De acordo com um novo estudo, antes do Sol ser o Sol, já brilhava bastante e começava a "cozinhar" a sopa da vida.
As estrelas como o Sol formam-se quando gigantes nuvens de gás e poeira se condensam numa bola, despertando a fusão termonuclear, que converte principalmente hidrogénio e hélio em elementos mais pesados. A teoria explica que a nuvem deveria iluminar-se à medida que a densidade aumenta durante o seu colapso, o que pode levar centenas de milhões de anos.
Isto é exactamente o que os cientistas descobriram ao estudar assinaturas químicas em rochas antigas que atingiram a Terra sob a forma de meteoritos.

Concepção de artista do proto-Sol no centro da nebulosa solar.
Crédito: NASA
Os teóricos acreditam que uma nebulosa pré-solar começou a colapsar-se há cerca de cinco mil milhões de anos atrás, possivelmente activada por uma onda de choque de uma explosão de supernova vizinha (muitos astrónomos acreditam que o Sol provavelmente se formou num ambiente estelar povoado antes de vaguear para a sua actual e solitária posição).
À medida que a nuvem colapsava sobre o seu próprio peso e começava a rodar mais depressa, algum material foi torcido num disco com a forma de um donut. Amontoados de pó tornaram-se rochas. Alguns vieram a formar planetas. Outros, asteróides, cometas e meteoróides mais pequenos.
Há muito que os astrónomos questionam: Será que o Sol começou a emitir luz antes ou depois de se tornar numa verdadeira estrela? As rochas da Terra não providenciam pistas. "Não há nada nos registos geológicos com mais de 4.55 mil milhões de anos que possa responder a isto," diz Mark Thiemens da Universidade da Califórnia, em San Diego.
Por isso Thiemens e seus colegas examinaram um grupo de rochas espaciais que foram recolhidas cá na Terra e que são consideradas verdadeiras pérolas de informação acerca do Sistema Solar, pois foram formadas antes dos planetas.

As várias etapas da formação do Sistema Solar.
Crédito: Chaisson/McMillan
É aqui que os meteoritos ganham um valor incalculável: todas as rochas que se juntaram para formar a Terra foram aquecidas e reprocessadas desde a formação do planeta. Tal como a formatação de um computador, todos os dados que poderíamos recolher a partir das rochas ficam perdidos. Os meteoritos deste estudo -- podemos pensar neles como os primórdios dos discos rígidos -- passam milhares de milhões de anos nas periferias do Sistema Solar. Apenas há relativamente pouco tempo foram gravitacionalmente impulsionados para o Sistema Solar interior, e aterraram na Terra.
Nestas rochas, os cientistas encontram um excesso de um aroma particular de enxofre, chamado isótopo, que mostra reacções fotoquímicas em funcionamento há mais de 4.5 mil milhões de anos.
"Esta medição diz-nos pela primeira vez que o Sol já brilhava, que já havia luz ultravioleta suficiente para fazer fotoquímica," disse Thiemens. "Saber que este é o caso é uma grande ajuda no conhecimento dos processos que formaram os elementos no início do Sistema Solar."
Thiemens e seus colegas dizem que os seus achados providenciam as primeiras provas conclusivas que o proto-Sol "desempenhou um papel crucial na formação química do Sistema Solar ao emitir luz ultravioleta suficiente para catalizar a formação dos compostos orgânicos, água e outros componentes necessários para a evolução da vida na Terra."
Os resultados estão detalhados na edição de 12 de Agosto da revista Science.
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