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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 266
23 de Setembro de 2006
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DESCOBERTO UM NOVO TIPO DE SUPERNOVAS

Um grupo de cientistas ligado à SuperNova Legacy Survey (SNLS) encontrou evidências muito fortes de que existirá mais que um tipo de supernova Ia. As supernovas Ia são uma classe de estrelas associadas a explosões terminais que até agora era considerado essencialmente uniforme em todos os aspectos importantes. No entanto, a supernova SNLS-03D3bb possui mais do dobro do brilho das supernovas do tipo Ia mas possui muito menos energia cinética e parece envolver apenas metade da massa das supernovas do tipo Ia típicas.


Supernova SNLS-03D3bb.
Crédito: LBL

Os autores da descoberta que surge na revista Nature de 21 de Setembro com o título “A type-Ia Supernova From a Super-Chandrasekhar Mass White Dwarf Star,” , incluem Andrew Howell, que fez parte da Divisão de Física do Lawrence Berkeley National Laboratory e que agora trabalha na Universidade de Toronto e Peter Nugent, um astrofísico da Divisão de Investigação Computacional dos Laboratórios de Berkeley. São também autores Mark Sullivan da Universidade de Toronto e Richard Ellis do California Institute of Technology. Estes e muitos outros autores do artigo trabalham em comum no Supernova Cosmology Project que está sediado no Laboratório de Berkeley.

Dado que quase todas as supernovas do Tipo Ia encontradas até agora, embora não fossem particularmente brilhantes, tinham uma luminosidade invulgarmente uniforme, eram consideradas "velas padronizadas" para a determinação de distâncias cosmológicas. Em 1998, após as observações de muitas supernovas do Tipo Ia longínquas, o Supernova Cosmology Project e o projecto rival High-Z Supernova Search Team anunciaram a sua descoberta de que o Universo se encontra em expansão acelerada, uma descoberta que rapidamente foi explicada através de algo desconhecido chamado energia escura que preenche o Universo e que se opõe à força gravitacional da atracção mútua entre a matéria.

“As supernovas do tipo Ia são consideradas indicadores fiáveis de distância devido a possuírem uma quantidade padrão de combustível - o carbono e o oxigénio numa anã branca - e terem uma forma uniforme de ser despoletadas.” disse Nugent. “Prevê-se que expludam quando a massa da anã branca atinge a massa limite de Chandrasekhar que é cerca de 1.4 vezes a massa do Sol. O facto de SNLS-03D3bb se encontrar bem acima desta massa de certa forma abre uma caixa de Pandora.”

A classificação dos tipos de supernova é baseado no seu espectro. As supernovas do tipo Ia não têm linhas de hidrogénio no seu espectro mas possuem linhas de absorção de silício devido à química das suas explosões. Acredita-se que este tipo de supernova é resultado de um sistema binário em que existe uma estrela anã branca e uma estrela mais jovem. A estrela anã branca, com uma massa que inicialmente é cerca de 2/3 da massa do Sol acreta massa da sua companheira até que atinge o limite de Chandrasekhar. O aumento da pressão no interior da estrela provoca a fusão do oxigénio e do carbono, o que leva à formação dos elementos da tabela periódica até ao níquel; a energia libertada no processo destrói a estrela numa explosão termonuclear violentíssima.

Têm sido encontradas pequenas variações do Tipo Ia, mas que se têm mostrado facilmente reconciliáveis. As estrelas mais brilhantes levam um pouco mais a atingir o brilho máximo e depois também um pouco mais na demora a perder o seu brilho. Quando os tempos das curvas de luz são ajustadas de modo a ser normalizadas e o brilho é ajustado de modo equivalente, as curvas de todas as supernovas do tipo Ia coincidem.

Estas diferenças de brilho podem dever-se a diferenças nas proporções de carbono e oxigénio das estrelas anãs brancas ou até devidas a assimetrias geométricas na forma como visualizamos a explosão.

No entanto nenhuma destas diferenças é suficiente para explicar o brilho extremo da supernova SNLS-03D3bb. Para além do mais a massa ejectada nas supernovas mais brilhantes viaja a maiores velocidades enquanto os materiais ejectados pela SNLS-03D3bb são invulgarmente lentos.

“Andy Howell considerou a partir destes dados que a SNLS-03D3bb deverá ter uma massa supra-Chandrasekhar” disse Nugent.

“O modelo de Chandrasekhar de 1931 para o colapso estelar era elegante e permitiu-lhe ganhar um prémio Nobel” disse Nugent. “No entanto, era um modelo unidimensional simples. O simples facto de se introduzir rotação é suficiente para que se exceda a massa de Chandrasekhar como ele próprio reconheceu.”

Esta descoberta abre agora novos problemas de investigação para os quais os astrofísicos procuram agora as soluções.

Links:

Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa (LBL)
Universe Today

Supernovas:
Wikipedia
NASA
Projecto cosmológico de Berkeley

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
 

Foto

 
Saturno: Um novo anel - Crédito: NASA/JPL/SSI
Um novo anel difuso, coincidente com as luas de Saturno Jano e Epimeteus foi revelado pela sonda Cassini nesta imagem capturada no passado dia 15 de Setembro. O novo anel é visível nesta imagem (marcado com uma cruz) no exterior dos aneis principais e no interior dos aneis G e E. O anel E é extremamente amplo e cruza os limites superior e inferior da imagem. A imagem foi tirada no visível com a câmara grande angular da sonda a uma distância de 2,2 milhões de quilómetros de Saturno.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 23/09: 266º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1846, Johann Galle do Observatório de Berlim observa e identifica o planeta Neptuno pela primeira vez.
Em 1999, a NASA anunciava ter perdido o contacto com a Mars Climate Orbiter.
Observações: O Outono começa às 5h (hora local).

Dia 24/09: 267º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1970, a primeira sonda não-tripulada, a soviética Luna 16, regressa da Lua com mais de um quilograma de material lunar.
Observações: Mercúrio encontra-se a 1,8 ºN da Lua às 5h (hora local). Durante esta noite Espiga estará muito próxima da Lua depois da máxima proximidade ser de 0,5º por volta das 15h (hora local). Tentar descobrir a Lua e Mercúrio logo após o por-do-sol será um grande desafio esta noite.

Dia 25/09: 268º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1644, nascia Ole Romer, um astrónomo dinamarquês que foi responsável pela demonstração de que a velocidade da luz era finita contrariamente ao que se pensava à data.
Observações: Ainda é altura para observar Júpiter, após o por-do sol e aproveitar para tirar algumas fotografias.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Vénus é o planeta do sistema solar com o dia mais longo (247 dias). De facto, o dia venusiano dura mais que o seu ano, que dura 224,7 dias.
 
 
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