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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 189
20 de Dezembro de 2005
arrow BACTÉRIAS MARCIANAS PODEM ENCONTRAR-SE POR BAIXO DO GELO thingy

Um estudo da Universidade de Berkeley, Califórnia, sobre bactérias produtoras de metano congeladas no fundo da camada de gelo com três quilómetros na Gronelândia poderá ajudar os cientistas a procurar formas de vida bacterial semelhantes em Marte.

O metano é um gás de efeito de estufa presente nas atmosferas da Terra e de Marte. Se uma classe de antigos micróbios chamados Archae são a fonte do metano de Marte, como já alguns cientistas propuseram, então sondas não tripuladas até à superfície de Marte poderiam procurá-los a profundidades onde a temperatura é cerca de 10 graus Celsius mais quente que a encontrada na base da camada gelada da Gronelândia, de acordo com o pesquisador principal da equipa da Berkeley, P. Buford Price, professor de Física.


Esta série de 8 secções com 1 metro das partes mais baixas do núcleo GISP2 tornam-se mais escuras com a profundidade, devido à crescente quantidade de lodo. Os núcleos com mais de 13 metros a partir da parte de baixo estão limpos.
Crédito: Buford Price / UC Berkeley

Isto significa uma profundidade de algumas centenas de metros por baixo do solo, onde tais micróbios poderão encontrar-se na média de um por cada centímetro cúbico, ou cerca de 16 por cada polegada cúbica.

Price não está esperando num futuro próximo uma tal missão a Marte, para perfurar centenas de metros por baixo da superfície, mas os metanogenes (Archae que produzem metano) poderão facilmente ser detectados nos lados das crateras onde a rocha subterrânea foi expelida devido ao impacto.

"Detectar esta concentração de micróbios está dentro das capacidades dos intrumentos mais avançados hoje em dia, se pudessem ser transportados até Marte e se o lander pudesse aterrar num local onde as sondas marcianas detectaram as maiores concentrações de metano," disse Price. "Existem n crateras em Marte, de meteoritos e pequenos asteróides que colidiram com Marte e libertaram material desde uma profundidade adequada, por isso se procurarmos à volta do limite da cratera e levantarmos alguma poeira, até os poderemos encontrar se aterrarmos onde o metano sendo libertado do interior é maior."

Price e seus colegas publicaram os seus resultados há duas semanas na edição online do jornal da Academia Nacional de Ciências dos EUA, e apresentaram-nos na reunião da União Geofísica Americana em São Francisco.

Variações na concentração de metano em núcleos de gelo, como o de 3,053 metros obtido pelo Projecto 2 da Camada de Gelo da Gronelândia, têm sido usados para estudar o clima passado. Nesse núcleo, no entanto, alguns segmentos a cerca de 100 metros do fim, registaram níveis de metano 10 vezes maiores que o esperado há 110,000 anos.

Price e seus colegas mostraram no seu artigo que estes picos anómalos podem ser explicados pela presença no gelo destes metanogenes. Estes são comuns na Terra, em lugares sem oxigénio, e podem facilmente ter sido empurrados por deslocações de gelo sobre o solo subglacial e incorporados nalgumas destas profundas camadas de gelo.


Um micróbio do gelo profundo da Gronelândia no processo de divisão.
Crédito: Buford Price / UC Berkeley

Price e seus colegas encontraram estes metanogenes nos mesmos segmendos nucleares onde o excesso de metano foi medido no gelo a 17, 35 e 100 metros. Calcularam que a quantidade medida de Archae, congelada e por pouco não activa, poderia ter produzido o excesso de metano observado no gelo.

"Encontrámos metanogenes precisamente nessas profundidades onde o metano em excesso estava, e em mais lado nenhum," disse Price.

Os biólogos da Universidade Estatal da Pennsylvania tinham já analizado alguns gelos que tinham uma aparência cinzenta-escura devido à sua alta quantidade de lodo, e identificaram dezenas de tipos de micróbios aeróbios (gostam de oxigénio) e anaeróbios (fobia de oxigénio). Estimaram que 80% destes micróbios ainda estavam vivos.

Embora o metano já tenha sido detectado na atmosfera de Marte, a luz ultravioleta do Sol quebraria a quantidade observada em 300 anos se não houvesse um qualquer processo de reabastecimento do metano, notou Price. Pode ser que a interacção entre fluídos ricos em carbono com rocha basáltica provoque a existência deste metano. Ou que os metanogenes agarrem no hidrogénio e dióxido de carbono à subsuperfície e produzam metano, disse.

Se os metanogenes forem os responsáveis, Price calculou que deveriam ocorrer numa concentração de um micróbio por centímetro cúbico a uma profundidade de algumas centenas de mtros, onde a temperatura - cerca de zero graus Celsius ou um pouco mais - permitiria conservá-los vivos, tal como está acontecer com os micróbios da Gronelândia.

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Universidade de Berkeley (Press release)

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Finos anéis em torno do polarizado Saturno - Crédito: Cassini Imaging Team, SSI, JPL, ESA, NASA
Quão finos são os anéis de Saturno? Medições do brilho a partir de diferentes ângulos mostraram que os anéis de Saturno medem cerca de um quilómetro de espessura, o que os faz muitas vezes mais finos, em proporção relativa, que uma lâmina. Esta espessura aparece em dramáticas imagens tiradas ao longo do plano dos anéis. A sonda robótica Cassini agora em órbita de Saturno capturou mais outra imagem da finíssima espessura dos espectaculares anéis. Foi tirada o mês passado em luz infravermelha polarizada. Se sozinho no espaço, a parte não iluminada de Saturno seria muito mais escura. A reflexão das luas como Encelado (na imagem) e dos millhares de milhões de partículas nos anéis de Saturno, no entanto, dá ao gigante gasoso um brilho incomum, um efeito melhor visto com luz polarizada.
Ver imagem em alta-resolução
     
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  ESPAÇO ABERTO  
 

Observação astronómica, dia 14 de Janeiro de 2006, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 20/12: 343º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1904, era fundado o Observatório Solar do Mt. Wilson.
Em 1996, morria Carl Sagan, considerado por muitos o maior divulgador da História da Astronomia.
Observações: Pelas 19:00 a brilhante constelação de Orionte já se encontra acima do horizonte. Em pouco mais de uma hora, procure o brilhante Sirius brilhando por baixo. Mais tarde, estes esplendores de Inverno brilham alto.

Dia 21/12: 344º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, lançamento da Apollo 8. William A. Anders, James A. Lovell Jr. e Frank Borman tornaram-se nos primeiros seres humanos a deixar a gravidade da Terra. Esta missão teve como objectivo a primeira visão de perto da superfície da Lua e do seu lado escuro. Duração da missão: 6 dias, 3 horas, 0 minutos e 42 segundos.
Em 1984 era lançada a sonda soviética Vega 2.
Observações: O Sol alcança o solstício por volta das 18:35. Este é o ponto quando o Sol acaba a sua viagem para Sul no céu terrestre e começa a sua viagem de seis para Norte. O solstício de Dezembro assinala o começo do Inverno para o Hemisfério Norte, e o Verão no Hemisfério Sul.

Dia 22/12: 345º dia do  calendário gregoriano.
Observações: À medida que a noite cai e as estrelas aparecem, encontrará Vega brilhando à mesma altura a Noroeste que a brilhante Capela a Nordeste. Este acto de balanço entre Vega e Capela sempre acontece durante os luscos-fuscos da época natalícia.

 
 
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