| NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 157 |
30 de Agosto de 2005 |
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VÉNUS E JÚPITER ENCONTRAM-SE |
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No próximo dia 30 de Outubro, Marte dará espectáculo, ao se aproximar da Terra à distância mais pequena até 2018. Mas existem dois outros planetas, ainda mais brilhantes, que são agora visíveis no céu a Oeste-Sudoeste mesmo depois do pôr-do-Sol.
No anoitecer de dia 1 de Setembro, estes dois planetas -- Vénus e Júpiter -- iram juntar-se numa esplêndida conjunção, baixa no lusco-fusco a Oeste.

Júpiter e Vénus
ao pôr-do-Sol a 1 de Setembro de 2005, para latitudes médias a Norte.
Crédito: Núcleo de Astronomia do CCVAlg, Starry Night Software
Vénus tem permanecido baixo ao pôr-do-Sol todo o Verão; tentando ser observado através da neblina no horizonte, por trás das árvores, edifícios e outras chatices a baixa-altitude que impedem a maioria das pessoas de até notar a sua presença ao longo dos últimos meses. Por fim tem conseguido permanecer acima do horizonte a Oeste-Sudoeste algum tempo depois do anoitecer. Na realidade, Vénus põe-se 1 hora e meia depois do pôr-do-Sol, tal como tem sido todo o Verão. Mas a duração do crepúsculo diminui com o passar da estação, por isso Vénus brilha agora num céu púrpura mais escuro antes de desaparecer pelo resto da noite.
Júpiter, entretanto, tem descido a Oeste-Sudoeste durante Julho e Agosto. No começo de Agosto estava a pôr-se cerca de uma hora depois do céu se tornar totalmente escuro, mas agora, à medida que Agosto acaba, põe-se mesmo no fim do lusco-fusco nocturno. Júpiter tem caminhado para Este em relação às estrelas de Virgem e na direcção da estrela azul Espiga; a distância entre elas chegou a ser de 14 graus a 1 de Julho mas no dia 31 de Agosto alcançará uns meros 6 graus.
Mais notável, logicamente, tem sido a aproximação de Vénus a Júpiter. No começo de Agosto, estavam separados por mais de 30 graus, mas no dia 31 estarão a apenas 1.5 graus entre si.
A última espectacular conjunção do Outono passado, envolvendo os mesmos dois planetas, teve lugar durante os dias 4 e 5 de Novembro, embora não se tivesse observado em Portugal (estavam separados por menos de 1 grau). Desde aí, enquanto Júpiter permaneceu na parte Oeste de Virgem, Vénus deslocou-se para Este, deu a volta pelo Zodíaco e junta-se outra vez ao rei dos planetas, desta vez no céu ao anoitecer.
Estarão mais próximos - Vénus passando a 1.2 graus Sul-Sudoeste de Júpiter - às 23:00 de dia 1 de Setembro. Não se preocupe com o adiantado da hora (às 23:00 já não são visíveis em Portugal), ao início da noite já se observam bem. Os dois planetas posteriormente só estarão tão perto um do outro em Fevereiro de 2008.
Também, durante a primeira semana de Setembro, Vénus fará uma bonita passagem pela estrela de primeira magnitude, Espiga. Procure Espiga a menos de 2 graus para baixo e para a esquerda de Vénus no dia 5 e por baixo do mesmo no dia 6. E enquanto este evento tem lugar, uma linda lua Crescente aparecerá a Oeste. Imagine o significado astrológico que na Antiguidade poderão ter dado a tal reunião celeste!

A Lua, Vénus, Júpiter e Espiga, ao pôr-do-Sol do dia 6 de Setembro de 2005, para latitudes médias a Norte.
Crédito: Núcleo de Astronomia do CCVAlg, Starry Night Software Planeie então observar de binóculos o calendário de conjunções de Vénus com Júpiter, Espiga e a Lua durante a primeira semana de Setembro. Quanto mais para Sul se encontrar, mais alto aparecerão estes objectos no horizonte e mais hipóteses terá de os observar.
Vénus irá gradualmente mover-se para Este durante meados de Setembro. Júpiter deverá continuar visível a olho nu em noites limpas, pelo menos durante a primeira parte do mês. Procure-o bem baixo a Oeste-Sudoeste meia-hora depois do pôr-do-Sol até finalmente desaparecer no brilho solar durante o fim de Setembro.
Links:
Notícias relacionadas:
Newsday.com
RedNova News
Universe Today
Vénus:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia
Júpiter:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia |
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NÚCLEO DA TERRA GIRA MAIS DEPRESSA QUE A CROSTA |
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De acordo com um novo estudo de dados de terramotos, o núcleo da Terra está a girar mais depressa que o manto exterior e que a crosta. A diferença é ligeira mas significa que o núcleo interior sólido completa uma revolução extra mais ou menos a cada 900 anos, escondido dentro do núcleo exterior derretido.
Xiaodong Song, um sismólogo da Universidade de Columbia em Nova Iorque, EUA, estudou registos de 18 pares de sismos. Os pares originaram exactamente no mesmo local mas foram separados por intervalos de tempo que variam entre alguns dias e 34 anos.
Song mediu o tempo que as ondas sísmicas destes pares de membros demoraram a viajar desde as Ilhas Sandwich do Sul no Oceano Atlântico Sul até uma estação sísmica em College, Alaska.

Esquema das várias camadas da Terra, seus constiuintes principais, profundidades e temperaturas.
Crédito: J. Louie, Laboratório Sismológico do Nevada
Ele descobriu que as ondas dos sismos separados por mais de quatro anos, e que tinham viajado pelo núcleo interior, demoraram dentro de certa medida tempos diferentes a completar a sua viagem: as ondas dos segundos sismos nos pares demoraram ligeiramente menos tempo a viajar até ao Alaska que as ondas do primeiro.
Em pares de sismos separados por bastante mais que quatro anos, esta diferença era ainda maior. Em contraste, as ondas que evitaram o núcleo interior completamente e apenas passaram pelo núcleo exterior, não mostravam quaisquer diferenças no seu tempo de viagem.
Isto levou Song a acreditar que as ondas do segundo membro do par sísmico estavam a viajar por uma região diferente do núcleo interior que o primeiro. Esta nova região foi estabelecida devido ao núcleo interior girar mais depressa que as outras camadas da Terra, sugere. Song calculou que a "super-rotação" do núcleo interior seja entre 0.3º e 0.5º por ano.
"Não é um resultado surpreendente pois pensa-se que a rotação do núcleo interior gere o campo magnético da Terra," disse Song. "Mas é extraordinariamente lindo o aspecto de podermos constatar a rotação desta maneira, em vez de «vermos» o centro da Terra."
Links:
Notícias relacionadas:
Science Daily
BBC News
ABC Science Online
National Geographic
Times Online
PHYSORG.COM
Discovery Channel
Slashdot
CNN International
Universe Today
Xiadong Song:
Departamento de Geologia da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign
Projecto ARCTIC
O interior da Terra:
Laboratório Sismológico do Nevada
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia |
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COLISÃO GALÁCTICA: UMA AMOSTRA DO QUE ESTÁ PARA VIR? |
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A forma única de NGC 520 é o resultado de uma colisão entre duas galáxias - a corrente de poeira de uma das galáxias pode ser facilmente observada obliquamente no meio. A nossa Galáxia - a Via Láctea - irá colidir com a galáxia de Andrómeda daqui a cerca de 5 mil milhões de anos.
Crédito: Observatório Gemini
(clique na imagem para ver versão maior)
Duas galáxias em colisão na constelação de Peixes podem pressagiar o destino da Terra e da Via Láctea daqui a milhares de milhões de anos. Astrónomos avistaram a fusão galáctica, colectivamente conhecida como NGC 520, usando os Espectógrafos Multi-Objecto Gemini (GMOS) do Observatório Gemini Norte em Mauna Kea, Hawaii, EUA.
"É bastante assustador," diz Ian Robson, director do Centro de Tecnologia Astronómica do Reino Unido. "Desde que o GMOS foi instalado no telescópio em 2001, tem tirado imagens astronómicas espectaculares de galáxias distantes e muito ténues, e de regiões de formação estelar, providenciando uma rica quantidade de dados científicos - mas esta provoca-me um arrepio na espinha."
As duas galáxias originais, envolvidas na colisão, eram provavelmente galáxias espirais, muito parecidas à nossa Via Láctea e à sua vizinha Galáxia de Andrómeda (M31). Daqui a aproximadamente 5 mil milhões de anos, os astrónomos prevêm que a Via Láctea e Andrómeda colidam num espectáculo celeste bastante semelhante.
"Contudo, é extraordinário observar de longe o fim do planeta Terra e da nossa própria Galáxia," diz Robson.
Apesar do olhar de destruição e caos, as ténues áreas vermelhas na imagem podem ser áreas onde as estrelas se estão a formar. A colisão galáctica cobre uma área de 150,000 anos-luz de comprimento e situa-se a cerca de 100 milhões de anos-luz da Terra.
Anteriormente a 1980, antes dos dois discos poderem ser diferenciados, alguns astrónomos suspeitavam que NGC 520 era uma única galáxia, não duas em interacção.
Links:
Notícias relacionadas:
Universe Today
PHYSORG.COM
Particle Physics and Astronomy Research Council (PPARC)
NGC 520:
NOAO
NRAO
Observatório Gemini:
Página oficial |
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS |
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Lua Cheia, orla verde - Crédito:
Laurent Laveder ( PhotoAstronomique.net)
Esta Lua Cheia de Julho parece estranhamente escura e distorcida nesta espectacular vista telescópica. Esta é apenas uma imagem entre várias registadas quando a Lua estava bem perto do horizonte. A longa linha de vista pela turbulenta atmosfera proporciona-nos efeitos ópticos tantalizantes, incluindo a fina "miragem" que parece flutuar mesmo acima do limite superior da Lua. Também observada na imagem (mais facilmente na do canto superior direito) está uma notável fronteira verde. Este efeito de prisma é produzido pela imensa refracção atmosférica -- por vezes mais relacionada com o flash verde do pôr-do-Sol. Uma inspecção mais detalhada da imagem total revela um limite avermelhado correspondente na parte de baixo, outra interessante assinatura da refracção atmosférica.
Ver imagem em alta-resolução |
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Observações na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve, de 2 a 30 de Agosto e de 1 a 24 de Setembro,
todos os dias a partir das 21h 30m, excepto à 2ª feira.
Entrada pelo portão do jardim. Acesso gratuito.
Observações dependentes das condições atmosféricas.
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EFEMÉRIDES: |
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Dia 30/08: 242º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, aproximação máxima do cometa Forbes (0.978 UA).
Observações: Procure Saturno por baixo da Lua antes do amanhecer.
Dia 31/08: 243º dia do calendário gregoriano.
Observações: Urano alcança a oposição esta noite. Situado em Aquário, com magnitude 5.7, é observável com binóculos, desde que se saiba a sua posição. Parece-se com uma estrela, mas em telescópios médios e grandes já se nota uma pequena bola não-estelar (pelo menos numa boa noite). Urano tem actualmente 3.7 arco-segundos de diâmetro. Algumas pessoas conseguem discernir um tom mais verde aquamarino na sua cor esbranquiçada. A cor é real, mas não é tão vívida como as que vemos em fotografias do planeta.
Dia 01/09: 244º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1859, o físico solar Richard Carrington observa a primeira proeminência solar. Uma intensa aurora ocorreu no dia seguinte.
Em 1979, voo rasante da Pioneer 11 por Saturno (maior aproximação, 20,900 km). Tirou as primeiras imagens de perto do planeta. Os seus instrumentos detectaram duas luas previamente não conhecidas e um anel adicional. A Pioneer 11 mapeou a magnetosfera e o campo magnético de Saturno e descobriu que a sua maior lua, Titã, era fria demais para suportar vida.
Em 2000, encontro rasante de uma rocha com o planeta Terra. Um objecto com meio quilómetro, conhecido como 2000 QW7 -- apenas descoberto a 26 de Agosto de 2000, com o sistema NEAT da NASA/JPL, passou pela Terra a uma distância 12 vezes maior que a distância à Lua. Em termos astronómicos, falhou por pouco! 2000 QW7 movia-se bastante rápido e era bem brilhante.
Observações: Vénus e Júpiter estão em conjunção. A mais ténue estrela Espiga encontra-se a 6º para a esquerda. Estão bem baixos, apenas 10º acima do horizonte, 40 minutos depois do pôr-do-Sol (ver artigo do lado).
O asteróide 44 Nysa
(magnitude 10.8) passa hoje a apenas 2 arco-minutos Sul de Iota Capricorni.
Apogeu lunar (04:00), o ponto mais longe da Terra nesta órbita, 406,213 km.
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PERGUNTE AO ASTRÓNOMO: |
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Tem alguma dúvida sobre Astronomia no geral que gostaria de ver esclarecida? Pergunte-nos! Tentaremos responder à sua questão da melhor maneira possível. |
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