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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 289
13 de Dezembro de 2006
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IMAGENS SUGEREM BREVES FLUXOS DE ÁGUA EM MARTE

Fotografias da NASA revelaram brilhantes novos depósitos vistos em duas "gullies" em Marte que sugerem que água pode ter transportado sedimentos, algures durante os últimos sete anos.

"Estas observações são a maior prova até à data que água ainda corre ocasionalmente na superfície de Marte," disse Michael Meyer, líder científico do programa de exploração de Marte da NASA, em Washington.


Um novo depósito de "gully" numa cratera da Região Centauri Montes.
Crédito: NASA/JPL/Malin Space Science Systems

(clique na imagem para ver versão maior)

A água líquida, ao contrário de gelo ou vapor, que se sabe existirem em Marte, é considerada necessária para a vida. Os novos achados aumentam a discussão sobre a potencial vida microbiana em Marte. A sonda Mars Global Surveyor da NASA providenciou as novas evidências de depósitos, a partir de imagens tiradas em 2004 e 2005.

"As formas destes depósitos são o que se esperaria se o material fosse transportado por água líquida," disse Michael Malin, dos Sistemas Científicos Espaciais Malin, em San Diego. "Parecem ter ramos tipo-dedos na parte mais baixa da encosta e são facilmente desviados à volta de pequenos obstáculos." Malin é o principal investigador para a câmara e o autor principal de um relatório acerca dos achados, publicado na revista Science.

A atmosfera de Marte é tão fina e a temperatura tão fria que a água líquida não pode persistir à superfície. Rapidamente congelaria ou evaporaria. Os cientistas propõem que a água pode permanecer líquida tempo suficiente, depois de ser libertada a partir de uma fonte subterrânea, para transportar detritos encosta abaixo antes de congelar totalmente. Os dois depósitos frescos têm ambos algumas centenas de metros de comprimento.


Um novo depósito de "gully" numa cratera em Terra Sirenum.
Crédito: NASA/JPL/Malin Space Science Systems
(clique na imagem para ver versão maior)

O tom claro dos depósitos pode ser de geadas na superfície, continuamente refornecidas por gelo dentro do corpo do depósito. Outra possibilidade é uma crosta salgada, que pode ser o sinal dos efeitos da água na concentração dos sais. Se os depósitos tivessem resultado de poeira seca, seriam muito provavelmente escuros, com base nos tons negros de poeira recém perturbada pelas marcas dos rovers, demónios de poeira e novas crateras em Marte.

A Mars Global Surveyor descobriu dezenas de milhares de "gullies" em encostas dentro de crateras e outras depressões em Marte. A maioria destas encontram-se a latitudes de 30 graus ou mais. Malin e sua equipa primeiro anunciaram as descobertas das "gullies" em 2000. Para observar mudanças que poderiam indicar fluxos modernos de água, a equipa da câmara tirou repetidamente imagens de centenas de locais. Um par de imagens mostrou uma "gully" que apareceu em meados de 2002. Encontrava-se numa duna de areia, e o processo de corte da "gully" foi interpretada como uma corrente seca de areia.

Este anúncio é o primeiro a revelar novos depósitos de material recentemente transportados por fluídos depois de uma análise anterior das mesmas "gullies". Os dois locais encontram-se dentro de crateras em Terra Sirenum e nas regiões de Centauri Montes, no Sul de Marte.

"Este frescos depósitos sugerem que em alguns lugares e alturas do moderno Marte, a água líquida pode emergir a partir da subsuperfície e brevemente fluir por encostas. Esta possibilidade levanta questões acerca de como a água conseguiria ficar descongelada por baixo do chão, quão espalhada pode estar, e se existe um habitat subterrâneo capaz de suster vida. Futuras missões poderão responder a tais questões", disse Malin.

Além de observar mudanças nas "gullies", a equipa da câmara da sonda estudou a velocidade a que novas crateras de impacto aparecem. A câmara fotografou aproximadamente 98% de Marte em 1999 e aproximadamente 30% do planeta foi outra vez fotografado em 2006. As novas imagens mostram 20 novas crateras de impacto, que variam entre os 2 e 148 metros em diâmetro, que não estavam presentes sete anos antes. Estes resultados têm importantes implicações na determinação das idades das características na superfície de Marte. Estes resultados também coincidem aproximadamente com previsões e implicam que o terreno marciano com poucas crateras é verdadeiramente jovem.


Uma cratera recém-formada no flanco norte do vulcão marciano Ulysses Patera.
Crédito: NASA/JPL/Malin Space Science Systems
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A sonda Mars Global Surveyor começou a orbitar Marte em 1997. A sonda é responsável por muitas descobertas importantes. Desde o princípio de Novembro que a sonda não é ouvida pela NASA. Continuam ainda tentativas de a contactar. A sua longevidade sem precedentes tem permitido monitorizar Marte durante anos, bem para lá do seu tempo de vista projectado.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Universe Today
New Scientist
Sky & Telescope

Mars Global Surveyor:
Página da NASA
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Panorama da Apollo 17 - Crédito: Tripulação da Apollo 17, NASA; Mosaico composto por: M. Constantine (moonpans.com)
Como seria explorar a superfície de outro mundo? Em 1972, durante a missão da Apollo 17, o astronauta Harrison Schmidt descobriu isso na primeira pessoa. Neste caso, o mundo era a Lua da Terra. Este panorama foi recentemente compilado a partir de fotografias lunares originalmente tiradas pelo astronauta Eugene Cernan, onde a magnífica desolação da estéril Lua é aparente. Visível ao lado, são observáveis rochas lunares no pano da frente, montanhas lunares no fundo, e algumas pequenas crateras, um rover lunar, e o astronauta Schimdt no seu caminho de volta para o rover. Uns poucos dias depois desta imagem ter sido tirada, a Humanidade deixou a Lua e tem ainda que lá regressar.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 13/12: 347º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1920, era medido o primeiro diâmetro estelar (Betelgeuse), por Francis Pease com um interferómetro no Mt. Wilson.
Observações: A chuva de meteoros Geminídeas, provavelmente as melhores do ano, deverão atingir o seu máximo esta noite sem Lua. Agasalhe-se bem, encontre um local com um céu escuro, deite-se no chão ou numa cadeira, e observe as estrelas. A melhor direcção para onde observar é onde o céu for mais escuro. Dê 20 minutos aos seus olhos para se adaptarem.

Dia 14/12: 348º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1546 nasce Tycho Brahe. Nascido em Knudstrup, o astrónomo dinamarquês estabeleceu o primeiro observatório moderno e alterou muitas teorias Copernianas. Deu a Kepler o seu primeiro trabalho no campo.
Em 1962, a sonda americana Mariner 2 encontra Vénus e torna-se na primeira sonda interplanetária com êxito.
Observações: Titã, o maior satélite de Saturno, é sempre visível com um pequeno telescópio. Hoje e amanhã à noite estará a três, quatro diâmetros anulares para Este do planeta.

Dia 15/12: 349º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1911, Roald Amundsen escreve no seu diário o estranho comportamento do Sol no céu ao chegar ao Pólo Sul (possivelmente o primeiro grupo a alcançar qualquer um dos pólos).
Em 1965 as Gemini 6 e 7 realizam o seu primeiro encontro entre duas naves em órbita da Terra. Os astronautas da Gemini 6 eram Walter Schirra e Thomas Stafford, e os da Gemini 7 Frank Borman e James A. Lovell Jr.
Em 1970, a sonda soviética Venera 7 aterra em Vénus e torna-se na primeira sonda a transmitir dados de outro planeta. Embora esta transmissão tivesse durado apenas 23 minutos, possivelmente devido à sonda ter aterrado de lado por causa de uma avaria no seu pára-quedas, os sensores de temperatura e pressão confirmaram que a pressão à superfície do planeta era noventa vezes maior que na Terra e a temperatura era de mais de 475 graus centígrados.
Em 1984 era lançada a Vega 1 (missão para o planeta Vénus e Cometa Halley).

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
A primeira pessoa a descobrir um cometa com um telescópio foi Gottfried Kirch a 14 de Novembro de 1680.
 
 
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