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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 162
16 de Setembro de 2005
arrow BURACO NEGRO EM GALÁXIA INVISÍVEL thingy

Numa descoberta sem precedentes, os astrónomos detectaram um buraco negro massivo mas não conseguiram encontrar nenhum vestígio da galáxia circunvizinha que o deve alimentar.


HE0450-2958.
Crédito: Frédéric Courbin & Pierre Magain
(Clique aqui para ver versão maior)

No centro da maioria das galáxias grandes, a nossa própria Via Láctea incluída, possuem buracos negros extremamente densos que possuem massas de centenas de milhões de massas solares.

Estes buracos negros massivos, chamados quasars, são os objectos mais brilhantes do Universo, ultrapassando mesmo em brilho as galáxias mais brilhantes.

Os quasars são relativamente pequenos quando comparados com as suas galáxias, que ultrapassam em brilho. São somente do tamanho do nosso Sistema Solar, mas podem emitir até 100 vezes mais radiação que uma galáxia inteira.

Embora os buracos negros sejam eles mesmos indetectáveis, a radiação emitida pela matéria que roda em torno deles ao ser acretada, é tão grande que pode ser detectada pelos radiotelescópios. Para manter o seu brilho, no entanto, os quasars devem alimentar-se das próprias galáxias dentro das quais vivem.

É por isso que a descoberta de um quasar sem galáxia está a provocar tão grande surpresa. Usando espectroscopia com imagens do do Telescópio Espacial Hubble e Very Large Telescope (VLT) localizado no Norte do Chile, uma equipa internacional de astrónomos selecionou 20 quasars situados a distâncias moderadas da Terra para estudar as propriedades das galáxias anfitriãs. Em 19 casos, os astrónomos encontraram galáxias envolventes como teoricamente previsto.

Mas quando olharam para He0450-2958, um quasar a cerca de 5 mil milhões de anos-luz, não encontraram qualquer sinal de existência de uma galáxia.

"Devemos consequentemente concluir que, contrariamente às nossas expectativas, este quasar brilhante não é cercado por uma galáxia massiva," disse Pierre Magain, um astrónomo da universidade de Liege na Bélgica e primeiro autor do artigo em que é publicado o estudo.

Em vez de uma galáxia, os investigadores detectaram uma nuvem de gás ionizado com aproximadamente 2,500 anos-luz de diâmetro próximo de He0450-2958. Chamada de "blob," os investigadores acreditam esta nuvem do gás é o que está a alimentar o buraco negro, permitindo que se transforme um quasar. Os investigadores estimam que o quasar está a extrair aproximadamente uma massa solar por ano do "blob" para a manutenção do seu brilho.

Aumentando o mistério, foi detectada uma galáxia profundamente distorcida a 50,000 anos-luz do quasar. Esta galáxia, a que chamaram "companheira", parece ser um berçário estelar extremamente activo, com estrelas novas em nascimento a uma taxa muito elevada, que é muito mais brilhante no infravermelho do que a maioria das galáxias. A combinação destes três factores - forma distorcida, taxa elevada de produção de estrelas e grande luminosidade no infravermelho - sugere aos investigadores que a galáxia do companheiro terá sofrido uma colisão cósmica há cerca de 100 milhões de anos, possivelmente com o quasar sem galáxia agora descoberto.

É possível que o quasar tenha uma galáxia à sua volta, mas é demasiado pequena e demasiado fraca ser detectada. Se existir uma galáxia anfitriã, terá que ser seis vezes mais fraca que as galáxias anfitriãs típicas, ou ter um raio menor de 300 anos-luz. A maioria das galáxias anfitriãs de quasar variam entre 6,000 e 50,000 anos-luz.

O quasar não pode ter sempre existido sem galáxia anfitriã, mas a colisão com a galáxia do companheiro pode de algum modo ter feito com que a galáxia do quasar desaparecesse completamente. Os investigadores dizem, no entanto, que "é difícil imaginar como é que é possível a ruptura total de uma galáxia."

A descoberta é documentada na edição de 15 de Setembro da revista Nature.

Links:

Nature (necessária assinatura):
http://www.nature.com/nphys/index.html

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arrow SERÁ POSSÍVEL VIDA EM TITÃ? thingy

As descobertas recentes da sonda Cassini da NASA e as novas descobertas sobre organismos terrestres que proliferam em condições extremas estão a fazer com que os cientistas repensem a possibilidade de poder haver vida na lua Titã de Saturno.


Titã, a maior lua de Saturno.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(Clique aqui para ver versão maior)

Analisando os dados dos recentes flybys que a Cassini tem feito a Titã, os cientistas do Instituto de Pesquisa do Sudoeste (SwRI) do Texas e da Universidade do Estado de Washington anunciaram durante a última semana que vários dos elementos cruciais para a vida na Terra se encontram também presentes em Titã, includino reservatórios líquidos de moléculas orgânicas e abundantes fontes de energia.

Descoberta em 1655 pelo astrónomo holandês Christian Huygens, Titã é a segunda maior lua do Sistema Solar logo depois de Ganimedes, a maior lua de Júpiter.

Olhando em volta, uma pessoa na superfície de Titã veria os campos rochosos pejados com pequenos seixos de gelo. Olhando para cima, veria nuvens passando a alta velocidade através do céu alaranjado de Titã, porque, tal como Vénus, a atmosfera de Titã gira muito mais rapidamente do que a sua superfície. Na maioria das ocasiões, Saturno e os seus anéis magníficos não seriam visíveis devido ao denso smog alaranjado que cobre normalmente toda a lua.

Os cientistas estão interessados em Titã porque é semelhante à Terra, mil milhões de anos antes da ocorrência de vida. Titã é mais frio ( -178º C) do que a Terra primitiva era, mas tem uma atmosfera densa rica em azoto e um processo natural para produzir o hidrogénio e o carbono que fazem parte das moléculas orgânicas, essenciais para a vida na Terra. Os astrónomos têm sempre visto Titã como um lugar que reúne os pré-requesitos para a vida, mas a maioria dos cientistas consideram-no demasiado pouco hospitaleiro para poder realmente a albergar.

A luz ultravioleta do Sol reage com o azoto e o metano no topo da atmosfera de Titã, o que produz o smog alaranjado e uma produção constante de matéria orgânica que cai constantemente na superfície.

Muitas das forças naturais que dão forma à paisagem terrestre encontram-se também activas em Titã, incluíndo o deslocamento de placas continentais, a erosão do vento, vulcões e provavelmente oceanos - constituídos por etano, metano e não água. Na Terra, estas forças levantam montanhas e esculpem penhascos e desfiladeiros. No entanto, a maioria da superfície de Titã parece lisa, o que leva muitos cientistas a desconfiarem que a lua seja relativamente nova.

A vida a existir em Titã, um bom lugar para a encontrar poderá ser nas fontes quentes associadas aos reservatórios de hidrocarbonetos, disse David Grinspoon, um investigador de ciência do espaço da divisão da engenharia do SwRI .

As especulações sobre a vida em Titã são também alimentadas pelas descobertas recentes de organismos microscópicos que vivem em ambientes extremos na Terra, e que parecem capazes de sobreviver em ambientes muito mais áridos do que quaisquer anteriormente imaginados.

Uma espécie recentemente descoberta de extremófilas pode viver em ambientes dez vezes mais salgados do que a água do mar. Outra espécie encontrada no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos da América, pode viver exclusivamente de hidrogénio, o elemento mais abundante de todo o Universo.

Talvez o mais relevante para se suspeitar de vida em Titã, foram as descobertas dos cientistas nas duas últimas décadas de diversas espécies de bactérias que proliferam em ambientes com temperaturas muito baixas. Estas bactérias, chamadas psicrófilas, proliferam a temperaturas que variam entre -5º C e 20º C, e usam o metano para produzir energia. Os cientistas pensam que para que a vida exista em Titã, haverá provavelmente uma combinação destas características.

Grinspoon especulou que um eventual ser vivo em Titã seria provavelmente capaz de produzir a energia misturando o acetileno, um hidrocarboneto abundante na atmosfera de Titã, com o hidrogénio. Essa energia poderia então ser aproveitada pelos microorganismos de modo a alimentar o metabolismo ou para aquecer as suas vizinhanças de modo a manter a temperatura dentro de limites aceitáveis.

Esta especulação fundamentada foi apresentada na reunião de 8 de Setembro de 2005 da divisão de Ciências Planetárias da Sociedade Astronómica Americana .

Links:

Notícia SPACE.COM:
http://www.space.com/scienceastronomy/050913_titan_life.html

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Aurora Boreal - Crédito: Philippe Moussette
Quem vive próximo dos pólos tem muitas vezes a possibilidade de observar as luzes nocturnas que varrem o céu de forma ondulante durante as longas noites de Inverno. Estas luzes, chamadas auroras boreias, resultam da interacção da magnetosfera da Terra com as partículas carregadas, transportadas para a Terra pelos ventos solares. Quando ocorrem tempestades solares, os ventos solares são particularmente intensos, o que aumenta as auroras. Essas partículas são obrigadas a espiralar em torno das linhas de campo, o que as conduz para as regiões polares, onde se encontram os pólos magnéticos da Terra. Ao entrarem na atmosfera, interagem com o azoto e o oxigénio, interacção essa que liberta radiação, cuja frequência (cor) depende da molécula com que se deu a interacção.
Ver imagem em alta-resolução
     
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Programa "Astronomia no Verão"
 

Observações na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve, de 1 a 24 de Setembro, todos os dias a partir das 21h 30m, excepto à 2ª feira.
Entrada pelo portão do jardim. Acesso gratuito.
Observações dependentes das condições atmosféricas.

 
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 16/09: 259º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Tente descobrir Urano com uns binóculos. Poderá ver um ponto azulado que se mantém este ano na constelação de Aquário (ver esquema).

Dia 17/09: 260º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1789, William Herschel descobre a Lua de Saturno, Mimas.
Em 1976, era apresentado pela NASA o primeiro Space Shuttle, Enterprise .

Dia 18/09: 261º dia do  calendário gregoriano.
Observações:
Lua Cheia às 03h00 (hora local). Às 04h00 (hora local), Mercúrio encontra-se em conjunção superior.

Dia 19/09: 262º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1848, A lua de Saturno, Hyperion, é descoberta por William Cranch Bond.
Em 1988, Israel lança o seu primeiro satélite.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Devido à gravidade, a Terra nunca poderá ter uma montanha com mais de 10 km de altitude. Caso não existisse uma gravidade tão forte, os Himalaias já há muito tempo teriam passado esta altura.
 
 
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