NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 107

11 de Março de 2005

RESOLVIDO O MISTÉRIO DA CRATERA DO METEORITO DO ARIZONA

O meteoro que embateu no solo produzindo a Cratera do Meteorito do Arizona embateu no planeta a uma velocidade muito mais baixa que a que se tinha inicialmente pensado, mas ainda assim 10 vezes mais rápido que uma bala de carabina.


A Cratera do Meteorito no Arizona.
Crédito: Peter L. Kresan
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As novas análises, anunciadas ontem, revelam que houve muito menos rocha derretida na cratera que o que foi inicialmente pensado. Este mistério foi um quebra-cabeças durante anos.

O grande buraco no solo - cerca de 200 m de profundidade e 1250m de diâmetro, foi produzido há cerca de 50,000 anos por um asteróide com cerca de 40 m de diâmetro.

Os cálculos anteriores estimavam que o embate se dera a uma velocidade de 15 km/s e estavam baseados nas velocidades a que se vêem os grandes meteoros atingir a Terra actualmente. No entanto, um embate a essa velocidade teria que ter produzido mais rocha fundida.


Lado Leste da Cratera do Meteorito no Arizona.
Crédito: David A. Kring, Lunar e Planetary Laboratory

O novo modelo computacional que foi apresentado na revista Nature de 10 de Março, mostra que o objecto teria travado bastante durante o seu trajecto pela atmosfera, tendo parte sido desfeita formando uma nuvem de fragmentos de ferro com a forma de uma panqueca antes do impacto da meteorito com o solo.

Do objecto inicial de 300,000 toneladas apenas cerca de metade terá chegado ao solo e atingido o planeta a cerca de 12 km/s, de acordo com o referido por Jay Melosh, o investigador principal da Universidade do Arizona.

Links:

Notícias Relacionadas:
http://uanews.org/cgi-bin/WebObjects/UANews.woa/4/wa/SRStoryDetails?ArticleID=10766
http://www.eurekalert.org/pub_releases/2005-03/uoa-ssm030705.php
http://www.physorg.com/news3321.html
http://www.space.com/scienceastronomy/050309_meteor_crater.html

Resumo da Nature (com acesso para assinantes):
http://www.nature.com/cgi-taf/DynaPage.taf?file=/nature/journal/v434/n7030/abs/434157a_fs.html


A MASSA DAS ESTRELAS TEM LIMITE

Também na revista Nature de ontem na página 148 era anunciado um limite superior para a massa das estrelas .


Impressão de Artista do enxame Arches.
Crédito: NASA, ESA e A. Schaller
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Ao longo dos anos têm sido desenvolvidas teorias que previam que o limite de massa das estrelas estaria entre 10 e 1,000 massas solares. Observações recentes de um enxame de estrelas massivas no centro da galáxia mostrou que o corte no nascimento de estrelas se dá cerca das 150 massas solares.

"Para já, e como resultado principal, sabemos que existe uma massa a partir da qual não se observam estrelas e existe muito pouco incerteza acerca disso", disse Don Figer do Space Telescope Science Institute . "O resultado secundário é que o corte se verifica cerca das 150 massas solares ."

Figer usou o Telescópio Espacial Hubble para medir as massas das estrelas do enxame Arches que se encontra a uma distância de 25,000 anos-luz e que tem cerca de dez vezes o tamanho normal dos enxames da nossa Galáxia. Recorde-se que um enxame é um conjunto de estrelas nascidas mais ou menos ao mesmo tempo ( à escala cósmica evidentemente).

"O enxame Arches contém mais estrelas de pequena massa que de grande massa, o que é normal para um enxame estelar," disse Figer durante a teleconferência da NASA realizada ontem.

A raridade de estrelas gigantes é uma das razões que têm tornado difícil a determinação do limite superior da massa das estrelas. Mas no enxame Arches, que tem cerca de 10,000 massas solares (o que faz dele o maior enxame aberto da galáxia (há enxames globulares maiores mas são mais antigos e por isso inapropriados)), é possível encontrar bastantes estrelas deste tipo.

"Quanto mais rico o enxame, mais provavelmente se encontrarão estrelas muito grandes", disse Sally Oey da Universidade de Michigan, que não esteve envolvida na investigação.

Oey e os seus companheiros têm estado envolvidos na procura de estrelas massivas em nove enxames mais pequenos e, por isso, mais típicos, mas tinham a partir dos seus resultados obtido um resultado consistente com o resultado mais exacto obtido agora com Figer.

Como é sabido o Sol é uma estrela pequena e de brilho também pequeno. Sabe-se que uma estrela com menos de 0,08 vezes a massa do Sol não poderá começar as fusões nucleares no seu núcleo.

Quanto às estrelas grandes, sabe-se que quanto maior for a estrela maior será o seu brilho. Uma estrela com 100 massas solares será um milhão de vezes mais brilhante que o Sol. Este aumento de potência tem uma consequência imediata: quanto maior é a estrela mais depressa ela queima o seu combustível nuclear. Enquanto se espera que o Sol dure cerca de dez mil milhões de anos, uma estrela de 100 massas solares deverá "viver" cerca de três milhões de anos.

Como o enxame Arches tem entre 2 milhões e 2.5 milhões de anos, Figer conseguiu encontrar estrelas entre 2 e 130 massas solares.

"Esperávamos encontrar entre 20 a 30 estrelas com massas entre 130 e 1000 massas solares " disse Figer. "Não encontrámos nenhuma. Se se tivessem formado te-las-íamos visto."

Se fossem apenas 1 ou 2, Figer aceitaria tratar-se de pouca sorte, mas 20 a 30 é estatisticamente significativo e por isso Figer considera tratar-se da existência de um limite físico à existência de massas muito maiores.

O estudo não é para já suficiente para dizer exactamente qual é a massa limite, mas prevê-se que seja muito próximo das 150 massas solares. A razão para este corte será uma de duas: ou existe algo que impede a acreção de mais matéria ou pressão de radiação torna-se tão intensa que leva à desagregação da estrela.

A excepção da estrela Pistola (a maior conhecida que poderá chegar às 200 massas solares, embora a barra de erro desça até próximo das 150 massas solares) poderá dar-se por esta estrela ser o resultado da colisão e fusão de duas estrelas de massa mais pequena, de acordo com Figer. No entanto, um mecanismo deste tipo seria muitíssimo invulgar.

Mas como comenta Figer, "não existe nenhuma estrela na galáxia que de forma garantida ultrapasse largamente as 150 massas solares".


Comparação de Estrelas de diferentes massas.
Crédito: NASA, ESA e A. Feild (STScI)
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Links:

Notícias Relacionadas:
http://www.msnbc.msn.com/id/7141141/
http://www.space.com/scienceastronomy/050309_heavy_stars.html
http://www.astro.lsa.umich.edu/~msoey/publications/OC05.pdf

http://www.3towers.com/MassiveStars.htm
http://www.tim-thompson.com/pistol-star.html


 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
     

 

Nebulosa Anular de LIra - Crédito: (Harvard-Smithsonian CfA) (SSC/Caltech), (JPL-Caltech , NASA )
A Nebulosa Anular de Lira (M57) tem este aspecto pois estamos de frente para uma estrutura em forma de Barril. Esta imagem de infravermelho em cores falsas feita pelo Telescópio Espacial Spitzer, mostra bonitos detalhes em torno da estrutura anelar central. Esta nebulosa planetária é o resultado da morte de uma estrela de massa não muito superior à do Sol e encontra-se a 2,000 anos-luz de distância na constelação de Lira. No entanto, a galáxia IC 1296, que é muito maior, parece mais pequena porque se encontra a 200 milhões de anos-luz.
Ver imagem em alta-resolução

     
 
 

Exposição Itinerante
E=mc2: Vida e Obra de Albert Einstein

 

 

Inaugura dia 14 de Março (data do nascimento de Albert Einstein) pelas 16h no espaço de exposições temporárias do IPJ de Faro. A exposição irá depois percorrer todas as sedes de concelho do Algarve.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 11/03: 70º dia do  calendário gregoriano.
História:
Em 1897, um meteorito entrava na atmosfera sobre New Martinsville (West Virgínia) tendo-se estilhaçado sobre esta cidade, com muitos danos físicos.
Observações:
O planeta Mercúrio encontra-se visível a Oeste, logo após o por-do-sol.

Dia 12/03: 71º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1824, nascia Gustav Kirchhoff.
Observações: Uma Lua aproximando-se da primeira falcada aponta directamente para Mercúrio que se aproxima da elongação máxima de 18º a Leste do Sol.

Dia 13/03: 72º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1781, William Herschel descobria Urano.
Em 1969, a missão Apollo 9 regressava à Terra após testar o módulo lunar.
Observações: Aproveite a noite para efectuar umas fotografias de Júpiter.

Dia 14/03: 73º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1879, nascia Albert Einstein.
Em 1969, a missão Apollo 9 regressava à Terra após testar o módulo lunar.
Observações: Aproveite a noite para efectuar umas fotografias de Saturno.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 

A Terra vista da Lua tem 4 vezes o diâmetro aparente do Sol.

 
 
 
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