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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 110
22 de Março de 2005
arrow PAR DE CRATERAS "NAMORADEIRAS" REVELAM ACTIVIDADE GLACIAL thingy


As duas crateras, situadas na base da montanha, parecem mostrar marcas de um fluxo glacial no estreito entre ambas.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior. ATENÇÃO: imagem de alta-resolução com mais de 12 MB)

De acordo com a Agência Espacial Europeia, duas crateras que se "beijam", reveladas numa nova imagem de Marte, mostram evidências de actividade glacial passada.

O par em forma de ampulheta foi descoberto no limite Este da Bacia Hellas - aproximadamente 38º Sul de latitude e 104º Este.

As crateras de impacto situam-se perto de uma montanha e os cientistas suspeitam que um glaciar se acumulou na suas bases a uma altura do passado. Se assim for, o gelo no início correu para a cratera mais pequena acima, que mede cerca de 9 km em diâmetro.

O glaciar depois continuou o seu percurso descendo até à cratera mais abaixo, que tem cerca de 17 km de diâmetro. As riscas nas crateras provavelmente indicam a direcção do fluxo glacial de uma cratera para a outra.

"Existem muitas características semelhantes a estas em Marte, embora esta seja certamente uma das maiores e mais dramáticas," diz John Mustard, um geólogo da Universidade Brown, em Rhode Island, EUA.

As características geológicas deste género no Planeta Vermelho têm sido atribuídas a gelo ou a glaciares desde os anos 70.

"Acredito que estas e outras provas sejam extremamente convincentes, no sentido de mostrar que os glaciares existem provavelmente em Marte," diz Mustard. "Estarão activos ainda hoje? Bem, isso é outra história, mas certamente o eram num passado geológico recente."

A imagem foi tirada pela Câmara de Alta Resolução Estéreo a bordo da sonda europeia Mars Express.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/astro_news/marte_agua_050222.htm
http://www.keralanext.com/news/indexread.asp?id=156642
http://www.blackanthem.com/scitech/2005032003.html
http://www.innovations-report.com/html/reports/earth_sciences/report-41906.html

Marte:
http://www.esa.int/export/SPECIALS/Mars_Express/index.html
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/marte.htm

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arrow GIGANTES ONDULAÇÕES NO ESPAÇO-TEMPO PODERÃO EXPLICAR EXPANSÃO CÓSMICA thingy


A história do Universo.
(clique na imagem para ver versão maior)

A energia escura não é necessária para explicar a expansão em aceleração do Universo observada pelos astrónomos, sugerem novos cálculos controversos. Em vez disso, ondulações gigantes no espaço-tempo - maiores que o Universo observável - podem ser a causa.

Os astrónomos sabem desde os anos 20 que o próprio espaço está a expandir-se desde o Big Bang há mais ou menos 14 mil milhões de anos atrás. Mas em 1998, descobriram que a expansão deve ter acelerado há volta de mil milhões de anos atrás, com base em observações de supernovas que apareceram mais longe do que o esperado.

Por isso os cosmólogos estabeleceram algumas explicações exóticas, incluindo a energia escura - que pode ser uma propriedade repulsiva do próprio espaço ou uma partícula de ultra-luz - e uma teoria na qual a gravidade comporta-se diferentemente a grandes distâncias.

Mas as teorias actuais exageram o efeito da energia escura por milhões de vezes, e modificar a gravidade é uma solução "ad hoc", diz Antonio Riotto, um cosmólogo do Instituto Nacional de Pesquisa em Física Nuclear em Pádova, Itália. "Existe um grande embaraço acerca do que a teoria prevê e do que observamos".

Agora, uma equipa liderada por Edward Kolb do Laboratório Nacional do Acelerador em Batavia, Illinois, EUA, diz que pode explicar a aceleração cósmica usando a "inflação" ou "dilatação" - a teoria largamente aceite que descreve o que aconteceu nos primeiros 10-35 segundos depois do Big Bang. "A nossa proposta é muito conservativa - não invoca nenhum ingrediente novo para explicar a aceleração," diz Riotto.

Durante esta dilatação, o próprio espaço expandiu-se mais depressa que a velocidade da luz. À medida que isto acontecia, as flutuações quânticas que apareceram produziram ondulações no espaço-tempo. Estas incharam para preencher todo o Universo "global", que é cerca de 10,100 vezes tão grande quanto o Universo que podemos ver.

O nosso Universo "observável" é confinado a uma região com um raio de 14 mil milhões de anos-luz porque apenas a luz a essa distância teve tempo para nos alcançar desde o Big Bang.

A equipa acredita que as ondulações tiveram um efeito menor no nosso Universo observável durante milhares de milhões de anos porque o efeito da matéria vizinha foi muito mais poderoso que as ondulações muito mais distantes. Mas há cerca de mil milhões de anos atrás, dizem, a densidade da matéria vizinha era tão reduzida pela expansão do espaço que o efeito ondulatório começou a ser sentido - uma aceleração cósmica.

Kolb explica que as ondulações deveriam afectar o Universo observável porque espalhavam-se por todo o espaço durante a dilatação, deixando para trás um rasto gravitacional que pode ainda ser sentido, se não visto, proximamente. "Imagine que se encontra no oceano, e está nevoeiro. Pode ser afectado por ondulações com um grande comprimento de onda, embora na realidade não as veja - tudo o que sente é o movimento para baixo e para cima". Ainda acrescenta que as ondulações estão a crescer com o tempo - o que causa a aceleração.

"Eu gosto muito desta ideia", comenta Robert Brandenberger, um cósmologo da Universidade McGill em Montreal, Canadá, que previu um efeito semelhante em 1998. "Encontramo-nos na depressão entre duas ondulações com um comprimento de onda muito denso, o que gera algo que se assemelha a uma aceleração".

Mas muitos cientistas não estão convencidos. Sean Carroll, um cosmólogo da Universidade de Chicago, EUA, diz: "Não compreendo o que estão a fazer. Mas no entanto têm um registo recorde de fazer grandes coisas na Cosmologia."

Alan Guth, um cosmólogo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts em Cambridge, EUA, o pioneiro da teoria da dilatação nos anos 80, também reconhece o recorde da equipa, mas é no entanto "bem céptico da Física que este trabalho está tentando usar".

Os cálculos - baseados na Teoria da Relatividade Geral de Einstein - são "muito intricados", comenta. "Do que percebo, parece-me que quando o comprimento de onda das perturbações aumenta, os efeitos desaparecem completamente - as ondulações não teriam nenhum efeito no Universo observável."

A equipa de Kolb diz que mais observações de supernovas poderão providenciar um teste da sua teoria, que prevê quão forte estas ondulações poderão ser. Mas Guth diz que será "muito difícil medir com precisão suficiente para distinguir esta teoria das outras".

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.universetoday.com/am/publish/ripples_spacetime_dark_energy.html?1832005
http://www.newswise.com/articles/view/509900/

Artigo da equipa de Kolb:
http://home.fnal.gov/~rocky/shcdm.pdf

Leituras aconselhadas:
http://en.wikipedia.org/wiki/Cosmic_inflation
http://nedwww.ipac.caltech.edu/level5/Guth/Guth_contents.html
http://arxiv.org/abs/astro-ph/9901124
http://arxiv.org/abs/hep-ph/0309238
http://arxiv.org/abs/hep-th/0311040
http://www.newscientist.com/channel/space/mg18524911.600

Edward Kolb:
http://home.fnal.gov/~rocky/

Alan Guth:
http://web.mit.edu/physics/facultyandstaff/faculty/alan_guth.html

Energia escura:
http://en.wikipedia.org/wiki/Dark_energy

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Nebulosa Cabeça de Cavalo - Crédito: Ryan Steinberg & Family, Adam Block , NOAO , AURA , NSF
A Nebulosa Cabeça de Cavalo é uma das mais famosas nebulosas do céu. É visível como a identação escura na vermelha nebulosa de emissão vista na imagem do lado, para a direita do centro. A brilhante estrela à esquerda está localizada na cintura da conhecida constelação de Orionte. A característica cabeça de cavalo é escura porque é na realidade uma nuvem de opaco que se situa em frente da nebulosa de emissão vermelha. Tal como as nuvens na atmosfera da Terra, esta nuvem cósmica assumiu uma forma familiar por acaso. Depois de milhares de anos, os movimentos internos da nuvem irão alterar a sua aparência. A nebulosa de emissão vermelha é causada pela recombinação dos electrões com os protões para formar átomos de hidrogénio. Também visível na foto está uma nebulosa de reflexão azul, que preferencialmente reflecte a luz azul de estrelas vizinhas.
Ver imagem em alta-resolução
     
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  ESPAÇO ABERTO  
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Observação astronómica, dia 9 de Abril, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 22/03: 81º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1799 nascia F.W.A. Argelander, compilador de catálogos estelares que estudou as estrelas variáveis e criou a primeira organização astronómica internacional.
Em 1995, o cosmonauta Valeryiv Polyakov regressa à Terra depois de quebrar o recorde do maior tempo passado na estação espacial Mir: 438 dias.
Em 1996, lançamento da missão STS-76 do vaivém Atlantis. O seu objectivo era acoplar com a Mir, e transferir Shannon Lucid, que se torna na primeira mulher a fazer parte da tripulação de uma estação espacial.
Observações: Procure Régulo próxima da Lua esta noite.

Dia 23/03: 82º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1840 era tirada a primeira fotografia (daguerreótipo) da Lua.
Em 1912 nascia Wenher Von Braun. Foi um importante pioneiro no desenvolvimento dos foguetões e um campeão da exploração espacial entre os anos 30 e 70.
Em 1965, os EUA lançavam a Gemini 3 até à órbita da Terra transportando os astronautas Virgil (Gus) Grissom e John W. Young. Grissom e Young orbitaram a Terra três vezes. A nave Gemini era maior que as cápsulas Mercury, com um peso de 4,200 kg, e transportava dois astronautas em vez de um. A Gemini 3 era a primeira missão tripulada do programa Gemini, depois de dois testes de voo não-tripulados.
Em 2001, a estação Mir, com 15 anos, é removida de órbita e trazida até à Terra num espectáculo de fogo e fumo, para descansar nas profundezas do Oceano Pacífico. Testemunhas oculares contaram que ouviram "booms" sónicos atribuidos aos restos estimados de 20 a 25 toneladas da Mir.

Dia 24/03: 83º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1893 nascia Walter Baade, o primeiro a resolver as companheiras da galáxia de Andrómeda em estrelas individuais e a desenvolver o conceito de população estelar em galáxias.
Observações: A partir das 00:50 (da noite de 23 para 24), a sombra de Europa atravessa o disco de Júpiter. Ao mesmo tempo que a passagem acaba (3:30), começa a aparecer a Grande Mancha Vermelha.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
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