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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 151
9 de Agosto de 2005
arrow VÊM AÍ AS PERSEÍDAS!! thingy


Os meteoros que aqui se vêm, ao retraçar os seus percursos, vão dar ao radiante, localizado na constelação de Perseu.
Crédito: Fred Bruenjes
(clique na imagem para ver versão maior)

A mais famosa chuva anual de meteoros - que ocorre durante as férias de grande parte das pessoas - deverá alcançar o seu pico de 2005 durante as noites de Quinta e Sexta, de 11 para 12 e de 12 para 13 de Agosto. A Lua em Quarto Crescente pôr-se-á entre as 23:00 e as 00:00, deixando o céu escuro para as melhores horas de observação meteórica, desde a meia-noite até aos primeiros raios de Sol.

Durante estas horas o radiante da chuva, localizado entre Perseu e Cassiopeia, estará bem alto a Nordeste - por isso os meteros poderão aparecer em todas as partes do céu a um ritmo de cerca de um por minuto, quando visto por um único observador.


Localização do radiante da chuva de meteoros Perseídas.
Crédito: Astronomy.com
(clique na imagem para ver versão maior)

Esta é, no entanto, a previsão para um céu bom e escuro. Mas mesmo se vive sob poluição luminosa moderada, o que acontece com a maioria de nós, podemos pelo menos observar as mais brilhantes Perseídas.

O componente normal e dependente desta chuva, "antiga e de confiança", deverá atingir o máximo por volta das 17 horas (UT, 18 horas em Portugal) a 12 de Agosto. É ainda de dia, mas as noites antes e depois deverão ser igualmente boas. Felizmente, as Perseídas permanecem activas durante alguns dias, antes e depois do seu pico.

Em adição, existe uma ligeira hipótese de um breve pico extra, durante talvez umas quantas horas, às 10 horas de 12 de Agosto. Mikiya Sato do Japão calcula que a essa altura, a Terra possa passar por uma corrente de material que foi libertado pelo cometa Swift-Tuttle, pai das Perseídas, durante a sua passagem pelo Sol no ano de 1479. O ano passado a chuva de meteoros Perseídas mostrou um pico extra muito forte devido a uma corrente semelhante, libertada pelo cometa em 1862.

Não precisa de qualquer experiência para observar as Perseídas. Apenas procure um local com a maior área de céu visível possível e sem luzes próximas. Traga alguns agasalhos, deite-se no chão com uma manta ou uma toalha, ou sente-se numa cadeira confortável, e observe as estrelas. Tenha cuidado com os mosquitos.

Seja paciente, e dê aos seus olhos tempo suficiente para se adaptar à escuridão. A direcção para onde deve olhar não é necessariamente para a de Perseu, mas na qual o seu céu é o mais escuro, provavelmente para cima, perto do zénite.

Fazendo contagens

Muito mais divertido do que uma observação informal, é fazer uma contagem científica de estrelas cadentes usando os métodos padrão. Desta maneira podemos contribuir para o nosso conhecimento de como as Perseídas mudam de ano para ano.

Para fazer isto precisamos de um céu razoavelmente escuro, de preferência um em que possamos observar estrelas até à magnitude 5.5 à vista desarmada. Precisaremos de um relógio e de um bloco de notas ou qualquer outro utensílio em que podemos registar o tempo.

Uma vez instalados, e adaptados à escuridão, prestes a começar, anote-se o tempo. Sempre que se observe uma estrela cadente, caracteriza-se com um "P" para Perseída ou "NP" para não-Perseída, dependendo se o seu percurso, traçado longe o suficiente no céu, intersecta a parte Norte de Perseu. É também altamente desejável, embora não essencial, estimar a magnitude de cada meteoro.

Durante a maioria do tempo nada acontecerá. Usa-se esta altura para encontrar o limite da magnitude que se consegue observar na parte do céu em que estamos direccionados (cartas para este propósito estão nos links abaixo mencionados), e anota-se isto em conjunto com o tempo. Este processo tem que ser repetido se as condições do céu mudarem ou se estivermos expostos a algum tipo de luz.


Foto de uma estrela cadente das Perseídas, tirada em 1997. Pode ver aqui uma versão com legendas.
Crédito: Rick Scott & Joe Orman
(clique na imagem para ver versão maior)

Não faz mal fazer um intervalo; anota-se o tempo em que parámos de observar e quando recomeçámos. De qualquer modo, é sempre melhor apontar a hora em cada 30 minutos.

Finalmente, estimamos que percentagem da área de observação está obstruída por árvores, edifícios, ou nuvens (não contando com a parte exterior da visão periférica, que é na sua maioria insensível a meteoros). Se a quantidade de obstrução mudar, como por exemplo durante passagens de nuvens, anota-se uma nova estimativa e a hora. Será melhor desistir se a obstrução chegar a mais de 20%.

Se duas ou mais pessoas observarem em conjunto, cada uma deverá fazer separadamente a sua contagem, estimativa de magnitude-limite, e outras notas completamente sem influências de quaisquer outro indivíduo. É preferível observarem em direcções diferentes, e passar o tempo falando sobre outras coisas.

O propósito de isto tudo é dar um significado aos números; isto é, torná-los convertíveis na medida padrão da verdadeira actividade meteórica, a frequência zenital horária. Este é o número de meteoros que podem ser observados por um único observador por hora se o radiante da chuva se encontrar no zénite, se a vista estiver desobstruída, e se o céu fôr escuro o suficiente para serem visíveis estrelas com magnitude 6.5.

Um bom perfil de actividade - um gráfico de como esta frequência se comporta desde o começo até ao fim da chuva - requer muitos milhares de meteoros contados da mesma maneira por muitos observadores. Idealmente, os contadores deveriam estar espalhados por todo o globo de modo a que a chuva permanecesse sob observação contínua (24 horas por dia) durante alguns dias. Quanto mais boas contagens tivermos, mais correctamente o gráfico final representa o comportamento verdadeiro da chuva. Convém que os observadores se situem em longitudes escassamente populadas, bem como em longitudes na maioria com céu limpo.

Instruções oficiais, mapas celestes para encontrar a sua magnitude limite a olho nu, e documentos necessários para submeter as suas observações podem ser encontrados no site da Organização Internacional de Meteoros, e também na Rede Norte-Americana de Meteoros. Pode submeter os seus resultados a qualquer dos grupos; todos os dados são partilhados entre ambos.

O ponto de encontro na net para todos os observadores de meteoros, com notícias e comentários, é http://www.meteorobs.org. Depois de fazer uma contagem, os observadores ligam-se e comparam o que viram com outros colegas de várias partes do mundo.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.space.com/spacewatch/050805_perseid_guide.html
http://msnbc.msn.com/id/8840249/

Organizações de contagem de meteoros:
http://www.imo.net/visual/major01.html
http://www.namnmeteors.org/

Perseídas:
http://en.wikipedia.org/wiki/Perseids
http://science.nasa.gov/headlines/y2005/22jul_perseids2005.htm
http://skytour.homestead.com/met2005.html
http://www.amsmeteors.org/visual.html
http://comets.amsmeteors.org/meteors/showers/perseids.html
http://www.roswellastronomyclub.com/radio_meteors.htm

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Marte normal em Agosto - Crédito: Wally Pacholka (Astropics.com)
Será que Marte irá aparecer extremamente perto e brilhante lá para o fim do mês? Não. Agosto será um mês normal para o Planeta Vermelho. Outubro é o melhor mês para o ver este ano. Está agora bem visível antes do amanhecer. À medida que a Terra "apanha" Marte nas suas respectivas órbitas em torno do Sol, Marte continuará a nascer cada vez mais cedo. No dia 30 de Outubro, a Terra alcançará Marte e é quando os dois planetas estão o mais próximo entre si nas suas órbitas -- desta vez. A 30 de Outubro, Marte estará quase na direcção oposta do Sol, nascerá ao pôr-do-Sol, pôr-se-á ao nascer-do-Sol, e aparecerá mais alto e brilhante por volta da meia-noite. Também no dia 30 de Outubro, Marte terá o maior brilho dos últimos dois anos, embora seja 10,000 vezes mais pequeno e ténue que a Lua Cheia. A Terra passará então por Marte, e este começará a ficar menos brilhante. Na imagem do lado, Marte no dia 27 de Agosto de 2003, altura da sua maior aproximação dos últimos 60,000 anos. A foto foi tirada no parque Valley of Fire, no Nevada, EUA. A excentricidade das órbitas determina principalmente a proximidade e brilho de Marte durante a oposição.
Ver imagem em alta-resolução
     
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Programa "Astronomia no Verão"
 

Observações na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve, de 2 a 30 de Agosto e de 1 a 24 de Setembro, todos os dias a partir das 21h 30m, excepto à 2ª feira.
Entrada pelo portão do jardim. Acesso gratuito.
Dia 15 de Agosto, a partir das 22:00, no Parque Lúdico de Albufeira.
Observações dependentes das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 09/08: 221º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 7. A 6 de Março de 1974 o orbiter/lander falha a entrada na órbita de Marte. A órbita torna-se assim solar.
Observações: Uma fina Lua Crescente brilha perto de Júpiter e da muito mais ténue estrela Gamma Virginis. Observe-os com binóculos.

Dia 10/08: 222º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1945, morria Robert Goddard, um homem de visão que propôs que se enviasse foguetões à Lua já nos anos 20.
Em 1966 era lançado o Lunar Orbiter 1, missão de estudo para a série Apollo.
Em 1999 os Sistemas de Ciência Espacial Malin anunciam a confirmação que descreve o nosso vizinho Marte como um local de mudanças meteorológicas e geológicas ao longo do tempo. Um planeta activo é mais provável de conter vida.
Em 2000, uma equipa liderada por astrónomos da Universidade de Columbia descobrem o mais jovem pulsar, nascido de uma explosão há cerca de 700 anos atrás. Situado no lado oposto da Via Láctea, possui características invulgares que podem forçar os cientistas a reconsiderar como os pulsares são criados e evoluem.
Observações: Esta noite a Lua encontra-se perto da estrela Espiga.

Dia 11/08: 223º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1877 era feita a primeira observação do satélite de Marte Deimos, por Asaph Hall do Observatório Naval dos EUA. Descobriu Phobos, a maior das duas luas, seis noites depois.
Em 1999 tem lugar o último eclipse solar total do século XX. O caminho da totalidade extendeu-se desde a parte Oeste do Oceano Atlântico, através da Europa e Túrquia, até à Índia e ao Oceano Índico.
Observações: A chuva de meteoros Perseídas deverá estar no seu melhor na madrugada de hoje ou amanhã. Consultar artigo do lado.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Última contagem de planetas extrasolares: 162 planetas em 138 sistemas planetários (18 sistemas múltiplos).
 
 
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