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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 166
30 de Setembro de 2005
arrow ENORME ABALO RACHA ESTRELA thingy

Os astrónomos encontraram as primeiras evidências de fracturas na crusta de uma estrela de neutrões. A estrela estalou quando foi sacudida pelo maior "estrelamoto" jamais registado, anunciaram os investigadores durante a última semana.

Em Dezembro passado, astrónomos do mundo inteiro seguiram a explosão que provocou este abalo. A erupção foi enorme. Durante os primeiros 200 milisegundos a estrela libertou tanta energia quanta a que o Sol produz em 250,000 anos. A explosão foi o acontecimento mais brilhante jamais registado fora do Sistema Solar.


Impressão de artista das fracturas numa estrela de neutrões.
Crédito: NASA

Agora os cientistas usaram dados recolhidos de vários satélites para fornecer a primeira evidência observacional de que a explosão provocou na estrela fracturas com vários quilómetros de comprimento. Os cientistas esperam que estas fracturas possam constituir janelas para o estudo do misterioso interior das estrelas de neutrões.

Existem milhares de estrelas de neutrões na VIa Láctea, e muitas destas possuem campos magnéticos biliões de vezes mais fortes que o da Terra, sendo os mais fortes chamados magnetares.

Este magnetar em particular (SGR 1806-20) está rodeado pelo campo magnético mais forte que é conhecido no Universo. Isto poderia explicar porque é que o "estrelamoto" (causado quando a estrela de neutrões deixou de aguentar o crescimento das tensões magnéticas no seu interior) foi tão intenso.

Pensa-se que o interior de um magnetar (tal como o dos seus congéneres mais fracos, os pulsares) seja uma mistura líquida densa de neutrões, protões e electrões em estado degenerado, o que faz delas incríveis condutores de electricidade. Dado que possui as características de um fluido, tem movimentos internos. O campo magnético dos magnetares gira em redor da estrela e todo este movimento interno de cargas interfere com a forma do campo magnético, enrolando-o como se pode fazer com um elástico de borracha.

Mas o exterior do magnetar não é tão maleável. A crusta é feita essencialmente de ferro. O campo magnético passa através dela em alguns pontos, o que não é um problema para as estrelas de neutrões normais. Mas no caso dos magnetares, o campo interage com o núcleo e vai evoluindo de forma errática o que provoca enormes tensões na crusta. Eventualmente as tensões poderão acumular-se até um ponto em que a crusta racha.

Neste magnetar a primeira racha que se formou tem cinco quilómetros de comprimento, uma dimensão significativa se pensarmos que a estrela de neutrões só tem 10 quilómetros de diâmetro. A radiação escapou-se através da fractura causando um acréscimo inicial de radiação detectável.


Localização do magnetar SGR1806-20.
Crédito NASA

Embora a grande erupção tenha sido apenas no início, existem evidências de fracturas que se terão continuado a formar pelo facto da radiação ter continuado a ser emitida em pulsos irregulares.

"Não é para mim claro se será um conjunto de fracturas grandes ou uma multitude de fracturas pequenas" disse Steve Schwartz do Imperial College de Londres. "O meu palpite é que seja uma muito grande que foi seguida por várias pequenas que continuam a formar-se."

O que isto significa para a SGR 1806-20 não é claro, mas as fracturas parecem ser mais uma forma de aliviar as pressões internas a que a estrela estava a ser sujeita que propriamente um sinal de que a estrela se esteja a desintegrar.

"O resultado das fracturas é o desenrolamento dos campos magnéticos interiores e exteriores," disse Schwartz. "Isto tem muito pouco efeito na estrela em si mesma, a não ser pelo facto de que o enrolamento do campo demorará algum tempo a ocorrer de novo."

SGR 1806-20 está a 50,000 anos-luz de distância na direcção de Sagitário, mas a erupção foi de tal modo intensa que "cegou" temporariamente alguns satélites e alterou ligeiramente o topo superior da atmosfera terrestre durante algum tempo. Um evento semelhante num magnetar colocado a 10 anos-luz de distância destruiria a camada de ozono. No entanto, não há razões para preocupações pois o magnetar mais próximo está a 13,000 anos luz de distância.

Links:

SPACE.com:
http://www.space.com/scienceastronomy/050927_star_cracked.html

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
IC1396 - Nick Wright (University College de Londres), Cooperação IPHAS
Nuvens brilhantes de hidrogénio são atravessadas por rastos escuros de poeiras e gás nesta imagem da nebulosa IC 1396, uma região de formação estelar activa a cerca de 2,000 anos-luz de distância da Terra na direcção da constelação de Cefeu. Nesta e noutras nebulosas de emissão, a radiação ultravioleta proveniente de uma estrela jovem muito quente ioniza os átomos de hidrogénio de gás da nuvem que a rodeia. Quando os electrões e os núcleos se recombinam, é emitida radiação de comprimento de onda mais longo, dando origem a uma radiação caracterizada por linhas espectrais muito típicas. No visível a linha mais intensa é a linha H-alfa, que fica na parte vermelha do espectro, o que dá uma cor característica a estas nebulosas.
Ver imagem em alta-resolução
     
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  SEMANA MUNDIAL DO ESPAÇO  
 

De 4 a 10 de Outubro, celebra-se a Semana Mundial do Espaço. O Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve junta-se a esta iniciativa, com as seguintes actividades:
Dia 3 - Observação do eclipse parcial do Sol, entre as 8:30 e as 11:30, no largo de S. Francisco, perto da muralha, em Faro.
Dia 5 - Observação das manchas solares, entre as 10:00 e as 11:30, junto à bomba de gasolina da Doca de Faro.
Dia 7 - Observação das manchas solares, entre as 16:00 e as 17:30, junto à bomba de gasolina da Doca de Faro.
Dia 8 - Observação astronómica, a partir das 21:30, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve (entrada pelo portão do jardim).
Nota: as observações estão dependentes das condições atmosféricas.

 
 
Observação do eclipse parcial em Faro, pelo Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve, no largo de S. Francisco, perto da muralha, em Faro, entre as 8:30 e as 11:30.
 
  ESPAÇO ABERTO  
 

Primeira observação astronómica, dia 8 de Outubro (também inserida no âmbito da semana do Espaço), na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve, a partir das 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.
A calendarização total do "Espaço Aberto 2005/2006" estará disponível brevemente.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 30/09: 273º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Após o por-do-sol a Via Láctea observa-se agora atravessando o céu com um arco do sul a norte.

Dia 01/10: 274º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, era criada a NASA para suceder à NACA.
Observações: Às 11h00 (hora local) Marte começa a retrogradar, antes de atingir a oposição a 8 de Novembro.

Dia 02/10: 275º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Esta é uma boa altura para tentar observar a luz zodiacal, pouco antes do raiar da aurora matinal.

Dia 03/10: 275º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1942, era lançado da Alemanha o foguete A-4, que se tornaria o primeiro artefacto humano a atingir o espaço exterior.
Em 1962, era lançada de Cabo Canaveral a missão Mercúrio 8.
Observações: O eclipse anular de sol visível em Portugal domina hoje todas as atenções.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Uma estrela anã branca tem um diâmetro da ordem de grandeza do da Terra.
 
 
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