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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 171
18 de Outubro de 2005
arrow O BERÇÁRIO DA DESTRUIÇÃO thingy

Os buracos negros são frequentemente considerados como rufias galácticos. Com um apetite infame por estrelas e caos, não são mais do que perigosos destruídores. Ou serão? Pela primeira vez, cientistas usando o Observatório de Raios-X da NASA, Chandra, testaram e provaram como o buraco negro no centro da Via Láctea está protegendo e alimentando um grupo de jovens estrelas.

"Muitos cientistas vão ficar bastante surpreendidos com estes resultados," disse o cientista do Chandra, Rashid Sunyaev.


Ilustração de artista do anel de estrelas em torno de Sagitário A*.
Crédito: NASA/CXC/M. Weiss
(clique na imagem para ver versão maior)

Com o nome Sagitário A* ("A-estrela"), o buraco negro aloja um anel de estrelas situado a um ano-luz do seu centro, uma distância relativamente pequena num sentido galáctico. Até agora, o porquê das estrelas orbitarem tão perigosamente perto do centro letal do buraco era um debate aceso entre os astrónomos.

Pensa-se que as estrelas se formem a partir de frias e escuras nuvens de gás flutuando pelo espaço. A ideia é que, a partir de um determinado ponto, a nuvem começa a colapsar devido à sua própria atracção gravitacional. À medida que a nuvem encolhe, a competição pelo espaço interior faz com que os átomos aqueçam o suficiente para se começarem a fundir. Este processo contínuo liberta luz e calor, e providencia pressão explosiva suficiente para interromper o colapso da nuvem e estabilizar a sua formação numa estrela.

Os buracos negros, por entre toda a confusão envolvente, não parecem de todo um lugar seguro para o desenvolvimento de estrelas. "Os buracos negros massivos são bem conhecidos pela sua violência e destruição," disse o líder do projecto, o cientista Sergei Nayakshin. De facto, os buracos negros nascem a partir da morte das estrelas, e têm uma terrível reputação de distorcer a gravidade e a luz ou de devorar algo que se aproxime deles. Em tal ambiente, as nuvens de gás que formam estrelas seriam despedaçadas devido às forças de maré do buraco negro, que esticam, alisam e aceleram a matéria com grande força. Dado o comportamento traiçoeiro do objecto, é uma grande surpresa saber que Sagitário A* tenha um lado maternal.

"Num dos locais mais inóspitos da Galáxia, as estrelas triunfaram," disse Nayakshin. "Parece que a formação estelar é muito mais persistente do que pensávamos."


O buraco negro Sagitário A* (SGR A*) encontra-se no centro da Via Láctea.
Crédito: NASA/CXC/MIT/F. K. Baganoff et al.
(clique na imagem para ver versão maior)

Navakshin e Sunyaev testaram um par de explicações para a habilidade de "porto seguro" do buraco negro. Numa possibilidade, conhecida como o "modelo de disco", a gravidade do denso disco de gás que rodeia Sagitário A* é forte o suficiente para deslocar as forças de maré do buraco negro. A segunda opção, "migração", sugere que as estrelas se formaram num enxame longe do seu local actual e foram atraídas até ao buraco negro. O cenário de migração prevê cerca de um milhão de estrelas de pequena massa em Sagitário A*. O modelo de disco, por outro lado, sugere que o número de estrelas possa ser bem menos que um milhão.

Para esclarecer qual das explicações é a mais plausível, os dois cientistas contaram as estrelas em torno do buraco negro. Estimaram o número de estrelas em Sagitário A* comparando a quantidade de raios-X à volta do buraco negro com a quantidade emitida pela Nebulosa de Orionte, conhecida por ter algumas milhares de estrelas. Os dois cientistas determinaram que o buraco negro contém cerca de 10,000 estrelas de pequena massa. O relativamente baixo número de estrelas põe de parte o modelo migratório de um milhão e oferece provas sólidas que suportam o conceito de disco protector.

"Podemos agora dizer que as estrelas em torno de Sagitário A* não foram ali depositadas por qualquer enxame estelar vagabundo. Ao invés, nasceram lá," disse Sunyaev.

Mais, crescer na dura vizinhança de um buraco negro parece até mudar as próprias estrelas. Apesar das difíceis redondezas, as estrelas nascidas nos discos em torno de buracos negros tendem a ser maiores e mais "massivas" que as estrelas livres e individuais.

Apesar da má reputação dos buracos negros, o Observatório de raios-X Chandra mostrou que existe também um lado bom destas maravilhas escuras da Natureza. Não só Sagitário A* está a provar ser um ambiente rico e estável para as estrelas crescerem devidamente, é também um lugar onde se podem desenvolver e atingir grandes massas.

Links:

Notícias relacionadas:
Press release do Observatório Chandra
Washington Post
Science Daily
Earthtimes.org
Scoopt.org
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve

Centro Galáctico:
Universidade do Illinois
Wikipedia
Observatório Chandra
Absolute Astronomy

Observatório Chandra:
Página oficial
Wikipedia

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arrow ESPECTACULAR RETRATO DE ANDRÓMEDA PELO SPITZER thingy


A nova imagem de M31 pelo Spitzer revela novas características do anel de formação estelar. Parece ter sido quebrado em dois, formando o buraco para baixo e para a direita. Estas características assimétricas podem ter sido causadas por interacções com galáxias-satélite em torno de Andrómeda.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Univ. do Arizona
(clique para ver versão maior; Nota: imagem bastante grande)

O Telescópio Espacial da NASA, Spitzer, capturou uma esplêndida imagem em infravermelho de M31, a famosa galáxia espiral também conhecida como Andrómeda.

Andrómeda é a galáxia mais estudada depois da Via Láctea, e mesmo assim os sensíveis olhos infravermelhos do Spitzer detectaram captivantes novas características, incluindo velhas e brilhantes estrelas, e um arco espiral no centro da galáxia. A imagem também revela um anel não-centrado de formação estelar e um buraco no disco espiral de braços da galáxia. Estas características assimétricas podem ter sido causadas por interacções com as várias galáxias-satélite que rodeiam Andrómeda.

"Ocasionalmente pequenas galáxias-satélite atravessam as maiores," disse o Dr. Karl Gordon do Observatório Steward, Universidade do Arizona, Tucson, principal investigador do novo observatório. "Parece que uma pequena galáxia criou um buraco no disco de Andrómeda, tal como um pequeno calhau quebra a superfície de um lago."

A aproximadamente 2.5 milhões de anos-luz de distância, Andrómeda é a mais próxima galáxia espiral e a única visível a olho nu. Ao contrário da nossa Via Láctea, que vemos de dentro, Andrómeda é estudada por fora. Os astrónomos acreditam que Andrómeda e a Via Láctea irão eventualmente fundir-se numa só.


Este novo mosaico é constituído por cerca de 11,000 imagens.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Univ. do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)

O Spitzer detecta poeira aquecida pelas estrelas na galáxia. O seu fotómetro multibanda de 24 micrómetros registou aproximadamente 11,000 fotos separadas no infravermelho ao longo de 18 horas para criar este novo mosaico. A resolução e sensibilidade do instrumento são dois dos grandes aperfeiçoamentos na tecnologia infravermelha, o que permite aos cientistas traçar as estruturas espirais em Andrómeda até um nível de detalhe sem precedentes.

"Em contraste com a regular aparência de Andrómeda em comprimentos de onda ópticos, a imagem do Spitzer revela um bojo nuclear bem definido e um sistema de braços espirais," disse a Dr. Susan Stolovy, co-investigadora do Centro Científico do Spitzer no Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena.

O bojo central da galáxia brilha na luz emitida devido à poeira aquecida por estrelas velhas e gigantes. Mesmo por fora do bojo, um sistema de braços espirais interiores podem ser observados, e por fora deste, um bem conhecido e proeminente anel de formação estelar.

Links:

Notícias relacionadas:
Press release do Spitzer
Universe Today
Space Ref
PhysOrg.com
Space.com

Galáxia de Andrómeda (M31):
SEDS.org
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial
Centro Espacial Spitzer
Wikipedia

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
O ambiente de Eta Carinae - Crédito: MSX, IPAC, NASA
Eta Car é uma estrela massiva, mas não é tão brilhante como costumava ser. Agora facilmente visível através de binóculos ou com um pequeno telescópio, Eta Carinae tem uma história de variabilidade espectacular. De facto, em Abril de 1843 Eta Car brevemente tornou-se na segunda estrela mais brilhante do céu nocturno (seguida apenas de Sirius), mesmo a uma distância de 7,500 anos-luz, 800 vezes mais longe que a estrela de Cão Maior. Rodeada por uma complexa nebulosa, Eta Carinae pode aqui ser observada no centro desta imagem infravermelha de cores falsas, construída usando dados do "Midcourse Space Experiment" (MSX). O satélite MSX mapeou o plano galáctico em 1996. Na imagem, os finos filamentos são nuvens de poeira brilhando em comprimentos de onda no infravermelho. Os astrónomos teorizam que a própria estrela Eta Car expluda numa supernova nos próximos milhões de anos. A gigante estrela foi considerada uma candidata a uma explosão de hipernova e uma potencial fonte de um futuro GRB.
Ver imagem em alta-resolução
     
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  ESPAÇO ABERTO  
 

Observação astronómica, dia 12 de Novembro, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 18/10: 291º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1959, a sonda soviética Luna 3 envia as primeiras fotos do outro lado da Lua.
Em 1967, a sonda soviética Venera 4 entra na atmosfera de Vénus.
Em 1989, a sonda Galileu era lançada a partir da missão STS-34.
Observações: A Lua brilha acima de Marte (a cerca de 7º).

Dia 19/10: 292º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1900, Max Planck entrega uma nova teoria quântica a Berliner Physikalische Gesellschaft. A sua teoria revoluciona a ciência.
Em 1983, a Academia Real Sueca atribui o prémio Nobel da Física ao professor Subrahmanyan Chandrasekhar da Universidade de Chicago, EUA, pelos seus estudos teóricos dos processos físicos da estrutura e evolução das estrelas. O Professor William A. Fowler, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, por outro lado, recebe também o prémio pelos seus estudos teóricos e experimentais das reacções nucleares da importância da formação dos elementos químicos no Universo.
Observações: Aproveite a noite para observar Marte, brilhando para a direita da Lua. O enxame aberto das Plêiades (M45) situa-se mesmo à esquerda da Lua.

Dia 20/10: 293º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Bem alta no céu a Nordeste durante estas noites está a famosa constelação de Cassiopeia. A sua forma de W está actualmente inclinada. Igualmente bem alto no céu a Este encontra-se o bem maior Quadrado de Pégaso, um dos outros sinais de Outono.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
O efeito de estufa que tanta gente negligencia, é um efeito real. Apesar de se encontrar muito mais distante do Sol que Mercúrio, Vénus, por ter uma atmosfera com uma composição contendo 96% de dióxido de carbono, apresenta uma temperatura que é na sua generalidade maior que a temperatura do lado iluminado de Mercúrio.
 
 
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