
Impressão de artista sobre o pôr de sois num sistema duplo em que uma estrela é claramente maior que a outra.
Crédito: Steven Vincent Johnson
Dois novos estudos sugerem que será muito mais provável a formação de sistemas planetários em torno de sistemas múltiplos do que se considerava até agora. Os resultados foram apresentados na 207.ª reunião da Astronomical Society.
Um dos trabalhos, realizado pela estudante de doutoramento Deepak Raghavan da Universidade Estadual da Georgia, confirmou a detecção de 29 sistemas planetários em sistemas múltiplos. Desses 29, três eram sistemas triplos.
Raghavan e a sua equipa fizeram a detecção dos sistemas múltiplos analisando 131 sistemas estelares que se suspeitava serem sistemas múltiplos para a detecção planetária. Foram usados os telescópios do Cerro Tololo Interamerican Observatory no Chile para confirmar os resultados e também para procurar novos sistemas com estrelas múltiplas.
O grupo descobriu que uma estrela já conhecida por possuir planetas, a estrela HD 38529, era também um sistema múltiplo.
Os astrofísicos teóricos já há muito que acreditavam que pudessem existir sistemas planetários de estrelas múltiplas, embora sejam situações gravitacionalmente muito complexas.
NUm esforço computacional independente do de Deepak Raghavan, Alan Boss da Carnegie Institution’s Department of Terrestrial Magnetism (DTM) e os seus colegas determinaram que nestes sistemas planetários, gigantes gasosos como Júpiter podem de facto ser formados do mesmo modo que os planetas se formam em torno de estrelas simples como o Sol.
“Tendemos a focar a nossa atenção noutros tipos de sistemas semelhantes ao nosso Sol,” disse Boss. “Mas começamos a perceber que podem existir sistemas planetários em torno de todos os tipos de estrelas.”

Simulação de computador da acreção de matéria de um planeta
do
tamanho de Júpiter em torno de um sistema binário de estrelas.
Crédito: Alan Boss/Carnegie Institution's of Terrestrial Magnetism
Durante muito tempo pensou-se que as fortes interacções gravitacionais estabelecidas pelos sistemas duplos impossibilitariam a formação de estrelas à sua volta, mas o novo modelo teórico da equipa de Alan Boss mostra que se a interacção gravitacional de uma estrela for muito inferior à da outra num sistema estelar duplo então pode ocorrer formação planetária (pelo menos de gigantes gasosos) de forma semelhante à que ocorre nos sistemas simples.
Nestes sistemas teóricos os discos de gás e poeiras em rotação poderiam crescer formando os núcleos densos dos planetas gigantes, com massas milhares de vezes superiores à da Terra. Neste processo o planeta forma-se em braços em espiral, tendo o modelo revelado um período de formação inferior a 1000 anos o que é muito inferior àquilo que até agora era aceite.
O modelo também deixa espaço para a formação de planetas semelhantes à Terra após o final da acreção das estrelas e dos gigantes gasosos.
“Estes resultados poderão ter implicações profundas na forma como se concebe a formação planetária em sistemas parecidos com o do próprio Sol,” disse Boss.
Os sistemas binários parecem ser a regra no Universo e não a excepção, pensando-se que cerca de dois terços dos sistemas estelares são binários. Se esses sistemas puderem albergar planetas, a possibilidade de encontrar um planeta habitável semelhante à Terra aumenta substancialmente.
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