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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 165
27 de Setembro de 2005
arrow TERMO "PLANETA" PODERÁ BREVEMENTE TER ADJECTIVOS thingy

Uma equipa internacional de astrónomos tentando definir o termo "planeta" poderá finalmente estar perto de tomar uma decisão, embora um consenso ainda esteja longe.

Se uma decisão for anunciada brevemente (como se espera), com ou sem consenso, o resultado não será tanto uma definição, mas mais um cordão de adjectivos qualificativos.

Resultado final: os astrónomos irão provavelmente continuar a usar o termo planeta, ou podem mudar para "objecto de massa planetária". Em qualquer dos casos, irão adicionar outros termos de modo a definir cada tipo, tal como gigante gasoso, terrestre, asteroidal, ou talvez até tradicional ou histórico. Resumindo e concluindo, a frase "nove planetas" irá ser, quase sem sombra de dúvidas, relegada para os livros de história.

Este esforço já dura há alguns anos, desde que vários objectos no Sistema Solar e além tornaram a ideia tradicional de "planeta" inútil para os astrónomos e confusa para o público.

O anúncio, em Julho passado, de um mundo maior que Plutão orbitando o nosso Sol para lá de Neptuno, trouxe para a mesa estas discussões. Um grupo de trabalho, composto por 19 membros da União Astronómica Internacional, tem estudado todos estes casos de modo a alcançar um consenso, até agora ainda sem solução.

O problema principal é: se Plutão é um planeta, então 2003 UB313 (o objecto descoberto em Julho) também o é. Mas, de acordo com alguns astrónomos, seguindo essa lógica, existem outros objectos redondos quase tão grandes como Plutão que também deverão ser considerados planetas.


Impressão de artista de 2003 UB313, olhando na direcção do distante Sol.
Crédito: Robert Hurt (IPAC)

(clique na imagem para ver versão maior)

O acordo actualmente flutuando pelo grupo de trabalho é adicionar um adjectivo em frente do termo "planeta" para cada diferente tipo de objecto redondo não-estelar.

Plutão e 2003 UB313 poderão ser chamados objectos Trans-Neptunianos. A Terra poderá ser chamada planeta terrestre ou até planeta "cisjoviano", o que significa que se encontra entre o Sol e Júpiter.

Para complicar ainda mais o caso, estão os planetas extrasolares (muito mais massivos que Júpiter), objectos tipo-planetas em órbita de estrelas mortas de nome pulsares, e possivelmente até planetas livres que não orbitem estrelas.

Na semana passada, um artigo saíu na revista Nature que indica que o grupo de trabalho chegou à solução adjectiva e poderá apresentar a sua proposta final ao Comité Executivo da UAI, possivelmente dentro de uma ou duas semanas.

Se for esse o caso, então o líder do grupo, Iwan Williams, da Universidade de Londres Queen Mary, irá ter que agir sem um consenso.

"De cada vez que pensamos estar a atingir um consenso, alguém diz algo que demonstra precisamente o contrário," disse Brian Marsden, membro do grupo e líder do Centro de Planetas Menores onde os recém-descobertos objectos são catalogados.

Marsden disse que não é ainda claro se um consenso será atingido brevemente. "Pensei que já estivéssemos perto," disse, "mas ainda no outro dia alguém [do grupo] insistiu para que definíssemos planeta."

No entanto, é esse o ponto que tem andado em círculos durante meses.

Mesmo assim, um subcomité dentro do grupo de trabalho foi formado e espera-se que entregue o seu relatório dentro em breve. É a opinião de Marsden que este esforço não traz nada de novo porque "é bem claro que não vamos concordar sobre uma definição da palavra planeta."

Até os adjectivos que se poderão usar nem estão ainda totalmente acordados. Os termos "trans-Neptuniano" e "cisjoviano" têm como base a sua localização e não composição.

"Não acredito que se deva classificar os objectos planetários por localização," disse o membro do comité, Alan Stern, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste. "Deveríamos usar propriedades dos objectos como guia."

O membro do grupo, Alan Boss, disse que uma maioria concorda com o plano dos adjectivos e "uma minoria que ainda está preocupada."

Boss, teórico de formação planetária no Instituto Carnegie em Washington, vê todo este caso como um sinal positivo para a Ciência. "Sabemos tanto agora" acerca dos tipos de objectos que existem por aí, disse Boss, que caso não exista um consenso, o acto de expandir o sistema de classificação planetária é bem refrescante e saudável.

Mesmo que a proposta seja dentro em breve entregue ao Conselho Executivo da UAI, este corpo executivo poderá até conduzir o seu próprio debate, disse Boss.

Links:

Notícias relacionadas:
New Scientist
Nature (requer subscrição)

União Astronómica Internacional:
Página oficial
Centro de Planetas Menores

2003 UB313:
Caltech
Wikipedia
Artigo da descoberta oficial de 2003 UB313 (formato PDF)

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Olho de Gato - Crédito: NASA, ESA, HEIC, e The Hubble Heritage Team (STScI / AURA)
Olhando para nós através do espaço interestelar, a esplêndida Nebulosa Olho de Gato situa-se a 3,000 anos-luz da Terra. Uma nebulosa planetária clássica, o Olho de Gato (NGC 6543) representa a fase final, breve mas gloriosa, da vida de uma estrela tipo-Sol. A condenada estrela central desta nebulosa pode ter produzido o simples padrão exterior de conchas gasosas concêntricas ao libertar as suas camadas exteriores numa série de convulsões regulares. Mas a formação das lindas e complexas estruturas interiores não é ainda bem compreendida. A espectacular imagem do lado foi tirada pelo Telescópio Espacial Hubble. O olho cósmico mede cerca de meio ano-luz de comprimento. Ao olhar para NGC 6543, os astrónomos estão a ver o destino do nosso Sol, que no final da sua vida se transformará também em nebulosa planetária... mas só daqui a aproximadamente 5 mil milhões de anos.
Ver imagem em alta-resolução
     
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  SEMANA MUNDIAL DO ESPAÇO  
 

De 4 a 10 de Outubro, celebra-se a Semana Mundial do Espaço. O Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve junta-se a esta iniciativa, com as seguintes actividades:
Dia 3 - Observação do eclipse parcial do Sol, entre as 8:30 e as 11:30, junto à bomba de gasolina da Doca de Faro.
Dia 5 - Observação das manchas solares, entre as 10:00 e as 11:30, junto à bomba de gasolina da Doca de Faro.
Dia 7 - Observação das manchas solares, entre as 16:00 e as 17:30, junto à bomba de gasolina da Doca de Faro.
Dia 8 - Observação astronómica, a partir das 21:30, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve (entrada pelo portão do jardim).
Nota: as observações estão dependentes das condições atmosféricas.

 
 
Observação do eclipse parcial em Faro, pelo Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve, na Doca de Faro (junto à bomba de gasolina), entre as 8:30 e as 11:30.
 
  ESPAÇO ABERTO  
 

Primeira observação astronómica, dia 8 de Outubro (também inserida no âmbito da semana do Espaço), na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve, a partir das 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.
A calendarização total do "Espaço Aberto 2005/2006" estará disponível brevemente.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 27/09: 270º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 2003 era lançada a sonda da ESA, Smart-1, a primeira tentativa de lançar naves espaciais de baixo custo.

Dia 28/09: 271º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, o Observatório de Raios-X Chandra da NASA anuncia uma espectacular imagem da Nebulosa do Caranguejo, os espectaculares restos de uma explosão estelar, revelando algo ainda nunca visto. O brilhante anel à volta do coração da nebulosa são ondas de partículas altamente energéticas que parecem ter sido expulsas a uma distância de 1 ano-luz da estrela central, e os jactos de partículas afastam-se da estrela de neutrões numa direcção perpendicular à espiral.
Observações: Pelas 16:00, a Lua encontra-se no apogeu, o ponto da sua órbita mais afastado da Terra. Neste caso a Lua e a Terra estão separadas por 405,308 km, centro a centro.
Aproveite a madrugada (a partir das 03:30) para observar Saturno, perto da fina Lua Minguante, na constelação de Caranguejo. Entre estes dois objectos, temos o enxame aberto do Presépio, M44.

Dia 29/09: 272º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1988 era lançada a missão STS-26 do vaivém Discovery. Marca o resumo das missões depois do acidente 1986 51-L. Duração da missão: 97 horas e 11 minutos.
Observações: Altair é a estrela mais brilhante, mais alta no céu a Sul por estas noites. Está marcada pela sua companheira mais ténue, Tarazed (Gamma Aquilae), um pouco mais que a largura de um dedo para cima e para a sua direita.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
A Agência Espacial Europeia (ESA), decidiu alargar o tempo de missão da sonda Mars Express, por um ano marciano - aproximadamente 23 meses - a começar em Dezembro de 2005.
 
 
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