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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 139
1 de Julho de 2005
arrow AFINAL DE CONTAS, HAVERÁ LAGOS DE METANO EM TITÃ? thingy


O "lago" encontra-se em cima e para a esquerda; brilhantes nuvens são bem evidentes no canto inferior direito.
Crédito: NASA/JPL/Space Sciente Institute
(clique na imagem para ver versão maior)

De acordo com uma recente imagem da sonda Cassini, uma mancha escura em forma de rim na superfície da lua de Saturno, Titã, pode muito bem ser um dos há muito procurados lagos de metano.

Antes da Cassini alcançar Saturno, os cientistas tinham especulado que o metano na atmosfera da lua gigante estava constantemente a ser reabastecido a partir de mares líquidos. Mas embora a sonda tenha avistado estruturas escuras em formas de rio quando se aproximou de Titã, não encontrou quaisquer reflexões esperadas de uma superfície líquida.

Agora, os astrónomos estão a estudar uma característica perto do pólo sul de Titã que parece ser o candidato até agora mais forte para um lago de hidrocarbonetos.

"Esta característica é única na nossa exploração de Titã," diz Elizabeth Turtle, membro da equipa de imagem da Cassini da Universidade do Arizona em Tucson, EUA. "O seu perímetro é intrigantemente reminiscente das linhas costeiras de lagos na Terra, que são polidas pela erosão da água e pelos depósitos."

A característica mede cerca de 230 km de comprimento, 70 de largura e situa-se mesmo por baixo da região mais nublada de Titã. "Pode nem ser surpreendente o facto do lago de metano persistir aí durante muito tempo," diz o membro da equipa, Tony Del Genio, do Instituto de Estudos Espaciais Goddard da NASA em Nova Iorque.

As tempestades na região indicam que pode chover metano líquido até à superfície, que é fria o suficiente para prevenir o metano de se evaporar rapidamente.

Mas esta característica pode também ser causada por outros fenómenos. Pode ser um lago que secou há muito tempo atrás, deixando para trás depósitos escuros, diz Turtle. Ou pode ser um fosso largo, coberto por hidrocarbonetos sólidos que caíram da atmosfera.

A resposta poderá vir com o tempo. Dentro de alguns anos, as nuvens nesta região de Titã poderão mover-se mais para Norte, e os cientistas poderão observar a superfície directamente em busca de mudanças. A imagem, tirada no infravermelho, foi capturada a 6 de Junho, quando a Cassini se encontrava a 450,000 km de distância.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.esa.int/SPECIALS/Cassini-Huygens/SEM3SP5DIAE_0.html
http://www.nasa.gov/mission_pages/cassini/media/cassini-062805.html
http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/4633043.stm
http://www.space.com/scienceastronomy/050628_titan_lake.html
http://edition.cnn.com/2005/TECH/space/06/28/titan.lake.reut/
http://www.theregister.co.uk/2005/06/29/titan_maybe_lake/
http://www.physorg.com/news4802.html
http://dsc.discovery.com/news/briefs/20050627/titanlake.html
http://www.sci-tech-today.com/story.xhtml?story_id=36931
http://www.universetoday.com/am/publish/lake_on_titan.html?2862005
http://msnbc.msn.com/id/8391683/

Animação das nuvens do canto inferior direito:
http://www.nasa.gov/images/content/119578main_PIA06241_full_movie.gif

Sonda Cassini:
http://saturn.jpl.nasa.gov/home/index.cfm
http://en.wikipedia.org/wiki/Cassini-Huygens

Titã:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/tita.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Titan_%28moon%29

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arrow PARA LÁ DO "IMPACTO": POSSÍVEIS ALVOS thingy

O encontro da sonda Deep Impact com um cometa no próximo dia 4 de Julho pode não ser o seu único. Os cientistas estão neste momento a estudar outros alvos potenciais depois da nave completar a sua dramática missão no Cometa Tempel 1.

O objectivo principal da Deep Impact é criar fogos-de-artifício celestes na manhã de Segunda-feira. Um veículo "flyby" irá libertar uma sonda para o encontro. Esta colidirá com o cometa. Espera-se que a energia cinética do impacto crie uma cratera com o tamanho de um campo de futebol e que liberte material do núcleo do cometa para o espaço.

A algumas centenas de quilómetros de distância, a sonda-mãe usará os seus telescópios, câmaras e espectómetros para monitorizar o impacto, num esforço de estudar o que se encontra por baixo da superfície gelada do cometa.


A missão Deep Impact dará pela primeira vez aos cientistas uma visão do interior de um cometa.
Crédito: Ball Aerospace

Posteriormente, a Deep Impact poderá ter um novo cometa como alvo.

"Temos estado a trabalhar numa missão mais extensa," disse Monte Henderson, Vice-Director de Programas dos Sistemas Civis Espaciais para a Ball Aerospace & Technologies. A companhia desenhou e construíu as duas partes da sonda especificamente para a missão Deep Impact.

Dependendo do estado de saúde da sonda depois do seu estudo do cometa Tempel 1, será feita uma decisão de a enviar (ou não) numa viagem de 3.5 anos até ao Cometa Boethin.

Este cometa orbita o Sol a cada 11 anos. Foi descoberto a 4 de Janeiro de 1975 durante uma sessão de procura de cometas rotineira levada a cabo pelo falecido Reverendo Leo Boethin das Filipinas.

Henderson afirma que, pouco tempo depois da colisão da Deep Impact com o Cometa Tempel 1, os engenheiros correrão testes de diagnósticos na sonda. Será dada particular atenção à quantidade de detritos e poeira libertada pelo cometa que terá atingido a sonda.

Permanecerão os instrumentos a bordo da nave em bom estado? Ou estarão as suas ópticas «sujas»?

A sonda "flyby" -- quase do tamanho de um automóvel Carocha -- transporta dois dos três instrumentos primários, o Instrumento de Alta Resolução (HRI), e o Instrumento de Média Resolução (MRI), para imagens, espectroscopia infravermelha e navegação óptica.

A protecção dos detritos é uma parte importante do desenho da sonda.

À medida que a sonda passa pela cabeleira interior do Cometa Tempel 1, fica em perigo de ser atingida por pequenas partículas que poderão danificar os sistemas de controlo, imagem e comunicações.

Para minimizar estes danos potenciais, a sonda roda sobre si própria antes de passar pela cabeleira. De um lado da sonda, existe um escudo que, espera-se, a proteja completamente dos detritos.

"Depois do encontro, faremos testes à sonda rasante," disse Henderson. Se os testes saírem positivos, uma boa porção do combustível que resta no veículo será usado para o pôr a caminho do cometa Boethin. A manobra de redireccionamento terá obrigatoriamente que acontecer algures antes do dia 24 de Julho, afirma.

"Se os instrumentos científicos a bordo não estiverem em bom estado, provavelmente não iremos gastar todo o combustível. Seria mais prudente voltar atrás e repensar no que poderemos então fazer".

Se a sonda estiver bem de saúde, existe também uma discussão no JPL (Jet Propulsion Laboratory) em Pasadena, Califórnia, de experimentar o software de navegação autónoma, disse Henderson.

Em adição, o investigador principal da Deep Impact, Michael A'Hearn, da Universidade de Maryland, também está a considerar o pedido de propostas à comunidade científica. Todas as ideias serão bem-vindas, afirma Henderson, no que respeita a outras observações que poderão ser feitas com a sonda-mãe no caminho até ao Cometa Boethin.

Henderson admitiu que tem sido difícil focar numa missão prolongada. Existem muitos desafios à frente do encontro da dupla sonda com o Cometa Tempel 1.


Impressão de artista da libertação da sonda de impacto a partir da "Deep Impact", 24 horas antes da colisão.
Crédito: NASA/JPL

(clique na imagem para ver versão maior)

Talvez o maior desafio da missão Deep Impact seja a autonomia da sonda de colisão. "Temos conseguido testá-la via umbilical através da sonda "flyby"... mas esta nunca voou sozinha."

Existe ainda a questão do telescópio de alta resolução a bordo da sonda rasante. É o maior telescópio a viajar no espaço profundo e registará os detalhes da colisão - mas tem um problema.

O telescópio de alta resolução da Deep Impact sofre de "anomalias" no foco, explicou Henderson. "Foi um acidente de engenharia e é mesmo um azar."

Após o lançamento, os engenheiros da Deep Impact descobriram que um ponto de referência liso usado para calibrar o espelho do telescópio de alta resolução na Terra não representa com precisão o que as temperaturas frias do espaço poderão causar à lente. "Depois de muita análise com esse espelho... basicamente redefinimos o que significa «liso» para os telescópios de alta resolução".

Tudo isto soa bem familiar, basta pensar no Telescópio Hubble. Inicialmente também estava mal focado. Eventualmente o observatório espacial recebeu ópticas correctivas graças a uma missão de reparação. Para a Deep Impact, não existe nenhuma hipótese de receber este tipo de ajuda.

No entanto, cientistas do Instituto Científico do Telescópio Espacial Hubble, tinham algoritmos computacionais - uma maneira de "desembaciar" e intensificar as imagens da Deep Impact usando uma técnica chamada deconvolução.

Henderson disse que através deste processo, as imagens da Deep Impact podem ser "massajadas e alteradas" cá na Terra de modo a ultrapassar o problema de focagem.

E à medida que a missão Deep Impact de 333 milhões de dólares se aproxima da sua presa, a equipa científica está pronta para a acção.

"Fizémos tudo ao nosso alcance para estarmos preparados para o que der e vier," concluiu Henderson. "Este é um evento único e excitante".

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/astro_news/deep_impact_050628.htm
http://www.nasa.gov/mission_pages/deepimpact/media/deepimpact-observers-062905.html
http://www.universetoday.com/am/publish/burst_tempel_1.html?2962005
http://dailytelegraph.news.com.au/story.jsp?sectionid=1260&storyid=3369537
http://news.bbc.co.uk/cbbcnews/hi/newsid_4630000/newsid_4637200/4637215.stm
http://www.space.com/businesstechnology/050630_deep_impact_CDs.html
http://www.space.com/scienceastronomy/050628_deepimpact_effect.html

Animação computacional do encontro da Deep Impact com o Tempel 1 (76 MB, Quicktime):
http://www.ballaerospace.com/di_movie.mov

Deep Impact:
http://deepimpact.jpl.nasa.gov/home/index.html
http://www.nasa.gov/mission_pages/deepimpact/main/index.html?skipIntro=1
http://www.nasa.gov/externalflash/deepimpact_flash/index.html

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Trio de planetas - Crédito: R. Jay GaBany
Vénus, Mercúrio e Saturno vaguearam bem próximo uns dos outros no céu da semana passada. Dia 25 de Junho, o astrónomo R. Jay GaBany registou esta imagem da conjunção planetária, a partir do Observatório Lick no Monte Hamilton, Califórnia, EUA. Vénus é o mais brilhante do trio. Mercúrio está à direita, e Saturno para baixo e para a esquerda. Mais para a direita do triângulo planetário encontramos Pollux e Castor, duas estrelas da constelação de Gémeos, com Régulo, a estrela mais brilhante de Leão, no canto superior esquerdo da fotografia. Nos dias que agora se seguem, Vénus e Mercúrio irão permanecer juntos, enquanto Saturno continua a descer para o horizonte.
Ver imagem em alta-resolução
     
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BREVEMENTE

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 01/07: 182º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1770, o Cometa Lexell passa a uns meros 2.3 milhões de quilómetros da Terra, menos de 9 vezes a distância entre a Terra e a Lua.
Em 1917, o espelho de 2.5 m chegou ao Monte Wilson. O empresário John D. Hooker doou os fundos para o vidro, que foi o mesmo utilizado para as garrafas de vinho feito pela companhia de Saint Gobrain em França.
Observações: Mercúrio está a ficar cada vez mais ténue, embora permaneça perto de Vénus. Saturno, entretanto, está ficando cada vez mais difícil de observar, à medida que desce no lusco-fusco.

Dia 02/07: 183º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, o satélite de raios-gama Vela foi lançado com a intenção de detectar explosões de bombas nucleares mas tornou-se famoso pela sua inesperada descoberta dos GRB's (explosões de raios-gama).
Em 1978, James Christy obtém uma fotografia de Plutão com uma forma distintamente alongada. Observações repetidas da forma e da sua variação foram provas suficientes para a descoberta do satélite de Plutão, Caronte.
Em 1985, era lançada a missão Giotto. O seu objectivo era passar pelo cometa Halley e enviar de volta as primeiras imagens do núcleo de um cometa. O primeiro encontro ocorreu a 13 de Março de 1986, a uma distância de 596 km. A Giotto também estudou o Cometa P/Grigg-Skjellerup durante a sua missão.
Observações: A estrela mais brilhante a Este nestas noites é Vega. Para a sua esquerda e para baixo, temos Deneb. Mais para a direita encontra-se Altair. Estas três estrelas formam o Triângulo de Verão.

Dia 03/07: 184º dia do  calendário gregoriano.
História: Maior aproximação do Cometa C/1998 T1 (LINEAR) pela Terra (0.492 UA).
Observações: Aproveite a noite para observar com um telescópio os enxames globulares de Hércules: M13 e M92.

Dia 04/07: 185º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1054 foi detectada pela primeira vez uma brilhante supernova registada pelos astrónomos chineses e que deu origem ao resto de supernova que recebeu o nome de Nebulosa do Caranguejo e que é também conhecido por M1.
Em 1997, a sonda Pathfinder aterrava em Marte.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Com a pequena sonda da missão Deep Impact que irá colidir na superfície do cometa Tempel 1 no próximo dia 4, vai um mini-CD com os nomes de 625,000 pessoas de todo o mundo, que se inscreveram no website da missão.
 
 
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