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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 174
28 de Outubro de 2005
arrow AFINAL MARTE TAMBÉM TEM MOVIMENTOS TECTÓNICOS thingy

No momento em que Marte se encontra mais próximo da Terra, constituindo um encanto para os observadores que só se repetirá em 2018, a NASA acaba de publicar um novo mapa do campo magnético de Marte que sugere que este planeta terá sido muito mais parecido com a Terra do que inicialmente pensado, tendo havido movimentos da crusta semelhantes aos que ocorrem na Terra.

O mapa foi montado a partir das observações do campo magnético feitas pela sonda Mars Global Surveyor (MGS) da NASA. O mapa revela que a superfície deste planeta terá sido moldada da mesma forma que a da Terra (por gigantescas placas tectónicas separando-se ou chocando umas contra as outras).

Tendo completado a 12 de Setembro 8 anos de actividade sobre Marte, a MGS, que é a mais antiga sonda em funcionamento no Planeta Vermelho, tem fornecido alguns fragmentos desta actividade tectónica em particular numa região do hemisfério Sul do planeta.

Este novo mapa é baseado em quatro anos de actividade e cobre todo o planeta, criando a evidência de que algumas das maiores estruturas de Marte, como os Vulcões de Tharis e Valles Marineris, terão sido formadas pelo mesmo tipo de processos que formaram as ilhas do Havai e o Grand Canyon na Terra. 


Mapa do campo magnético de Marte observado pelo Mars Global Surveyor a uma altitude nominal de 400 km.
As bandas azuis e vermelhas representam regiões com orientações opostas do campo, sendo a intensidade do campo
tanto maior quanto mais escura for a região. Para revelar a localização das bandas estas foram sobrepostas num
mapa topográfico de relevo obtido com o instrumento Mars Observer Laser Altimeter.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

As placas tectónicas assentam no topo de uma camada de rocha fundida chamada Manto e quando há formação de placa, a rocha fundida que emerge do manto gera um padrão de bandas magnéticas que é resultado da magnetização a quente dos materiais ferromagnéticos em função da orientação do campo magnético do planeta.

Na Terra, o campo magnético inverte-se à escala do milhão de anos, pelo que o magma que emerge dos riftes pode ter orientação inversa daquele que lhe está adjacente. Estas bandas de orientação magnética inversa constituem não só a prova de uma actividade tectónica intensa, mas também de um campo magnético forte. Esta actividade que se encontra disseminada na Terra, em particular na Grande Dorsal Atlântica, nunca havia sido confirmada em Marte até este estudo recente.

Segundo Norman Ness do Bartol Research Institute da Universidade de Delaware: "Embora houvesse dados mais antigos que indicavam bandas magnéticas numa pequena região, estes dados revelam que elas se encontram disseminadas pela superfície do planeta. Ainda mais importante ainda, o novo mapa mostra falhas transformantes, uma estrutura típica do movimento tectónico a partir das dorsais na Terra."


Terra ou Marte: As semelhanças entre a Terra e Marte serão mais que simplesmente
as das imagens
acima, em que a da esquerda é de Marrocos e a da direita da Colina do Marido em Marte.
Crédito: Filipe Alves, Mars Exploration Rover Mission , JPL , NASA

(clique na imagem para ver versão maior)

Confirmando-se que Marte sofreu de facto fenómenos de tectónica em algum ponto da sua história, poderão ser explicados alguns dos mistérios da geologia de Marte. Os vulcões de Tharsis (que incluem o maior vulcão do Sistema Solar, Monte Olimpo) alinham-se em linha recta mas até agora os cientistas não sabiam porquê. As observações do novo mapa tornam plausível a possibilidade de que tenham sido formados devido ao movimento da placa da crusta sobre um hotspot do manto, da mesma forma que têm sido formadas as ilhas do Hawaii.

Valles Marineris é um canyon seis vezes mais comprido e oito vezes mais profundo que o Grand Canyon. Tem mais de 4000 km de comprimento, 200 km de largura e aproximadamente 10 km de profundidade. As suas características parecem as de placas tectónicas a serem rasgadas e separadas uma da outra, e o padrão das bandas está orientado da forma que os cientistas esperariam prevendo o movimento das placas.

"Isto não é por certo uma análise geológica exaustiva ," disse Mario Acuña, investigador principal da investigação do campo magnético feita pela Mars Global Surveyor no Goddard Space Flight Center. "No entanto, a tectónica de placas dá-nos uma explicação consistente para muitas das estruturas mais proeminentes da superfície de Marte."

A investigação foi detalhada na revista The Proceedings of the National Academy of Science publicada em 10 de Outubro de 2005

Links:

Artigo em The Proceedings of the National Academy of Science:
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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Galáxia Anular AM 0644-741 -Crédito: Hubble Heritage Team ( AURA / STScI ) ESA , NASA
A galáxia anular da imagem é uma imensa estrutura de 150,000 anos-luz de diâmetro composta por estrelas jovens. Esta galáxia situada, a 300 milhões de anos-luz da Terra, é conhecida como a Galáxia do Anel e foi causada por uma imensa colisão. Quando duas galáxias colidem, passam através uma da outra, e embora as suas estrelas raramente choquem umas com as outras, ocorrem grandes perturbações do meio interestelar que originam a formação de núcleos densos que dão origem a novas estrelas. A perturbação dá-se a partir do ponto onde a galáxia mais pequena terá penetrado a maior, propagando-se a seguir como uma onda material a partir do ponto de impacto, o que explica o anel de estrelas extremamente jovens que se vai propagando.
Ver imagem em alta-resolução
     
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  ESPAÇO ABERTO  
 

Observação astronómica, dia 12 de Novembro, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 28/10: 301º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1971 a Grã-Bretanha lança o seu primeiro satélite.
Em 1974, lançamento do Luna 23 .
Observações: A estrela mais brilhante do lado oeste do céu nocturno é Vega na constelação de Lira. Talvez seja o pretexto para num local escuro tentar ainda observar M57.

Dia 29/10: 302º dia do calendário gregoriano.
História:  Em 1998 o Space Shuttle Discovery partia para o espaço levando a bordo o astronauta John Glenn de 77 anos. Glenn, que fora o primeiro norte-americano a orbitar a Terra em 1962, tornou-se deste modo a pessoa mais velha a alguma vez ter estado no espaço.
Observações: Os objectos zenitais do Verão estão agora a ficar baixos. Aproveite para os observar.

Dia 30/10: 303º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Esta madrugada entra-se oficialmente na hora de Inverno. Às 02h00 do Continente e Madeira e à 01h00 dos Açores os relógios deverão ser atrasados 60 minutos, passando para a 01h00 e 00h00, respectivamente.
Às 04h00 (hora local) Marte está a 69,418,000 de quilómetros da Terra. Isto não é tão próximo como a sua maior aproximação histórica em 2003, mas muito mais próximo que a sua média. A oposição é a 7 de Novembro.

Dia 31/10: 304º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1998 era lançada a sonda Deep Space 1 na sua missão de estudo de asteróides/cometas.
Observações: A geometria da órbita da Terra será nos próximos 15 dias (até que a Lua interfira) favorável à observação da luz zodiacal imediatamente após o pôr-do-sol .

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Vénus, com uma temperatura média de cerca de 480ºC, é a maior prova do efeito de estufa que pode ser provocado pelas emissões de CO2.
 
 
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