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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 137
24 de Junho de 2005
arrow MARSIS PRONTO PARA TRABALHAR thingy

MARSIS, diminutivo para "Mars Advanced Radar for Subsurface and Ionosphere Sounding", a bordo da sonda europeia Mars Express, agora completamente libertado, foi testado e está pronto para começar as suas operações em torno do Planeta Vermelho.

Com este radar, a Mars Express tem finalmente todos os seus instrumentos disponíveis para estudar a atmosfera do planeta, a superfície e sua estrutura subterrânea.

MARSIS consiste de três antenas: dois 'dipólos' com 20 metros de comprimento, e um 'monopólo' de 7 metros orientado perpendicularmente em relação aos dois primeiros. Este radar é de extrema importância, porque é o primeiro método (de sempre) a conseguir espreitar o que se esconde por baixo da superfície de Marte.


Impressão de artista do aspecto final do radar MARSIS.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)

As três delicadas fases de libertação do radar, e todos os testes seguintes de verificação da integridade da nave, tiveram lugar entre 2 de Maio e 19 de Junho. A libertação da primeira antena ocorreu a 10 de Maio. Esta, inicialmente presa em modo aberto, foi mais tarde libertada ao expôr as suas dobradiças ao Sol.

Tirando dicas acerca das lições aprendidas na primeira fase da libertação, a segunda antena de 20 metros não teve problemas no dia 14 de Junho. Subsquentemente, a equipa científica da ESA ordenou a continuação para a terceira e fase final de libertação da antena de 7 metros a 17 de Junho, outra vez com êxito.

A capacidade de MARSIS de transmitir ondas de rádio pelo espaço, foi testada pela primeira vez a 19 de Junho, quando o instrumento foi ligado e levado a cabo um teste, com sucesso.

O instrumento envia sinais de rádio para Marte de noite, e analisa os seus ecos distintos. A partir daqui, os cientistas conseguem fazer deduções acerca da estrutura da superfície e da sub-superfície. O objecto fulcral da procura é a água. Mas as aptidões da MARSIS não param por aqui. Os mesmos métodos podem também ser usados de dia para estudar a estrutura da camada superior da atmosfera.

Antes de começar as suas observações científicas, o MARSIS tem que passar por uma fase de testes. É um procedimento normal para qualquer instrumento a bordo, necessário para testar a sua performance em órbita usando alvos reais. Neste caso, esta fase de operação durará cerca de dez dias, ou 38 passagens orbitais, começando a 23 de Junho e acabando a 4 de Julho.

Durante a fase de testes, MARSIS estará sempre apontado para baixo a olhar para Marte, naquelas partes da órbita elíptica onde a sonda está mais próxima da superfície (por volta do pericentro). Irá cobrir as áreas marcianas entre as latitudes 15º S e 70º N. Estas zonas contêm características interessantes, tal como as planícies do Norte e a região Tharsis. Existe, assim, uma pequena hipótese de descobertas excitantes logo no início.

No dia 4 de Julho, quando a fase de testes terminar, MARSIS começará então as suas observações científicas. Na fase inicial, operará em modo de inspecção. Fará pesquisas do globo nocturno de Marte. Isto é favorável para o estudo profundo da sub-superfície, pois durante a noite a ionosfera de Marte não interfere com os sinais de baixa-frequência necessários ao instrumento para penetrar a superfície do planeta até uma profundidade de 5 km.


Analisando o funcionamento da MARSIS.

Em meados de Julho, o radar pesquisará todas as longitudes marcianas entre 30º S e latitudes 60ºN. Esta área, que inclui as planícies a Norte, pode uma vez ter contido grandes quantidades de água.

As altitudes de operação de MARSIS alcançam os 800 km para a pesquisa na sub-superfície e até 1200 km no estudo da ionosfera. A partir de meados de Julho, o maior ponto de aproximação na órbita entrará no lado diurno de Marte e aí continuará até Dezembro. Nesta fase, usando ondas de rádio em frequências mais altas, o instrumento continuará a pesquisar por baixo da superfície de Marte e começará o seu estudo atmosférico.

"O ultrapassar de todos os desafios técnicos para operar um instrumento como MARSIS, que nunca voou no espaço antes desta missão, só tem sido possível graças à excelente cooperação entre os técnicos nos dois lados do Atlântico," disse o Professor David Southwood, director do programa científico da ESA. "O esforço é sem dúvida válido, pois, agora que MARSIS está a funcionar, o que quer que possamos encontrar, é território novo; a Mars Express é agora uma das mais importantes missões científicas em Marte até à data," concluíu.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/astro_news/mars_express_050614.htm
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/astro_news/mars_express_050208.htm
http://www.esa.int/esaCP/SEMEV82DU8E_index_0.html
http://www.space.com/missionlaunches/050622_marsexpess_update.html
http://www.theregister.co.uk/2005/06/23/marsis_ready/
http://www.physorg.com/news4681.html
http://www.innovations-report.de/html/berichte/physik_astronomie/bericht-45729.html
http://www.spaceflightnow.com/news/n0506/22marsradar/
http://www.newscientistspace.com/article/dn7556-mars-express-completes-radar-deployment.html
http://news.bbc.co.uk/1/hi/sci/tech/4111000.stm

MARSIS:
http://www.marsis.com/
http://www.esa.int/SPECIALS/Mars_Express/SEMUC75V9ED_0.html#subhead7

Animação (Quicktime, 16 MB) da libertação da terceira antena MARSIS:
http://esamultimedia.esa.int/video/science/marsexpress/MARSIS13PAL_III_v2.mov

Mars Express:
http://www.esa.int/SPECIALS/Mars_Express/
http://en.wikipedia.org/wiki/Mars_Express

Marte:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/marte.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Mars_%28planet%29

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arrow A "CINTURA DE KUIPER" DE FOMALHAUT thingy

Novas observações de uma estrela, suspeita de ter um planeta, providenciam as até agora mais importantes provas da existência do jovem mundo.

Ao invés de avistar um planeta, no entanto, os astrónomos fotografaram a estranha forma anular de poeira que rodeia a estrela. Estes assumem que um planeta ainda não observado esculpiu este arranjo.

A estrela, Fomalhaut, é a 17.º mais brilhante do céu nocturno e é facilmente observável à vista desarmada. É uma estrela relativamente jovem, ainda envolta na poeira do seu nascimento. Situa-se a cerca de 25 anos-luz de distância.


Imagem registada pelo Hubble do anel em torno de Fomalhaut.
Crédito: NASA, ESA, P. Kalas e J. Graham (Universidade da Califórnia, Berkeley) e M. Clampin (NASA/GSFC)
(clique na imagem para ver versão maior)

Em 2002, astrónomos anunciaram que tinham descoberto distorções no anel de poeiras de Fomalhaut e calcularam que um planeta com o tamanho de Saturno deveria estar a orbitá-la. As observações também indicavam que o anel estava de certa maneira «desligado» da estrela, o que sugeria a presença de um planeta, mas esta especulação foi parcialmente baseada em modelos computacionais.

A nova visão óptica, obtida pelo Telescópio Espacial Hubble, revela as dimensões exactas do «donut» que resta da formação estelar.

O anel de poeira não está centrado na estrela, como seria de esperar se a gravidade da mesma o tivesse esculpido. Ao invés, o centro está a 2.3 mil milhões de quilómetros (15 vezes a distância da Terra ao Sol) da estrela. De acordo com os cientistas, isto suporta a teoria da existência de um planeta rebocando o anel.

"As nossas novas imagens do Hubble confirmam as hipóteses que propõem que um planeta está perturbando o anel," disse Paul Kalas da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Kalas e seus colegas assumem que o misterioso objecto é um planeta e não algo maior, tal como uma ténue estrela falhada conhecida como anã castanha, pois dizem que o Hubble teria detectado uma anã castanha directamente a partir das observações.

A investigação é importante pois o sistema de Fomalhaut assemelha-se ao nosso Sistema Solar quando tinha apenas cerca de 200 milhões de anos (tem agora 4.6 mil milhões de anos). Os astrónomos têm um modelo teórico para a formação planetária, mas é apenas ao observar os jovens sistemas estelares que podem confirmar se os processos decorreram como esperado.

O anel em torno de Fomalhaut parece-se com a Cintura de Kuiper do nosso Sistema Solar, uma região de objectos cometários para lá de Neptuno. Os astrónomos pensam que à medida que os planetas, asteróides e cometas se desenvolviam a partir da poeira, grande parte do material ou seria atraído para a estrela ou seria então expulso para um anel de detritos.

Importante é também a teoria que diz que a região próxima de uma recém-nascida estrela, tal como a localização da Terra, é despojada de água nos primeiros anos de um sistema estelar. Algum do material gelado que se desenvolve mais longe é, no entanto, atraído para dentro depois da formação planetária, trazendo a preciosa água gelada para os jovens planetas, providenciando os ingredientes para a vida.


Comparação entre o anel de Fomalhaut e objectos no nosso Sistema Solar, incluindo Sedna.
Crédito: NASA, ESA e A. Feild (STScI)

Embora confiantes que tal processo fabrique condições para a biologia na Terra, os cientistas estão ansiosos por aprender se este esquema é ou não comum.

O Hubble deu-nos mais pistas sugerindo um planeta. O limite interior do anel é mais bem definido que o exterior, consistente com os modelos computacionais de um planeta varrendo material da mesma maneira que um limpa-neves. A largura do anel, medido agora em cerca de 3.7 mil milhões de quilómetros, é também o que seria de esperar se fosse modelado por um planeta recém-nascido. Sem um planeta para suster o material, o anel seria mais largo.

O «tomar conta» do anel é em tudo similar ao que vemos nos anéis de Saturno, que estão confinados à influência gravitacional de luas, disse Kalas.

Se bem que seja muito parecido ao nosso Sistema Solar, a configuração de Fomalhaut também é diferente.

"Enquanto que o anel de Fomalhaut é análogo à Cintura de Kuiper, o seu diâmetro é quatro vezes maior". Isto sugere que "nem todos os sistemas planetários se formem e evoluam da mesma maneira."

Muitos dos outros 150 (aproximadamente) planetas extrasolares descobertos até à data orbitam incrivelmente perto da suas estrelas. Em alguns sistemas, mundos com o tamanho de Júpiter orbitam uma estrela em apenas poucos dias. Outros planetas têm percursos altamente excêntricos em torno das suas estrelas.

As descobertas estão detalhadas na edição de 23 de Junho da revista Nature.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.universetoday.com/am/publish/extrasolar_planet_reshapes_ring.html
http://skyandtelescope.com/news/article_1533_1.asp
http://www.newscientistspace.com/article/dn7564--hubble-spies-lord-of-the-stellar-rings.html
http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/2005/10/text/
http://www.physorg.com/news4685.html
http://www.sciencedaily.com/releases/2005/06/050622135546.htm

Animação do disco de detritos de Fomalhaut (em formato Quicktime):
http://imgsrc.hubblesite.org/hu/db/2005/10/videos/c/formats/low_quicktime.mov

Mais sobre Fomalhaut:
http://www.disksite.com/
http://en.wikipedia.org/wiki/Fomalhaut

Telescópio Espacial Hubble:
http://hubblesite.org/
http://hubble.nasa.gov
http://www.stsci.edu/resources/
http://www.spacetelescope.org/
http://en.wikipedia.org/wiki/Hubble_Space_Telescope

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
O outro lado dos anéis de Saturno - Crédito: Cassini Imaging Team , SSI , JPL , ESA , NASA
A que se parecem os anéis de Saturno quando vistos do outro lado? A partir da Terra, geralmente vemos os anéis do mesmo lado do plano dos anéis que o Sol os ilumina. Geometricamente, na imagem do lado, tirada em Abril pela sonda Cassini, o Sol está por trás da câmara mas do outro lado do plano anular. Tal ponto de vantagem proporciona-nos visões de tirar a respiração do mais esplêndido sistema de anéis do Sistema Solar. No entanto, não deixa de ser curioso que os anéis tenham semelhanças com um negativo fotográfico da visão de frente. Por exemplo, a banda escura no meio é na realidade o normalmente brilhante anel-B. O brilho do anel, registado de diferentes ângulos, indica a espessura dos anéis e a densidade de partículas. Imagens como estas podem ser interessantes pelo que não mostram: espículas. As regiões inesperadamente escuras uma vez registadas pelas missões Voyager quando passaram por Saturno no início da década de 80 não foram, até agora, observadas pela Cassini. Já agora, consegue observar a pequena lua (Prometeu) entre os anéis? (na imagem maior)
Ver imagem em alta-resolução
     
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BREVEMENTE

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 24/06: 175º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1881, Sir William Huggins faz o seu primeiro espectro fotográfico de um cometa (1881 III) e descobre a emissão do cianogénio (CN) em comprimentos de onda do ultra-violeta, o que causa histeria em massa quando a Terra passa pela cauda do cometa Halley 29 anos mais tarde.
Observações: Vénus, Saturno e Mercúrio estão agora a menos de 2.5º uns dos outros, antes do anoitecer.

Dia 25/06: 176º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1894 nascia Hermann Oberth, físico alemão e um dos pais da Astronáutica.
Em 1997, a MIR colide com a nave de abastecimento Progress, o que despressuriza as cabinas e danifica os painéis solares. No mesmo ano, a sonda Galileu passa pela lua joviana Calisto a uma distância de apenas 415 km! Esta altura é apenas um pouco maior que a altitude a que o vaivém espacial viaja regularmente em torno da Terra (aproximadamente 300 km).
Observações: Sim, é uma repetição... mas o trio de planetas cabe agora num círculo de 2º. Este é provavelmente o melhor agrupamento até pelo menos 2030, tendo em conta o brilho, aproximação e facilidade de observação. Não o perca!!

Dia 26/06: 177º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1730 nascia Charles Messier, conhecido caçador de cometas francês, que catalogou mais ou menos 100 nebulosas brilhantes e enxames estelares conhecidos hoje em dia pelos seus números M, porque confundia estes objectos estacionários com possíveis novos cometas, que era na realidade o que ele andava à procura.
Em 1949 foi descoberto o asteróide Ícaro, a partir de um telescópio de 48 polegadas, que entrou em funcionamento nove meses antes. Descobriu-se que o asteróide tem uma órbita acentuadamente excêntrica e uma distância perial de apenas 27 milhões e 358 mil quilómetros, mais próximo do Sol que Mercúrio (daí o seu nome). Estava apenas a 6 milhões e 500 mil quilómetros da Terra na altura da sua descoberta. Variações nos seus parâmetros orbitais têm sido usados para determinar a massa de Mercúrio e para testar a Teoria Geral da Relatividade de Einstein.
Observações: Além do agrupamento de planetas, esta noite a Grande Mancha Vermelha de Júpiter transita pelo planeta.

Dia 27/06: 178º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Esta noite, duplo trânsito de sombras em Júpiter: a partir das 23:20, poder-se-á ver a sombra de Io; e mais tarde, pela 1 da manhã (já dia 28), entra em acção a sombra de Europa.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Os instrumentos acoplados ao radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, são tão sensíveis que poderiam registar uma chamada feita por um telemóvel em Vénus.
 
 
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