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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 223
21 de Abril de 2006
arrow ISO PROVIDENCIA O PRIMEIRO OLHAR DO NASCIMENTO DE ESTRELAS MONSTRUOSAS thingy

Um grupo de Astrofísicos do Instituto Max-Planck para a Astronomia assegurou ter observado pela primeira vez o processo de formação de uma estrela que brilhará 100,000 vezes mais que o Sol, graças a imagens recolhidas pelo Observatório Espacial de Infravermelho (ISO) da Agência Espacial Europeia (ESA).

A descoberta permite aos astrónomos começar a investigar o porquê de apenas determinadas regiões promoverem a formação deste tipo de estrelas massivas.


A região ISOSS J18364--0221 contém massa suficiente para a formação de pelo menos uma estrela massiva.
Crédito: Birkmann/Krause/Lemke (Max-Planck-Insitut für Astronomie)

O espaço está polvilhado de nuvens gigantes de gás. Ocasionalmente, regiões no interior destas nuvens colapsam para originar estrelas. Uma das questões mais pertinentes que se levantava era porque é que normalmente só se observa a formação de estrelas de pequena massa.

As condições necessárias para formar estrelas de elevada massa são difíceis de deduzir porque normalmente a sua formação ocorre a grande distância da Terra, e encontram-se escondidas por nuvens de poeiras. Apenas a radiação de comprimento de onda mais longo (a partir do infravermelho) consegue escapar destes casulos de poeira e revelar as baixas temperaturas dos núcleos densos que marcam os locais onde ocorre a formação estelar. Foi exactamente este tipo de radiação que foi captado com a câmara de infravermelho longínquo ISOPHOT da ISO.

Stephan Birkmann, Oliver Krause e Dietrich Lemke do Intituto Max-Planck para a Astronomia em Heidelberg, usaram os dados obtidos pela câmara ISOPHOT, tendo observado dois núcleos densos. O primeiro núcleo denso contém 75 massas solares de matéria e tem uma temperatura de 16,5 K (-256.5º C). Este núcleo apresenta sinais de colapso gravitacional. O segundo núcleo denso tem cerca de 280 massas solares e tem uma temperatura de 12 K (-261º C). Neste núcleo, os sinais de colapso gravitacional são menos evidentes. O grupo encontra-se actualmente a estudar outros núcleos densos.


A massiva região de formação ISOSS J18364--0221 está no centro da imagem.
Crédito: ESA/Birkmann/Krause/Lemke (Max-Planck-Insitut für Astronomie)

A ISO operou entre 1995 e 1998, tendo capturado continuamente imagens de infravermelho. Estes dados continuam ainda a ser analisados.

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Notícias relacionadas:
ESA (Nota de Imprensa)

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arrow XMM-NEWTON REVELA PULSAR ATÍPICO thingy

Usando dados do Observatório de raios-X XMM-Newton da ESA, um grupo internacional de astrofísicos descobriu que uma estrela de neutrões rotativa parece não possuir uma rotação perfeitamente constante.
 
As estrelas de neutrões rotativas, conhecidas por pulsares, são conhecidas por serem corpos rotativos de grande precisão. Os seus sinais periódicos emitidos no rádio ou nos raios-X podem servir como relógios astronómicos extremamente precisos.


Imagem do XMM-Newton com a 'RX J0720.4-3125' a vermelho.
Crédito:ESA, F.Haberl/MPE

As estrelas de neutrões são um dos produtos do final da evolução estelar, em que o núcleo de estrelas massivas colapsa formando um corpo compacto com cerca de 10-20 km de diâmetro.

Os cientistas descobriram que ao longo dos últimos quatro anos e meio, a temperatura de um objecto enigmático chamado RX J0720.4-3125, continuou a subir. No entanto, observações muito recentes mostraram que este efeito se inverteu e que a temperatura se encontra agora a diminuir.

De acordo com os cientistas, este efeito não é devido a uma variação real da temperatura, mas pelo contrário a alterações da geometria da observação. O pulsar RX J0720.4-3125 está muito provavelmente a sofrer um movimento de precessão, e por isso ao longo do tempo apresenta emissões de regiões diferentes da superfície.

As estrelas de neutrões são conhecidas por possuírem campos magnéticos muito fortes, tipicamente biliões de vezes mais fortes que o campo magnético da Terra. O campo magnético pode ser tão forte que influencia o transporte interno de calor gerando pontos quentes em torno das regiões polares da superfície da estrela.

A sua emissão térmica destas regiões polares mais quentes é o que domina o seu espectro de raios-X. Existe um número muito pequeno de estrelas de neutrões conhecidas que permitam a observação da radiação térmica da superfície da estrela e esta é uma delas.

No seu trabalho a equipa composta por Frank Haberl (Max-Planck-Institut für extraterrestrische Physik, Garching, Alemanha), Roberto Turolla (Universidade de Pádua, Italy), Cor P. De Vries (SRON, Utrecht, Holanda), Silvia Zane (Mullard Space Science Laboratory, University College London, Reino Unido), Jacco Vink (Universidade de Utrecht, Holanda), Mariano Méndez (SRON, Utrecht, Holanda) e Frank Verbunt (Universidade de Utrecht, Holanda) desenvolveu um modelo para a RX J0720.4-3125 que pode explicar muitas das características particulares que podem provocar alterações de temperatura superficial do pulsar.

Neste modelo as duas regiões polares emissoras possuem tamanhos e temperaturas diferentes, o que havia sido sugerido recentemente no caso de outra estrela de neutrões.

Os resultados foram enviados para publicação na revista Astronomy & Astrophysics.


Animação da precessão de pulsar.
Crédito: Universidade de Pádua (Itália)

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Notícias relacionadas:
ESA (Nota de Imprensa)

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
NGC253 -Crédito: R. Jay GaBany (Cosmotography.com)
Por vezes chamada a Galáxia do Dólar de Prata, NGC253 é uma das galáxias visíveis mais brilhantes e também uma das que contém maior quantidades de poeira. Descoberta em 1783 por Caroline Herschel, esta galáxia encontra-se a 10 milhões de anos-luz de nós na direcção da constelação do Escultor. Com cerca de 70 mil anos-luz de diâmetro, é a maior galáxia do Grupo de Galáxias do Escultor o Grupo de Galáxias mais próximo do Grupo Local.
Ver imagem de alta-resolução
     
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  ESPAÇO ABERTO  
 

Observação astronómica, dia 22 de Abril de 2006, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 21/04: 111º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 2002, uma erupção no Sol providencia uma excelente oportunidade para uma panóplia de instrumentos nas sondas SOHO, TRACE e RHESSI recolherem dados para comparação com o modelo Lin & Forbes de CMEs (ejecção de massa coronal).
Observações: Às 04h (hora local) a Lua atinge o Quarto Minguante.

Dia 22/04: 112º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1500, Pedro Álvares Cabral chegava pela primeira vez ao Brasil, numa viagem épica em que o Oceano era o equivalente actual do Espaço.
Em 1970 comemorava-se pela primeira vez o Dia da Terra.
Observações: Venha observar connosco ao Centro Ciência Viva do Algarve. Ocorrem as Liríadas, uma chuva de meteoros fraca que será pouco visível devido ao brilho da Lua.

Dia 23/04: 113º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, era lançada a missão Soyuz 1 com o Coronel Valentim Komarov a bordo, que viria a morrer no dia seguinte quando a nave na reentrada se despenhou contra o solo.
Observações: Experimente fotografar Júpiter.

Dia 24/04: 114º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1066, foi observado o cometa Halley.
Observações: Urano 1,2ºN da Lua às 03h (hora local). Durante o dia passa muito próximo de Vénus (0,5º, 15h hora local), sendo possível observá-los já bastante próximos durante a madrugada.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
O pulsar com velocidade de rotação mais rápido conhecido é o PSR J1748-2446ad que tem uma frequência de 716 rotações por segundo (716 Hz). Para se ter ideia da enormidade deste número, pense-se que as "varinhas mágicas" mais rápidas usadas na cozinha normalmente em frequência na ordem dos 500 Hz.
 
 
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