Banner
Fórum de Astronomia
menu Núcleo de Astronomia Observações astronómicas Arquivo das newsletters Fórum de Astronomia CCVAlg.pt
NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 224
25 de Abril de 2006
arrow COMETA SUICIDA PASSA PERTO DA TERRA thingy

Os astrónomos irão dentro em breve observar um espectáculo celeste de perto, quando um cometa que se está fragmentando em mais de 30 bocados passar pela Terra. O cometa 73P/Schwassmann-Wachmann 3 tem vindo a fragmentar-se desde 1995, mas entre os dias 12 e 14 de Maio estará mais perto da Terra do que qualquer outro cometa desde 1983.

Felizmente não ameaça o nosso planeta dado que, mesma na sua maior aproximação, o mais próximo dos bocados estará vinte vezes mais distante que a Lua.

Mas os astrónomos de todo o mundo irão aproveitar a relativa próxima passagem. Os telescópios espaciais Hubble e Spitzer irão juntar-se a dúzias de observatórios terrestres para a campanha de observação. E os cientistas esperam que o mais brilhante dos fragmentos cometários seja visível de binóculos e possivelmente, embora tenuamente, a olho nu.


O Cometa 73P/Schwassmann-Wachmann 3, no processo de fragmentação, fará uma próxima passagem pela Terra a partir de 12 de Maio.
Crédito: T. Puckett/NASA

Ao estudar os materiais expostos pela fragmentação, os astrónomos esperam aprender mais sobre o interior dos cometas, onde os ingredientes originais dos primeiros tempos de vida do Sistema Solar pensa-se que estejam preservados. Por essa razão, alguns astrónomos vêm o evento como uma versão grátis da explosiva missão Deep Impact da NASA.

Também esperam compreender melhor o como e porquê de tais cometas se fragmentarem. Por razões ainda largamente desconhecidas, o cometa 73P partiu-se em cinco bocados em 1995. Sabe-se que forças gravitacionais partem alguns cometas, tal como o famoso cometa Shoemaker-Levy 9 que acabou a sua existência com uma espectacular colisão em Júpiter. Mas o cometa 73P segue uma órbita solar de 5.4 anos que não o leva nem perto de Júpiter ou do Sol o suficiente para os seus puxos gravitacionais serem os culpados.

O gatilho inicial que começou o processo de fragmentação do cometa 73P em 1995 é ainda uma matéria especulativa. "Suspeitamos que a rotação possa contribuir, mas pode não ser só a rotação. Pode até haver uma espécie de stress termal," diz Zdenek Sekanina, físico cometário no JPL da NASA na Califórnia.

Uma pista acerca deste mistério poderá vir da cronologia de observações em 1995. Os astrónomos observaram dois súbitos aumentos de brilho do cometa em Setembro e em Novembro. Seguidamente, em Dezembro, os observadores capturaram o primeiro olhar do cometa 73P na sua forma fragmentária.

Tais "flares" pensam-se que sejam causados pela sublimação de gelo exposto a partir do interior do cometa. Os cometas fragmentários são regularmente detectados devidos a estes aumentos no seu brilho. Mas permanece incerto se causam de facto a sua fragmentação ou se são simplesmente um efeito posterior da quebra que ocorreu através de outros processos.

Em qualquer caso, o cometa 73P está ainda em fragmentação. O resto do cometa-mãe é conhecido como componente C e aos outros pedaços foram atribuídos letras seguintes do alfabeto. Até esta semana, os astrónomos já tinham contado e nomeado 37 fragmentos.

Alguns dos pedaços sobreviveram duas órbitas em torno do Sol desde a divisão original em 1995. Mas outros perderam-se. Por exemplo, os componentes A, D, E e F não foram avistados este ano. Podem ter-se fragmentado em bocados demasiado pequenos para serem observados ou podem simplesmente não estar activos, e por isso invisíveis. Mas pelo menos 33 mini-cometas poderão proporcionar um espectáculo de luz quando passarem pela Terra.

Alguns cometas fragmentários, tal como o Cometa Biela no século XIX, produziram chuvas de meteoros quando passavam pelo nosso planeta. Mas Paul Wiegert, da Universidade de Western Ontario, não espera que tal aconteça em Maio, com base na natureza da fragmentação de 1995.

Ele diz que a nuvem de detritos do cometa provavelmente só alcançará a Terra em 2022. "Mas as coisas mudaram um bocado porque o cometa continua a fragmentar-se," acrescenta. "Por isso é um bocado difícil dizer se veremos ou não chuvas de meteoros [do cometa 73P] este ano."

Links:

Notícias relacionadas:
Xinhua
Yahoo! News
Universe Today
NASA

Cometa 73P/Schwassmann-Wachmann 3:
Gary W. Kronk's Cometography
Seiichi Yoshida
Wikipedia
Efemérides (NEO)
Efemérides (Harvard)

separator
 
arrow OMEGA DESCOBRE LOCAIS PARA EXPLORAÇÃO DE VIDA EM MARTE thingy

Ao mapear minerais na superfície de Marte, usando a sonda europeia Mars Express, cientistas descobriram três eras da história geológica de Marte - anunciadas na edição de 20 de Abril da revista Science - e encontraram pistas valiosas no que respeita a locais onde a vida poderia ter-se desenvolvido.


O instrumento OMEGA identificou bons locais para futuras explorações de vida em Marte. A imagem mostra uma perspectiva de cores-falsas da região Mawrth Vallis em Marte, derivada do instrumento HRSC a bordo da Mars Express.
Crédito: ESA/OMEGA/HRSC
(clique na imagem para ver versão maior)

O novo trabalho mostra que grandes corpos de água poderão ter estado presentes em Marte apenas num passado remoto, há mais ou menos 4 mil milhões de anos atrás, se de todo. Em cerca de meio milhar de milhão de anos, estas condições tinham praticamente desaparecido.

Os resultados vêm do instrumento OMEGA (Observatoire pour la Mineralogie, l'Eau, les Glaces et l'Activite) a bordo da Mars Express. Num ano marciano de operação (687 dias), a OMEGA mapeou 90% da superfície, permitindo a identificação de uma variedade de minerais e os processos pelos quais foram alterados durante o curso da história Marciana. Os mapas permitiram que uma equipa de cientistas, liderada pelo Professor Jean-Pierre Bibring, do IAS (Institut d'Astrophysique Spatiale), em Orsay, França, identificasse três eras geológicas para Marte.

A mais antiga, chamada pelos autores de era 'phyllosian', ocorreu há 4.5-4.2 mil milhões de anos atrás, pouco depois da formação do planeta. O ambiente era possivelmente quente e húmido nesta altura, permitindo a formação de leitos de barro a larga-escala, muitos dos quais ainda hoje sobrevivem.


A imagem mostra a distribuição global de minerais hidratados (ricos em água), descobertos pelo instrumento OMEGA. As marcas vermelhas indicam a presença de filosilicatos, as azuis sulfatos, e as amarelas outros minerais hidratados.
Crédito: IAS/OMEGA/ESA
(clique na imagem para ver versão maior)

A segunda era, a 'theiikian', teve lugar entre 4.2 e 3.8 mil milhões de anos atrás. Foi uma época de erupções vulcânicas a nível planetário que alteraram dramaticamente o clima global. Em particular, o enxofre que estas erupções libertaram para a atmosfera reagiram com a água para produzir chuva ácida, que alterou a composição das rochas à superfície onde esta caía.

Finalmente, existiu a 'siderikian', a mais longa das eras marcianas. Começou há volta de 3.8-3.5 mil milhões de anos e continua ainda hoje. Existe pouca água nesta era; ao invés, as rochas parecem ter sido alteradas durante uma lenta erosão pela ténue atmosfera marciana. Este processo deu a Marte a sua cor avermelhada.

As eras têm o seu nome derivado das palavras gregas dos minerais predominantes em cada. A que estava mais apta a suportar vida era a phyllosian, quando os leitos barrentos se poderiam ter formado no fundo de lagos ou mares, providenciando condições húmidas onde os processos de vida poderão ter começado.

No entanto, ainda existem muitas questões por responder. A equipa aponta que estes leitos podem ter-se formado debaixo da terra, em vez de em lagos ou mares.

"A actividade hidrotermal por baixo da superfície, o impacto de asteróides que transportavam água, até mesmo o arrefecimento natural do planeta, todos estes factores poderão ter induzido a formação de barro por baixo da superfície de Marte. Se for este o caso, as condições à superfície deverão ter sido sempre frias e secas," disse Bibring.


A imagem da esquerda mostra uma região de Marwth Vallis em Marte, vista pela sonda Mars Global Surveyor. O instrumento OMEGA a bordo da Mars Express mapeou locais hidratados nesta área (imagem da direita). Os minerais não se encontram nos canais (seta azul) como se esperaria, mas nos flancos escavados e nos planaltos craterados (seta vermelha).
Crédito: IAS/OMEGA/ESA
(clique na imagem para ver versão maior)

Após este período inicial, a água desapareceu quase por completo da superfície do planeta, quer por infiltrações subterrâneas, ou por perdas para o espaço. À excepção de alguns efémeros eventos aquáticos, Marte tornou-se o deserto frio e seco que as sondas vêm hoje. Esta nova identificação de leitos de barro em Marte apontam para alvos de alta-prioridade para futuros "landers" que procurem investigar se Marte alguma vez teve vida.

"Se organismos vivos realmente existiram em Marte, o material barrento seria onde este desenvolvimento bioquímico ocorreria, oferecendo locais excitantes para a futura exploração devido às frias condições marcianas poderem ter preservado a maioria dos registos de moléculas biológicas até hoje," concluíu Bibring.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Universe Today
PhysOrg.com
Space Ref
Astrobiology Magazine

Mars Express:
Página oficial da ESA
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

separator
 
arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Nuvens estelares sobre o Arizona - Crédito: Ulrich Beinert
As nuvens no plano da frente são muito diferentes que as nuvens no pano de fundo. As primeiras são fotogénicas nuvens de água da Terra. A longa exposição usada para criar a fotografia do lado faz com que a luz da esquerda, reflectida a partir de Phoenix, no Arizona, aparecer como um pôr-do-Sol. Distantes, no entanto, estão as nuvens estelares do disco da nossa própria Via Láctea. Milhares de milhões de estrelas como o nosso Sol vivem aí, circulando o Centro Galáctico a cada 200 milhões de anos. O contraste entre as nuvens de água e as nuvens estelares foi aumentado digitalmente. Entre as duas, visível no canto superior direito, está o planeta Júpiter.
Ver imagem em alta-resolução
     
separator
 
  ESPAÇO ABERTO  
 

Observação astronómica, dia 6 de Maio de 2006, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 25/04: 115º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1983 a sonda Pioneer passava para além da órbita de Plutão.
Em 1990, astronautas a bordo do Space Shuttle Discovery (STS-31) reparam o Telescópio Espacial Hubble.
Observações: Saturno encontra-se na quadratura, 90º Este do Sol no céu nocturno. Por isso, este mês e o próximo, estaremos a ver a sombra do globo de Saturno projectada de lado sobre os anéis.

Dia 26/04: 116º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1920 decorria o debate Shapley-Curtis sobre a natureza e distância das "nebulosas" espirais, na Academia Nacional de Ciências em Washington, D.C.. Shapley acreditava que a Via Láctea era todo o Universo, enquanto que Curtis apoiava a teoria de um "universo ilha".
Em 1933 nascia Arno Penzias, que ganhou o prémio Nobel pelo seu contributo na descoberta da radiação cósmica de fundo.

Dia 27/04: 117º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1999, passagem do Asteróide 1989 ML pela Terra (0.2520 UA).
Observações: Lua Nova, exactamente às 20:44 GMT.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Um pulsar é uma estrela de neutrões que emite pulsos de sinal no rádio. Estas estrelas não são visíveis nas frequências que são observadas pelo olho humano embora possam estar associados a nuvens de gás resultantes da supernova que lhes deu origem, como é o caso da Nebulosa do Caranguejo (M1). Este pulsar foi o primeiro a ser descoberto por Jocelyn Bell, em 1967.
 
 
Fórum de Astronomia
 
  PERGUNTE AO ASTRÓNOMO:  
 
Tem alguma dúvida sobre Astronomia no geral que gostaria de ver esclarecida? Pergunte-nos! Tentaremos responder à sua questão da melhor maneira possível.
 
 
Download Firefox! Download Thunderbird! 
Este é um boletim informativo. Por favor, não responda ao e-mail.
Compilado por: Miguel Montes e Alexandre Costa
Consulte o nosso sítio em: http://www.ccvalg.pt/astronomia
Para sair da nossa lista, carregue aqui.
Ccvalg.pt