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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 143
15 de Julho de 2005
arrow DIABOS MARCIANOS thingy

O verão marciano chegou. Finalmente os dias são longos, tal como na velha Terra. E as temperaturas máximas atingem agora uns prazenteiros 20º C, embora à noite as temperaturas mínimas atinjam os -90º C.

Mas estas temperaturas também fazem acordar os diabos marcianos. Diabos de pó (torvelinhos, dust devils), isto é.


Impressão de artista dos diabos de pó marcianos.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

Quando vemos as imagens imaginamos tratar-se de um daqueles torvelinhos de pó que por vezes se vêem no campo, em especial em zonas de muito pó, como descampados ou desertos, com alguns metros de altura e diâmetro e que dura alguns segundos, desfazendo-se rapidamente.

No entanto, não se trata de nada disso. Na realidade, trata-se de colunas monstruosas com quilómetros de altura, 10 vezes mais largas que qualquer tornado na Terra. A areia girando a 30 metros por segundo (cerca de 100 km/h) baixa a visibilidade a zero nas suas próximidades e poderia riscar qualquer capacete de fato espacial e introduzir-se em todos os poros do mesmo. Se um astronauta fosse apanhado por um o tempo que ele demoraria a passar sobre ele seria de cerca de 15 minutos. A parte mais temível seria que durante esses 15 minutos sofreria continuamente de descargas eléctricas e a elevada estática impediria o pedido de auxílio pelo rádio.

Este cenário poderá ocorrer a um dos astronautas que venham a visitar Marte numa das próximas décadas.

"A areia na parte mais baixa de um torvelinho marciano seria a que provocaria mais danos" diz Mark T. Lemmon, investigador no Departmento de Ciências Atmosféricas da Universidade A & M do Texas. "A pressão atmosférica em Marte é apenas 1% da que ocorre na Terra ao nível do mar, pelo que não se sentiria muito vento. No entanto, estar-se-ía a ser atingido por material a alta-velocidade."


Um torvelinho atravessa a Cratera Gusev a 15 de Março de 2005.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

"Para além disso, a areia e poeira em movimento tendem a ficar electricamente carregadas, a ponto de se estabelecer uma diferença de potencial entre a poeira e o fato espacial que origina a ocorrência de descargas eléctricas", acrescenta William M. Farrell do Goddard Space Flight Center da NASA.

"Os torvelinhos marcianos formam-se da mesma maneira que na Terra. É necessário um forte aquecimento da superfície, de modo a que o solo fique mais quente que o ar sobre ele." explica Lemmon. "O ar mais quente que se forma junto ao solo sobe empurrando a camada de ar mais frio que está por cima, dando origem a plumas ascendentes de ar quente e plumas descendentes de ar frio que circulam em células de convecção verticais. Se houver algum vento horizontal, isso faz com que as correntes comecem a rodar, o que inicia o torvelinho."


Rastos de "Dust Devils" na superfície marciana.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)

O ar quente que se eleva pelo centro da coluna alimenta a convecção até ter velocidade suficiente para começar a apanhar poeira. Para tal basta que haja vento horizontal constante o que faz incrementar a velocidade do torvelinho até que este autoalimentado pela convecção começa a deslocar-se.

"Se estivéssemos colocados num ponto próximo do rover Spirit (na Cratera Gusev), a meio do dia veriamos cerca de uma duzia de torvelinhos por dia." diz Lemon. Cada dia marciano de Primavera ou Verão, os torvelinhos começam a aparecer cerca das 10h da manhã quando o chão começa a aquecer e ocorrem até cerca das 3h da tarde que é quando o solo arrefece(os dias marcianos têm 24h39min sendo 39 minutos mais longos que os da Terra). Embora a duração e frequência exacta dos torvelinhos marcianos seja ainda desconhecida, fotografias da Mars Global Surveyor em órbita revelam rastos por todo o planeta. Para além disso os torvelinhos marcianos foram já fotografados de órbita, havendo alguns que chegam a ter 1 a 2 km de diâmetro na base e 8 a 10 km de altura.

A noção da ocorrência de descargas eléctricas é também muito importante para o desenho dos equipamentos que poderão no futuro vir a ser utilizados em Marte.

Já os navegadores dos descobrimentos como Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral ou Fernão de Magalhães, percebiam que as suas naus tinham que estar preparadas para a intempérie. Por analogia, Farrel diz que "para desenhar uma missão a Marte é necessário conhecer os extremos da meteorologia marciana e esses extremos parecem ocorrer na forma de tempestades e torvelinhos de poeira."

Links:

NASA:
http://science.nasa.gov/headlines/y2005/14jul_dustdevils.htm?list31680

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Analema Lunar -Crédito: Rich Richins
Um analema é uma curva em forma de "8" que se obtém quando se vai fotografando o Sol à mesma hora dia após dia ao longo de um ano. Para se entender o que é um analema da Lua é necessário perceber que em média a Lua regressa à "mesma posição" cerca de 51 minutos mais tarde a cada dia que passa. Por isso se se fotografar a Lua em dias sucessivos durante um período de lunação mas 51 minutos mais tarde a cada dia que passa, obtém-se um analema lunar, que se forma devido à órbita inclinada e eclíptica da Lua em torno da Terra.
Ver imagem em alta-resolução
     
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BREVEMENTE

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 15/07: 196º dia do  calendário gregoriano.
Observações: As alfa-Liriadas têm o seu máximo no dia de hoje, embora a maioria dos meteoros não deva ser visível a olho-nu.

Dia 16/07: 197º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, a Apollo 11 era lançada do cabo Kennedy.
Observações: As estrelas vermelhas variáveis de período longo T Ursae Majoris, V Bootis, and RV Sagittarii deverão estar no seu brilho máximo (7.ª ou 8.ª magnitude por estes dias).

Dia 17/07: 198º dia do  calendário gregoriano.
Observações: A proveite que o Verão está aí para começar a explorar os enxames em Escorpião e Sagitário.

Dia 18/07: 199º dia do  calendário gregoriano.
História: A Apollo11 prepara-se para aterrar na Lua.
Observações: Nesta madrugada a Lua ocultará Antares para os habitantes dos Estados Unidos. Em Portugal poderemos ver Antares passar muito próximo da Lua.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Os nomes dos planetas principais do Sistema Solar são nomes de divindades da mitologia grega.
 
 
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