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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 181
22 de Novembro de 2005
arrow HAYABUSA FALHA ATERRAGEM thingy


O asteróide Itokawa. Ninguém sabe o porquê de não existirem crateras de impacto, embora existam duas teorias.
Crédito: ISAS/JAXA

A sonda japonesa Hayabusa sofreu mais outro revés no Domingo passado, ao falhar a aterragem no asteróide Itokawa e capturar poeira da sua superfície.

Depois de se aproximar a alguns metros do asteróide com 500 metros de diâmetro, a sonda sofreu uma avaria e perdeu temporariamente o contacto com a Terra. Quando a ligação de comunicações foi re-estabelecida, algumas horas depois, a sonda tinha-se afastado demais do seu alvo.

"Até agora, o resultado da primeira tentativa de amostragem é algo incerto," diz Kazuya Yoshida, membro da equipa da missão, da Universidade Tohoku. "Mas é menos provável que a aterragem foi levada a cabo como se esperava."

Pensa-se que a sonda tenha enviado com sucesso um "marcador de alvo" - uma pequena bola de metal - no Itokawa, tendo-o libertado a uma distância de 40 metros. A bola de metal destina-se a ajudar a identificar o ponto onde a sonda deveria brevemente aterrar, antes de disparar chumbos para a superfície e recolher a poeira resultante. O plano era enviar de volta para a Terra as primeiras amostras de um asteróide.


A Hayabuse libertou com sucesso um marcador, visto aqui dirigindo-se na direcção do asteróide Itokawa.
Crédito: JAXA

Depois de lançar o marcador, a sonda moveu-se até 17 metros da superfície do asteróide às 20:30 GMT de Domingo, em preparação para a aterragem. Mas a Hayabusa sofreu uma avaria que a deixou incapaz de confirmar a sua altitude, tendo perdido também o contacto com a Terra. Estes problemas podem ter sido causados por um sobreaquecimento nos instrumentos a bordo, e os membros da missão estão agora a fazer testes para ver se ainda estão a trabalhar. A sonda resumiu a transmissão às 00:30 GMT de ontem mas nessa altura já se tinha afastado muito do asteróide.

"O que não conseguimos perceber é porque é que a sonda não aterrou," disse o gestor do projecto da missão, Jun'ichiro Kawaguchi. Ele diz que a missão saíu do percurso quando "apenas estava planeado um movimento de queda livre". Antes disso, a sonda tinha com sucesso usado os seus sistemas de navegação e orientação para se auto-posicionar acima do asteróide à cuidadosa velocidade de alguns milímetros por segundo. "Esta é a velocidade das minhocas," afirma.


Imagem do asteróide Itokawa capturada a 20 de Novembro pela sonda japonesa Hayabusa. Note a sombra da sonda, enquanto se preparava para um encontro imediato com o asteróide.
Crédito: ISAS/JAXA

O problema da aterragem poderá ter sido causado em parte pelo facto da sonda ter activado os seus motores para se apontar - uma solução de contingência desenhada a seguir à falha de dois dos três giroscópios de estabilização. Enquanto os motores estavam desacelerando a sonda, pode ter-se movido horizontalmente. "A magnitude é pequena mas algo significante num ambiente com uma gravidade muito pequena," disse Kawaguchi.

Kawaguchi diz que a sonda poderá tentar outra aterragem na Sexta: "Temos só mais um marcador, por isso gostaria de tentar mais uma vez."

Se a missão tiver sucesso, e enviar de volta para a Terra a primeira amostra de sempre de um asteróide, os cientistas usarão o material para aprender mais sobre o Sistema Solar primordial.

Mas a Hayabusa já sofreu uma série de "soluços". A 12 de Novembro, a sonda perdeu contacto com um pequeno "rover" robótico - chamado Minerva - que foi desenhado para percorrer a superfície do asteróide capturando imagens e registando leituras da temperatura. Pensa-se que o Minerva tenha falhado o asteróide por completo e que se encontre agora à deriva pelo espaço.

Uma descida de treino foi também abortada a 4 de Novembro quando a sonda enviou um "sinal anómalo" de volta ao controlo da missão.

O asteróide Itokawa foi descoberto em 1998 e tem o nome do cientista japonês Hideo Itokawa. A Hayabusa foi lançada em Maio de 2003 com um custo de 90 milhões de Euros e está planeada regressar à Terra em meados de 2007. A sonda terá que deixar o asteróide no começo de Dezembro em ordem a voltar em segurança à Terra, mas os controladores da missão não têm ainda a certeza se a irão fazer regressar, caso a missão de recolha de amostras falhe.

Links:

Notícias relacionadas:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
SPACE.com
CBC News
Nature
ABC News
BBC News
CNN.com
Reuters
Spaceflight Now
SpaceRef.com
USA Today
PhysOrg.com

Sonda Hayabusa:
Página oficial (JAXA)
Wikipedia

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arrow DADOS DO MARSIS ESTÃO CHEGANDO thingy

O radar da Mars Express, MARSIS, já está activo há mais de 4 meses. Aqui relatamos as suas actividades.

Desde o início da operação até agora, a Mars Express tem feito as suas maiores aproximações a Marte predominantemente durante a porção diurna da sua órbita. Os cientistas do radar MARSIS estão principalmente recolhendo dados acerca das camadas superiores da atmosfera marciana, ou "ionosfera", que é a camada altamente condutora de electricidade, mantida pela luz solar.

Estão também a levar a cabo a laboriosa análise de todos os dados recolhidos durante as primeiras observações nocturnas do Verão passado, especialmente na procura e interpretação de possíveis sinais de camadas subterrâneas. Isto inclui a pesquisa de uma possível assinatura de água subterrânea, ou em estado líquido ou em sólido.


Impressão de artista do aspecto do radar MARSIS.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)

A ciência por radar é um negócio complicado - tem como base a detecção de ondas de rádio reflectidas pelos limites entre diferentes materiais. Ao analisar estes "ecos", é possível deduzir informação acerca do tipo de material provocando a reflexão, como por exemplo estimativas da sua composição e estado físico.

Os diferentes materiais são caracterizados pela sua "constante dieléctrica", isto é, a maneira específica com que reagem com a radiação electromagnética, tais como as ondas de rádio. Quando uma onda de rádio atravessa as fronteiras de diferentes camadas de "material", é produzido um eco que transporta uma espécie de "impressão digital" dos materiais específicos.

A partir do "delay" de tempo que um eco demora a ser recebido pelo instrumento de radar, a distância ou profundidade das camadas de material que o produz pode ser deduzida.

Enquanto a maior aproximação de Marte por parte da sonda se situa no lado diurno, o MARSIS está apenas a operar a frequências maiores dentro das suas capacidades porque os sinais de rádio a frequências mais baixas são perturbados. Com estas altas frequências, o MARSIS pode estudar a ionosfera e a superfície, e algumas pesquisas subterrâneas também podem ser efectuadas.

Durante as observações no lado nocturno, tais como as levadas a cabo brevemente durante o Verão passado imediatamente a seguir ao começo das operações de radar, foi possível usar todas as frequências do MARSIS para medições científicas, incluindo as mais baixas, adequadas para penetrar o solo de Marte.


Analisando o funcionamento da MARSIS.

Estudar em frequências diferentes os diferentes alvos em diferentes condições não é o único segredo do MARSIS. O instrumento, respondendo a sinais reflectidos de qualquer direcção, requer que os cientistas analisem uma grande quantidade de dados de modo a remover estes sinais interferindo com os ecos.

Um exemplo típico do que procuram é o "clutter backscattering", que são reflexões aparentemente oriundas da subsuperfície, mas na realidade produzidas por irregularidades no terreno à superfície que atrasam o regresso do eco. Para esta tarefa de "limpeza" funcionar, a equipa também faz uso de programas informáticos de "simulação de ecos da superfície".

Nos primeiros meses de operações, o MARSIS conduziu os seus primeiros estudos ionosféricos. Os dados são convertidos em típicos gráficos, chamados "ionogramas", onde a altitude a que o eco é gerado, deduzido pelo atraso no tempo de regresso do mesmo, é relacionado com cada frequência transmitida. A intensidade dos vários sinais de eco detectados são indicados em diferentes cores.


Um ionograma, produto típico do estudo ionosférico do MARSIS.
Crédito: ESA/ASI/Univ. Roma ‘La Sapienza’/JPL/UIOWA
(clique na imagem para ver versão maior)

Em paralelo com a análise dos sinais da superfície e subsuperfície, os cientistas estão também a estudar todos os ionogramas para retirar daí as suas primeiras conclusões da natureza e comportamento da ionosfera de Marte, e da sua interacção com o planeta e o ambiente em redor.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA
Aero-News Network
Planetary Society
PhysOrg.com

MARSIS:
Página oficial

Mars Express:
Página oficial da ESA
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Raios de uma aurora inesperada - Crédito: Lyndon Anderson (Prairie Journal)
Esta aurora teve um pouco de surpresa. Para começar, nesta manhã de Sexta de Agosto do ano 2002, não se esperava qualquer actividade auroral. Possivelmente ainda mais surpreendente, a aurora parecia mostrar uma estrutura de raios verdes a partir de alguns locais. A imagem do lado, capturada no Dakota do Norte, EUA, mostra a "vedação" de raios verdes esverdeados que se esticam para o horizonte. Imitando os raios verdes encontra-se uma banda avermelhada, algo rara a seu próprio direito. As luzes das cidades de Bismarck e Mandan são visíveis perto do horizonte. Os grandes grupos de manchas solares indicam que a actividade do activo Sol é relativamente provável, causando outras correntes de partículas energéticas que atingem a Terra, provocando mais auroras.
Ver imagem em alta-resolução
     
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  ESPAÇO ABERTO  
 

Observação astronómica, dia 3 de Dezembro, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 22/11: 319º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1999, aproximação máxima pela Terra do asteróide 1989 VA (0.1993 UA).
Observações: Aproveite a noite para observar o enxame aberto M45 (Plêiades) através de uns binóculos.
Lá para a meia-noite, uma da manhã, observe a Minguante Lua. Está a ver aquele ponto brilhante para a sua direita (4 graus)? É o planeta Saturno.

Dia 23/11: 320º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, é tirada a primeira fotografia de uma chuva de meteoros.
Em 1977, o Meteosat 1 torna-se no primeiro satélite a ser posto em órbita pela Agência Espacial Europeia (ESA).
Observações: Lua em Quarto Minguante, às 22:11.

Dia 24/11: 321º dia do  calendário gregoriano.
Observações: A estrela mais brilhante reluzindo a Oeste-Noroeste depois do anoitecer é Vega. Mesmo acima, encontra-se Deneb. Mais para a esquerda de Vega, está Altair. Estas três estrelas formam o famoso "Triângulo de Verão".

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Os astrónomos calcularam que as hipóteses de colisão entre um asteróide e a Terra é em média de uma em cada 300,000 anos.
 
 
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