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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 253
8 de Agosto de 2006
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BIG BANG PODERÁ TER MAIS DOIS MIL MILHÕES DE ANOS

De acordo com novas medições da distância de uma galáxia vizinha, o nosso Universo pode ser 15% maior e mais velho do que se pensava.

Cientistas liderados por Alceste Bonanos do Instituto Carnegie em Washington, usaram dados de telescópios como o Keck-II (10 metros) no Hawaii, para medir a distância de um par de estrelas na galáxia do Triângulo (M33).


Novas observações da galáxia do Triângulo sugerem que se encontra a 3 milhões de anos-luz de distância - 15% mais do que anteriormente se pensava.
Crédito: Telescópio Canadá-França-Hawaii/J-C Cuillandre)

A equipa usou medições da luz, velocidade e temperatura para calcular a luminosidade verdadeira das duas estrelas, que se eclipsam uma à outra a cada cinco dias. Ao comparar esta luminosidade intrínseca com o seu brilho observado, a equipa calculou que a galáxia se situa a 3.14 milhões de anos-luz de distância. Surpreendentemente, é aproximadamente meio milhão de anos-luz mais longe do que se pensava.

Medir distâncias astronómicas não é simples. Objectos distantes e brilhantes, por exemplo, podem parecer tal e qual estrelas mais ténues e mais próximas. Por isso os astrónomos construíram um sistema tipo-escada que começa pela utilização de alguns métodos independentes para precisamente determinar a distância dos objectos próximos. Utilizam depois estas medições para definir uma medida cósmica mais distante, e assim por diante.

"Em cada passo, acumula-se erros," diz o membro da equipa Krysztof Stanek da Universidade Estatal do Ohio em Columbus. "Nós queríamos uma medida independente da distância - um único passo que um dia ajudará a medir a energia escura e outras coisas."

Aferindo distâncias pela observação de uma estrela dupla eliminou esses passos extra, diz o membro da equipa Norbert Przybilla da Universidade de Erlangen-Nuremberga, Alemanha. "É a distância maior que alguém já conseguiu medir directamente," disse. "É do melhor que se pode fazer com estes telescópios."

Medições anteriores foram baseadas em cálculos usando a constante de Hubble, uma medida de expansão e idade do Universo. A nova observação implica que o valor usado para a constante está errado cerca de 15%, diz Przybilla.

Isto sugere que o Universo é 15% maior, e 15% mais velho do que se pensava. Estimativas recentes põem a idade do Universo em 13.7 mil milhões de anos, e a nova pesquisa sugere que poderá estar mais na ordem dos 15.8 mil milhões de anos.

"O nosso resultado aponta para algo interessante que poderá estar a acontecer com a constante de Hubble," diz Przybilla. Mas é cauteloso ao dizer que os estudos identificam apenas uma medição de uma distância. "Precisamos seguir esta teoria com mais medições."

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo científico (formato PDF)
SPACE.com
Monsters & Critics
Los Angeles Times
Spaceflight Now
EARTHtimes.org

M33:
Wikipedia
SEDS

 
 

PAR DE "PLANEMOS" NAVEGAM SOZINHOS

Dois objectos livres de estrela foram descobertos orbitando-se um ao outro pela primeira vez. Este achado levanta questões de como objectos tão pequenos se poderão ter formado.


Um par de objectos de massa planetária orbitam-se um ao outro, cada rodeado por um disco de poeira.
Crédito: ESO

Corpos que têm a massa de um planeta mas não se encontram em torno de uma estrela são chamados de objectos de massa planetária, ou "planemos". Os astrónomos não têm a certeza de como se formam, pois os planetas como os do Sistema Solar nascem a partir de um disco de gás e poeira em torno de uma estrela.

Uma ideia é que são na realidade estrelas em estado embrionário que foram ejectadas das suas nuvens maternas cedo demais. Sem combustível para permitir o seu crescimento, nunca passaram para além da massa de um planeta. Mas o recém-descoberto par de planemos desafia este cenário.

O sistema, chamado Oph 16225-240515, situa-se a cerca de 400 anos-luz da Terra. Foi previamente identificado como um possível livre planemo, mas agora sabe-se que é um par de objectos.

A descoberta foi feita por Ray Jayawardhana da Universidade de Toronto, Canadá, e Valentin Ivanov do ESO em Santiago, Chile. Usaram o VLT em Paranal para obter imagens e dados do espectro dos objectos.

Os cientistas calculam que os objectos têm entre 7 e 14 vezes a massa de Júpiter, respectivamente. Parecem estar separados por uma distância de 240 unidades astronómicas - 1 UA é a distância entre a Terra e o Sol.

Os dois estão gravitacionalmente ligados, mas pouco, devido à sua relativamente grande distância que os separa e por terem relativamente baixas massas. Isto levanta dúvidas acerca da hipótese de ejecção estelar embrionária, porque o par provavelmente teria sido "desligado" um do outro por tal evento violento, destaca a equipa.

"Não deveriam ter sobrevivido a tal nascimento caótico," disse Jayawardhana. "Providencia um dos mais extremos testes do modelo de ejecção."

Ao invés, a descoberta sugere que os planemos se formam tal como as estrelas, em frias nuvens de gás. Neste cenário, atingem o seu pequeno tamanho devido às nuvens de gás serem logo relativamente pequenas, não por terem sido ejectados.

Links:

Notícias relacionadas:
BBC News
Spacedaily
SPACE.com
EARTHtimes.org

Planemo:
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Céu de Cerro Tololo - Crédito: Roger Smith, AURA, NOAO, NSF
No topo dos montes chilenos situa-se um dos melhores observatórios do Hemisfério Sul: o Observatório Inter-Americano Cerro Tololo (CTIO). Na imagem do lado temos a cúpula que rodeia um dos instrumentos mais conhecidos do local, o telescópio de 4 metros Blanco. No fundo da cúpula estão milhares de estrelas individuais e a luz difusa de três galáxias: a Pequena Nuvem de Magalhães (canto superior esquerdo), a Grande Nuvem de Magalhães (esquerda em baixo), e a nossa Via Láctea (direita). Também visível para a direita do Blanco estão as estrelas que perfazem a famosa constelação do Cruzeiro do Sul. Uma única exposição de 20 segundos, esta imagem digital foi registada com um detector sensível usado na Astronomia.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  ASTRONOMIA NO VERÃO  
 

De 1 de Julho a 15 de Setembro, todas as noites excepto às Segundas, entre as 21:30 e as 23:30, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.
Observações dependentes das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 08/08: 220º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1989 era lançado o STS-28. A quarta missão secreta do Departamento de Defesa americano. Tempo de duração: 5 dias, 1 hora, 0 minutos e 8 segundos.
Observações: Lua Cheia, por volta das 11:54.

Dia 09/08: 221º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 7. A 6 de Março de 1974 o orbiter/lander falha a entrada na órbita de Marte. A órbita torna-se assim solar.

Dia 10/08: 222º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1945, morria Robert Goddard, um homem de visão que propôs que se enviasse foguetões à Lua já nos anos 20.
Em 1966 era lançado o Lunar Orbiter 1, missão de estudo para a série Apollo.
Em 1999 os Sistemas de Ciência Espacial Malin anunciam a confirmação que descreve o nosso vizinho Marte como um local de mudanças meteorológicas e geológicas ao longo do tempo. Um planeta activo é mais provável de conter vida.
Em 2000, uma equipa liderada por astrónomos da Universidade de Columbia descobrem o mais jovem pulsar, nascido de uma explosão há cerca de 700 anos atrás. Situado no lado oposto da Via Láctea, possui características invulgares que podem forçar os cientistas a reconsiderar como os pulsares são criados e evoluem.
Observações: Mercúrio encontra-se a 2.2º Sul de Vénus, a mais pequena distância antes de começar a sua viagem para o nascer-do-Sol.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Astrofobia - medo das estrelas e do espaço celestial.
 
 
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