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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 129
27 de Maio de 2005
arrow VOYAGER 1 ALCANÇA FRONTEIRA DO SISTEMA SOLAR thingy

A sonda da NASA, Voyager 1, entrou na fronteira final do Sistema Solar. Está passando por uma vasta e turbulenta região onde a influência do Sol e os ventos solares chocam com o fino gás interestelar.

"A Voyager 1 entrou na última volta da sua corrida na direcção da fronteira do espaço interestelar," disse o Dr. Edward Stone, cientista do projecto Voyager no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena.


Ilustração de artista da sonda Voyager 1.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)

Em Novembro de 2003, a equipa da Voyager anunciou que estava registando eventos em tudo diferentes aos observados durante a missão já com 26 anos. A equipa acreditava que estes eventos invulgares indicavam que a Voyager se estava aproximando de uma estranha região do espaço, provavelmente o começo desta nova fronteira chamada "choque de terminação". Existia na altura uma considerável controvérsia sobre se a Voyager tinha realmente encontrado esta região ou se estava só a aproximando-se.

O choque de terminação é onde o vento solar, uma fina corrente de gás electricamente carregado, empurrado continuamente pelo Sol, vê a sua velocidade diminuida pela pressão do gás entre as estrelas. No choque de terminação, esta velocidade situa-se entre 1,000,000 e 2,500,000 km/h e torna-se cada vez mais denso e quente. O consenso da equipa é que a Voyager 1, a aproximadamente 14 mil milhões de quilómetros do Sol, entrou finalmente na região para lá do choque de terminação.

Prever a localização do choque de terminação foi uma tarefa árdua, devido às precisas condições do espaço interestelar serem desconhecidas. Além disso, as alterações na velocidade e pressão do vento solar fazem com que o choque de terminação se expanda, se contraia e se enrugue.

A maior prova de que a Voyager atravessou esta região é a medição de um aumento súbito na força do campo magnético transportado pelo vento solar, combinado com uma diminuição inferida na sua velocidade.

Em Dezembro de 2004, os dois magnetómetros da Voyager 1 observaram um aumento súbito na força do campo magnético por um factor de aproximadamente dois e meio, o esperado quando o vento solar diminui de velocidade. O campo magnético tem mantido estes altos valores desde então.

A Voyager 1 também observou um aumento do número de electrões e iões electricamente carregados de alta-velocidade e uma explosão de ruído ondulatório de plasma antes do choque. Isto também seria esperado se a Voyager 1 passasse o choque de terminação. Este acelera naturalmente electricamente as partículas carregadas que saltitam para a frente e para trás entre os rápidos e lentos ventos em direcções opostas do choque, e estas partículas podem gerar ondas de plasma.


As localizações das Voyager 1 e 2 em 2005.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)

"As observações da Voyager ao longo dos últimos anos mostram que o choque de terminação é bem mais complicado do que se pensava," disse o Dr. Eric Christian, cientista do programa de pesquisa do Sistema Solar da NASA em Washington.

Para as suas missões originais a Júpiter e Saturno, a Voyager 1 e a irmã Voyager 2 estavam destinadas a regiões do espaço bem longe do Sol, onde os painéis solares não seriam práticos. Por isso, foram ambas equipadas com três geradores termoeléctricos de radioisótopos, de modo a produzir energia eléctrica para os sistemas das sondas e seus instrumentos. Ainda funcionado em modo remoto nas frias e escuras condições 27 anos depois, as Voyagers devem a sua longevidade a estes geradores, que produzem electricidade a partir do calor gerado pelo decaímento natural do dióxido de plutónio. É possível que as sondas fiquem sem energia eléctrica antes de atingirem o seu próximo objectivo, o de explorar os limites da ampla "bolha" que o Sol cria ao seu redor. O limite dessa "bolha" tem o nome de heliopausa, um lugar onde a pressão expansiva da bolha solar é limitada pela força dos ventos interestelares. Acredita-se que pelo menos a Voyager 1 consiga atingir esta meta.

As sondas continuam a transmitir dados, e o farão até 2020, quando o seu combustível se esgotar, perdendo de vez contacto com as mesmas. A Voyager 1, que foi lançada numa trajectória mais rápida, é actualmente a sonda mais veloz. Em 2010, as mesmas irão deixar os limites do nosso Sistema Solar e penetrar no espaço interestelar. Com sorte, acredita-se que em 40,000 anos atinjam um outro sistema estelar.

Cada sonda carrega consigo um disco de cobre, com imagens, sons da Terra, saudações em 55 idiomas (incluindo português) e músicas (Mozart, Bach e Chuck Berry, por exemplo), selecionados pelo falecido cosmólogo Carl Sagan, para apresentar um pouco da cultura humana e da Terra a uma eventual civilização inteligente (caso exista), que venha a capturar a sonda. Há também imagens e saudações do então presidente dos EUA, Jimmy Carter, e do então secretário-geral da ONU, Kurt Waldheim.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.universetoday.com/am/publish/voyager_enters_heliosheath.html?2452005
http://www.indystar.com/apps/pbcs.dll/article?AID=/20050526/NEWS06/505260447/1012
http://www.earthtimes.org/articles/show/2946.html
http://english.aljazeera.net/NR/exeres/A386CFE3-131E-406C-8D5C-6F55294A969B.htm
http://www.abc.net.au/news/newsitems/200505/s1377291.htm
http://www.cbsnews.com/stories/2005/05/25/tech/main697735.shtml
http://www.theregister.co.uk/2005/05/25/voyager_leaves_solar/
http://www.reuters.com/newsArticle.jhtml?type=topNews&storyID=8603811
http://edition.cnn.com/2005/TECH/space/05/25/voyager.space/
http://www.newscientist.com/article.ns?id=mg18625015.000
http://news.bbc.co.uk/1/hi/sci/tech/4576623.stm
http://www.space.com/missionlaunches/050524_voyager_edge.html
http://www.physorg.com/news4231.html
http://www.earthtimes.org/articles/show/2946.html
http://dsc.discovery.com/news/briefs/20050523/voyager.html

Voyager 1:
http://voyager.jpl.nasa.gov/
http://voyager.jpl.nasa.gov/spacecraft/spacecraftlife.html
http://www.heavens-above.com/solar-escape.asp
http://en.wikipedia.org/wiki/Voyager_1

Sistema Solar exterior:
http://en.wikipedia.org/wiki/Solar_system
http://en.wikipedia.org/wiki/Termination_shock
http://en.wikipedia.org/wiki/Heliosheath
http://en.wikipedia.org/wiki/Heliopause
http://en.wikipedia.org/wiki/Interstellar_medium

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Foto  
Uma linda Trífida - Crédito: Dean Jacobsen
A bonita Nebulosa da Trífida (M20), um fotogénico estudo de contrastes cósmicos, situa-se a cerca de 5,000 anos-luz na direcção da constelação de Sagitário. É uma região de formação estelar no plano da nossa Galáxia, e ilustra os três tipos básicos de nebulosa; uma nebulosa de emissão vermelha dominada por luz dos átomos de hidrogénio, uma nebulosa azul de reflexão produzida pela poeira que reflecte a luz das estrelas, e uma nebulosa de absorção escura, onde densas nuvens bloqueiam a luz. A brilhante e vermelha nebulosa de emissão, mais ou menos separada em três partes pelas correntes escuras de poeira, dão o nome popular a M20. Nesta espectacular imagem, a "flor" está também rodeada pelos tons azuis da nebulosa de reflexão. Os longos pilares ejectados por jovens estrelas - visíveis aqui por baixo do centro da nebulosa de emissão - aparecem em ampliações da região feitas pelo Hubble.
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A próxima sessão de observação astronómica será hoje, dia 27 de Maio, na açoteia do CCVAlg, às 23:00, na sequência da Final das 1.ªs. Olimpíadas Nacionais de Astronomia.
Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 27/05: 147º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1999, lançamento da missão STS-96 do vaivém Discovery.
Observações: Ainda não é Verão, mas o Grande Triângulo já espreita no céu a Este. O seu canto superior é Vega, a estrela mais brilhante do céu a Este-Nordeste durante a noite. Deneb é a estrela brilhante para a esquerda e para baixo de Vega. Para a direita, temos Altair, da constelação de Águia.

Dia 28/05: 148º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, lançamento dos dois macacos Able & Baker. Os humanos não sabiam se podiam viver no espaço, nem mesmo num ambiente protegido. Passaram 16 minutos a viajar a uma altitude de 580 km. Able morreu uns dias depois devido a complicações numa operação com o objectivo de retirar dispositivos electrónicos implantados. Baker viveu até aos 27 anos. A sua aventura cimentou o caminho do envio de humanos ao espaço.
Em 1971 era lançada a Mars 3 (USSR). A 2 de Dezembro do mesmo ano, alcançou Marte mas o lander enviou apenas 20 segundos de dados.
Em 1998, o asteróide 1998 KY26 era descoberto por Tom Gehrels. Usando observações por radar, a velocidade de rotação deste asteróide foi estimada em 10.7 minutos! É o objecto com a maior velocidade de rotação até agora conhecido. Também devido à sua órbita, é um dos mais acessíveis asteróides no que toca a enviar uma sonda para o explorar.
Observações: Aproveite o princípio da noite para observar Júpiter com um telescópio. Verá uma espécie ponto negro na sua atmosfera. Esta é a sombra de Io, um dos satélites galileanos.

Dia 29/05: 149º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1919, um eclipse solar total foi observado por dois diferentes grupos de astrónomos tentando confirmar a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, medindo se o Sol distorcia as posições aparentes das estrelas das Híades.
Em 1974 era lançada a Luna 22 (USSR).

Dia 30/05: 150º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1966, lançamento da Surveyor 1, a primeira sonda sonda americana a aterrar em segurança na Lua.
Em 1971 era lançada a Mariner 9. A 13 de Novembro alcança a órbita de Marte. Envia 6,900 imagens.
Observações: Lua em Quarto Minguante, por volta das 12: 47.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Última actualização do número de planetas extrasolares já descobertos: 136 sistemas planetários, 155 planetas, 14 sistemas de planetas múltiplos.
 
 
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