As estrelas em torno do buraco negro do centro da galáxia de Andrómeda giram de tal modo rápido em torno dela que poderiam ir da Terra à Lua em 6 minutos.

A Galáxia de Andrómeda.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
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A descoberta, anunciada ontem, resolve um mistério sobre qual a fonte de luz azul que provém do centro da Galáxia de Andrómeda. No entanto, cria agora um novo problema: as estrelas possuem uma velocidade orbital de tal modo grande que sugere que nunca se deveriam ter formado.
Os astrónomos notaram pela primeira vez a luz azulada do centro de Andrómeda em 1995. Três anos mais tarde, outro grupo de astrónomos mostrou que a radiação vinha de um enxame de estrelas jovens. Ninguém sabia ao certo quantas estrelas estavam envolvidas.
Novos elementos provenientes de imagens recolhidas com o Telescópio Espacial Hubble revelam mais de 400 estrelas azuis que se formaram numa eclosão de actividade há cerca de 200 milhões de anos, dizem os astrónomos.
As estrelas estão empacotadas num disco que tem apenas 1 ano-luz de diâmetro. Isto é extremamente compacto pelos padrões cósmicos. Atente-se que a estrela mais próxima do Sol está a 4.3 anos-luz.
"As estrelas azuis do disco têm uma idade tão pequena que não é provável que nos 12 mil milhões de anos da Galáxia de Andrómeda este fenómeno apenas tivesse ocorrido agora.," disse Tod Lauer do National Optical Astronomy Observatory. "Pensamos que o mecanismo que terá formado este disco de estrelas provavelmente terá formado outros no passado e formará outros no futuro. Ainda não compreendemos é como é que um disco desta natureza se poderá ter formado. Isso permanece um enigma."
Para determinar a velocidade das estrelas, foi utilizado o Hubble, e calculou-se a compressão e distensão das ondas luminosas provenientes das estrelas. Esta técnica Doppler pressupõe que quando um objecto se afasta, o comprimento de onda da radiação emitida aumenta (tornando-se mais vermelho) e que quando se aproxima diminui (tornando-se mais azul). Embora o fenómeno não tenha a mesma natureza é análogo ao que acontece ao som da sirene de uma ambulância quando se aproxima e quando se afasta.
As estrelas estão a translacionar a 1000 km/s, o que significa que poderiam orbitar a Terra em 40s. A velocidade estelar é controlada pelo buraco negro no centro da galáxia de Andrómeda. Esta actividade frenética pensava-se que impediria qualquer formação estelar, pois as estrelas formam-se quando um nódulo denso de gás e poeiras colapsa devido à sua própria gravidade.
"O gás que pode formar estrelas tem que rodar a uma velocidade tão grande em torno do buraco negro que os movimentos de rotação necessário durante a formação estelar parecem impossíveis. No entanto as estrelas estão lá," disse Ralf Bender do Instituto Max Planck para a Física Extraterrestre em Garching, na Alemanha.
As observações podem fornecer pistas para as actividades nos núcleos de galáxias ainda mais afastadas e que não podem ser observadas de forma tão nítida.
Links:
Release Original :
http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/2005/26/image/a
Universe Today:
http://www.universetoday.com/am/publish/blue_halo_stars_blackhole.html
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