Left Marker
Logo
BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 247
18 de Julho de 2006
Right Marker
Menu
 
 

ASTRÓNOMOS VÊM NOSSAS ORIGENS EM EXPLOSÃO COM 20 ANOS

Em 1987 uma estrela massiva explodiu numa galáxia vizinha, num evento chamado supernova. Foi a supernova mais perto da Terra desde a invenção do telescópio há séculos atrás. Os maiores observatórios e milhões de pessoas por todo o mundo acompanharam com atenção a morte desta estrela.

Agora, quase 20 anos depois, a explosão está a revelar sinais de vida - na forma de partículas de poeira, blocos de construção de planetas rochosos e de todas as criaturas vivas. E os astrónomos estão outra vez cativados.


Imagem de SN 1987A combinada com dados do Chandra e do telescópio Gemini Sul. Os raios-X detectados pelo Chandra têm aqui a cor azul. O infravermelho do Gemini tem vermelho e verde. O que resta do núcleo da estrela não é aqui visível. O anel é produzido por gás quente (na sua maioria raios-X) e poeira fria (na sua maioria radiação infravermelha) da estrela interagindo com a região interestelar.
Crédito: Gemini/NASA

"A Supernova 1987A está a mudar mesmo em frente aos nossos olhos," disse o Dr. Eli Dwek, especialista de poeira cósmica do Centro Aerospacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland. Durante vários anos, Dwek acompanhou esta supernova, com o nome de 1987A porque foi o ano em que foi descoberta na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã vizinha. "O que estamos a ver agora é um marco na evolução de uma supernova."

Usando telescópios infravermelhos, Dwek e seus colegas detectaram poeira de silicatos, criada pela estrela antes de explodir. Esta poeira sobreviveu a intensa radiação da explosão. Quase 20 anos depois, a onda de choque da supernova passando pelos detritos libertados pela estrela antes da sua espectacular morte está agora a "varrer" esta poeira, tornando o material "visível" aos detectores infravermelhos.

A poeira - partículas químicas e cristais mais finos que areia da praia - é tanto uma frustração como um fascínio para os astrónomos. A poeira pode obscurecer a observação de estrelas distantes. Mas mesmo assim a poeira é o material do qual todos os corpos sólidos são formados. É por isso que o estudo da poeira, por mais desinteressante que soe, é um dos mais importantes tópicos na Astronomia e na Astrobiologia.

A poeira é fabricada nas estrelas e projectada para o espaço pelos ventos estelares e supernovas, e encontra-se em qualquer lado do Universo. Mas pouco é sabido acerca da sua origem e dos processos que a afectam. Quanta poeira é criada numa estrela? E quanta sobrevive a explosão de uma estrela e subsequente viagem pelo espaço interestelar? E como é que estas insignificantes nuvens de poeira formam planetas e, no fim, vida?

Estas são as questões que cientistas como Eli Dwek e seu colega Dr. Patrice Bouchet do Observatório de Paris esperam responder. Com 1987A, têm um laboratório perfeito para observar como este processo se desenrola.

Este território é novo para os astrónomos, disse Bouchet, cuja equipa de pesquisa tem feito observações no infravermelho de SN 1987A com o telescópio Gemini Sul no Chile. A equipa de Bouchet está a testemunhar processos nunca antes vistos. Esta é a primeira vez que os cientistas têm provas directas que a poeira de uma grande estrela sobreviveu a uma supernova; a primeira vez que detectam poeira fria junta a gás, emitindo raios-X e com temperaturas na ordem dos milhões de graus; e a primeira vez que observam precipitação, o processo no qual a poeira sofre erosão por colisões com gás quente.

Muito sinceramente não sabem o que esperar, e já tropeçaram nalgumas surpresas.

Os telescópios infravermelhos são cruciais para este tipo de observação. A poeira tem pouco mais que 100 graus acima do ponto de solidificação da água e é demasiado fria para emitir luz no visível. A radiação infravermelha é uma forma de radiação menos energética que a luz visível. Por isso, enquanto os telescópios ópticos como o Hubble podem ver gás, os instrumentos infravermelhos, parecidos com binóculos de visão nocturna, são necessários para ver a poeira escura e fria.

Através de imagens infravermelhas de alta-resolução com o telescópio de 8 metros Gemini Sul, a equipa científica determinou que a poeira encontra-se na região do anel gasoso equatorial em torno de SN 1987A. Isto sugere que o anel foi libertado pela estrela cerca de 600,000 anos antes de explodir, e que a poeira no anel foi formada pelo vento estelar e não na posterior explosão de supernova.

A onda de choque da explosão da estrela alcançou agora o anel. A colisão chocou o gás e elevou a sua temperatura aos 10 milhões de graus, que aquece a poeira, fazendo-a brilhar nos comprimentos de onda infravermelhos.

"Isto já se esperava," disse Bouchet. "A colisão entre o material ejectado da supernova 1987A e o anel equatorial foi prevista ocorrer algures entre 1995 e 2007, e está agora a acontecer."

Com a localização da poeira já determinada, os cientistas usaram o fino olho do Telescópio Espacial Spitzer da NASA para determinar a composição desta poeira. Para sua grande surpresa, a poeira é composta por puras partículas de silicatos.

Outro achado importante é a equipa ter detectado muito menos poeira do que o esperado. Uma estrela tão massiva como foi esta, provavelmente produziu mais poeira de silicatos nos anos antes da supernova. A sub-abundância de poeira detectada pelo Spitzer e pelo Gemini Sul poderá significar que a onda de choque da supernova destrói mais poeira do que se pensava. A confirmar, isto terá largas implicações na determinação da origem da poeira pelo Universo.

No entanto, este trabalho está ainda em progresso. "Resumindo, estamos a observar a interacção da onda de choque da supernova com o seu meio vizinho, criando um ambiente rapidamente em mudança a todos os comprimentos de onda," disse Bouchet.

Por essa razão os cientistas estão a planear uma nova série de observações no infravermelho, óptico e raios-X de SN 1987A com o Spitzer, Hubble e Chandra, os três grandes observatórios da NASA, agora que a supernova se tornou novamente muito interessante. Quem sabe o que irá ser revelado uma vez que a poeira assente?

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (fonte)
USA Today

SN 1987A:
SEDS
Wikipedia
The Electric Universe

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Venus Express alcança Vénus - Crédito: ESA/MPS, Katlenburg-Lindau, Germany
A Humanidade tem agora uma sonda a orbitar Vénus. A sonda robótica Venus Express foi lançada pela ESA em Novembro de 2005 e alcançou Vénus a Abril de 2006. Está agora a orbitar a irmã da Terra e a enviar imagens. No lado está um filme a cores falsas no ultravioleta capturado pela sonda à medida que passava pelo Hemisfério Norte no fim de Maio. Está planeado para a Venus Express orbitar Vénus durante três anos para recolher dados que possam ajudar a responder a questões que incluem o porquê de Vénus continuamente gerar ventos com a força de furacões, o porquê de Vénus se ter tornado tão quente, e se existe actualmente actividade vulcânica. Espera-se que um melhor conhecimento sobre o quente e nada hospitaleiro clima de Vénus ajude a Humanidade a melhor compreender também o clima da Terra.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  ASTRONOMIA NO VERÃO  
 

De 1 de Julho a 15 de Setembro, todas as noites excepto às Segundas, entre as 21:00 e as 23:00, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.
Observações dependentes das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 18/07: 199º dia do  calendário gregoriano.
História: A Apollo 11 prepara-se para aterrar na Lua.
Observações: Mercúrio passa pela conjunção inferior hoje (passa perto da nossa linha de visão do Sol).

Dia 19/07: 200º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1846 nascia Edward Pickering, espectroscopista americano pioneiro e director do Observatório da Universidade de Harvard entre 1876 e 1919; esta foi a era da introdução da fotografia na Astronomia e a colecção de chapas fotográficas iniciada durante o tempo de Pickering é ainda uma valiosa fonte de dados.
Em 1985, o Presidente George H. W. Bush decide mandar pela primeira vez um professor para o espaço. A professora Christa McAuliffe seria a primeira a bordo do Space Shuttle Challenger na missão STS-51-L que a 28 de Janeiro de 1986 explodiria 73 segundos após o lançamento.

Dia 20/07: 201º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1969 os primeiros humanos aterram na Lua: a missão Apollo 11 com os astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin. A maioria das pessoas não sabe que as famosas palavras de Armstrong eram para ser: "Um pequeno passo para um homem. Um grande salto para a Humanidade."
Em 1976 a sonda Viking 1 aterra em Marte e são tiradas as primeiras imagens da sua superfície.
Em 1999 a sonda Liberty Bell 7 do programa Mercúrio era retirada do Oceano Atlântico.
Em 2001, a Cosmos 1, um teste de voo suborbital de uma vela solar, é perdida durante uma rara falha do terceiro estágio do foguetão.
Observações: Julho é a altura do ano em que a constelação do Escorpião - brilhante e bonita a olho nu, e rica em maravilhas telescópicas - fica mais alta a Sul depois do anoitecer. Não a deixe escapar antes que a estação avance muito mais!

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Alguns dos mais poderosos terramotos que "abalaram" a Terra foram situados perto de Memphis, EUA, entre 1811 e 1812. Um deles foi tão violento que fez com que o rio Mississipi (alegadamente) corresse em sentido contrário durante alguns minutos.
 
 
  PERGUNTE AO ASTRÓNOMO:  
 
Tem alguma dúvida sobre Astronomia no geral que gostaria de ver esclarecida? Pergunte-nos! Tentaremos responder à sua questão da melhor maneira possível.
 
 
Fórum de Astronomia
 
Bottom thingy left  
Browser recomendado
 
RSS Feed - ainda não implementado
 
Página do Centro Ciência Viva do Algarve
  Bottom thingy right
Boletim informativo, p.f. não responda ao e-mail. Remover da lista.
Compilado por: Miguel Montes e Alexandre Costa
 
Leitor de e-mail recomendado Browser recomendado Calendário de actividades astronómicas Arquivos de todas as edições dos boletins astronómicos Fórum de discussão sobre Astronomia Página do Centro Ciência Viva do Algarve Browser recomendado Leitor de e-mails recomendado