Olhe para Este durante estas noites e verá uma grande e amarelo-avermelhada "estrela" brilhando muito mais que qualquer outra. É o planeta Marte, e está passando bem perto da Terra durante os finais de Outubro e princípios de Novembro. Qualquer pessoa pode observá-lo - não interessa se sabe muito ou pouco acerca das estrelas ou quão poluído pela luz está o seu céu.
Procure Marte brilhando bem baixo a Este depois das 20:00. Em Novembro, poderá vê-lo no lusco-fusco, por volta das 18:00. Mais tarde, Marte sobe no céu para uma posição de observação bem mais confortável e desloca-se para Sudeste. Não existe nada no céu tão brilhante como Marte, por isso não poderá haver qualquer confusão.
Marte fará a sua maior aproximação da Terra na noite de 29-30 de Outubro, passando a 69.4 milhões de quilómetros do nosso planeta por volta das 04:00 (hora de Lisboa) do dia 30. No entanto, Marte já parece tão grande e brilhante e assim continuará mais duas semanas depois dessa data.
Marte encontrar-se-á em oposição (na posição oposta à do Sol em relação à Terra) a 7 de Novembro. Isto significa que nasce ao pôr-do-Sol, é visível a noite toda, e põe-se ao pôr-do-Sol.

O planeta Marte estará o mais próximo da Terra na sua órbita na noite de 29-30 de Outubro.
Crédito: Paulo Casquinha
Esta é a maior aproximação de Marte desde o recorde passado de Agosto de 2003. Nessa altura passou a uma distância de apenas 55.8 milhões de quilómetros, o máximo em quase 60,000 anos. Mas para os astrónomos amadores, o presente é ainda uma altura muito especial. O planeta irá alcançar um diâmetro aparente de 20.2 arco-segundos, oferecendo uma visão rara e detalhada da sua superfície, em comparação com os 25.1 arco-segundos de Agosto de 2003 e os 15.9 arco-segundos da próxima passagem de Marte, em Dezembro de 2007.
De facto, será só no Verão de 2018 que Marte estará tão próximo da Terra como se encontra agora (esta frase permanece verdadeira até meados de Novembro).
Mais, este ano os observadores em latitudes da Europa e América do Norte têm uma grande vantagem que não tiveram em 2003. Nesse ano Marte estava bem para Sul no céu e nunca chegou a estar alto para os observadores a latitudes médias Norte. Mas agora Marte está mais para Norte e sobe bem alto durante a noite, o que proporciona uma visão mais limpa e detalhada num telescópio através da atmosfera da Terra.
Dicas para observação
Por mais boas que sejam as condições de Outono, os detalhes da superfície de Marte são sempre um alvo difícil. Para começar, Marte tem apenas metade do tamanho da Terra. Mesmo na sua aproximação máxima, mesmo com grandes ampliações, irá aparecer surpreendentemente pequeno, apenas uma bola brilhante com algumas marcas escuras subtis, possivelmente nuvens brancas nos limites, e talvez um pequeno resto da branca Calote Polar Sul, encolhida devido ao calor do verão marciano. As áreas amarelas mais brilhantes são desertos cobertos por fina poeira espalhada pelo vento. As marcas mais escuras são terrenos que contêm áreas mais rochosas ou areia e poeira mais escura. Marte completa uma rotação a cada 24 horas e meia, por isso pode ver diferenças na sua rotação em apenas uma hora ou duas de observação.

Imagem de Marte, registada a 8 de Outubro.
Crédito: Nelson Viegas e Eva Santos, Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Para ver muitos detalhes em Marte, algumas coisas têm que estar a funcionar a seu favor. Precisará de pelo menos um telescópio moderadamente grande com ópticas de alta-qualidade. Também será necessário esperar que Marte suba bem alto no céu, bem acima das espessas camadas da atmosfera da Terra perto do horizonte. Mais, as condições atmosféricas têm que ser boas. Ou seja, aquele "tremelicar" ou oscilação da imagem em grandes ampliações telescópicas devido a pequenas ondas de calor tem que ser mínimo. Este último factor varia de noite para noite e por vezes de momento para momento.
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Como ver Marte (PDF, via SPACE.com)
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Como fotografar Marte (PDF, via SPACE.com)
Marte:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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