Algumas das imagens mais belas do espaço provêm das superfícies coloridas de gigantescas nuvens de gás chamadas nebulosas. Mas o que as torma belas constitui o maior óbice à sua compreensão: as imagens do visível apenas mostram a superfície da nebulosa, não permitindo a observação do interior.

Imagem no infravermelho próximo de L1448 que mostra o recentemente descoberto "brilho da nuvem".
Os rastos vermelhos são jactos das estrelas jovens recentemente formadas.
Crédito: OBservatório de Calar Alto/J. Foster & A. Goodman (CfA)
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Os astrónomos utilizam telescópios no infravermelho para ver através da poeira para encontrar pistas de embriões de estrelas no interior das estrelas.
Uma nova técnica veio agora contribuir com uma nova visão, revelando aspectos das nuvens escuras que até agora pareciam não emitir qualquer brilho.O processo utiliza detectores de infravermelho que detectam a radiação oriunda de outras estrelas que é reflectida pela superfície de nuvens que de outro modo parecem escuras.
Os astrónomos chamaram à luz que estão a receber "cloudshine" (em português, brilho da nuvem) relacionando-a com o brilho das nuvens na Lua Nova que é devida à iluminação das cidades. Afirmam que este método lhes permitirá conhecer melhor a estrutura das nuvens.
"Outros astrónomos têm pistas do "brilho da nuvem", mas as nossas imagens são as que têm a evidência mais espectacular da existência desse brlho até hoje", disse Alyssa Goodman do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics.
"Podemos agora ver a estrutura de regiões gigantes de formação estelar com um amplo varrimento com uma resolução 50 vezes melhor que anteriormente," disse Goodman. "Esta técnica vai revolucionar a forma de mapear os locais de formação estelar."

A imagem de L1448e a nuvem escura a que está associada
Crédito: Calar Alto Observatory/J. Foster & A. Goodman (CfA)
"Imagens como esta dão aos astrónomos uma nova visão para o interior dos gigantescos complexos gasosos, permitindo ver como a distribuição de gás e poeiras realmente ocorre," disse Jonathan Foster, um estudante da Universidade de Harvard que é o primeiro autor do artigo com os resultados que foi anunciado na semana passada.
As imagens foram tiradas com a câmara OMEGA 2000 do Observatório de Calar Alto em Espanha, fazendo parte do varrimento COMPLETE das regiões de formação estelar.
Links:
Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (Press Release):
http://cfa-www.harvard.edu/press/pr0534.html
Astrophysical Journal Letters
(Abstract da descoberta):
http://arxiv.org/abs/astro-ph/0510624
Abstract de proposta sobre a teoria do "brilho da nuvem":
http://arxiv.org/abs/astro-ph/0510600 |