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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 169
11 de Outubro de 2005
arrow O MELHOR TRÂNSITO EXOPLANETÁRIO ATÉ AGORA thingy

A equipa europeia caçadora de planetas extrasolares (de que faz parte o português Nuno Santos), fundada por Michel Mayor (Observatório de Geneva, Suiça), anunciou a existência de um novo planeta extrasolar que transita em frente da sua estrela-mãe - o nono exoplaneta conhecido que o faz. Mas este planeta é especial. O planeta, que orbita a estrela tipo-K de magnitude 7.7, HD 189733 (ou HIP98505, ou ainda TYC2141-972-1), em Vulpécula (Raposa), oferece aos astrónomos profissionais as suas melhores hipóteses de estudar a atmosfera e temperatura de um planeta extrasolar. Também proporciona aos amadores a sua mais fácil oportunidade de detectar um mundo em torno de outra estrela. Mais, a estrela-mãe está localizada a apenas 0.3º da Nebulosa Haltere (M27), idealmente posicionada para observadores do Hemisfério Norte durante o princípio da noite no Outono.


A apenas 0.3º Este de M27, brilha a estrela de magnitude 7.7, HD 189733, com um planeta "Júpiter quente" que roda à sua volta. Binóculos é tudo o que precisa para observar a estrela, uma pálida laranja anã K a 63 anos-luz de distância. Encontra-se na ascensão recta 20h 00.7m, declinação +22º 43' (coordenadas 2000.0). Norte é para cima, Este para a esquerda.
Crédito: Akira Fujii

Usando o telescópio de 1.9 metros do Observatório Haute-Provence em França, o grupo de Mayor usou o método de velocidade radial para descobrir o puxo gravitacional do planeta em relação à sua estrela. Estas observações não apenas revelaram o planeta, mas também indicaram que o planeta bloqueia periodicamente alguma luz da estrela. Observações posteriores com o telescópio de 1.2 metros do mesmo observatório confirmaram os trânsitos (que duram 2 horas) e o facto do brilho da estrela descer uns ainda importantes 3% (0.03 em magnitude) de cada vez que o planeta atravessa o disco estelar. Estes são os trânsitos exoplanetários mais profundos já observados.

A combinação entre a velocidade radial e as observações dos trânsitos ajudaram na determinação da massa do planeta (1.15 Júpiteres), do diâmetro (1.26 Júpiteres), do período orbital (2.219 dias), da distância à sua estrela-mãe (0.0313 vezes a distância da Terra ao Sol), e da densidade (0.75 gramas por centímetro cúbico, confirmando que é um gigante gasoso "inchado"). O autor François Bouchy (Laboratório Astrofísico de Marselha, França) e seus colegas anunciam estas descobertas num artigo entregue à revista "Astronomy & Astrophysics".

Com base na temperatura da estrela e na separação de 0.0313 UA, a temperatura do planeta deverá situar-se na casa das centenas de graus Celsius. O que o coloca na classe dos "Júpiteres quentes" - planetas com a massa de Júpiter que orbitam as suas estrelas-mãe em menos de 3 dias. Com a sua alta temperatura, é praticamente inconcebível a existência de vida nesse planeta ou em quaisquer luas que provavelmente possua.

"Este planeta é absolutamente fenomenal para observações detalhadas," diz David Charbonneau (Centro para Astrofísica Harvard-Smithsonian), que usou os telescópios espaciais Hubble e Spitzer para detectar as atmosferas e medir as temperaturas de outros exoplanetas que transitam a sua estrela-mãe. O colega de Charbonneau em Harvard, Scott Gaudi, acrescenta: "Este planeta será uma mina de ouro no que respeita a aprender mais detalhes sobre os planetas extrasolares."

Os cientistas estão extáticos acerca do planeta de HD 189733 (HD 189733b) por várias razões. Primeiro, a sua incrivelmente pequena órbita implica que os trânsitos ocorrem com frequência. Segundo, a diminuição de 3% do brilho (devido ao relativamente grande tamanho do planeta em relação à estrela) torna estes trânsitos fáceis de detectar. Terceiro, a estrela é brilhante, situa-se a apenas 63 anos-luz da Terra, o que significa que os astrónomos podem atingir uma alta relação sinal-ruído nas suas observações. Quarto, a alta temperatura do planeta é garantia que o Spitzer possa detectar a sua emissão de calor, dado que o telescópio já o fez anteriormente para os planetas extrasolares de trânsito HD 209458b e TrES-1.

Graças a estas condições favoráveis, a pesquisa não será limitada aos astrónomos profissionais. A própria estrela é tão brilhante que pode ser observada apenas com um par de binóculos. Os astrónomos amadores e estudantes, usando pequenos telescópios equipados com CCDs, poderão ser capazes de medir a diminuição de 3% do brilho causado pelos trânsitos. Aaron Price, da Associação Americana de Observadores de Estrelas Variáveis, diz que "este trânsito é tão profundo que até alguns dos nossos mais experientes observadores visuais o podem fazer!"


A pequena constelação da Flecha (aqui "Sagitta"), é a chave para encontrar M27 (que brilha com magnitude 8) e a estrela HD 189733 próxima. Flecha está localizada 10º Norte da brilhante estrela Altair. M27 (aqui no canto superior esquerdo) está localizada 3.3º Norte da ponta da flecha.
Crédito: Sky & Telescope

Gregory P. Laughlin (Universidade da Califórnia, Santa Cruz), co-fundador de Transitsearch.org, acrescentou HD 189733 à sua lista de observações. Transitsearch.org organiza campanhas de observação amadora por esse mundo fora, com vista a avistar exoplanetas em trânsito. O próximo será às 12:24 UT do dia 12. É dia em Portugal, mas pode seguidamente tentar no próximo dia 16 às 22:55 UT. Ao seguir quaisquer irregularidades no "timing" de trânsitos futuros, os profissionais e amadores poderão detectar a presença gravitacional de planetas adicionais no sistema, incluindo planetas com massas tão pequenas como a da Terra.

"Será muito interessante obter fotometria amadora de alta-qualidade para estimativas adicionais do raio, dado que, tal como HD 209458b, o planeta HD 189733 é claramente maior que o previsto pelos modelos padrão," diz Laughlin. "Visto que as melhores configurações amadoras estão a observar fidedignamente o trânsito de HD 149026b, cuja profundidade é quase dez vezes menos que o trânsito de HD 189733, penso que poderemos esperar ver algumas espectaculares curvas de luz do trânsito." Laughlin também acrescenta que as observações amadoras irão revelar se a estrela contém ou não manchas estelares.

Links:

HD 189733:
Press release do OHP
Artigo da descoberta (em formato PDF)
Tabela dos trânsitos de HD 189733b
Wikipedia

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
As rodopiantes tempestades de Saturno - Crédito: Cassini Imaging Team, SSI, JPL, ESA, NASA
Tempestades maiores que furacões continuamente pintam a atmosfera superior do planeta Saturno. Esta imagem de muitas tempestades ocorrendo em simultâneo foi capturada em Julho passado pela sonda robótica Cassini. Este alto detalhe foi possível na altura, pois a Cassini isolou uma cor muito específica da luz infravermelha polarizada. As inúmeras manchas brancas e escuras visíveis na imagem do lado são sistemas de tempestades. Em Saturno, tempestades como estas geralmente duram meses e já foram observadas fusões entre si. As bandas de nuvens que circulam todo o planeta são também visíveis, tal como o complexo sistema de anéis.
Ver imagem em alta-resolução
     
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  ESPAÇO ABERTO  
 

Observação astronómica, dia 12 de Novembro, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 11/10: 284º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1968, lançamento da Apollo 7, a primeira missão tripulada do programa Apollo.
Em 1984, a astronauta Kathryn D. Sullivan, da missão STS-41G, torna-se na primeira mulher a fazer um passeio espacial.
Em 2000, lançamento da missão STS-92 do vaivém Discovery.

Dia 12/10: 285º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, lançamento do Voskhod 1.
Em 1994, destruição da Magalhães na atmosfera de Vénus.
Observações: Este mês o grande Quadrado de Pégaso balança-se num canto no céu a Este ao anoitecer.

Dia 13/10: 286º dia do  calendário gregoriano.
História: Criação da Sociedade Interplanetária Britânica.
Lançamento da Cassini. Chegou a Saturno em Junho de 2004.
Observações: Observe, mais para baixo da Lua, a solitária Estrela de Outono, Fomalhaut (na constelação de Peixe Austral).

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
A sonda da ESA, CryoSat, lançada no passado Sábado, que tinha o objectivo de estudar as calotes polares da Terra e o aquecimento global, falhou o alvo de atingir órbita, e provavelmente caíu no Oceano Árctico.
 
 
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