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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 124
10 de Maio de 2005
arrow DOZE NOVAS LUAS PARA SATURNO thingy

Astrónomos tentando aperfeiçoar um modelo de como o Sistema Solar se formou avançaram uma dúzia de pequenos passos na direcção do seu objectivo a semana passada, graças à descoberta de 12 novas luas em torno de Saturno.

As luas foram descobertas por uma equipa de astrónomos da Universidade do Hawaii e do Instituto Carnegie de Washington, com a ajuda de alguns poderosos telescópios no topo do vulcão Mauna Kea no Hawaii. No que diz respeito a luas, os recém-descobertos satélites são pequenos, variando entre 3 e 7 quilómetros de diâmetro. Mas 11 deles orbitam Saturno na direcção oposta da rotação do planeta - uma propriedade que apenas uma das outras 34 luas do gigante gasoso partilha.


Animação do movimento dos satélites.
Crédito: Dave Jewitt; Alan Sheppard

Os astrónomos acreditam que as órbitas retrógradas possam ser um sinal que as luas foram capturadas pelo puxo gravitacional de Saturno em vez de se formarem do mesmo material que o planeta. Se assim for, podem revelar pistas sobre como esta captura teve lugar. "É uma espécie de janela para um processo muito antigo e que já não acontece," disse o co-descobridor David Jewitt, um astrónomo da Universidade do Hawaii.

Devido aos cientistas terem apenas recentemente começado a estudar as luas capturadas em detalhe -- por exemplo, com a sonda Cassini -- têm ainda que aperfeiçoar um modelo que explique a captura destes objectos e sua transformação em luas. Particularmente complexo é saber o que faz com que estes objectos viajando pelo espaço diminuam a sua velocidade o suficiente para serem capturados pela gravidade de um planeta.

Um modelo assume que os objectos diminuem a sua velocidade à medida que passam por nuvens de gás. Mas, enquanto isto oferece um explicação para as luas capturadas em torno de gigantes gasosos como Júpiter ou Saturno, que poderiam na altura estar rodeados por gás enquanto se formavam, deixa para trás os planetas gelados como Neptuno ou Urano, que também têm luas capturadas.

Um outro modelo sugere que os objectos colidiram com -- e transferiram momento para -- outros objectos. Mas esta teoria tem sido difícil de confirmar, dado que a maioria dos grandes objectos no nosso Sistema Solar estão longe uns dos outros e em órbitas actualmente tão estáveis que raramente colidem.

"O cometa Shoemaker-Levy 9, tanto quanto sabemos, foi um objecto bastante irregular," disse Jewitt, referindo-se ao cometa que foi despedaçado e que atingiu Júpiter em Julho de 1994. "Resumindo e concluindo: não sabemos," acrescentou.

Jewitt e Sheppard descobriram as 12 luas adicionais a 12 de Dezembro de 2004, como parte de uma pesquisa planeada em busca de luas com órbitas irregulares. Fotografaram a mesma parte do céu três vezes de seguida à procura de objectos que tenham mudado de posição de fotografia para fotografia. O duo confirmou as suas observações nos meses seguintes ao usar diferentes telescópios para fotografar a mesma parte do céu. Submeteram então os seus achados ao Centro de Planetas Menores da União Astronómica Internacional em Cambridge, Massachusetts. A UAI anunciou formalmente as suas descobertas nos boletins electrónicos de 3 e 4 de Maio.

O número total de satélites de Saturno situa-se agora em 46.

Jewitt acredita que os astrónomos poderão descobrir 50 ou mais luas durante as próximas décadas, à medida que os progressos na tecnologia dos equipamentos fotográficos permitam aos cientistas detectar objectos cada vez mais pequenos.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.newscientist.com/article.ns?id=dn7344
http://www.sci-tech-today.com/story.xhtml?story_id=34279
http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/4511715.stm

Dave Jewitt:
http://www.ifa.hawaii.edu/faculty/jewitt/
http://www.ifa.hawaii.edu/~jewitt/saturn2005.html
http://www.ifa.hawaii.edu/~jewitt/satsatimages.html

Scott S. Sheppard:
http://www.dtm.ciw.edu/sheppard/

Elementos orbitais do novos satélites:
http://www.ifa.hawaii.edu/~jewitt/elements.jpg

Saturno:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/saturno.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Saturn_%28planet%29

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arrow À PROCURA DA MARS POLAR LANDER thingy

Em Dezembro de 1999 a sonda da NASA Mars Polar Lander (MPL) deveria ter aterrado perto do pólo sul do planeta. Mas pouco tempo depois de ter entrado na fina atmosfera marciana, a sonda desapareceu sem deixar rasto. Apenas agora, cinco anos e meio depois, os cientistas pensam ter finalmente localizado os restos da sonda e confirmado o que de errado se passou com a missão.


Ilustração de artista da sonda Mars Polar Lander.
Crédito: NASA/JPL

Os cientistas usaram uma câmara a bordo da Mars Global Surveyor para pesquisar a sonda perdida no fim de 1999, começo de 2000, aparentemente sem resultados. Posteriormente, uma investigação acerca do desaparecimento da sonda indicou o que poderia ter acontecido com a Mars Polar Lander. O comité sugeria que os foguetes de aterragem da MPL dispararam à hora e altitude correctas, mas que se desligaram prematuramente. Supostamente, eram para continuar ligados até que uma das pernas de aterragem atingisse a superfície. Aparentemente o software de bordo confundiu o solavanco da libertação de uma das pernas da sonda com o contacto com a superfície e desligou os motores, fazendo com que a MPL caísse de uma altura de cerca de 40 metros.

Usando a informação recolhida ao observar os dois «rovers» marcianos no ano passado, os cientistas reexaminaram as imagens de 1999 e 2000 à procura de características parecidas. Desta vez identificaram o que parece ser um pára-quedas, localizado a algumas centenas de metros de um pedaço de terra remexida com uma grande marca no seu centro. A figura parecida com um pára-quedas coincide com os pára-quedas dos «rovers» (feitos do mesmo material), e acreditam que o solo perturbado coincide com o que veríamos se um foguetão tivesse sido disparado a uma altura de poucas dezenas de metros.


Será a Mars Polar Lander?
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)

Parece que o comité de investigação da MPL estava correcto. A descida da sonda decorreu com sucesso pela atmosfera de Marte. Foi apenas uns momentos antes da aterragem que o desastre aconteceu.

Dentro de algum tempo a NASA irá apontar novamente a Mars Global Surveyor em ordem a reexaminar o local da MPL usando uma técnica especial que melhora a resolução da câmara até 0.5 metros por pixel. Espera-se que as novas observações providenciam provas conclusivas, necessárias para o fecho oficial do desaparecimento da Mars Polar Lander.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.universetoday.com/am/publish/mars_polar_lander_found.html
http://www.space.com/missionlaunches/050506_mpl_candidate.html
http://www.newscientist.com/article.ns?id=dn7349&feedId=online-news_rss20
http://news.bbc.co.uk/1/hi/sci/tech/4522291.stm
http://www.theregister.co.uk/2005/05/09/mars_lander_found/
http://www.usatoday.com/tech/science/space/2005-05-03-mars-polar-lander-search_x.htm
http://msnbc.msn.com/id/7710992/
http://www.marstoday.com/news/viewsr.html?pid=16493

Mars Polar Lander:
http://mars.jpl.nasa.gov/msp98/
http://en.wikipedia.org/wiki/Mars_Polar_Lander

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Estrelas, poeira e nebulosas em NGC 6559 - Crédito: Jean-Charles Cuillandre (CFHT), Hawaiian Starlight , CFHT
Quando as estrelas se formam, reina o pandemónio. Um caso típico é a região de formação estelar NGC 6559. Visível na imagem do lado estão nebulosas de emissão vermelhas e brilhantes de hidrogénio, nebulosas de reflexão azuis, escuras nebulosas de absorção, e recém-formadas estrelas. Estas jovens estrelas formaram-se a partir do denso gás e emitem luz energética e ventos que fragmentam e moldam o seu berçário. E depois explodem. O caos resultante pode ser tão bonito como complexo. Depois de dezenas de milhões de anos, a poeira e gás são "limpos", deixando para trás um bonito enxame aberto de estrelas.
Ver imagem em alta-resolução
     
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  ESPAÇO ABERTO  
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Observação astronómica, dia 14 de Maio, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 10/05: 130º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1971 era lançada a Kosmos 419 (USSR). Não conseguiu atingir a órbita da Terra.
Observações: Se ainda não observou Vénus, experimente hoje por volta das 20:30. No lusco-fusco encontra-se a Oeste-Noroeste uma Crescente Lua. Mesmo por baixo, a pouco mais que 7º acima do horizonte, encontra-se o planeta Vénus.

Dia 11/05: 131º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1918 nascia Richard Feyman, que em conjunto com Julian Schwinger e Sin-Itiro Tomonaga, ganhou o prémio Nobel da Física pelo seu trabalho sobre electrodinâmica quântica. Também trabalhou na investigação do acidente do vaivém Challenger.
Em 1916 nascia Karl Schwarzschild, que usando a teoria da gravitação de Einstein que descreve a forma como o espaço-tempo é curvado pela matéria, explica que quando uma estrela se contrai, existe um ponto em que a sua gravidade é tão forte que nem a luz pode escapar, o agora famoso buraco negro. Este ponto é conhecido como o raio de Schwarzchild e é igual à massa do objecto multiplicada pelo dobro da constante da gravidade e dividida pela velocidade da luz ao quadrado.
Observações: O Verão aproxima-se. Para o comprovar, pelas 23:00 já conseguimos observar a Este-Nordeste as constelações de Hércules, Lira, Cisne, e uma pequena porção de Águia.

Dia 12/05: 132º dia do  calendário gregoriano.
Observações: A estrela variável de longo período, a vermelha S Canis Minoris, está aproximando-se do seu máximo (magnitude 10.7).

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Na passada quarta-feira, a primeira secção do radar MARSIS da sonda Mars Express foi libertada com sucesso. Infelizmente, após ter sido detectada uma anomalia, a libertação das restantes duas secções foi adiada e está dependente da conclusão de uma investigação sobre a anomalia detectada durante a activação da primeira antena.
 
 
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