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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 192
30 de Dezembro de 2006
arrow DESCOBERTOS ECOS DE SUPERNOVAS ANTIGAS thingy

Uma equipa de astrónomos encontrou ecos no visível de supernovas antigas ao detectar a radiação que foi reflectida pelas nuvens de gás interestelar a centenas de anos-luz do seu local de origem.

Localizadas numa galáxia próxima, as três estrelas explodiram há pelo menos dois séculos, tendo-se a mais antiga transformado em supernova provavelmente há mais de seiscentos anos.


Concepção de artista dos ecos de supernova.
Crédito: P. Marenfeld and NOAO/AURA/NSF
(Clique na imagem para ver maior)

Os ecos de luz foram descobertos comparando imagens da Grande Nuvem de Magalhães tiradas com anos de separação entre elas. Ao subtrair os elementos de cada imagem e observando os objectos visíveis que sobravam os astrónomos procuravam encontrar provas da existência de matéria escura invisível que pudesse distorcer a luz de alguma forma transitória, sendo esta uma rotina do projecto mais amplo chamado SuperMACHO.

Uma análise cuidadosa desta imagem revelou também um pequeno número de arcos concêntricos que são melhor explicados como arcos de luz movendo-se ao longo do tempo a partir de um ponto central e que vai sendo dispersa à medida que encontra meio interestelar. Os pontos de origem são no local onde são conhecidos restos de supernova que eram classificados como relativamente jovens.

“Sem a geometria que agora foi fornecida pelos ecos de luz não tínhamos nenhuma forma precisa de saber estimar uma idade para estas supernovas,” disse o astrónomo Armin Rest do National Optical Astronomy Observatory (NOAO). “Uma matemática relativamente simples pode agora ajudar-nos a responder à questão da idade do objecto que estamos a observar.”

Tal como um eco sonoro que é reflectido por uma superfície distante, um eco de luz pode ser visto à medida que a radiação vai viajando através do espaço e é "reflectida" na direcção do observador, neste caso da câmara Mosaico digital do telescópio Blanco de 4 metros da National Science Foundation que está instalado em Cerro Tololo, no Chile.


Explicação esquemática da observação dos ecos e como é extrapolada a posição inicial.
Crédito: P. Marenfeld and NOAO/AURA/NSF
(Clique na imagem para ver maior)

Esta técnica parece passível de ser aplicada às supernovas mais famosas da História. "Imagine-se ver a luz da mesma explosão que foi vista pela primeira vez há 400 anos por Johannes Kepler ou da explosão registada em 1006 pelos observadores Chineses,” diz Christopher Stubbs do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (CfA), co-autor do artigo e investigador principal do programa SuperMACHO. “Estes ecos de luz dão-nos essa possibilidade.”

Os astrónomos podem também usar os ecos para tentar determinar a estrutura e natureza do meio interestelar. O gás e poeira interestelares são invisíveis a menos que sejam iluminados por alguma fonte de radiação. A explosão de uma supernova fornece precisamente a iluminação que poderá servir para iluminar o meio interestelar.

“Vemos a reflexão como um arco porque estamos no interior de uma elipse imaginária com a Terra num dos focos e a antiga supernova no outro" explicou Nicholas Suntzeff do NOAO. “Ao olharmos na direcção da supernova vemos apenas o eco de radiação que intersecta a superfície da elipse. A forma da reflexão do nosso ponto de vista parece ser uma porção de uma círculo.”

Um aspecto invulgar dos arcos é que parecem deslocar-se a velocidades superiores à velocidade da luz. Os astrónomos pensam que este facto não viola a teoria da relatividade pois o que se está a observar é a velocidade aparente da reflexão e não o movimento de qualquer objecto, refere ainda Suntzeff. “É bastante excitante ver as observações confirmarem a previsão visionária que Fritz Zwicky fez em 1940 de que a luz de antigas supernovas poderia ser visível em ecos da explosão.”

Esta descoberta foi publicada na edição de 22 de Dezembro da revista Nature.

Links:

Notícias relacionadas:
NOAO (press release)
Space.com
Nature (abstract)

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Nebulosa da Cabeça de Bruxa - Crédito: Bernhard Hubl
Esta nebulosa de reflexão de forma sugestiva está associada à estrela Rigel na constelação de Orionte. A sua designação mais formal é IC 2118. A Nebulosa da Cabeça de Bruxa brilha essencialmente devido à estrela Rigel que está situada fora da imagem muito próximo do extremo superior direito. A cor é azulada não apenas devido à radiação de Rigel ser azulada, mas sobretudo porque devido à dispersão preferencial dos comprimentos de onda azuis esta radiação é mais facilmente reflectida pela poeira da nebulosa. O processo é semelhante aquele que faz com que o céu da Terra pareça azul. Esta nebulosa encontra-se a 1000 anos-luz da Terra.
Ver imagem em alta-resolução
     
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  ESPAÇO ABERTO  
 

Observação astronómica, dia 14 de Janeiro de 2006, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 30/12: 364º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 2000, dá-se a passagem das sondas acopladas Cassini-Huygens por Júpiter. Passam a 9,721,846 km do topo das nuvens de Júpiter à medida que recebem um impulso gravitacional para a última parte da viagem até Saturno.
Observações: Às 00h00 (hora local) Mercúrio está 5ºN da Lua.

Dia 31/12: 365º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1799, Giuseppe Piazzi, monge italiano, descobre Ceres, o primeiro asteróide observado entre Marte e Júpiter.
Observações: Às 03h00 (hora local) a Lua atinge a fase de Lua Nova. Depois da Passagem de Ano saia à rua com o pé direito e fascine-se olhando para Sul. Lá estará Sírio, a estrela mais brilhante do céu nocturno, acompanhada da Constelação de Orionte, de Procion e de um Saturno amarelo-pálido. Olhe por uns binóculos para a Grande Nebulosa de Orionte (M42).

Dia 01/01: 1º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1925, numa reunião da Sociedade Astronómica Americana e da Associação Americana para o Desenvolvimento da Ciência em Washington, D.C., Edwin Hubble reporta que encontrou cefeidas nas "nebulosas espirais", o que levaria ao declínio da hipótese que dizia que a nossa Via Láctea seria o todo do Universo. A descoberta de Hubble levaria à descoberta que vivemos numa de muitas galáxias.
Em 2001, a missão NEAT (Near Earth Asteroid Tracking mission) descobre um objecto com 1.5 km que passa por Marte (2001AA) e que fica com o nome de Asteróide do Milénio.
Observações: Às 07h00 (hora local), Vénus está 7ºN da Lua. Esta noite (às 23h00, hora local) a Lua atinge o ponto mais próximo da Terra da sua órbita (perigeu) a uma distância de 361752 km.

Dia 02/01: 2º dia do  calendário gregoriano.
História:  Em 1959, é lançada a sonda soviética Luna 1.
Observações: Às 12h00 (hora local) Neptuno encontra-se 4ºN da Lua.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Algumas galáxias com núcleos galácticos activos apresentam jactos emitidos a velocidades próximas da luz, que devido à geometria do movimento relativo em relação à Terra parecem ter velocidades supralumínicas. Veja um exemplo aqui.
 
 
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