Os astrónomos localizaram uma fonte misteriosa de raios-X de alta energia e raios gama. A origem destas formas de radiação parece estar ligada a um enxame estelar pouco conhecido da Via Láctea. Este enxame encontra-se a 19,000 anos-luz da Terra e contém cerca de 20,000 estrelas, sendo a maioria delas jovens gigantes azuis.

Imagem de infravermelho da região da constelação do Escudo onde se encontra o enxame agora descoberto
Crédito: Don Figer et al./NASA/JPL-Caltech
Os astrónomos tinham conhecimento do enxame mas apenas recentemente tomaram consciência da quantidade de estrelas envolvidas.
No final da década de 1990 foram detectados raios-X de alta energia e raios gama provindos desta região do espaço, mas os astrónomos não tinham a certeza da fonte. Pensava-se que tivessem sido devidas às emissões de pulsares, emissões essas que surgem muitas vezes associadas às emissões no rádio.
No entanto, uma equipa de investigadores vem agora propôr que as explosões serão o resultado da explosão de supergigantes vermelhas do enxame, eventos a que é comum chamar supernovas.
Como suporte para a teoria utilizam o facto de neste enxame existirem neste momento 14 supergigantes vermelhas que deverão transformar-se em supernovas num futuro breve (à escala cósmica). As supergigantes vermelhas são estrelas extremamente massivas que no final da sua vida atingiram proporções gigantescas, muitas vezes maiores que a sua dimensão enquanto se encontravam na sequência principal.
A fase de supergigante vermelha dura apenas cerca de meio milhão a um milhão de anos, o que é um período muito pequeno em termos astronómicos. As supernovas passadas são difíceis de detectar pois embora quando expludam sejam muito brilhantes esse brilho dura apenas algumas semanas ou meses.
A razão pela qual este enxame tem sido negligenciado prende-se com o facto de se encontrar muita poeira interestelar da Via Láctea entre nós e o enxame.
"Este enxame não se encontra muito distante de nós mas existe uma grande quantidade de poeira entre ele e nós", disse Don Figer, um astrónomo do Space Telescope Science Institute em Baltimore "Nos comprimentos de onda do visível , as estrelas são tão fracas que nenhum telescópio consegue vê-las."
Foi por este motivo que foi utilizado o Telescópio Espacial Spitzer, que capta imagens no infravermelho e que consegue penetrar através da poeira do meio interestelar. As imagens do Spitzer permitiram ver o enxame com nitidez pela primeira vez.
Os resultados foram apresentados na 207.º reunião da American Astronomical Society em Washington.
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