
Cratera Gratter, com 6.9 km. Tem padrões raiados que chegam aos 600 km. Estes aparecem escuros devido à imagem ter sido tirada no infravermelho.
Crédito:
NASA / JPL / ASU / Universidade do Tennessee
O método usado pelos cientistas planetários para estimar as idades de várias regiões de Marte é defeituoso. "Isto muda radicalmente as coisas," diz Nadine Barlow da Universidade do Arizona do Norte em Flagstaff, EUA. Por exemplo, as descobertas irão significativamente mudar a nossa compreensão de quando Marte poderia estar vulcanicamente activo.
Para estimar a idade de qualquer região de Marte, os geólogos contam o número de crateras que podem ver em imagens da área. A ideia é que quanto mais antiga uma superfície, mais crateras deverá ter acumulado ao longo do tempo. As contagens das crateras dão uma indicação da idade relativa de diferentes regiões marcianas.
Para determinar as idades absolutas, estas contagens são depois comparadas com contagens de crateras de regiões da Lua, algumas das quais foram detalhadamente datadas graças às rochas trazidas pelos astronautas das missões Apollo. Assumindo que a relação de impactos de meteoros a uma dada altura era mais ou menos uniforme para todo o Sistema Solar interior, estas idades poderão também ser aplicadas directamente a Marte.
Agora parece que existe uma falha fatal neste método, pelo menos quando é baseada nas contagens de crateras muito pequenas. De acordo com Barlow, recentes imagens no infravermelho tiradas pela sonda Mars Odyssey da NASA revelaram inesperadamente padrões de raios longos em torno de crateras relativamente pequenas, mostrando que muito mais material foi ejectado pelos impactos do que tinha sido previamente calculado. Plumas massivas de rocha ejectada teriam "chovido" para produzir, em alguns casos, milhões de crateras secundárias.
Isto significa que a vasta maioria de crateras com menos de 2 km de diâmetro poderão ser crateras secundárias, tornando-as virtualmente inúteis para datar as superfícies, diz Al McEwen da Universidade do Arizona em Tucson, EUA. Por exemplo, McEwen estudou uma cratera marciana com 10 km de diâmetro chamada Zunil. O impacto do meteoro que a produziu pode ter criado milhões de crateras secundárias a milhares de quilómetros do impacto principal.
William Bottke do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, Colorado, EUA, que é um perito na dinâmica da cintura de asteróides, também conclui que as pequenas crateras são predominantemente secundárias. Acrescenta que não existem suficientes objectos pequenos na cintura de asteróides para justificar a quantidade observada de pequenos impactos em Marte.
Algumas áreas livres de crateras em Marte foram estimadas em apenas mais ou menos 150,000 anos. Mas com base em novas evidências, McEwen conclui que a idade de tais regiões pode apenas ser firmada até 10 milhões de anos. E tal incerteza permanecerá até que amostras rochosas de Marte sejam datadas. Links:
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http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/astro_news/marte_agua_050322.htm
Nadine Barlow:
http://www.physics.nau.edu/~barlow/
Bill Bottke:
http://www.boulder.swri.edu/~bottke/
Mars Odyssey:
http://mars.jpl.nasa.gov/odyssey/
Marte:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/marte.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Mars_%28planet%29 |