NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 29
1 de Junho de 2004
ERRATA DA NEWSLETTER N.º 28 E MAIS INFORMAÇÕES

Na newsletter anterior referia-se o termo "queda negra" para o efeito observado no trânsito de Vénus. O termo correcto é na realidade "gota negra" (agradecimentos a António Pedrosa pelo aviso).

Em relação às webcasts, faltou mencionar que o Centro Multimeios de Espinho e o Centro Astrofísica da Universidade do Porto irão também realizar uma transmissão online do evento. Pode consultar a sua página com mais informação em http://www.tv2004.org.

Finalmente, indicamos mais uma possível opção para o visionamento online do trânsito, desta vez pelo Observatório Astronómico de Lisboa.

Outros participantes nacionais da inciativa VT-2004:

Grupo de Astronomia da Universidade da Madeira
Cîencia Viva - Lisboa
Associação de Física da Universidade de Aveiro (FISUA)
Nucleo de Astronomia de Barcelinhos (NASTAB) - Barcelos
Observatorio astronómico de Mira
Clube Astronómico 2000 - Lisboa
Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores (APAA)
Exploratório Infante D. Henrique - Coimbra
Observatório Paulo Casquinha - Qta do Anjo, Palmela
Núcleo de Astronomia e Observação da Beira Interior (NAOBI) - Guarda
Escolas Secundárias - Sever do Vouga
Núcleo Interactivo de Astronomia - NUCLIO

 
1ª OBSERVAÇÃO CIENTÍFICA DA ROSETTA - COMETA LINEAR

O caçador de cometas da ESA, a sonda Rosetta, cuja viagem de 10 anos até ao seu destino final (Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko) começou a 2 de Março, está no bom caminho. A primeira fase está quase completa e a Rosetta conseguiu completar com sucesso a sua primeira actividade científica - observar o Cometa Linear.


Imagem do Cometa Linear.
Crédito: ESA/MPG/H. Uwe Keller
(carregue na imagem para ver versão maior)

Estas actividades, que começaram um par de dias depois do lançamento, incluíram a activação individual de todos os instrumentos a bordo do orbiter e do lander Philae. O primeiro diagnóstico correu sem falhas e mostrou que a nave e todos os instrumentos estão funcionando em excelentes condições.

Estes testes também delinearam o caminho até à primeira actividade científica da Rosetta: observar o Cometa C/2002 T7 (LINEAR), que está actualmente viajando na sua primeira e única visita ao Sistema Solar interior, ofereceu à sonda uma oportunidade excelente de fazer a sua primeira observação científica.

A 30 de Abril, o sistema de câmaras OSIRIS tirou imagens do visitante cometário único. Nesse mesmo dia, outros três instrumentos a bordo da Rosetta (ALICE, MIRO e VIRTIS) foram activados em paralelo de modo a fazer medições do cometa. Embora esta activação paralela dos instrumentos tivesse sido planeada para mais tarde, a equipa de cientistas da Rosetta estava confiante que isto poderia ser feito sem qualquer risco, dado o progresso satisfatório do teste em geral.


OSIRIS (Optical, Spectroscopic, and Infrared Remote Imaging System).
Crédito: ESA/AOES Medialab

Os primeiros dados das observações remotas confirmam a excelente performance dos instrumentos. Quatro destes tiraram imagens e dados espectrais do Cometa C/2002 T7 (LINEAR), de modo a estudar a sua cabeleira e cauda em diferentes comprimentos de onda, variando desde o ultravioleta até ao micro-ondas. A sonda mediu com sucesso a presença de moléculas de água na ténue atmosfera ao redor do cometa. Análises mais detalhadas dos dados requerem a calibração completa dos instrumentos, que terá lugar nos próximos meses. A câmara OSIRIS produziu imagens de alta resolução do Cometa C/2002 T7 (LINEAR) a partir de uma distância de 95 milhões de quilómetros. A imagem mostra um núcleo pronunciado e uma secção da ténue cauda extendendo-se a cerca de 2 milhões de quilómetros.

A excelente observação do Cometa Linear foi um primeiro teste positivo para o objectivo principal da sonda Rosetta, o estudo do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, onde chegará em 2014. A Rosetta será a primeira missão com um longo período de exploração de um cometa a pequenas distâncias, à medida que o acompanha para mais perto do Sol.


O orbiter Rosetta e o lander Philae aproximando-se do seu alvo.
Crédito: ESA
(carregue na imagem para ver versão maior)

O estudo aprofundado sem precedentes do orbiter Rosetta e do lander Philae irá ajudar os cientistas a decifrar a formação do nosso Sistema Solar há cerca de 4600 milhões de anos atrás e providenciará pistas de como os cometas podem ter contribuido para o começo da vida na Terra. Em particular, o lander Philae, desenvolvido por um consórcio Europeu sobre a liderança do Instituto Alemão de Pesquisa Aerospacial (DLR), irá analisar a composição e estrutura da superfície do cometa.

Depois das primeiras manobras de espaço profundo terem sido efectuadas a 10 e 15 de Maio com a maior precisão possível, a primeira fase está no seu final e acabará ainda esta semana. A Rosetta irá depois entrar num calmo 'modo cruzeiro' até Setembro, quando a segunda fase está planeada começar. Estas actividades, incluíndo a campanha de interferência e apontamento, irão durar até Dezembro.

A Rosetta está no bom caminho da sua viagem épica de 10 anos, para fazer o que nunca foi antes tentado - orbitar e aterrar num cometa.

Links:

ESA:
http://www.esa.int

Rosetta:
http://www.esa.int/SPECIALS/Rosetta/index.html

Cometa C/2002 T7 (LINEAR):
http://cometography.com/lcomets/2002t7.html
http://cfa-www.harvard.edu/iau/Ephemerides/Comets/2002T7.html
http://antwrp.gsfc.nasa.gov/apod/ap040422.html

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
     
 
Nuvem iridescente sobre França - Crédito: Michael Koch
Porque haveria de uma nuvem aparecer com tantas cores diferentes? Um relativamente raro fenómeno conhecido como nuvens iridescentes pode mostrar vívidas cores irregulares ou um completo espectro de cores simultâneo. Estas nuvens são formadas por pequenas gotículas de água de tamanho quase uniforme. Quando o Sol está na posição certa e na sua maioria escondido por espessas nuvens, estas finas nuvens difractam significantemente a luz de uma maneira coerente, em que as diferentes cores são deflectidas em diferentes quantidades. Por isso, diferentes cores irão chegar ao observador de diferentes direcções. Muitas nuvens começam com regiões uniformes que poderiam mostrar iridescência mas depressa se tornam muito espessas ou ficam muito longe do Sol para exibir cores tão vivas. Esta nuvem foi fotografada em Março passado, perto de Cannes, França.
Ver imagem em alta-resolução
     
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 01/06: 149 º dia do  calendário gregoriano. A Lua encontra-se no nodo descendente (longitude 221.0º). Os cometas NEAT (C/2001 Q4) e Linear (C/2002 T7) continuam visíveis e observáveis com binóculos no céu a Oeste.

Dia 02/06: 150 º dia do calendário gregoriano. Aproveite para observar a Lua Cheia, que se encontra pertíssimo (pouco mais que 1º) da estrela Antares da constelação de Escorpião.

Dia 03/06: 151 º dia do  calendário gregoriano. Aproveite a noite para observar Júpiter e os seus satélites galileanos.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Existem linhas de caminho de ferro suficientes para ir à Lua e voltar várias vezes.
 
 
 

Livro à venda no Centro Ciência Viva do Algarve por 13 €.
 
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Compilado por: Miguel Montes e Alexandre Costa
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