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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 114
5 de Abril de 2005
arrow NOTA thingy

Na edição n.º 113 de 1 de Abril mencionámos uma notícia que dizia que afinal sempre se podia viajar a velocidades superiores à da luz. Isto é, claro, uma partida do Dia das Mentiras. Para o caso de não ter reparado no aviso na parte de baixo do Astroboletim anterior (em que dávamos conta da brincadeira), aqui fica o desmentido.

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arrow PRIMEIRA IMAGEM CONFIRMADA DE UM PLANETA EXTRASOLAR thingy

Depois de andarem lá muito perto, os astrónomos finalmente obtiveram a primeira fotografia de um planeta para lá do nosso Sistema Solar.

E desta vez têm a certeza. Embora há ainda quem duvide acerca da massa do objecto.

Pensa-se que este planeta tenha uma ou duas vezes a massa de Júpiter, de acordo com os cientistas que capturaram a imagem. Orbita uma estrela semelhante a uma versão mais jovem do nosso Sol.


A primeira imagem de um planeta extrasolar (b).
Crédito: ESO/VLT
(clique na imagem para ver versão maior)

A estrela, GQ Lupi, tem sido observada por uma equipa de astrónomos europeus desde 1999. Adquiriram três imagens usando o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO) no Chile. O Telescópio Espacial Hubble e o telescópio japonês Subaru também contribuiram com uma imagem.

O trabalho foi desenvolvido por Ralph Neuhaeuser do Observatório no Instituto Astrofísico e Universitário (AIU).

"A detecção do ténue objecto perto da brilhante estrela é certa," disse Neuhaeuser.

O sistema é jovem, por isso o planeta é um pouco quente, tal como um pão acabado de saír do forno. Esse calor fê-lo comparativamente mais fácil de ver no brilho da sua estrela companheira do que outros planetas extrasolares. O planeta também está muito longe da estrela -- cerca de 100 vezes a distância entre a Terra e o Sol, outro factor que ajudou na separação da luz entre os dois objectos.

A descoberta será explicada com detalhe numa edição futura da revista Astronomy & Astrophysics. Os co-autores, em conjunto com Neuhaeuser, incluem o estudante de doutoramento Markus Mugrauer, que fez as observações, e Guenther Wuchterl.

O objecto parece ser "a primeira imagem directa e companheira confirmada de uma estrela tipo-Sol, e tal evento marca o começo de uma nova era na detecção planetária," disse Ray Jayawardhana, um cientista da Universidade de Toronto que não esteve envolvido na descoberta mas que já leu o artigo científico.

Jayawardhana acrecenta, no entanto, que alguns modelos usados para estimar a massa do objecto mostram ser dezenas de vezes mais massivo que Júpiter, que nesse caso atravessará para o território, em termos de tamanho, de um tipo de estrela falhada conhecida como anã castanha.

Na década passada, os astrónomos descobriram cerca de 150 planetas extrasolares. A vasta maioria foi apenas detectada indirectamente pela oscilação que os planetas induziam nas suas estrelas.

No início do mês passado, os astrónomos anunciaram a detecção da luz infravermelha de um planeta usando o Telescópio Espacial Spitzer. Mas essa observação não envolveu uma fotografia. Pelo contrário, a luz total do sistema foi vista a diminuir quando o planeta foi eclipsado pela estrela.

No 2º semestre do ano passado, outra equipa europeia anunciou o que poderia ter sido a primeira fotografia dum planeta extrasolar. Esse candidato a planeta ainda tem que ser confirmado, no entanto, porque não está claro se se encontra a orbitar a estrela ou se é um objecto no pano de fundo distante. E mesmo se for um planeta, é anormalmente grande -- algumas vezes a massa de Júpiter -- e orbita uma estrela falhada conhecida como anã castanha.

O objecto em torno de GQ Lupi está claramente ligado gravitacionalmente à estrela.


A posição de GQ Lupi no céu.
Crédito: Markus Mugrauer, ESO/VLT/NACO, AIU
(clique na imagem para ver versão maior)

"A separação entre a estrela e o planeta não mudou entre 1999 e 2004, o que significa que se movem juntas no céu," disse Neuhaeuser. "No nosso caso, temos uma imagem normal que mostra a brilhante estrela e o ténue planeta um pouco a Oeste da estrela. O planeta é apenas 156 vezes mais ténue que a estrela, porque o planeta é ainda muito jovem e por isso está na sua fase de formação, ainda a contrair-se."

O objecto "parece passar" os testes observacionais "por ser uma companheira de pequena massa em relação à sua estrela," diz Jayawardhana.

A imagem de GQ Lupi e do seu planeta é excitante para os astrónomos porque o sistema assemelha-se nalguns aspectos ao nosso próprio Sistema Solar durante a sua formação.

O planeta ronda os 2000 K (aproximadamente 1727 graus Celsius) -- não é propriamente o tipo de lugar que poderá suportar vida. A equipa de Neuhaeuser também detectou água na atmosfera do planeta. Pensa-se que o mundo seja gasoso, tal como Júpiter. Tem cerca do dobro do diâmetro de Júpiter. A massa estimada -- uma ou duas vezes a de Júpiter -- é "ainda incerta", disse Neuhaeuser.

O planeta está três vezes mais longe de GQ Lupi que Neptuno está do Sol. "Devemos assumir que o planeta orbita a estrela, mas àquela grande separação, um período orbital [um ano] dura aproximadamente 1,200 anos, por isso ainda não foi detectado nenhum movimento orbital.

"É improvável, mas não impossível, que o planeta se tenha formado a uma tão grande separação, porque os discos circumstelares à volta de outras estrelas são frequentemente tão grandes ou até maiores," disse Neuhaeuser.

Ou talvez o planeta tenha tido um episódio com outro mundo em desenvolvimento. A interacção poderia ter atirado o recém-descoberto planeta para fora enquanto empurrava o outro, que não foi detectado, para a estrela. Também é possível que o novo planeta tenha uma órbita altamente elíptica e que se encontre actualmente perto dos seus limites exteriores.

A estrela GQ Lupi faz parte de uma região de formação estelar a cerca de 400 anos-luz de distância. A 70% a massa do Sol, é "bastante parecida à nossa estrela," disse Neuhaeuser. Mas GQ Lupi tem apenas um milhão de anos. O Sol tem uma idade média, perto dos 4.6 mil milhões de anos.

"O que é mais intrigante acerca desta descoberta é que levanta um sem número de novas questões acerca da origem deste objecto tão afastado da sua estrela," afirma Jayawardhana, que é um perito nos discos em torno de jovens estrelas a partir dos quais os planetas se formam.

Jayawardhana questiona-se se se formou num disco protoplanetário muito mais perto da estrela, mais ou menos onde Júpiter está no Sistema Solar, e depois se afastou. Ou, talvez mais provavelmente, se nasceu quase à mesma altura que a sua estrela, fragmentando-se de uma nuvem protoestelar em contracção como uma anã castanha.

"De uma maneira ou outra, este objecto deve ter-se formado rapidamente" tendo em conta a idade da estrela, acrescenta.

Nós de gás e poeira têm sido detectados à volta de outras jovens estrelas em definições que os astrónomos atribuem como criações de sistemas solares. Os teóricos acreditam que o nosso Sistema Solar se formou quando os restos do Sol se juntaram para formar um fino disco de material em órbita. Os planetas rochosos como a Terra formaram-se pela acreção de fragmentos maiores. Os astrónomos não estão de acordo, no entanto, na maneira como os gigantes gasosos nascem.

Alan Boss, um teórico na formação planetária do Instituto Carnegie em Washington, comenta que a imagem é "realmente excitante." Mas também disse que existe "uma pequena dúvida chata", pois a massa do objecto é apenas uma estimativa.

Christophe Dumas, que trabalhou na equipa europeia que anunciou a possível foto de um planeta extrasolar o ano passado, disse acerca da nova imagem: "Existe ainda uma grande incerteza no que respeita à massa deste objecto."

Medir a sua massa com precisão teria que envolver a oscilação gravitacional que o aparente planeta induz na estrela, mas este objecto está longe demais da sua companheira para produzir uma oscilação significativa. No entanto, se este planeta tiver quatro vezes a massa de Júpiter, será ainda considerado um planeta," disse Boss.

"Penso que existe uma boa probabilidade que esta seja uma foto histórica," disse Boss.

Links:

Press release (em alemão):
http://www.astro.uni-jena.de/wuchterl/GQ/index.html

Notícias relacionadas:
http://www.newscientist.com/article.ns?id=dn7225
http://news.bbc.co.uk/1/hi/wales/4408187.stm
http://www.palmbeachpost.com/accent/content/accent/epaper/2005/04/03/a7d_astro_0403.html

VLT:
http://www.eso.org/projects/vlt/

AIU:
http://www.astro.uni-jena.de/

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arrow FÍSICO AFIRMA QUE OS BURACOS NEGROS NÃO EXISTEM thingy


Ilustração de artista do aspecto de um buraco negro.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

Os buracos negros são dos assuntos mais discutidos na ficção científica e muitos acreditam que já foram observados indirectamente. Mas de acordo com um físico do Laboratório Nacional Lawrence Livermore na Califórnia, EUA, estas espantosas brechas no espaço-tempo não existem nem podem existir.

Nos últimos anos, observações nos movimentos de galáxias mostraram que mais ou menos 70% do Universo parece ser composto de uma estranha 'energia escura' que lidera a expansão em aceleração do Universo.

George Chapline pensa que o colapso de estrelas massivas, que há muito tempo se acredita que crie buracos negros, na realidade leve à formação de estrelas que contenham energia escura. "É quase uma certeza que os buracos negros não existem," diz.

Os buracos negros são uma das mais famosas previsões da Teoria Geral de Relatividade de Einstein, que explica a gravidade como a curvatura do espaço-tempo provocada por objectos com uma grande massa. A teoria sugere que uma estrela suficientemente massiva, quando morre, irá colapsar sobre a sua própria gravidade numa única singularidade.

Mas Einstein não acreditava nos buracos negros, contesta Chapline. "Infelizmente", acrescenta, "não conseguia explicar porquê." Na raiz do problema está outra teoria revolucionária da Física do século XX, que Einstein também ajudou a formular: a mecânica quântica.

Na relatividade geral, não existe tal coisa como 'tempo universal' que faz os relógios funcionarem ao mesmo ritmo em todo o lado. Em vez disso, a gravidade faz os relógios funcionarem a ritmos diferentes em locais diferentes. Mas a mecância quântica que descreve os fenómenos físicos a escalas infinitamente pequenas, tem apenas relevo se o tempo for universal; se não, as suas equações não fazem sentido.

Este problema é particularmente importante no limite, ou horizonte de eventos, de um buraco negro. Para um observador distante, o tempo parece parar. Uma nave caindo para um buraco negro pareceria, para alguém a ver a uma grande distância, permanecer imóvel neste horizonte de eventos, embora os astronautas na nave sentissem que ainda continuavam a caír. "A relatividade geral prevê que nada acontece no horizonte de eventos," diz Chapline.

Transições quânticas

No entanto, desde 1975 que os físicos quânticos se questionam se coisas estranhas realmente acontecem ou não no horizonte de eventos: a matéria regida pelas leis quânticas torna-se hipersensível a leves distúrbios. "O resultado é rapidamente esquecido," diz Chapline, "porque não está de acordo com a previsão da relatividade geral. Mas na realidade, está absolutamente correcta."

Este comportamento estranho, diz, é a marca de uma 'transição de fase quântica' do espaço-tempo. Chapline explica que uma estrela não colapsa simplesmente para formar um buraco negro; ao invés, o espaço-tempo dentro da estrela enche-se de energia escura e isto provoca alguns efeitos gravitacionais intrigantes.

Fora da 'superfície' de uma estrela de energia escura, esta comportar-se-ia tal como um buraco negro, produzindo um forte puxo gravitacional. Mas por dentro, a gravidade 'negativa' da energia escura poderia fazer a matéria ressaltar outra vez para o exterior.

Se a estrela de energia escura for grande o suficiente, prevê Chapline, quaisquer electrões impelidos seriam convertidos em positrões, que depois aniquilariam outros electrões numa explosão de radiação altamente energética. Chapline diz que isto poderá explicar a radiação observada no centro da nossa Galáxia, anteriormente interpretada como a assinatura de um gigantesco buraco negro.

Ele também pensa que o Universo poderá estar cheio de estrelas de energia escura 'primordiais'. Estas são formadas, não pelo colapso estelar, mas por flutuações do próprio espaço-tempo, como bolhas de líquido espontaneamente condensando-se de um gás em arrefecimento. Estas, sugere, poderão ter o mesmo efeito gravitacional que a matéria comum, mas que não podem ser observadas: a substância elusiva conhecida como matéria negra.

Links:

Artigo (em formato PDF):
http://xxx.arxiv.org/ftp/astro-ph/papers/0503/0503200.pdf

Links relacionados:
http://en.wikipedia.org/wiki/General_relativity
http://en.wikipedia.org/wiki/Quantum_physics
http://en.wikipedia.org/wiki/Gravitational_singularity
http://en.wikipedia.org/wiki/Event_horizon
http://en.wikipedia.org/wiki/Black_hole
http://en.wikipedia.org/wiki/Dark_energy
http://en.wikipedia.org/wiki/Dark_matter

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
NGC 1316: Depois da Colisão Galáctica - Crédito: P. Goudfrooij ( STScI ), Hubble Heritage Team , ( STScI / AURA ), ESA , NASA
Como é que esta estranha galáxia se formou? Os astrónomos tornam-se numa espécie de detectives quando estudam a causa deste irregular emaranhado de estrelas, gás e como NGC 1316. Uma inspecção preliminar indica que NGC 1316 é uma enorme galáxia elíptica que inclui zonas de pó escuro, que normalmente se encontram em galáxias espirais. A imagem do lado foi tirada pelo Telescópio Espacial Hubble e mostra detalhes, no entanto, que ajudam a reconstruir a história deste frenesim gigantesco. Uma observação mais detalhada encontra menos enxames globulares de pequena massa para o centro de NGC 1316. Tal efeito é esperado em galáxias que sofreram colisões ou fusões com outras galáxias nos milhares de milhões de anos anteriores. Depois de tais colisões, muitos enxames estelares seriam destruídos no denso centro galáctico. Os nós escuros e fileiras de pó indicam que uma ou mais das galáxias devoradoras eram espirais. NGC 1316 estica-se por mais ou menos 60,000 anos-luz e situa-se a cerca de 75 milhões de anos-luz na direcção da constelação da Fornalha.
Ver imagem em alta-resolução
     
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  ESPAÇO ABERTO  
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Observação astronómica, dia 9 de Abril, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 05/04: 95º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1973 a sonda Pioneer 11 faz as primeiras observações directas de Saturno (1979) e estuda as partículas energéticas da helioesfera exterior. A missão Pioneer 11 termina a 30 de Setembro de 1995, quando a última transmissão da sonda foi recebida. Com a sua fonte de energia exausta, não pode operar mais nenhum dos seus instrumentos científicos, nem apontar a sua antena para a Terra. A Pioneer está viajando na direcção da constelação de Águia. Poderá passar perto de uma das estrelas da constelação daqui a mais ou menos 4 milhões de anos.
Em 1991 era lançado o Observatório de Raios-Gama Compton. O objectivo desta missão era obter medições de raios-gama de toda a esfera celeste, com uma resolução angular bem melhor e com um aumento de sensibilidade em relação às anteriores missões espaciais de raios-gama. O Compton foi retirado de órbita e re-entrou na atmosfera da Terra no dia 4 de Junho do ano 2000.

Dia 06/04: 96º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1993, cientistas da NASA, usando o Explorador Ultravioleta Internacional (IUE), descobrem provas directas de que as estrelas supergigantes vermelhas terminam a sua existência em explosões massivas conhecidas como supernovas. A 12 milhões de anos-luz de distância, na galáxia conhecida como M81, o Tipo II de supernova foi designado SN 1993J, a décima supernova do ano.
Observações: Entre a meia-noite e meia e as quatro da manhã poderá observar a Grande Mancha Vermelha no planeta Júpiter, visível nos mais modestos telescópios.

Dia 07/04: 97º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1991, era activado o Observatório de Raios-Gama Compton.
Em 2001, primeiro voo com êxito do Proton M.
Em 2001 era lançada a sonda Mars Odyssey. A missão orbital tem como objectivo mapear os elementos marcianos e os minerais, procurar água e analizar o ambiente da radiação. Alcançou a órbita do Planeta Vermelho a 24 de Outubro de 2001, mas os seus instrumentos só foram ligados a 14 de Fevereiro de 2002.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Conhece o SETI@Home? Então dê as boas-vindas ao projecto Einstein@Home!! Este programa computorizado permite, tal como o software anterior, usar o processador do seu computador para, a partir de dados recolhidos pelo Laser Interferometer Gravitacional wave Observatory (LIGO) nos EUA e pelo observatório GEO 600 na Alemanha, procurar estrelas de neutrões (também chamados pulsares). De acordo com a Teoria Geral da Relatividade, tais estrelas podem curvar o espaço-tempo à sua volta, causando a emissão de radiação gravitacional. Este projecto está inserido no âmbito do Ano Mundial da Física 2005.
 
 
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