A EVOLUÇÃO DAS GALÁXIAS
Usando o instrumento VIMOS do Very Large Telescope (VLT) do ESO, uma equipa de astrónomos franceses e italianos mostrou a forte influência que o meio exerce sobre a forma como as galáxias evoluem. Os cientistas mapearam pela primeira vez partes remotas do Universo, mostrando que a distribuição das galáxias evoluíu consideravelmente ao longo do tempo, dependendo sobretudo das interacções com as vizinhanças. Esta descoberta coloca novos desafios às teorias de formação e evolução de galáxias.
Há uma questão fundamental na Astronomia galáctica: serão as galáxias simplesmente o produto das condições primordiais em que são criadas ou serão as ocorrências no seu passado a causa da sua evolução actual?
Ao longo de três anos, esta equipa de investigadores estudou mais de 6500 galáxias distribuídas até mais de 9 mil milhões de anos-luz para construir um atlas tridimensional do Universo.
Este novo censo mostra que a relação das propriedades das galáxias com as suas vizinhanças era muito diferente há 7 mil milhões de anos. Descobriram por isso que a luminosidade das galáxias, as suas propriedades iniciais e as suas vizinhanças determinam fortemente a sua evolução.
Os resultados obtidos não sugerem no entanto uma solução simples para a pergunta-chave, pois embora as galáxias parecem ser condicionadas pelas suas condições de formação, parece também haver forte condicionamento na evolução determinado pelas interacções com as vizinhanças.

Distribuição das galáxias no espaço.
Crédito: Observatório Europeu do Sul (ESO)
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Ao observar galáxias de várias idades, os astrónomos esperavam obter uma ideia de como a correlação entre as condições iniciais e as alterações por interacção com as vizinhanças terá evoluído ao longo do tempo.
“Usando o VIMOS, conseguimos obter a maior amostra de galáxias disponível até hoje e estudar muitos objectos simultaneamente obtendo mais medidas que anteriormente,” disse Angela Iovino, do Observatório Astronómico de Brera.
A descoberta desta equipa, de uma clara diferença na relação "cor-densidade" dependendo do facto de a galáxia ser encontrada num enxame ou sozinha, e dependendo ainda da sua luminosidade, tem grandes implicações. A descoberta sugere, por exemplo, que o encontrar-se num enxame elimina a capacidade da galáxia de produzir estrelas mais rapidamente que nas galáxias isoladas. As galáxias mais luminosas também deixam de produzir novas estrelas mais rapidamente que as menos luminosas.
Os cientistas concluem que a relação entre a cor, luminosidade e ambiente local das galáxias não é o resultado das condições primordiais, mas que, tal como nos seres humanos, as relações com as galáxias vizinhas pode ter implicações profundas sobre a sua evolução.
Links:
ESO (Nota de Imprensa)
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