Um meteoro com mil toneladas explodiu na atmosfera há um ano atrás, libertando o poder de uma bomba nuclear e deixando para trás uma rara cauda de poeira que levantou questões acerca dos processos que levam os materiais extraterrestres a alcançar a superfície da Terra e seus registos geológicos.
O meteoro explodiu por cima da Antárctica a 3 de Setembro de 2004, com uma energia entre 13,000 e 28,000 toneladas de TNT, aproximadamente o equivalente à bomba atómica que destruíu Hiroshima em 1945.
No entanto não foi observado por ninguém e não alcançou a superfície da Terra. O seu rasto foi detectado em medições de rotina por estudiosos de fenómenos atmosféricos na Antárctica que usam lasers para estudar a atmosfera polar em busca de partículas, chamadas aerosóis.

O laser do instrumento LIDAR em Davis, Antárctica, estuda a atmosfera. O brilho de fundo é uma aurora austral, frequentemente observada durante a noite polar.
Crédito: Andrew Dowdy/Australian Antarctic Division I
"Fomos provavelmente os únicos a saber (do meteoróide)," disse Andrew Klekociuk da Divisão Antárctica Australiana em Kingston, Tasmânia, Austrália. O que os levou a este achado foi a descoberta de uma nuvem de poeira mais alta que quaisquer nuvens de outras partículas.
"Foi inesperado," disse Klekociuk acerca das observações iniciais.
Imediatamente suspeitou dos restos de um meteoróide. E depois de analisar o seu equipamento para ter a certeza de não ser um erro instrumental, falou com outros cientistas de outros países que tinham acesso a dados de satélites e de estações de infrasons para se certificar que outros instrumentos também haviam registado o meteoróide.
Pelos vistos, o bocado de rocha com o tamanho de uma casa tinha sido detectado noutro lado por outros instrumentos, mas não tinha sido identificado como meteoróide até que Klekociuk começou a perguntar sobre ele. Um artigo sobre o meteoróide registado por Klekociuk e seus colegas aparece na edição de ontem (25 de Agosto) da revista Nature.
Vários satélites detectaram o meteoróide a passar pela atmosfera entre 56 e 18 km de altitude.
Estações de infrasons também detectaram um "boom" de baixíssima frequência da explosão desde a estação McMurdo na Antárctica, até à Alemanha, disse Klekociuk.
"É incrível ter sido detectado até 13,000 km," disse, acerca da detecção alemã.
Todos os dados foram usados em cálculos que ajudaram os cientistas a descobrir o tamanho do impressionante meteoróide.

Este mapa mostra a localização do centro de estudos Davis, relativamente à região de entrada do meteoróide na atmosfera.
Crédito: Australian Antarctic Data Centre/Andrew Klekociuk, Australian Antarctic Division
Mas mais importante que o próprio evento é o rasto de poeira que deixou para trás, disse Klekociuk.
A cauda do meteoróide adiciona mais uma acha para a fogueira do debate actual acerca do tipo de meteoróides que deixam a maior quantidade de material extraterrestre nos registos geológicos e nos registos dos núcleos de gelo: serão os grandes e ocasionais corpos ou uma contínua chuva de ziliões de pequenas partículas de poeira interplanetária (PPI's)?
Muitos cientistas pensavam que os grandes meteoróides como o do ano passado deixariam pequenas partículas de poeiras, de apenas alguns nanómetros e bem mais pequenas que as PPI's.
Mas a poeira do meteoróide medida pelos instrumentos na Antárctica variava entre 400 e 1,000 nanómetros de comprimento: maiores do que se pensava e comparáveis em tamanho com as PPI's, explica Klekocuik.
Serão então as PPI's observadas nos núcleos de gelo e sedimentos realmente PPI's, ou os restos de corpos maiores destruídos na atmosfera da Terra? A resposta não é ainda clara, diz Kevin Zahnle, da NASA.
"As pessoas que estudam os asteróides e meteoros há muito que pensam que os grandes corpos eram sempre os mais importantes," disse Zahnle. "Quem estuda as PPI's pensa que estas são mais importantes."
"É na realidade muito difícil saber com certeza em escalas de tempo normais, embora se pensarmos em intervalos de tempo na ordem dos 100 milhões de anos, e em grandes corpos que incluem monstros como o evento K-T," disse Zahnle, referindo-se ao impacto do meteorito que coincidiu com a extinção dos dinossauros, "é inevitável que os grandes corpos ganhem."
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The Courier-Mail
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Meteoros:
Wikipedia
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