surveyor começa.
Em 2002, o asteróide 2002 EM7, com um tamanho entre 300 e 400 metros, passa a 450,000 quilómetros da Terra. Observadores só o descobriram quatro dias depois, a 12 de Março.
Observações: Aproveite estes dias de Março para observar Mercúrio, baixo no horizonte a Oeste, depois do pôr-do-Sol (até dia 19; consultar notícia do lado).

Dia 09/03: 68º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1564 nascia David Fabricius, descobridor da primeira estrela variável (Mira, ou Omicron Ceti).
Em 1974, voo rasante da sonda soviética Mars 7 por Marte.
Observações: Esta noite há espectáculo de sombras em Júpiter. Se apontar um telescópio para o planeta ao princípio da noite, verá a sombra de Europa no gigante. À medida que a noite decorre, a sombra vai-se movendo pela atmosfera até que desaparece (22:20). Mais tarde, por volta já das 04:40 do dia 10, a sombra de Io entra em acção, e aí fica visível até ao nascer do dia, passeando pelas bandas horizontais de Júpiter.

Dia 10/03: 69º dia do  calendário gregoriano.
História: Maior aproximação do cometa C/1998 M5 (LINEAR) pela Terra (1.534 UA).
Observações: Um sinal de que a Primavera se avizinha é Régulo, a mais brilhante estrela da constelação de Leão, subir bem alto no céu nocturno a Este. Procure a forma do focinho na parte da frente de Leão. Parece-se com um grande ponto de interrogação ao contrário.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Em 1955, Walt Disney introduz pessoalmente a série de televisão 'Man In Space', na ABC. Wernher von Braun, engenheiro aerospacial e Walt Disney, o artista, usaram o novo meio televisivo para mostrar que os humanos poderiam ir à Lua e voltar com base em tecnologias futuras e no desejo de explorar e descobrir.
 
 
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