Ao estudarem uma série de várias dezenas de galáxias, usando o espectrógrafo GIRAFFE actualmente instalado na unidade de 8,2 m Kueyen do VLT do ESO, uma equipa internacional de astrónomos descobriu que as galáxias de há 6 mil milhões de anos tinham a mesma quantidade de matéria escura que aquela que possuem actualmente. Se isto vier a ser confirmado, revela indícios de que existe uma relação muito mais próxima entre a matéria escura e a matéria "normal" que aquela que até agora era aceite. Os cientistas também descobriram que 4 em cada 10 galáxias longínquas se encontram desequilibradas. Estes resultados poderão proporcionar uma nova visão sobre a forma como as galáxias evoluem desde que o Universo atingiu metade da sua idade actual.

Crédito: ESO
Os cientistas estavam interessados em descobrir como é que as galáxias mais antigas evoluiram para as mas recentes. Desejavam, em particular, compreender a importância da matéria escura nas galáxias.
A matéria escura constitui cerca de 25% do Universo. Segundo Hector Flores, um dos coordenadores da equipa de investigação, "o termo matéria escura é meramente uma descrição para algo que na verdade não se conhece. A observação do modo como uma galáxia gira permite-nos saber a quantidade de matéria escura que tem que estar presente, pois de contrário estas estruturas dissipar-se-iam."
Nas galáxias mais próximas, tal como na nossa Via Láctea os astrónomos descobriram que existe uma relação entre a quantidade de matéria escura e a massa em estrelas vulgares. Sabe-se que por cada quilograma que existem em estrelas existem cerca de 30 kg de matéria escura.
Os astrónomos usaram o GIRAFFE para medir as velocidades de várias dezenas de galáxias, o que permitiu descobrir que cerca de 40% das galáxias estão "desequilibradas" , ou seja possuem os seus movimentos internos perturbados, possivelmente por colisões com outras galáxias.
Quando o estudo se limitou àquelas que estariam em equilíbrio, pois aparentemente não tinham qualquer perturbação, descobriram que a relação entre a matéria escura e o conteúdo estelar parece não ter evoluído nos últimos 6 mil milhões de anos.

Imagem do mapeamento das galáxias distantes.
Crédito:ESO
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