Uma equipa de astrónomos italianos usando o Very Large Telescope (VLT) do ESO revelou o passado conturbado do enxame estelar Messier 12. Aparentemente a nossa Galáxia terá-lhe-á roubado perto de um milhão de estrelas de baixa massa estelar.

Impressão de artista da perda de estrelas por um enxame globular.
Crédito: ESO
Localizado a uma distância de 23,000 anos-luz na constelação de Ophiuchus (O Serpentário), M12 recebe o seu nome por ser a 12ª entrada do catálogo de objectos nebulosos compilado em 1774 pelo astrónomo e caçador de cometas francês Charles Messier. Também é conhecido dos astrónomos pelo nome de NGC 6218 e contém cerca de 200,000 estrelas, a maior parte delas com massas entre 20% e 80% da massa dos Sol.
Os enxames globulares movem-se em órbitas elípticas extensas que os levam a passar periodicamente através de regiões densamente povoadas antes de passarem para as regiões acima e abaixo do plano da Galáxia a que se chama "halo".
Quando atravessa as regiões mais internas do disco, o "bojo", um enxame globular pode ser perturbado perdendo as suas estrelas de menor massa. Os astrónomos liderados por Guido De Marchi da ESA, mediram mais de 16,000 estrelas no interior do enxame Messier 12 com o VLT, tendo estudado estrelas que são 50 milhões de vezes mais fracas que as observáveis à vista desarmada.
Na nossa vizinhança solar e na maioria dos enxames globulares, as estrelas menos massivas são de longe as mais comuns. Mas, segundo De Marchi, as observações com o VLT vieram demonstrar que este não é o caso de M12.
Segundo o cientista, é evidente que o enxame sofreu de algum modo de uma depleção.

Parte central de M12 como observada pelo VLT com um "seeing" de 0,6 arcsec.
Crédito: ESO
A equipa de De Machi estima que M12 tenha perdido quatro vezes mais estrelas que aquelas que ainda mantém. Isto significa que cerca de um milhão de estrelas terá sido ejectado para o halo da Via Láctea devido às passagens junto ao centro galáctico durante a sua órbita.
A vida remanescente deste enxame está estimada em cerca de 4,500 milhões de anos, cerca de um terço da sua idade actual. Devido ao desaparecimento das estrelas de menor massa a sua vida será muito curta comparada com a esperança de vida normal de um enxame globular que é de cerca de 20,000 milhões de anos.
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