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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 293
27 de Dezembro de 2006
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ANÃ BRANCA FORNECE PISTAS SOBRE FIM DO SISTEMA SOLAR

Um recentemente espiado disco de detritos em torno de uma distante estrela morta é provavelmente o que resta de um asteróide que foi vaporizado aquando da morte da estrela, dizem os cientistas.

A descoberta, detalhada na edição de dia 22 de Dezembro da revista Science, poderá ser um sinal do que irá acontecer ao nosso próprio Sistema Solar daqui a uns milhares de milhões de anos. Devido ao asteróide destruído ter estado ligado graviticamente por um ou mais planetas, o achado também evidencia que os sistemas planetários se podem formar em torno de estrelas massivas.

Enquanto analisava o espectro de algumas centenas de anãs brancas, o astrónomo Boris Gänsicke da Universidade de Warwick, descobriu provas de uma fria nuvem de poeira em torno da anã branca G29-38 (ou SDSS1228+1040). As anãs brancas são os restos estelares da morte de uma estrela relativamente pequena, tal como o Sol, que gastou o seu combustível e libertou as suas camadas superiores para o espaço.


Anel em torno de uma anã branca.
Crédito: Mark A. Garlick
(clique na imagem para ver versão maior)

G29-38 "tem umas linhas de emissão de cálcio muitas estranhas no fim vermelho do espectro, que as anãs brancas não deveriam ter, e até, que nem a maioria das estrelas deveria ter," disse Gänsicke.

A assinatura química da luz da anã branca sugere que tem uma espécie de cintura rotacional à sua volta, disse.

"É a primeira vez que podemos realmente provar que existe um disco de detritos à volta de uma anã branca," disse Gänsicke.

Ele e seus colegas acreditam que o disco foi criado por um asteróide que foi perturbado pela força das marés, puxado para fora da sua órbita por um grande objecto. Pensam que o cenário mais provável é que um ou mais planetas perturbaram a órbita do planeta, fazendo-o aproximar-se da estrela. A gravidade da estrela eventualmente despedaçou-o, e o seu calor levou os detritos a formarem um anel de gás em rotação. Tal disco teria um curto período de vida, porque o material cai para a anã branca, de acordo com Gänsicke, por isso deve ter-se formado há pouco tempo.

Isto significa que é provável que um ou mais planetas originalmente em torno da estrela possam ter sobrevivido a inchada fase de gigante vermelha, de modo a poder perturbar o asteróide, disse Gänsicke.

Esta estrela e outros sistemas planetários possíveis providenciam um modelo do que o nosso Sistema Solar poderá parecer daqui a uns milhares de milhões de anos.

"É semelhante ao que o nosso próprio Sistema Solar parecerá quando o Sol terminar a sua vida," disse Gänsicke.

Quando o Sol se tornar numa gigante vermelha, crescerá até algo entre a órbita actual da Terra e Marte.

"O que acontecerá quando o Sol se tornar numa gigante vermelha, é que provavelmente destruirá Mercúrio e Vénus, e até a Terra, mas Marte, a cintura de asteróides, Júpiter Saturno e todos os outros planetas irão sobreviver, movendo-se um pouco mais para longe."

Eventualmente, o Sol tornar-se-ia numa anã branca com asteróides e os planetas restantes continuariam a orbitá-la. É possível que Júpiter possa perturbar a órbita de um asteróide, fazendo-o caír para o Sol, e formando o mesmo disco que Gänsicke descobriu, afirmou.

G29-38 tem agora cerca de 75% da massa do Sol, mas teria originalmente quatro ou cinco massas solares. Os astrónomos não sabiam ao certo se os planetas se poderiam formar ou não em torno de estrelas massivas, dado que não vivem muito tempo.

A descoberta deste disco em torno da anã branca serve de boa prova para a existência de planetas, de acordo com Gänsicke. "Embora não tenhamos descoberto um planeta directamente, temos provas indirectas bastante fortes da existência de um planeta," disse.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)
Universe Today
Space Ref
New Scientist
National Geographic

Anãs brancas:
Wikipedia
NASA

 
 

CHEGOU A VEZ DO COROT

Afastem-se, Hubble, Chandra, Spitzer! Está prestes a chegar ao espaço um novo telescópio. No dia 27 de Dezembro, a Agência Espacial Europeia planeia lançar o seu caçador de planetas e de sismos estelares, o satélite COROT.


Impressão de artista do satélite COROT
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)

COROT significa "Convection Rotation and planetary Transits". A primeira parte do nome, rotação convexa, significa que o COROT será capaz de analisar o interior das estrelas, medindo ondas acústicas que navegam pelas suas superfícies. Esta é uma técnica que os astrónomos usam, chamada asterosismologia. A segunda parte do nome, trânsitos planetários, refere-se à sua habilidade de medir quanto do brilho de uma estrela diminui quando um planeta passa à sua frente.

É esta sua segunda capacidade, caçar planetas, que deverá ser realmente excitante. O COROT irá estudar centenas de milhares de estrelas ao mesmo tempo, vendo se alguma aumenta ou diminui o seu brilho periodicamente. A maioria dos planetas que o COROT irá descobrir serão provavelmente "júpiteres quentes"; grandes planetas que orbitam perto das suas estrelas-mãe. Mas os seus instrumentos serão sensíveis o suficiente para descobrir planetas rochosos que orbitam a cada 50 dias as suas estrelas. Pode até descobrir uma nova classe de planeta nunca antes vistos.

Links:

Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa (ESA)

COROT:
ESA
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
O Gegenschein - Crédito: Jimmy Westlake (Colorado Mountain College)
Se observar com atenção, poderá até ver o brilho do Sol na direcção oposta. À noite, este brilho é conhecido como o gegenschein (alemão para "brilho oposto"), e pode ser visto como um ténue brilho num extremamente escuro céu. O gegenschein é luz solar espalhada por pequenas partículas de poeira interplanetária. Estas partículas de poeira têm um tamanho de milímetros, são restos de asteróides e orbitam a eclíptica. Na imagem do lado, o gegenschein é visto na direcção da constelação de Peixes. O gegenschein distingue-se da luz zodiacal pelo alto ângulo de reflexão. Durante o dia, um fenómeno similar ao gegenschein, chamado glória, pode ser visto no ar ou em nuvens na direcção oposta ao Sol, quando visto de um avião.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 27/12: 361º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1571, nascia Johannes Kepler.
Observações: Lua em Quarto Crescente, por volta das 14:48.

Dia 28/12: 362º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1882, nascia Arthur Eddington, astrofísico que confirmaria a previsão de Einstein de encurvamento do espaço-tempo no célebre eclipse de 1919 observado na ilha de Príncipe (portuguesa nessa época). Foi quem desenvolveu o modelo da pulsação das cefeidas e trabalhou a par de Einstein na tentativa de unificação da forças fundamentais.
Observações: Por volta das 21, 22 horas desta semana, a Ursa Menor situa-se mesmo por baixo da Estrela Polar, a estrela no fim da sua cauda.

Dia 29/12: 363º dia do  calendário gregoriano.
Observações: As estrelas de Carneiro brilham por cima da Lua ao princípio da noite, e para a direita, mais tarde. A mais brilhante de todas, Hamal, é uma gigante laranja. Consegue ver o seu tom à vista desarmada?

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
A Lua tem sempre a mesma face virada para a Terra, o que faz com que muitas pessoas digam que a Lua não roda. O que de facto acontece é que o período de rotação da Lua é síncrono com o de translação, o que faz com que o observador da Terra veja sempre a mesma face da Lua; Se estivéssemos no exterior da órbita da Lua vê-la-íamos rodar dando exactamente uma volta em torno do seu eixo no mesmo tempo que dá uma volta em redor da Terra.
 
 
  PERGUNTE AO ASTRÓNOMO:  
 
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