A ideia de que cometas e meteoritos poderão ter fornecido à Terra as sementes para criar vida ganhou um novo impulso com recentes observações de alguns desses blocos que flutuam através do cosmos.
Cientistas que observavam uma galáxia a 12 milhões de anos-luz de distância com o Telescópio Espacial Spitzer da NASA detectaram quantidades abundantes de hidrocarbonetos poliaromáticos azotados (HPA) (das quais as mais conhecidas são as porfirinas), moléculas que são críticas para a existência de todas as formas de vida conhecidas.

Um hidrocarboneto poliaromático azotado (HPA).
Crédito: NASA
Os HPA's transportam informação para o ADN e ARN e, por exemplo, são componentes importantes da hemoglobina, a molécula que transporta oxigénio através do corpo. Também fazem parte da clorofila e são os principais componentes da cafeína e do chocolate.
"Houve em tempos a presunção de que a vida teria toda ela sido desenvolvida na Terra, desde os compostos mais simples aos mais complexos," disse Doug Hudgins do Ames Research Center. "Descobrimos , no entanto, que algumas moléculas biologicamente muito interessantes podem ser formadas fora da Terra e serem trazidas para cá."
Embora os compostos orgânicos tenham vindo a ser descobertos em meteoritos, esta é a primeira evidência directa de moléculas orgânicas complexas com interesse biológico no espaço. Até agora as evidências parecem indicar que os HPA's são formados nos ventos de estrelas moribundas e espalhados por todo o espaço interestelar.
"Esta matéria contém os blocos fundamentais da vida e podemos agora afirmar que são abundantes em todo o espaço.," disse Hudgins. "E onde quer exista um planeta, sabemos que estas coisas estarão a chover sobre ele. Aconteceu aqui e acontecerá em qualquer outro lado."
Usando o Telescópio Espacial Spitzer, Hudgins e os seus colegas detectaram a presença destes compostos na galáxia M81.

Galáxia M81
Crédito: NASA
"Havia algumas irregularidades no espectro de M81 que não conseguíamos explicar," disse Hudgins. Os investigadores compararam os registos com as impressões digitais no infravermelho de alguns compostos conhecidos, o que os levou a concluir que os hidrocarbonetos eram azotados.
Os HPA's não são os primeiros blocos a ser descobertos no espaço, porque também já foram descobertos aminoácidos na cauda dos cometas e os meteoritos descobertos na Antárctida também possuíam aminoácidos e HPA's.
"Isto diz-nos, no entanto, que moléculas que vemos no espaço podem resistir ao meio interestelar e serem depositados com sucesso na superfície de um planeta," disse Hudgins.
Embora agora se saiba que os HPA's são abundantes, segundo Hudgins, isto não prova que a vida tenha origens extraterrestres.
"Isto não prova que foram usadas, mas que é uma presunção aceitável," disse Hudgins. "Estiveram presentes no início dos tempos e poderão ter sido úteis para o aparecimento da primeira forma de vida."
Os resultados foram publicados na revista Astrophysical Journal de 10 de Outubro. |