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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 126
17 de Maio de 2005
arrow ESTRELAS MUITO PERTO DO BURACO NEGRO SUPERMASSIVO thingy


Imagem do centro galáctico registada pelo telescópio Keck.
Crédito: Jessica Lu, UCLA Galactic Center Group, Observatório Keck
(clique na imagem para ver versão maior)

Um grupo de jovens estrelas foi descoberto perigosamente próximo do gigante buraco negro no centro da nossa Galáxia - apenas o segundo grupo conhecido a habitar a região sobre condições extremas.

Há dois anos atrás, os astrónomos encontraram o primeiro enxame de jovens estrelas a 0.7 anos-luz do buraco negro. Como lá tinham ido parar é incerto, devido à gravidade do buraco negro desfazer as nuvens de gás e poeira nas quais as estrelas se formam. Este enxame pode ter-se formado mais longe na Galáxia e ter posteriormente migrado para dentro, suportado de dentro pela gravidade de um buraco negro médio.

O último grupo de cinco jovens estrelas, descoberto por Jessica Lu da Universidade da Califórnia em Los Angeles e seus colegas usando o telescópio Keck I no Hawaii, está a mover-se numa espécie de fila indiana para mais perto do centro galáctico - a apenas 0.26 anos-luz de distância. As estrelas devem ter apenas 10 milhões de anos e não parecem estar juntas por um pequeno buraco negro. "O que é espantoso é que este pequeno grupo possa sobreviver neste ambiente hostil", diz Lu. "Poderíamos pensar que estas estrelas seriam rapidamente desfeitas."

Lu especula que os enxames estelares possam ser capazes de se formar perto de buracos negros supermassivos apesar da intensa gravidade, radiação, pressão e temperatura. "O processo seria muito diferente do que sabemos actualmente sobre a formação estelar," comenta. Por outro lado, as estrelas poderão ser restos de grandes enxames que se formaram a distâncias maiores e que foram sendo despedaçados à medida que se aproximavam do buraco negro.

Links:

Referência (requer subscrição):
http://www.journals.uchicago.edu/cgi-bin/resolve?ApJL19353PDF

Centro galáctico:
http://www.astro.ucla.edu/research/galcenter/

Jessica Lu:
http://www.astro.ucla.edu/~jlu/

Observatório Keck:
http://www2.keck.hawaii.edu/

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arrow PRIMEIRO MOSAICO COMPLETO DA SUPERFÍCIE DE TITÃ thingy



Projecção estereográfica de imagens do DISR da sonda Huygens.
Crédito: ESA/NASA/JPL/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)

À medida que as grandes quantidades de dados recolhidos pela sonda da ESA Huygens durante a descida em Titã estão a ser processados, novas imagens deste mundo fascinante ficam disponíveis.

A equipa do DISR (Descent Imager Spectral Radiometer) produziu agora o primeiro mosaico 'estereográfico' e 'gnomónico'. Usando técnicas especiais de projecção de imagem, a equipa combinou uma série de fotos capturadas pela Huygens enquanto girava no seu eixo a uma altitude de cerca de 20 km.

O DISR a bordo da Huygens tirou uma série de fotografias da superfície cada vez mais próxima em conjuntos de três, ou 'tripletos', à medida que descia pela atmosfera de Titã no passado dia 14 de Janeiro. As imagens enviadas sobrepõem-se parcialmente, devido à rotação da sonda durante a descida e também devido à sobreposição entre os campos de visão das diferentes câmaras.

Os cientistas do DISR estão a estudar estas imagens em busca de parecenças, tais como as características físicas comuns a mais que uma imagem, e estão a construir mosaicos, tal como um puzzle.

Existem muitas maneiras de converter objectos tri-dimensionais em duas dimensões. Diferentes tipos de projecções para mapas ou fotografias são capazes de representar realisticamente coisas como o tamanho, área, distâncias e perspectiva. Um tipo particular de projeçcão usado para esferas em duas dimensões (por exemplo em alguns mapas da Terra ou da esfera celeste) é a projecção 'estereográfica'.

Uma projecção 'gnomónica' foi também produzida, e esta tende a fazer a superfície parecer lisa. Este tipo de projecção é geralmente utilizado em mapas usados por navegadores ou aviadores na determinação da distância mínima entre dois pontos. No entanto existe uma grande quantidade de distorção da escala nos limites exteriores das projecções gnomónicas.


Projecção gnomónica de imagens do DISR da sonda Huygens.
Crédito: ESA/NASA/JPL/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)

Numa vista estereográfica, como por exemplo através de uma lente 'olho-de-peixe', as brilhantes áreas a Norte (topo da imagem) e a Oeste estão cobertas por linhas escuras que parecem ser canais de escoamento. Estes dirigem-se para baixo, até ao que parece ser uma linha costeira com deltas de rios e barras de areia.

A interpretação actual destas linhas é que são cortadas por fluxos de metano líquido. Alguns têm sido produzidos pelo excesso de precipitação, criando uma densa rede de estreitos canais e características com acentuados ângulos de bifurcação. Outros podem ter sido produzidos por drenagem ou por fluxos sub-superficiais, dando forma aos pequenos e atarracados canais que se ligam em ângulos de 90 graus.

O maior destes canais situa-se na posição das 12 horas a partir de um bocado de costa e expande-se para a esquerda. O maior dos canais de drenagem começa na posição das 9 horas e continua em linha recta para cima e para a esquerda. O grande e largo corredor a Oeste mesmo por baixo do canal de drenagem parece ser um grande canal de fluxo que desagua nas planícies do leito.

As áreas brilhantes a Nordeste e a Este parecem ser cumes de cascalho gelado que são um pouco mais altos que as planícies em redor, e pensa-se que o local de aterragem da sonda tenha sido mesmo a Sudoeste da figura semi-circular. As áreas claras e escuras para Sul são ainda de natureza desconhecida.

Na projecção gnomónica, o local de aterragem aproxima-se e as caracteristicas da superfície tornam-se mais detalhadas. O Norte está no topo da imagem. A partir do canto inferior esquerdo até ao superior direito encontra-se um cume de rochedos de gelo.

Pensa-se que atrasem a maioria do fluxo de Oeste e que provoquem a acumulação do fluido na parte Noroeste da imagem, causando a sedimentação do material escuro. A inflitração entre estes rochedos corta os sedimentos em canais à medida que o fluido continua para Sudeste.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.nasa.gov/mission_pages/cassini/whycassini/titan-mosaic-051305.html
http://i-newswire.com/pr20349.html
http://www.physorg.com/news4092.html
http://www.universetoday.com/am/publish/mosaic_titan_surface.html?1352005

Sonda Huygens:
http://www.esa.int/SPECIALS/Cassini-Huygens/index.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Huygens_probe

Vários tipos de projecções:
http://en.wikipedia.org/wiki/Map_projection

Projecção estereográfica:
http://en.wikipedia.org/wiki/Stereographic_projection

Projecção gnomónica:
http://en.wikipedia.org/wiki/Gnomonic_projection

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
NGC 3370 - Crédito: Hubble Heritage Team , A. Riess ( STScI ) NASA
Semelhante em tamanho e aparência à nossa própria Via Láctea, a galáxia espiral NGC 3370 situa-se a cerca de 100 milhões de anos-luz de distância na direcção da constelação de Leão. Registada aqui em espectacular detalhe pelo Telescópio Espacial Hubble, a grande galáxia espiral rouba o espectáculo, mas a imagem também revela uma enorme quantidade de galáxias de fundo, espalhadas pelo Universo distante. Ao olhar para NGC 3370, os dados da imagem são suficientes para estudar estrelas pulsantes individuais conhecidas como Cefeidas que podem ser usadas para determinar a distância a esta galáxia. NGC 3370 foi escolhida para este estudo porque em 1994 esta espiral foi o lar de uma explosão estelar bem estudada -- uma supernova tipo Ia. Combinando a distância conhecida a esta supernova, com base em medições das Cefeidas, com observações de supernovas a distâncias ainda maiores, conseguimos saber o tamanho e a velocidade de expansão do próprio Universo.
Ver imagem em alta-resolução
     
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TERRAMOTO DE 1755: O ALGARVE
 
Banner Terramoto
 

No âmbito da evocação dos 250 anos do Terramoto de 1755, o Centro Ciência Viva do Algarve desenvolveu uma exposição sobre os terramotos na região Algarvia, situada no Fórum Algarve até ao dia 22 de Maio.

 
 
  ESPAÇO ABERTO  
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Observação astronómica, dia 4 de Junho, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 17/05: 137º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1836 nascia J. Norman Lockyer, descobridor do elemento hélio em 1868. J. N. L. estava fazendo estudos espectrais do Sol quando atribuiu linhas desconhecidas de absorção ao novo elemento, só "descoberto" na Terra em 1891. Sir Lockyer também é conhecido como o Pai da Arqueoastronomia: foi um dos primeiros a propôr cientificamente que Stonehenge foi um observatório astronómico e que as pirâmides do Egipto e as grandes catedrais Cristãs medievais foram construídas ao longo de orientações astronómicas importantes.
Em 1882 foi descoberto um cometa em fotografias da coroa solar tiradas durante um eclipse total; o cometa nunca mais foi visto. Provavelmente era um "suicida", em rota de colisão com o Sol.
Observações: O brilhante Arcturo brilha a Sudeste ao princípio da noite (para a esquerda de Júpiter). Vega é a estrela mais brilhante muito mais para baixo a Nordeste. Olhe para um terço do caminho entre Arcturo e Vega para encontrar a famosa constelação da Coroa Boreal. A dois terços do caminho encontra-se a constelação de Hércules.

Dia 18/05: 138º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1910, a Terra passa pela cauda do cometa Halley.
Em 1969 era lançada a Apollo 10, a quarta missão tripulada do programa Apollo, que foi a segunda a orbitar a Lua. Segundo o Livro dos Recordes do Guinness, a Apollo 10 detém o recorde da maior velocidade já atingida por um veículo tripulado: 39,897 km/h. Este foi atingido durante o regresso da Lua a 26 de Maio de 1969.
Observações: Um pequeno telescópio será capaz de mostrar Titã, a maior e mais extraordinária lua de Saturno. Esta noite Titã estará a 4 diâmetros anulares para Este de Saturno. Um telescópio de 6 polegadas já mostra o tom alaranjado da sua atmosfera.

Dia 19/05: 139º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1900 nascia Cecilia Helena Payne-Gaposchkin. Descobriu a composição química das estrelas e que o hidrogénio e hélio são os seus elementos mais abundantes, e, por isso, também do Universo. Em 1977 recebeu o prestigiado Prémio Henry Norris Russell da Sociedade Astronómica Americana.
Em 1971, lançamento da sonda Mars 2 (USSR). A 27 de Novembro do mesmo ano, alcança Marte, e continua a enviar dados até 1972. Era suposto também aterrar um «lander», mas colidiu com a superfície devido a uma avaria nos foguetes de travagem.
Observações: Esta noite a Lua encontra-se muito perto do planeta Júpiter, na constelação de Virgem.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Os relâmpagos são três vezes mais quentes que a superfície do Sol. A temperatura à superfície do Sol é da ordem dos 6,000º C, enquanto que a dos relâmpagos é de cerca de 18,000º C.
 
 
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