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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 175
1 de Novembro de 2005
arrow DUAS NOVAS LUAS DESCOBERTAS EM TORNO DE PLUTÃO thingy

Duas pequenas luas foram descobertas em órbita de Plutão, que acumula um total de três satélites conhecidos e que deixa os cientistas confusos sobre como é que isto pode ser.

As recém-descobertas luas orbitam a 44,000 km de Plutão, mais do dobro da distância de Caronte, o outro satélite de Plutão. São 5,000 vezes mais ténues que Caronte.


Ilustração de artista que mostra o sistema de Plutão, visto a partir da superfície de uma das candidatas a lua. Plutão é o maior disco quase ao centro. Caronte, a única lua confirmada do sistema, é o disco mais pequeno para a sua direita. A outra lua candidata é o ponto brilhante bem para a esquerda de Plutão.
Crédito: NASA, ESA, e G. Bacon (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)

Observações preliminares sugerem que se encontram em órbitas circulares em torno de Plutão e no mesmo plano que Caronte, disse Hal Weaver do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins.

"Isto sugere que se formaram provavelmente ao mesmo tempo que Caronte," disse Weaver.

Embora os cientistas tenham previsto haver mais luas, a nova configuração é no entanto surpreendente, em parte devido a Plutão ser mais pequeno que a nossa própria Lua.

"É quase como um mini Sistema Solar," disse Weaver. "Como pode uma coisa com cerca de 70% do tamanho da Lua da Terra ter todos estes satélites? Como pode isto acontecer? Vamos ter que explicar isto."

A principal teoria para a formação de Caronte envolve um grande objecto que colide com Plutão. Os detritos dessa colisão poderão ter formado as duas luas mais pequenas, especula Weaver. Não pode ser posta de parte a hipótese de terem sido capturados, mas isso parece muito improvável, disse.

As duas novas luas medem entre 45 e 160 km de diâmetro, disse Weaver. No entanto, não existem ainda dados suficientes para estabelecer com precisão os seus tamanhos exactos. Plutão tem 2300 km de diâmetro e Caronte cerca de 1175.

As luas foram descobertas usando o Telescópio Espacial Hubble.


Imagens do Telescópio Espacial Hubble, revelam Plutão, a grande lua Caronte, e os dois novos satélites candidatos. Entre dia 15 e 18 de Maio, Caronte e potenciais luas, provisionamente designadas P1 e P2, parecem orbitar Plutão no sentido contrário aos dos ponteiros do relógio.
Crédito: NASA, ESA, H. Weaver (JHU/APL), A. Stern (SwRI), e equipa de pesquisa companheira de Plutão do Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)

A descoberta representa mais uma peça do cada vez mais complexo puzzle do Sistema Solar exterior, um lugar onde os astrónomos procuram pistas com o objectivo de melhor compreender como foi tudo formado há 4.5 mil milhões de anos atrás, em conjunto com o nascimento do Sol.

Ultimamente, tantos objectos têm sido descobertos em muitas configurações, que os astrónomos nem conseguem concordar no que os chamar.

Embora popularmente considerado um planeta, Plutão é agora visto pela maioria dos astrónomos como um membro da Cintura de Kuiper, uma vasto oceano de mundos gelados para lá de Neptuno que não tinha ainda sido descoberto aquando da própria descoberta de Plutão há 75 anos atrás. A região inclui outros objectos redondos com luas, e um recentemente descoberto ainda maior que Plutão.

Por agora, Plutão é o único objecto da Cintura de Kuiper que se sabe ter mais que um companheiro.

"Os nossos resultados sugerem que os outros corpos da Cintura de Kuiper possam também ter mais que uma lua," disse o co-líder da equipa, Alan Stern, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, Colorado.

Stern lidera a missão New Horizons até Plutão e até à Cintura de Kuiper, com lançamento previsto para o princípio do ano que vem (deverá alcançar Plutão em 2015). Já há muito que previa outras luas em torno de Plutão.

Até poderá haver mais luas por descobrir, mas serão bem pequenas.

Estas imagens do Hubble representam a pesquisa mais sensível jamais feita para objectos em torno de Plutão, disse o membro da equipa, Andrew Steffl do Instituto de Pesquisa do Sudoeste, "e é improvável que existam outras luas com mais de 20 km em torno do sistema de Plutão."

O projecto caçador de luas foi recusado algumas vezes pelo planeadores do Hubble e levou anos a ser aprovado, e mesmo assim só depois de um instrumento ter falhado no Hubble o ano passado é que os líderes do projecto adicionaram programas de observação anteriormente recusados para preencher o calendário.

Para o Hubble, esta foi fácil.


Na imagem de curta exposição (esquerda), tirada a 11 de Junho de 2002, as candidatas a luas não podem ser observadas. Tempos de exposição mais longo furam usados para construír as restantes duas imagens.
Crédito: NASA, ESA, H. Weaver (JHU/APL), A. Stern (SwRI), e equipa de pesquisa companheira de Plutão do Hubble

Ao contrário de muitos outros projectos de observação que requerem algumas órbitas do Hubble - regularmente 15 ou mais, e por vezes até muitas dúzias - a equipa de Weaver necessitava de apenas duas órbitas. Na primeira parte das observações avistaram os dois pontos de luz, na segunda órbita encontraram-nos outra vez e quiseram certificar-se que se moviam contra as estrelas de fundo de estrelas relativamente fixas.

As supostas luas têm magnitude 23, demasiado ténues para serem observadas com um típico telescópio amador, mas "relativamente fácil de observar com o Hubble," disse Weaver.

Posteriormente os astrónomos foram buscar antigas observações do Hubble, feitas pelo colega Marc Buie do Observatório Lowell, para ver se os mesmos objectos já tinham sido observados antes.

Weaver disse que têm praticamente a certeza absoluta de terem localizado as luas nas fotos de arquivo, e a combinação dos dados é o que sugere as órbitas circulares das luas no mesmo do plano da de Caronte.

Mais observações com o Hubble estão planeadas para Fevereiro de modo a confirmar as descobertas e a determinar com mais precisão as suas órbitas.

As luas estão catalogadas como S/2005 P1 e S/2005 P2 por agora. Uma vez que sejam confirmadas, os descobridores irão sugerir nomes, para serem então aprovados pela União Astronómica Internacional.

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Notícias relacionadas:
NASA
Nature
HubbleSite
Spaceflight Now
Universe Today
ABC News
Slashdot
Reuters
Science Daily
MSNBC
CBS News
CNN
SpaceRef
Sky & Telescope

Plutão:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia
S/2005 P1 - Wikipedia
S/2005 P2 - Wikipedia

New Horizons:
Página oficial
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia

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arrow CINCO ANOS DE PRESENÇA HUMANA NA ISS thingy

No dia 2 de Novembro, a Estação Espacial Internacional celebra o seu quinto aniversário como veículo espacial habituado.


Esta foto foi tirada pouco depois do vaivém espacial Discovery se ter libertado durante a missão STS-114.
Crédito: NASA

(clique na imagem para ver versão maior)

Desde que a missão Expedition 1 chegou ao local a 2 de Novembro de 2000, a estação espacial cresceu e evoluiu num complexo, sem precedentes, laboratório topo-de-gama. Oferecendo um ambiente em microgravidade que não pode ser duplicado na Terra, a estação espacial continua a expandir o conhecimento científico da Humanidade, e como o corpo humano funciona durante extensos períodos de tempo no espaço - todos dos quais serão vitais para missões de longa duração até Marte.

"Dá-nos acesso único ao ambiente espacial, onde esperamos fazer pesquisas muito interessantes e produtivas, mas realmente significa que desenvolvemos muitas das capacidades e tecnologia que nos permitirá ir além do nosso planeta," disse o Comandante da Expedition 1, Bill Sheperd, acerca da estação espacial. "Sendo assim, se não tivermos este progresso com esta estação espacial, isso significa que os humanos no espaço estão destinados a ficar bem perto da Terra -- e penso que não é isso que queremos."

Até à data, 89 investigações científicas foram levadas a cabo na estação espacial e mais descobertas estão para chegar. Novos resultados de pesquisas iniciais na estação espacial, que variam desde ciência básica até pesquisa de exploração, têm vindo a ser publicadas todos os meses.

Por exemplo, fizeram-se grandes avanços numa melhor compreensão da perda de estrutura óssea dos membros da tripulação enquanto em órbita, e onde nos ossos esta perda está a ocorrer. Também foi levada a cabo uma completa caracterização do estudo do ambiente de radiação na estação espacial, com a avaliação de modelos de protecção de radiação pela estrutura da estação.


O astronauta Mike Fincke, da Expedition 9, participa no terceiro de 4 passeios espaciais, durante a sua missão de seis meses.
Crédito: NASA
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Tudo, desde hábitos de alimentação e deficiências nutricionais, tem sido estudado de modo a ver como se relacionam com os efeitos psicológicos de estar em microgravidade. Novos usos de equipamento médico de ultrasons como ferramenta de diagnóstico e soldadura no espaço para reparar potenciais estragos de hardware também têm sido testados na ISS. E isto é apenas uma fracção dos estudos conduzidos até agora.

O Engenheiro de Voo da Expedition 9, Mike Fincke, que teve a oportunidade de trabalhar com o Diagnóstico Avançado de Ultrasons e a Soldadura no Espaço enquanto se encontrava na Estação Espacial, acredita que muitos "desconhecidos" podem ser resolvidos durante as expedições.

"A Estação Espacial Internacional é o local perfeito para aperfeiçoar a tecnologia, para aperfeiçoar o tempo operacional, os parâmetros operacionais que precisamos para fazer com sucesso aquelas missões de longa-duração," disse Fincke.

Devido ao acidente com o vaivém Columbia a 1 de Fevereiro de 2003, a estação espacial teve que se tornar numa máquina de pesquisa mais eficiente. As tripulações foram limitadas a duas pessoas, e as experiências e mantimentos tiveram que ser transportados para o posto orbital usando ou a nave russa Soyuz ou a Progress.


Esta imagem do horizonte da Terra à medida que o Sol se põe no Oceano Pacífico foi tirada por um tripulante da Expedition 7 a bordo da ISS.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

No entanto, o que poderia ter sido um problema para o programa revelou-se uma ferramenta de aprendizagem única. As futuras viagens a Marte poderão levar anos a completar, com poucas ou nenhumas oportunidades de refornecimento, bem como espaço de carga limitado. As técnicas de reparação que estão a ser aperfeiçoadas poderão ser usadas nas missões de longa-duração. As lições retiradas da ISS durante este período de maior eficácia irão ajudar no planeamento futuro das missões a Marte.

À medida que a estação espacial servia como laboratório científico, também deu às tripulações algo bem mais importante - um lar longe do lar na Terra. Durante o próximo aniversário de cinco anos, a estação será o lar da sua décima segunda tripulação, a Expedition 12. Dentro da "casa" ultra-moderna, 15 Americanos e 14 Russos viveram e trabalharam a bordo da estação espacial.

Dentro do volume habitável de 435 metros cúbicos, mais espaço do que uma casa convencional com três quartos, a estação espacial contém muitos dos confortos que encontramos na Terra. Existe um "ginásio", e até um teclado musical mesmo ao lado das instalações de pesquisa. Os feriados são respeitados, e também as comidas tradicionais.


A tripulação da Expedition 5 a bordo da ISS conseguiu observar a espectacular erupção do Monte Etna, que detalha a pluma de erupção e o fumo dos fogos despoletados pela lava à medida que descia pela encosta.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

Uma coisa que torna a estação espacial tão distinta é a experiência que proporciona às tripulações que visitam o complexo orbital. Ao fim de meses de estabelecer uma "rotina" a bordo da estação, os tripulantes nunca esquecem quão especial é o estar onde estão.

"Claro, esta 'rotina' tem lugar no ambiente romântico do espaço," escreveu a Engenheira de Voo da Expedition 5, Peggy Whitson, na sua décima terceira carta à família a partir da estação. "O estar aqui, viver aqui, é algo que muito provavelmente irei gastar o resto da minha vida na busca de palavras adequadas para tentar descrever apenas uma fracção do que faz os nossos esforços no espaço serem tão especiais e essenciais."

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Notícias relacionadas:
News Scientist
Space.com
Reuters
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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Noite escura e tempestuosa - Crédito: T. Credner & S. Kohle, AlltheSky.com
Era uma noite escura e tempestuosa. Mas a 29 de Agosto de 2003 o vermelho planeta Marte, perto da sua maior aproximação com a Terra em quase 60,000 anos, brilhou no céu contra um fundo de estrelas na constelação de Aquário. Na imagem podem ser observadas grandes e assustadoras nuvens, iluminadas pelos relâmpagos no seu interior. Marte, claro, não tem nada a ver com as tempestades na Terra, embora ambos tenham o poder de excitar a imaginação e curiosidade dos habitantes deste Planeta Azul. No passado dia 30, na noite anterior ao Dia Das Bruxas, Marte passou também bastante perto da Terra, mais perto do que passará durante os próximos 13 anos. E uma vez mais, Marte deu ares da sua graça (assim continuará durante mais duas semanas), embora bem mais pequeno e ténue que a Lua ou até Vénus.
Ver imagem em alta-resolução
     
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  ESPAÇO ABERTO  
 

Observação astronómica, dia 12 de Novembro, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 01/11: 305º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1962, as comunicações com a sonda soviética Mars 1 falham.
Em 1977, Charles Kowal descobre Chiron, o primeiro de uma população de pequenos objectos gelados, conhecida como a Nuvem de Oort e a Cintura de Kuiper, que reside no Sistema Solar exterior.
Observações: Aproveite a noite para observar Marte, que durante mais umas duas semanas ainda permanecerá bem brilhante.

Dia 02/11: 306º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, nascimento de Harlow Shapley, pioneiro americano na determinação da distância das estrelas, enxames e do centro da Via Láctea. Corajosamente e correctamente afirmava que os enxames globulares se encontravam à volta da Galáxia, e que esta era muito maior do que inicialmente se pensava, centrada a milhares de anos-luz na direcção de Sagitário. Foi director do Observatório de Harvard durante muitos anos.
Em 1917, inauguração do telescópio de 100 polegadas do Monte Wilson.
Observações: Lua Nova, exactamente à 01:25.

Dia 03/11: 307º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1957, primeira forma de vida e morte terrestre no espaço: a cadela Laika é lançada a bordo do soviético Sputnik 2 e depois de uma semana em órbita morre.
Em 1973 era lançada a Mariner 10. Chegou a Vénus a 5 de Fevereiro de 1974, maior aproximação a 5700 km. Devolveu imagens do topo das nuvens venusianas.
Observações: Vénus e Mercúrio estão ambos nas suas maiores elongações, 47º e 27º Este do Sol, respectivamente, baixos no céu ao pôr-do-Sol.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
A sonda europeia Venus Express, depois de ter visto o seu lançamento adiado devido a problemas com um dos foguetes russos, tem finalmente uma nova data de lançamento: 9 de Novembro.
 
 
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