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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 112
29 de Março de 2005
arrow CONTAGEM DE CRATERAS PODE ENGANAR HISTORIADORES MARCIANOS thingy


Cratera Gratter, com 6.9 km. Tem padrões raiados que chegam aos 600 km. Estes aparecem escuros devido à imagem ter sido tirada no infravermelho.
Crédito: NASA / JPL / ASU / Universidade do Tennessee

O método usado pelos cientistas planetários para estimar as idades de várias regiões de Marte é defeituoso.

"Isto muda radicalmente as coisas," diz Nadine Barlow da Universidade do Arizona do Norte em Flagstaff, EUA. Por exemplo, as descobertas irão significativamente mudar a nossa compreensão de quando Marte poderia estar vulcanicamente activo.

Para estimar a idade de qualquer região de Marte, os geólogos contam o número de crateras que podem ver em imagens da área. A ideia é que quanto mais antiga uma superfície, mais crateras deverá ter acumulado ao longo do tempo. As contagens das crateras dão uma indicação da idade relativa de diferentes regiões marcianas.

Para determinar as idades absolutas, estas contagens são depois comparadas com contagens de crateras de regiões da Lua, algumas das quais foram detalhadamente datadas graças às rochas trazidas pelos astronautas das missões Apollo. Assumindo que a relação de impactos de meteoros a uma dada altura era mais ou menos uniforme para todo o Sistema Solar interior, estas idades poderão também ser aplicadas directamente a Marte.

Agora parece que existe uma falha fatal neste método, pelo menos quando é baseada nas contagens de crateras muito pequenas. De acordo com Barlow, recentes imagens no infravermelho tiradas pela sonda Mars Odyssey da NASA revelaram inesperadamente padrões de raios longos em torno de crateras relativamente pequenas, mostrando que muito mais material foi ejectado pelos impactos do que tinha sido previamente calculado. Plumas massivas de rocha ejectada teriam "chovido" para produzir, em alguns casos, milhões de crateras secundárias.

Isto significa que a vasta maioria de crateras com menos de 2 km de diâmetro poderão ser crateras secundárias, tornando-as virtualmente inúteis para datar as superfícies, diz Al McEwen da Universidade do Arizona em Tucson, EUA. Por exemplo, McEwen estudou uma cratera marciana com 10 km de diâmetro chamada Zunil. O impacto do meteoro que a produziu pode ter criado milhões de crateras secundárias a milhares de quilómetros do impacto principal.

William Bottke do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, Colorado, EUA, que é um perito na dinâmica da cintura de asteróides, também conclui que as pequenas crateras são predominantemente secundárias. Acrescenta que não existem suficientes objectos pequenos na cintura de asteróides para justificar a quantidade observada de pequenos impactos em Marte.

Algumas áreas livres de crateras em Marte foram estimadas em apenas mais ou menos 150,000 anos. Mas com base em novas evidências, McEwen conclui que a idade de tais regiões pode apenas ser firmada até 10 milhões de anos. E tal incerteza permanecerá até que amostras rochosas de Marte sejam datadas.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/astro_news/marte_agua_050322.htm

Nadine Barlow:
http://www.physics.nau.edu/~barlow/

Bill Bottke:
http://www.boulder.swri.edu/~bottke/

Mars Odyssey:
http://mars.jpl.nasa.gov/odyssey/

Marte:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/marte.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Mars_%28planet%29

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arrow HALE-BOPP: O COMETA QUE NÃO DESISTE thingy

Oito anos depois do Cometa Hale-Bopp ter deslumbrado os astrónomos à medida que passava pelo Sistema Solar interior, esta "bola-de-neve suja" pode ainda ser detectada (com cerca de magnitude 20), embora esteja a 21 unidades astronómicas do Sol. No dia 8 de Janeiro, os astrónomos do MIT Andrew S, Rivkin e Richard P. Binzel observaram o cometa com o telescópio Clay de 6.5 metros do Observatório Magalhães no Chile.


Foto do Cometa Hale-Bopp tirada em 1997.
Crédito: Wally Pacholka
(clique na imagem para ver versão maior)

Rivkin e Binzel estavam apontando para um momento especial - o cometa já teria arrefecido, a cauda já não deveria existir, e o núcleo estaria ainda brilhante o suficiente para ser observado. "Não existem muitos espectros de núcleos cometários," diz Rivkin. São difíceis de capturar porque o nucleo permanece obscurecido uma vez que os cometas desenvolvam as suas caudas. Não encontraram o que estavam à procura. "Quando tentámos observar o núcleo", diz Rivkin, "aquilo tinha uma cauda!"

Embora não pudessem observar o núcleo, as observações levantaram uma importante questão: porque é que o Hale-Bopp ainda está activo? "Hale-Bopp está a comportar-se como um normal e brilhante cometa de longo-período," diz Paul R. Weissman (NASA/Jet Propulsion Laboratory). "Os cometas de longo-período permanecem activos tão longe que nunca podemos dizer com certeza que estamos a olhar apenas para um núcleo."

 
Indicação e animação do cometa Hale-Bopp.
Crédito: Andrew Rivkin e Richard Binzel

Weismann diz que os cometas do tipo do Hale-Bopp têm muitos mais gelos voláteis perto das suas superfícies que os de curto-período, o que pode contribuir para esta actividade a distâncias muito maiores. "Não é surpreendente, agora que o cometa esteja longe do Sol, que exista ainda energia suficiente para sublimar o CO (monóxido de carbono) gelado, mesmo se estiver enterrado por baixo da superfície imediata," acrescenta. Mesmo na sua aproximação do periélio, demora algum tempo para o calor do Sol penetrar no meio do núcleo.

"É tal como grelhar um bife - quanto mais tempo o cozinharmos, mais quente fica o seu interior," diz Weismann.

Links:

Cometa Hale-Bopp:
http://www2.jpl.nasa.gov/comet/
http://en.wikipedia.org/wiki/Comet_Hale-Bopp

Telescópio do Observatório Magalhães:
http://www.lco.cl/lco/magellan/

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
A Cruz de Einstein - Crédito: J. Rhoads ( STScI ) et al., WIYN , AURA , NOAO , NSF
A maioria das galáxias têm apenas um núcleo - terá esta galáxia quatro? A estranha resposta levou os astrónomos a concluir que o núcleo desta galáxia nem é visível nesta imagem. O "trevo de quatro folhas" central é na realidade luz emitida de um quasar no fundo. O campo gravitacional da galáxia vísivel em frente quebra a luz do distante quasar em quatro imagens distintas. O quasar deverá estar bem alinhado com o centro da massiva galáxia para uma "miragem" deste tipo ser evidente. O efeito geral tem o nome de lentes gravitacionais, e este caso específico é conhecido como a Cruz de Einstein. Ainda mais estranho é as imagens da Cruz de Einstein variarem em brilho relativo, realçadas ocasionalmente pelo efeito adicional de microlentes gravitacionais de estrelas específicas na galáxia.
Ver imagem em alta-resolução
     
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  ESPAÇO ABERTO  
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Observação astronómica, dia 9 de Abril, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 29/03: 88º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1807, Vesta, o asteróide mais brilhante, e o único que por vezes pode ser visto a olho nu, é descoberto por Olbers.
Em 1974, primeiro voo rasante da sonda Mariner 10 por Mercúrio.
Observações: A Ursa Maior está de patas para cima bem alta no céu a Nordeste por estas noites. Siga a curva da pega da frigideira para baixo e para a direita, até encontrar a brilhante estrela Acturo. Mais para a direita (+/- 30º), está o ainda mais brilhante Júpiter. Compare as suas cores; Acturo é dourado, Júpiter é branco, da cor da nata.

Dia 30/03: 89º dia do calendário gregoriano.
Observações: Aproveite a madrugada de hoje para observar a Grande Mancha Vermelha, que transita o planeta Júpiter esta noite (entre as 00:00 e as 04:00).

Dia 31/03: 90º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1781, Urano, o primeiro planeta a ser descoberto desde a era pré-histórica da Babilónia, é identificado por William Herschel.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
O local mais seco do Sistema Solar é o planeta Vénus. A sua atmosfera contém menos de 30 ppm de vapor de água, que é o que se espera de um lugar com uma temperatura média de 470 graus Celsius!
 
 
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