Quando a maioria das pessoas ouve nos meios de comunicação social que se aproxima uma chuva de meteoros, provavelmente a sua primeira impressão é a de um céu coberto de estrelas cadentes, caíndo como chuva. Tais tempestades meteóricas têm de facto ocorrido com as Leónidas de Novembro, tais como as de 1833 ou 1966, quando o número de meteoros alcançou as dezenas de milhares por hora.
Em anos mais recentes, nomedamente em 1999, 2001 e 2002, tiveram lugar espectáculos menores de Léonidas, de até alguns milhares de meteoros por hora.
Estas Leónidas recentes - e a sua antecipação - estão ainda frescas nas mentes de muitos. Por isso é importante realçar aqui que qualquer sugestão de um espectáculo de meteoros em 2005 é, em termos moderados, é demasiado optimista.

Leónida de 1998.
Crédito: Lorenzo Lovato
(clique na imagem para ver versão maior)
De facto, as Leónidas deste ano, tendo o seu pico na manhã de 17 de Novembro, serão provavelmente um grande desapontamento, em parte devido à esperada falta de actividade significativa, mas também devido à Lua, que já terá passado a sua fase Cheia, inundar o céu com a sua brilhante luz.
As Leónidas são assim chamadas devido ao ponto do radiante da chuva, de onde os meteoros parecem "saír", estar localizado na constelação de Leão. Estes meteoros são causados pelo cometa Tempel-Tuttle, que passa pelo Sistema Solar interior a cada 33 anos. De cada vez que o cometa passa mais perto do Sol, deixa uma corrente de detritos para trás. Uma tempestade de meteoros torna-se possível se a Terra passar directamente pela corrente fresca de entulho ejectado pelo cometa nos últimos duzentos anos.
Espera-se que as Leónidas de 2005 sejam de baixa actividade este ano, com apenas um possível encontro com a corrente.
O cientista russo, Mikhail Maslov, aponta para uma antiga corrente de partículas já muito perturbada, que foi ejectada pelo cometa Tempel-Tuttle no ano de 1167 e prevê que a Terra por lá passe este ano. Maslov foi o primeiro a apontar este possível encontro, e desde aí outros pesquisadores já o confirmaram. Este encontro espera-se que ocorra no dia 21 de Novembro, pelas 01:00 GMT, o que coloca a Europa, África, e partes Oeste da Ásia na melhor posição para observar qualquer actividade que ocorra. Os números, no entanto, serão ainda baixos, provavelmente na ordem de uma dúzia de meteoros por hora ou menos. E isto é ainda sem contar com o factor da interferência da Lua.
Como já foi previamente dito, o pico "tradicional" das Leónidas está previsto para as horas da madrugada do dia 17. Mas a Lua quase cheia não andará muito longe, brilhando na constelação de Touro, o que torna as observações bem difíceis.
Observar uma chuva de meteoros consiste em sentar-se confortavelmente, olhando para o céu . . . e esperar.
Em adição à brilhante Lua iluminando o céu, tenha em conta a poluição luminosa ou quaisquer obstruções, como edifícios ou árvores, que poderão ainda mais reduzir a sua experiência de observação meteórica.
Leão só começa a ser bem visível por volta das 4 da manhã, por isso essa será a melhor altura para se concentrar em observar Leónidas. Também, devido às Leónidas se moverem na sua órbita em torno do Sol na direcção oposta à da Terra, colidem na atmosfera quase de frente, resultando nas estrelas cadentes mais rápidas: 72 km/s. Tais velocidades tendem a produzir meteoros brilhantes, deixando para trás riscos que permanecem algum tempo no céu ou até "comboios de vapor".
Mesmo assim... uma poderosa Leónida pode ser bem espectacular e brilhante o suficiente para atraír atenção mesmo com o brilho da Lua. Mas tais meteoros deverão ser muito provavelmente nulos este ano.
Resumindo e concluindo: se planeia passar a madrugada de 17 de Novembro ao relento, com um céu iluminado pela Lua e as baixas hipóteses de apanhar um vislumbre de apenas algumas Leónidas, deveria ganhar um prémio pela sua perseverança. Boa sorte!
Links:
Leónidas:
C&MS
Wikipedia
Animação do percurso da Terra em relação à corrente de detritos (Quicktime) |