NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 19
27 de Abril de 2004
PARABÉNS, HUBBLE!
 

Durante a sua vida em órbita, o telescópio espacial Hubble tem dado a conhecer visões sem paralelo dos céus, imagens de vastas porções do Universo que despertam a nossa imaginação.

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O Telescópio Hubble.
Crédito: STS-103, STScI, ESA, NASA
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O Hubble foi posto em órbita a 24 de Abril de 1990. George Bush sénior era então presidente dos EUA e o Iraque ainda não tinha invadido o Kuwait, fomentando a Guerra do Golfo.

Não funcionou bem no início. O seu espelho de 2.4 metros tinha um erro inferior ao diâmetro de um cabelo e as imagens ficavam desfocadas. Os astronautas então instalaram "óculos" correctivos em 1993.

O observatório fez 645,000 exposições de mais de 20,000 alvos enquanto percorria os mais de 3.2 mil milhões de quilómetros durante as suas 82,000 órbitas em volta da Terra. O arquivo de dados do Hubble é igual em volume a cerca de 128 milhões de itens de uma grande biblioteca.

As observações no visível, infravermelho e luz ultravioleta do Hubble geraram mais de 5,000 trabalhos científicos.

Por entre os seus maiores sucessos encontram-se observações correntes de supernovas que mostram o Universo não apenas a expandir, como também a acelerar. Estas descobertas sem precedentes apontam para que algo chamado matéria escura, da qual os cientistas sabem quase nada, esteja a trabalhar contra a gravidade -- e a ganhar.

No princípio deste ano o Hubble iniciou o seu estudo em "Ultra Deep Field", que contém um zoo de tipos de galáxias e, esperam os astrónomos, os objectos mais distantes alguma vez fotografados. A luz de jovens galáxias viajaram durante mais de 13 mil milhões de anos até chegar à câmara digital do Hubble.

Mais próximo de casa, o Hubble fez em 2001 as primeiras medições directas da composição da atmosfera de um planeta fora do nosso sistema solar.

Recentemente foi utilizado para aumentar a precisão dos dados do objecto conhecido mais distante do sistema solar, um mini-mundo para lá de Plutão.

O Hubble tem também monitorizado mudanças radicais dos ventos em Saturno, como também mostrou que Neptuno tem estações. Detectou misteriosos «flashes» de luz em Júpiter e tirou imagens de Marte de cortar a respiração.

Provavelmente a mais famosa imagem do Hubble seja a da Nebulosa da Águia (M16), um popular ícone conhecido como os "Pilares da Criação". As colunas de hidrogénio iluminadas por jovens estrelas, fotografadas em 1995 a uma distância de 7,000 anos-luz, têm sido a capa de revistas religiosas e filosóficas. Esta imagem está no Top 10 das imagens espaciais de qualquer pessoa.

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Estrelas de M16, a Nebulosa da Águia.
Crédito: HST, NASA
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Links:

NASA:
http://www.nasa.gov/

ESA:
http://www.esa.int

Hubble:
http://www.stsci.edu/
http://hubble.esa.int/

 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
 

Galáxia anelar AM 0644-741 - Crédito: Hubble Heritage Team ( AURA / STScI ), J. Higdon ( Cornell ) ESA , NASA
Como é que uma galáxia veio a ter uma forma de anel? O braço da galáxia azul à direita é uma imensa estrutura tipo-anel com 150,000 anos-luz de diâmetro. AM 0644-741 é conhecida como uma galáxia anelar e é devida a uma grande colisão galáctica. Quando as galáxias colidem, passam uma pela outra -- as suas estrelas individuais raramente entram em contacto. A forma de anel é o resultado da quebra gravitacional causada por uma galáxia a atravessar outra. Quanto isto acontece, o gás interestelar e pó tornam-se densos, causando uma onda de formação estelar que se move desde o ponto de impacto tal como pequenas ondas num lago. A galáxia intrusa não se encontra na imagem tirada pelo Hubble, que comemorou o seu 14º aniversário no Sábado passado. AM 0644-741 encontra-se a 300 milhões de anos-luz de distância.
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EFEMÉRIDES:
 

Dia 27/04: 119º dia do calendário gregoriano. Aproveite a noite para observar a Lua, que se encontra a cerca de 4º Nordeste do enxame aberto M44 (Presépio).

Dia 28/04: 120º dia do calendário gregoriano. Em 1774 nascia Francis Baily, explorador britânico. Baily ajudou a fundar a Real Associação Astronómica de Londres, reviu catálogos de estrelas e estudou meteorologia. É mais conhecido pelas suas observações do eclipse solar de 15 de Maio de 1836 e pela sua explicação do fenómeno no começo e no fim da totalidade. Em 1900 nascia também Jan Hendrick Oort, que quantificou as características rotacionais da Via Láctea e propôs um vasto reservatório esférico de cometas (nuvem de Oort) à volta do Sol e que se estica por mais de metade da distância entre as estrelas mais próximas. Em 1906 nascia Bart Jan Bok, astrónomo americano nascido na Holanda que teve uma brilhante carreira, estudando a estrutura e dinâmica da Via Láctea e, que em conjunto com a sua mulher/astrónomona Priscilla, escreveu um livro clássico sobre este assunto. Como director do Observatório Steward da Universidade do Arizona, Bok teve a decisão da escolha do local do Observatório Nacional de Kitt Peak, na área de Tucson.

Dia 29/04: 121º dia do calendário gregoriano. Mercúrio encontra-se estacionário. Resumo do movimento directo ou prógrado (para Este). A Lua encontra-se a cerca de 4.5º de Júpiter.

Dia 30/04: 122º dia do calendário gregoriano. O recentemente descoberto cometa C/2004 F4 (Bradfield) tem uma magnitude estimada de 7.1. Para mais detalhes, clicar aqui.

 
 
CURIOSIDADES:
 
Mercúrio é conhecido pelo menos desde o tempo dos Sumérios (terceiro milénio antes de Cristo). Foi-lhe dado dois nomes pelos Gregos: Apolo pela sua aparição como estrela da manhã e Hermes como estrela da tarde. Os astrónomos gregos sabiam, no entanto, que os dois nomes se referiam ao mesmo corpo. Heráclito até acreditava que Mercúrio e Vénus orbitavam o Sol, não a Terra.
 
 
VIAGEM AO ASTRO-CIBERESPAÇO:
 
O site "KidsAstronomy" é, como o nome indica, mais direccionado para os miúdos. Aqui pode-se aprender mais sobre o Sistema Solar, exploração espacial, o tamanho do Universo. Tem jogos, vídeos, postais e muitas mais coisas divertidas. Carregue aqui.
 
 
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Publicado por: Miguel Montes e Alexandre Costa
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