Usando dados do Observatório de raios-X XMM-Newton da ESA, um grupo internacional de astrofísicos descobriu que uma estrela de neutrões rotativa parece não possuir uma rotação perfeitamente constante.
As estrelas de neutrões rotativas, conhecidas por pulsares, são conhecidas por serem corpos rotativos de grande precisão. Os seus sinais periódicos emitidos no rádio ou nos raios-X podem servir como relógios astronómicos extremamente precisos.

Imagem do XMM-Newton com a 'RX J0720.4-3125' a vermelho.
Crédito:ESA, F.Haberl/MPE
As estrelas de neutrões são um dos produtos do final da evolução estelar, em que o núcleo de estrelas massivas colapsa formando um corpo compacto com cerca de 10-20 km de diâmetro.
Os cientistas descobriram que ao longo dos últimos quatro anos e meio, a temperatura de um objecto enigmático chamado RX J0720.4-3125, continuou a subir. No entanto, observações muito recentes mostraram que este efeito se inverteu e que a temperatura se encontra agora a diminuir.
De acordo com os cientistas, este efeito não é devido a uma variação real da temperatura, mas pelo contrário a alterações da geometria da observação. O pulsar RX J0720.4-3125 está muito provavelmente a sofrer um movimento de precessão, e por isso ao longo do tempo apresenta emissões de regiões diferentes da superfície.
As estrelas de neutrões são conhecidas por possuírem campos magnéticos muito fortes, tipicamente biliões de vezes mais fortes que o campo magnético da Terra. O campo magnético pode ser tão forte que influencia o transporte interno de calor gerando pontos quentes em torno das regiões polares da superfície da estrela.
A sua emissão térmica destas regiões polares mais quentes é o que domina o seu espectro de raios-X. Existe um número muito pequeno de estrelas de neutrões conhecidas que permitam a observação da radiação térmica da superfície da estrela e esta é uma delas.
No seu trabalho a equipa composta por Frank Haberl (Max-Planck-Institut für extraterrestrische Physik, Garching, Alemanha), Roberto Turolla (Universidade de Pádua, Italy), Cor P. De Vries (SRON, Utrecht, Holanda), Silvia Zane (Mullard Space Science Laboratory, University College London, Reino Unido), Jacco Vink (Universidade de Utrecht, Holanda), Mariano Méndez (SRON, Utrecht, Holanda) e Frank Verbunt (Universidade de Utrecht, Holanda) desenvolveu um modelo para a RX J0720.4-3125 que pode explicar muitas das características particulares que podem provocar alterações de temperatura superficial do pulsar.
Neste modelo as duas regiões polares emissoras possuem tamanhos e temperaturas diferentes, o que havia sido sugerido recentemente no caso de outra estrela de neutrões.
Os resultados foram enviados para publicação na revista Astronomy & Astrophysics.

Animação da precessão de pulsar.
Crédito: Universidade de Pádua (Itália)
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ESA (Nota de Imprensa)
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